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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Alain Fresnot - 23/05/2003 às 18h00

Alain Fresnot, diretor do filme

Diretor do filme Desmundo falou sobre a produção que narra saga de uma órfã adolescente que chega ao Brasil em 1570, enviada pela Rainha de Portugal.

(18:13:26) Alain Fresnot: Alô pessoal antenado no UOL, estou aqui pra bater um papo a respeito do meu último filme chamado Desmundo, que estréia sexta-feira que vem em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.


(18:14:12) Alain Fresnot: O filme é baseado no livro homônimo da escritora Ana Miranda e trata da história de uma jovem adolescente que vem para o Brasil na marra em 1570.


(18:14:47) Alain Fresnot: O filme foi rodado em Ubatuba, litoral norte de São Paulo e é um filme de amor e de ação na história do Brasil.


(18:15:44) Alain Fresnot: É a aventura dos primeiros colonizadores com suspense e ação. Os papéis principais são interpretados por Simone Spoladore, Osmar Prado, Caco Ciocler e muita gente boa mais.


(18:16:15) Selecionador UOL: p


(18:18:06) J.Gotti fala para Alain Fresnot: pq Ubatuba?


(18:18:20) Alain Fresnot: A música é do maestro John Nashiling e saiu pela editora trama. O filme é baseado num fato histórico real, uma carta do Padre Manoel da Nóbrega escrita em 1553 em que ele pede para o rei Dom João III que mande mulheres brancas, órfãs ou outras quaisquer para que os portugueses aqui habitando não se misturassem mais com as índios e as negras. É um fato verídico, parece que vieram mesmo alguns grupos destas adolescentes que serviam como esposas reprodutoras para os bandeirantes, os assassinos,


(18:18:43) Alain Fresnot: (conti), os degredados, os judeus, cristãos novos fugidos da inquisição.


(18:20:02) Regina fala para Alain Fresnot: Como foi trabalhar com os índios?houve um treinamento especial?


(18:20:21) Alain Fresnot: J.Gotti, procuramos durante um bom tempo uma área de mata primária em todo o litoral do estado de São Paulo e até mesmo do Rio, mas é difícil encontrar algum trecho do litoral que ainda dê a sensação de intocado. E em Ubatuba tem uma reserva do Ibama e alguns trechos do sertão em que vc pode girar a câmera em 360 graus sem se preocupar com intervenção humana.


(18:21:42) J.Gotti fala para Alain Fresnot: e o Pe pediu que mandassem mulheres para essas pessoas?


(18:22:26) Alain Fresnot: Regina, os índios, como tudo no filme, procura ser o mais realista possível. Trabalhamos com as comunidade desde Bertioga até Parati Mirim. Foram feitos testes para alguns papéis indígenas mais importantes e um ator Darci Figueiredo, que tem muita experiência com índios coordenou essas 200 pessoas. Acho que o resultado ficou satisfatório, mas é preciso ser muito cuidadoso na relação com os índios que tem a cabeça diferente da nossa.


(18:23:26) Regina fala para Alain Fresnot: Você acha que ainda é muito dificil levar o publico ao cinema para ver filmes brasileiros? Por que?


(18:24:22) Monica fala para Alain Fresnot: Boa noite Alain , você gostou de ver seu novo trabalho concluido ,poissua linha era outra comose sente com Desmudo realizado?


(18:24:44) Alain Fresnot: J. Gotti, sim. Os jesuítas tinham a preocupação de colonizar o território, catequizar os índios e tentar reproduzir aqui nos trópicos as sociedade portuguesa. Os índios além de antropófagos, isto é, comedores de carne humana, eram polígamos. Tinham ´várias mulheres e os primeiros portugueses se acomodaram satisfatoriamente a esta situação, coisa que evidentemente não agradava aos jesuítas. Daí pedirem o envio de mulheres brancas.


(18:26:10) OMAR fala para Alain Fresnot: QUANDO SERA QUE UM FILME BRASILEIRO VAI GANHAR UM OSCAR??


(18:26:23) Alain Fresnot: Regina, não. O cinema brasileiro tem idas e vindas. Agora estamos num bom momento com grandes sucessos como "Eu, Tu, Eles", "Central do Brasil", "Carandiru" e outros. Precisamos valorizar nossa cultura e o público ir aos filmes nacionais, o que ajudará mais ainda esse avanço.


(18:28:06) Laura fala para Alain Fresnot: Qual o maior desafio ao filmar Desmundo? A adaptação do livro, a reconstrução histórica, os índios, o custo?


(18:29:13) Alain Fresnot: Monica, é verdade. Meus trabalhos anteriores "Lua Cheia" e "Ed Mort" eram comédias críticas como personagens emblemáticas e um pouco caricatas como é próprio de comédia. Daí eu quis mudar de registro e encontrei no livro da Ana Miranda um assunto em que as personagens fossem reais e levassem à trama. Conduzisse à dramaturgia e gostei muito da experiência. Talvez eu volte para a comédia, mas o Desmundo é muito profundo e a trama é levada pela maravilhosa jovem atriz Simone Spoladore.


(18:30:41) Monica fala para Alain Fresnot: Quanto tempo, demorou a produção?


(18:30:45) Alain Fresnot: Omar, nós do cinema brasileiro não estamos tão preocupados com isso. Para nós é mais importante conseguir manter um espaço no nosso mercado. Claro que um Oscar daria muita visibilidade para o cinema brasileiro. Seria algo assim como uma taça de futebol, um pentacampeonato, mas o importante mesmo é ter regularidade no cinema da esquina.


(18:31:19) Renata fala para Alain Fresnot: Como foi trabalhar com uma portadora de Sindrome de Down? Houve algum problema na direção? Vi o making of na TV Cultura e fiquei instigada com esse detalhe do filme.


(18:32:20) Alain Fresnot: Laura, nada é fácil. A cada momento há um desafio. O primeiro, evidentemente, é reunir os recursos financeiros para viabilizar o projeto. Depois no caso de Desmundo, tivemos de reconstruir uma vila inteira e um engenho, pois não há nada de pé do século XVI, a não ser uma igrejinha aqui e ali.


(18:33:02) Alain Fresnot: Monica, a preparação levou uns 6 meses, 9 semanas de filmagem e depois mais 1 semestre de finalização. Filmamos em maio, junho de 2001.


(18:33:25) Renata fala para Alain Fresnot: O que mais te atrai na personagem Oribela? A Simone Spoladore esteve no Bate papo ha dois dias e disse que personagem e fragil e forte ao mesmo tempo. Vc concorda?


(18:35:23) Alain Fresnot: Renata, realmente acredito que seja o primeiro filme do cinema brasileiro a ter uma criança sindromica como atriz. Assim como no caso do índios, procurei ser o mais realista possível. A personagem já existia no romance e se chama Viliganda. Procurei a APAE e fiz um teste com mais de 70 meninas com síndrome de down. Escolhi a jovem Ana Paula Mateo, pois o quadro dela era de compreensão e possibilidade de trabalho. Ela foi acompanhada durante toda a filmagem e acredito, resultou em uma coisa


(18:35:39) Alain Fresnot: ( continua) sensível e positiva para ela.


(18:36:36) Laura fala para Alain Fresnot: Como foi filmar um filme de época? A produção exige muito de vocÊ?


(18:36:38) Alain Fresnot: Renata, sem dúvida. Ela tem uma força interior que nem ela desconfia. E uma obstinação que vai se revelando à medida do desenrolar dos acontecimentos.


(18:37:20) mininU levadU zs fala para Alain Fresnot: O filme se passa em 1570. A temática é atual?


(18:38:56) Alain Fresnot: Laura, dependendo da época é mais ou menos fácil ou difícil fazer o trabalho. A vantagem é que vc pode controlar todas as variáveis, figurino, arquitetura, enfim, dá mesmo muito trabalho mas Desmundo não é um filme didático, nem pretencioso. É uma aventura em que em vários momentos o público se identifica e viaja no tempo.


(18:39:10) Miska fala para Alain Fresnot: Alain, vi o filme no Festival de Brasilia. E achei maravilhoso. Vc não acha que ele merecia mais premios? Como o de direção de arte?


(18:40:08) Alain Fresnot: Mini, o filme trata de sentimentos, de liberdade, de violência e autoritarismo. Acredito que ao emocionar com o tema da liberdade feminina, da conquista do território não esteja sendo atual.


(18:40:20) Monica fala para Alain Fresnot: Você , usa na suas produções universitários de cinema , pois tenho um filho, que faz cinema e estagios são poucos em nosso país.


(18:40:38) Alain Fresnot: Miska, acho. Não há mais nada a dizer


(18:40:53) Selecionador UOL: vc é um diretor que nao nasceu no Brasil, como hector babenco. como vc vê isso, o sucesso de diretores estrangeiros fazendo as principais produções do cinema nacional neste ano de 2003?


(18:41:47) Alain Fresnot: Monica, eu mesmo sou formado pela Universidade de São Paulo e sempre que possível trabalho com colegas ou dando preferência para profissionais. As oportunidades são realmente poucas por que a produção de cinema brasileiro, infelizmente, ainda é pequena.


(18:42:14) Monica fala para Alain Fresnot: Alain,na estréia quantas salas vai estar mostrando o filme?


(18:43:30) J.Gotti fala para Alain Fresnot: Pq vc vinha prodizindoo filmes nos últimos tempos e pq agora voltou à direção?


(18:44:23) Alain Fresnot: Eu cheguei ao Brasil muito mais cedo que o Hector, cheguei com 8 anos de idade. Meus pais imigraram para cá e rapidamente me adaptei à cultura brasileira e me identifiquei com o cinema brasileiro. Excelentes filme como Cidade de Deus são feitos por brasileiros natos e o cinema brasileiro tem uma tradição de incorporar técnicos e diretores estrangeiros desde os anos 50. Nos Estados Unidos isso também sempre foi muito comum. Inúmeros diretores europeus foram fazer ou continuar suas carreiras nos


(18:44:58) Alain Fresnot: (conti) Estados Unidos. O cinema é uma linguagem universal, mas nem por isso, deve deixar de se preocupar e refletir o país em que é feito.


(18:45:48) Alain Fresnot: Monica, acredito que algo entre 40 e 50 salas, em São Paulo, Rio, Brasília, Campinas, Santos, Ribeirão Preto e talvez mais algumas cidades do interior paulista


(18:45:59) Laura fala para Alain Fresnot: Por falar em publico, voce acha que Desmundo é um filme para o público? ou é um filme para plateias menores?


(18:47:04) MAIN FRAME fala para Alain Fresnot: Alain, até que ponto a autora do livro pode contribuir na produção do filme , já que é comum um certa dificuldade dos autores em cortar determinadas partes da história até pelo seu próprio envolvimento?????


(18:47:34) Alain Fresnot: J.Gotti, minha produtora a AF Cinema produziu de fato o filme da Tata Amaral, Castelo Rá tim bum, de Cao Hamburguer e Kenoma de Eliane Cafe, mas me separei da minha sócia e ex-mulher Van Fresnot e sempre fui mais diretor que produtor. Então agora retomo minha atividade.


(18:47:55) mininU levadU zs fala para Alain Fresnot: O cinema brasileiro é eficiente na parte estética, na interpretação de seus atores, tecnicamente e em outras áreas tb...Vc acha que as produções "se vendem" de forma correta? As nossas produções não estão se voltando muito para a nossa história e deixando de abordar uma temática mais universal?


(18:48:49) Alain Fresnot: Laura, Desmundo é um filme pra o grande público, por isso foi escolhido pela Columbia Tristar para ser distribuído. É um filme que permite uma diversão e entretenimento sem deixar de ser profundo por isso.


(18:50:14) Alain Fresnot: Main, em geral o autor do livro não se envolve na adaptação cinematográfica. Isso é bom porque dá mais liberdade para o produtor e diretor do filme e evita 'problemas' de relacionamento. No meu caso, a Ana Miranda viu o filme pronto e está satisfeita.


(18:51:23) Alain Fresnot: mininU, é preciso chegar ao universal a partir das nossas vivências, nossas histórias e nossa sensibilidade, afinal de contas o Brasil e os brasileiros são uma parte do universal.


(18:51:23) Regina fala para Alain Fresnot: Li que na segunda vai haver um festa para lançar o filme em SP. É mesmo? Quando estréia?


(18:51:41) MAIN FRAME fala para Alain Fresnot: VC Acha que o nosso novo ministro da cultura está demonstrando interesse em continuar impussionando essa boa fase que o cinema nacional vem passando...


(18:51:50) Regina fala para Alain Fresnot: Alain, qual seu proximo projeto de filme? Já tem algo em vista?


(18:51:53) Alain Fresnot: Regina, o filme estréia sexta-feira, dia 30, em vários cinemas de São Paulo.


(18:53:28) Alain Fresnot: Main, acredito que sim. Há uma fase de ajuste, de adaptação que espero não demore muito, mas não há porque ser pessimista. Fiz um projeção de Desmundo para o presidente Lula semana passada no Palácio da Alvorada e percebi do próprio presidente um interesse especial em prestigiar nosso cinema.


(18:54:24) Alain Fresnot: Regina, estou trabalhando em uma comédia de costumes ainda no roteiro e o trabalho de lançamento do Desmundo é muito envolvente, mas espero conseguir fazer um próximo filme.


(18:55:27) Alain Fresnot: Obrigado pessoal. É uma experiência diferente pra mim. Foi minha primeira entrevista on line. Conto com todos vocês para o lançamento de Desmundo. Muito obrigado. Um abraço.