UOL Bate-papo

Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Flávio Gikovate - 28/09/2010 às 15h00

Estudioso da sexualidade humana desde os anos 1970, o psiquiatra e escritor lança seu 30º livro para desmistificar o tema. Em "Sexo", Flávio Gikovate apresenta sua visão sobre os tabus que cercam os relacionamentos e questiona assuntos contemporâneos, como a demanda crescente por pornografia na Internet. No Bate-papo UOL, além de falar sobre sua obra e responder dúvidas dos internautas, o médico comenta sua participação na novela "Passione" (Globo). Numa mistura de realidade e ficção, Flávio Gikovate interpreta ele mesmo e assume o papel de terapeuta de Gerson (Marcello Antony), personagem que resolve procurar tratamento psiquiátrico após ter o casamento destruído em função de um grande segredo.

Assista o vídeo da conversa:

(03:02:14) Flávio Gikovate: Olá. É um prazer está aqui.
(03:03:19) Flávio Gikovate: Sobre o segredo do Gerson: Eu ainda não sei. Estou tratando o Gerson como qualquer outro paciente. Só vou saber quando ele me contar. Só sei o que o Silvio de Abreu já disse: é algo relacionado com sexo.
(03:04:34) Flávio Gikovate: Sobre a atuação em "Passione": É muito difícil representar você mesmo. Câmeras, iluminação, um ator em sua frente. Para mim é uma homenagem de Silvio de Abreu a mim. E minha intenção é mostrar como funciona uma consulta psicoterápica.
(03:08:09) Flávio Gikovate: Sobre o livro: "Sexo" é meu 30º livro. Pois ainda existe muito tabu com relação a esse assunto. Muitas pessoas sofrem muito com esse tema. Tenho uma experiência clínica muito grande, comecei a atender junto com o lançamento da pílula anticoncepcional, então tenho muito a dizer sobre isso. Nesse tempo, mulheres se tornaram independentes financeiramente, a preocupação com a aparência física também aumentou e assuntos relacionados a sexo também acabaram mudando.
(03:01:11) cocota: boa tarde, dr! já acompanhei diversos chats com o senhor e sempre me dá a impressão que os assuntos que aborda em seus livros causam bastante polêmica. isso é intencional? digo, qdo está escrevendo um livro pensa que vai causar polêmica, se prepara para isso? obrigada
(03:12:24) Flávio Gikovate: cocota, eu não me preparo para polêmicas não, até me surpreendo com as polêmicas que causo. A maior briga que eu tive foi em torno do ano de 1980. Eu tinha uma coluna semanal sobre comportamento e comecei a escrever sobre a diferença sexual entre o homem e a mulher. As feministas me atacaram ferozmente! Me parecia tão óbvio que eu estava expondo um fato verídico que eu não entendia o porquê de tanta oposição. Na época, não podia dizer que a mulher era objeto de desejo sexual. Agora estou acostumado com polêmica, principalmente porque tenho um trabalho original.
(03:11:18) anape: Boa tarde, dr. Flavio. Porque o o sr. insiste em dizer que sexo e amor são duas coisas diferentes?
(03:14:53) Flávio Gikovate: anape, amor é aconchego e paz, depende de um objeto externo, já sexo pode até mesmo ser praticado sozinho. Isso é uma polêmica também. Pois muitos psicoterapeutas acreditam que sexo e amor caminham sempre juntos.
(03:01:26) formiga: algum tempo atrás vc publicou um livro onde defendia o triunfo do individualismo nas relações afetivas. continua a pensar assim? "sexo", sua nova publicação é uma continuação desse outro livro? ou, pelo menos uma visão mais "friamente calculada" sobre aquela teoria? ou tô viajando e nada tem a ver com nada? rsrs
(03:18:55) Flávio Gikovate: formiga, acho que você não leu o livro, provavelmente você leu uma entrevista específica sobre o livro, que se equivocou. Eu dizia que se eu tivesse que escolher entre amor e individualidade, escolheria a individualidade, pois o amor que massacra, onde pessoas que ficam grudadas, não é um amor saudável, hoje em dia não existe mais essa dependência, as pessoas precisam do seu espaço. E quem escreveu essa matéria onde havia a frase "é melhor estar só" se equivocou, pois eu sou a favor da individualidade quando tenho escolher entre ela e o amor possessivo.
(03:01:36) aurora: Em entrevista recente você abordou que esse seria seu último livro. Seria o último sobre o assunto e novo tema já está despertando seu interesse?
(03:01:41) joca: Oi, Flávio, tudo bem? Parabéns por mais um livro. Queria saber quem são seus principais leitores, você sabe? Homens, mulheres, jovens, idosos...? Quem quer se auto-compreender mais hoje em dia?
(03:22:37) Flávio Gikovate: aurora e joca, esse é provavelmente meu último livro, pode ser que eu faça algumas coletâneas, mas seriam pequenos acréscimos, porém livros mesmo são uma trilogia: "O mal, o bem e mais além – Egoístas, generosos e justos", "Uma história do amor...Com final feliz" e "Sexo". Acho que meu público são meus ouvintes da rádio, cerca de 100 mil, um público muito heterogênio, alguns profissionais da área, mas também outras pessoas: homens, mulheres, idosos, estudantes.
(03:07:57) Universitário: Doutor to viciado em bate papo sobre sexo o que eu devo fazer?
(03:08:01) mulher: gostaria de saber pq tantos homens casados estão nas salas de bate papo....
(03:28:21) Flávio Gikovate: Universitário e mulher, esse tema do sexo virtual é um dos fenômenos mais importantes da atualidade. O número de pessoas, principalmente, homens, pois são muito visuais, cresceu muito. Essas pessoas, muitas vezes, começam a achar mais graça no sexo virtual do que no sexo real. Então há uma competição, pois os homens cada vez mais estão voltados mais pro computador do que pras mulheres. O sexo é um fenômeno pessoal, que o indivíduo pode se satifazer sozinho, junto com o visual da internet, transforma o sexo vurtual em algo muito fácil, não precisa sair de casa, pode fazer a qualquer hora. Os homens que querem preservar sua vida sexual real deve evitar ao máximo o sexo virtual ou incluir a mulher na brincadeira.
(03:11:34) astronauta: boa tarde, flavio! comprei seu livro ontem e só li a contracapa e orelhas ainda, hehe... mas achei interessante a história de desejo ser diferente de exitação. queria que explicasse isso melhor, por favor. mas não se preocupe que não vou deixar de ler o livro, hehe...
(03:33:09) Flávio Gikovate: astronauta, a diferença entre excitação e desejo é muito marcante. O desejo é algo ativo, uma vontade de agarrar, mais masculino. A mulher já se excita ao se perceber desejada. A excitação já é um fenômeno interno, depende mais do tato do que do olhar. O desejo, que é mais visual, se esgota com mais facilidade com o tempo, já a excitação vem após as carícias. O desejo estimula o exibicionismo, consumismo. Se a sociedade tivesse como base mais a excitação, a curtição, do que o desejo, esta seria menos consumista.
(03:19:36) Moderadora/UOL:
Psicoterapeuta Flávio Gikovate participa do Bate-papo UOL com Convidados e comenta seu mais recente livro "Sexo" (crédito: Flavio Florido/UOL)
(03:11:14) mulher: achei interessante vc pensar que "sexo" é algo que não está bem resolvido pra maioria das pessoas e sociedade em geral já que, especialmente no Brasil, há uma exploração enorme do tema. vc acredita que falamos mto e praticamos pouco? se comenta mto na tv, mas no final é tudo superficial?
(03:37:10) Flávio Gikovate: mulher, eu acho que sim. Como as pessoas estão trabalhando demais, a vida sexual do casal acaba se restringindo aos finais de semana. E após o casamento ainda dificulta mais, com filhos e mais preocupações. O que mais me preocupa é a qualidade e não a quantidade. Os homens pararam de se preocupar com a satisfação das mulheres, os homens preocupados com o tamanho de seu pênis e as mulheres fingindo orgasmos e ninguém conversa sobre o assunto. O casal não senta para dividir as opiniões. Temos muito o que crescer em relação a isso ainda.
(03:11:54) aurora: Oi Flávio! Queria muito saber de sua sensação sendo "psicoterapeuta ator" na novela Passione, pois por mais que queira conservar sua espontaneidade, é um papel que está sendo desempenhado. O que entra em jogo: insegurança, vaidade, coroamento de carreira...
(03:44:07) Flávio Gikovate: aurora, vaidade sempre está presente, se você finge que não tem vaidade está mentido. Nas minhas decisões sempre tento tirar fora a vaidade. O convite do Silvio de Abreu me deixou muito sensibilizado, pois somos amigos a mais de 30 anos. Em segundo lugar vem o desafio, pois sou psicoterapeuta há anos, também sou autor e também sempre fui um divulgador de minha próprias ideias. Em 1977, quando eu devia estar fazendo minhas teses, eu fui escrever para a Revista Capricho, para a decepção de meu pai. Também já escrevi para a revista "Playbloy", "Folha" e revista "Cláudia". Agora eu falo na rádio e também tenho um twitter, aliás, me sigam: @flavio_gikovate. E agora estou na novela. Quer dizer, combina com tudo que tenteni fazer na minha vida, divulgar minhas ideias, transmitir meu jeito de ser e falar sobre a psicoterapia. Pois pouca gente hoje em dia está preocupada com o assunto da alma, o crescimento interior.
(03:12:22) anape: Dr. Flavio. O que o sr. está achando de atuar numa novela? Não é ruim para o seu trabalho?
(03:45:07) Flávio Gikovate: anape, ninguém se manisfestou negativamente. Nem no meu consultório, nem no twitter e nem nos e-mails da rádio. Todo mundo sabe que é quase uma gracinha que estou fazendo, não é a coisa mais importante da minha vida.
(03:45:35) Flávio Gikovate: Meu clientes sabem separar o médico, o autor e o divulgador.
(03:12:06) ccdd: voce tem muitos pacientes como o gerson? é algo comum, real, ou é história de novela?
(03:47:00) Flávio Gikovate: ccdd, ainda não sei qual é o segredo do Gerson, então não posso dizer com clareza. Mas hoje existe um apego grande em muitos homens com o computador, com o sexo virtual.
(03:12:14) interessado: como está flávio, antes de mais nada quero cumprimentá-lo pela brilhante atuação
(03:12:19) interessado: gostaria de saber se para dores de amor exise cura
(03:50:47) Flávio Gikovate: interessado, dor de amor é a dor que agente sente quando se rompe um vínculo forte. A dor do amor é um prazer negativo. Agente já nasce se sentindo incompleto após a "quebra" entre a criança e a mãe. Naturalmente, a sensação de desassossego, desamparo nasce com a gente. Quando um indivíduo se sente completo e amado e, de repente, isso se rompe, volta aquela sensaçao de incompletude que nasceu com a gente.
(03:26:52) Sozinho_em_Casa: Doutor, quase todos os homens casado traem mas se perguntados todos vão responder que amam suas esposas, a traição é normal? É uma ques~toa biologica ?
(03:26:56) mameluca: boa tarde, flávio! tem um cara casado que tem me procurado bastante. até sai com ele antes de saber que ele tinha mulher, depois disso acabei falando que não queria nada com ele por causa da oficial. no entanto ele continua me procurando... pq homem age assim? estou com medo de casar e virar corna também, HAhaHA...
(03:53:35) Flávio Gikovate: Sozinho_em_Casa e mameluca, muitos homens defendem a traição como um fato biológico. Mas o homem não é só biologia, o homem é cultura, é moral, são valores. Existe dois tipos de homem e de mulher: os com carácter e os com carácter. Se um homem de caráter casar com uma mulher com carácter, nenhum deles são traídos.
(03:36:36) netespectador: A compulsão sexual e a procura excessiva por materiais pornográficos podem ser tratados psicoterápica e bioquimicamente?
(03:54:35) Flávio Gikovate: netespectador, pode. Faz parte de um tipo de terapia que começou em 1940, chamada terapia da vontade.
(03:37:12) Amador: Sexo por sexo é vulgaridade por quê? Não é uma necessidade fisio-psicológica?
(03:55:52) Flávio Gikovate: Amador, fisio pode ser. E também não falei que é vulgaridade, mas é um fenômeno fisiológico elementar. A função sexual é uma função simples.
(03:36:47) Atila: Dr. na sua opinião a homosexualidade é nata (genética) ou uma escolha?
(03:57:20) Flávio Gikovate: Atila, isso é um fenômeno muito compicado. Só não gosto de falar sobre isso em dois minutos, pois posso ser mal-interpretado. A homosexualidade tem característica bio-psico-sociais. Mas no meu livro tem minhas conclusões.
(03:36:47) Julio Cesar: O seu entendimento exposto é totalmente sincero ou tem limitação devido ao "politicamente correto"? Como exemplo, a sua consulente deste ultimo domingo, que disse que o marido quer sexo duas, ate três vezes ao dia e o Sr. não disse que isso é um grande exagero e problema. (sabemos que não é bem assim né... risos)
(03:58:41) Flávio Gikovate: Julio Cesar, não é problema patológico. As pessoas são diferentes. O fato do indivíduo ter um desejo sexual maior do que a média não faz dele um anormal.
(03:37:30) Paulão: Dr. Flavio, boa tarde. Porque o casal quase nunca conversa sobre tabus e problemas de cada um abertamente? Penso que uma conversa a dois, franca e aberta, pode resolver quase todos os problemas sobre sexo e outros.
(04:00:30) Flávio Gikovate: Paulão, de fato as pessoas conversam muito pouco. Na maior parte dos casais, um não é amigo do outro. Quando começa uma conversa e se termina em duelo, é normal que se evite as conversas após um tempo. As pessoas escolhem parceiros que não têm afinidade, escolhem por outros interesses.
(03:55:59) she: O que levou o sr. a escolha do titulo do livro Sexo?
(04:01:49) Flávio Gikovate: she, foi o fato de que esse livro corresponde a uma revisão crítica que faz com que comecemos a tratar o sexo como um fenômeno de verdade. Para voltarmos a conversar sobre isso e tratar alguns tabus.
(04:02:28) Flávio Gikovate: Meu programa de rádio é aos domingos na CBN, das 21h às 22h, ao vivo.
(04:02:50) Flávio Gikovate: Quero agradecer a oportunidade de falar mais uma vez sobre esse tema. Obrigado.
(04:02:50) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Flávio Gikovate e de todos os internautas. Até o próximo!
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