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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Raquel Pacheco - 24/03/2011 às 15h00

Conhecida como Bruna Surfistinha, Raquel se tornou uma das principais personalidades da mídia brasileira da última década por falar de seu dia-a-dia como garota de programa em um blog. O site se tornou um sucesso e rendeu o livro "O Doce Veneno do Escorpião" que se tornou best-seller no Brasil e rendeu mais duas obras como sequência: "O Que Aprendi com Bruna Surfistinha" e "Na Cama Com Bruna Surfistinha". No Bate-papo, a ex-garota de programa e escritora fala sobre sua experiência e diz como é se ver representada por Deborah Secco no filme "Bruna Surfistinha", em cartaz nos cinemas.

Assista o vídeo da conversa:

(02:58:59) Sófia: oi raquel
(02:58:59) SITE FOLHADOSERTAO: BOA TARDE
(02:59:00) Renan Diniz: Boa Tarde
(02:59:13) Leleumeninofake: Bruna boa tarde
(02:59:22) Adoro vc Bruna: oieeee brunaa
(02:59:27) casado 28: oi, td bem, vc é linda
(02:59:41) koba: oi
(02:59:43) GATO FPOLIS: oi
(03:02:14) melzinhalunna: oiiiiiiiiiiiiii
(03:05:56) Raquel Pacheco: Olá pessoal!
(03:09:08) Raquel Pacheco: Sobre o blog: Foi a grande sacada da minha vida. Eu tive a ideia certa no momento certo. Eu tinha parado de usar drogas e minha vida social acabou. Eu não tinha amigos, todos eram um bando de drogados. E quando eu terminava de atender os clientes eu ficava na internet e vi que tinha muitos blogs de garotas de programa. Então eu criei um, escrevi tudo sobre minha vida, mas me arrependi depois e exclui. E em 2004 eu resolvi fazer de novo e foi um sucesso. Eu escrevia sobre sexo e contava sobre minha rotina como garota de programa.
(03:05:29) SITE FOLHADOSERTAO: O filme já é o terceiro mais visto do ano no país, O que você tem a dizer dessa repercussão toda?
(03:13:02) Raquel Pacheco: SITE FOLHADOSERTAO e Tyago-RJ, um pouco antes de vir pro UOL, eu fiquei sabendo que o filme já atingiu 2 milhões de espectadores. Estou feliz com o sucesso, mas estou assustada, porque eu não esperava essa repercussão toda. Estou em uma mega correria, dando entrevistas sobre o filme, cuidando dos meus sites: o naonaopara.com.br, o bolsaerotica.com.br e o brunasurfistinha.com. Estou me dedicando também à carreira de DJ. Chega a noite, eu estou cansada, mas satisfeita.
(03:05:48) Vanessa: Olá Raquel, queria saber se vc imaginava todo esse sucesso que o filme está fazendo, e se vc gostou da atuação da Déborah? Bjoo
(03:14:42) Raquel Pacheco: Vanessa, não esperava que o sucesso fosse tão grande, não. Sobre a atuação da Deborah, eu adorei, ela se entregou à personagem do início ao fim. Consigo me ver nela, apesar das diferenças físicas, ela sou eu, com o jeito muito parecido desde pequena.
(03:17:35) Raquel Pacheco: Eu já sabia que a Deborah não faria laboratório de construção de personagem comigo. Eu conversei bastante com os roteiristas e com o diretor, mas não participei da elaboração do roteiro. Só confiei no trabalho da equipe, mas só fiquei sabendo como seria depois. Foi engraçado, porque quando eu conheci a Déborah foi quando eu fiz uma participação especial no filme, foi incrível, muito emocionante. Conversamos bastante. Ela comentou comigo que ficou surpresa, porque, mesmo não me conhecendo, ela não criou uma personagem fugindo do que eu sou realmente.
(03:23:54) Raquel Pacheco: Sobre o filme: o filme é uma adaptação do meu livro "O Doce Veneno do Escorpião". Por ser uma adaptação, é normal ter cenas fictícias. Eu vi o roteiro pronto e vi essas mudanças, mas são cenas que não fogem da realidade daquela época da minha vida. Tem uma cena que está o meu irmão, e eu não tenho um irmão na vida real, mas eu disse pro diretor que eu queria ter um e ele criou pra mim, como um presente. A vilã existiu mesmo, mas os nomes foram trocados. Os nomes dos meus pais também, para não expor ninguém. A cafetina também existiu. O personagem do Cássio Gabus Mendes representa todos os homens que se apaixonaram por mim e tentaram me tirar da vida de garota de programa, mas não conseguiram.
(03:05:57) SITE FOLHADOSERTAO: Se você pudesse voltar no tempo, tentaria mudar sua vida do passado?
(03:26:16) Raquel Pacheco: SITE FOLHADOSERTAO, hoje eu não me arrependo, não consigo ver minha vida sem meus erros e minhas loucuras, talvez quando eu for mais velha eu me arrependa. Mas agora não, vivo muito intensamente, faço tudo o que tenho vontade. A única certeza que tenho é que não morrerei frustrada.
(03:06:03) Bruno SP: Raquel, voce acha que a vida da maioria das pessoas precisa de mais liberdade sexual e menos moralismo?
(03:27:58) Raquel Pacheco: Bruno SP, com certeza, eu luto contra o preconceito. Eu dei a cara a tapa, quando eu comecei a aparecer na mídia eu ainda era garota de programa. Passei a mensagem que eu queria, que sexo não é pecado, não é crime. Quando eu assumi que era garota de programa até homossexuais começaram a se assumir. E só por isso já valeu a pena ter me exposto.
(03:09:15) andrey GP: BOA TARDE RAQUEL NOS DIAS DE BRUNA VC TEVE ALGUM PROBLEMA COM DISCRIMINAÇÃO POR VIZINHOS OU FUNCIONARIOS EM SEU FLAT TO TENDO ESSE PROBLEMA SOU GP E MEUS VISZINHOS SOUBERAM E PASSAM O DIA COM A PORTA DO APTO DELES ABERTA DE FRENTE PARA O MEU SENDO ASSIM CONSTRANGENDO MEUS CLIENTES COM OLHARES , VC JA PASSOU POR ISSO OU ALGO PARECIDO BJOS TE ADORO
(03:30:41) Raquel Pacheco: andrey GP, nunca passei por isso com vizinhos. Já aconteceu com um gerente do flat, porque eu recebia vários homens e isso prejudicava a segurança do prédio. Eu sempre fui discreta, os meus vizinhos sabiam que eu era garota de programa, mas sempre procurei respeitar o espaço deles. Então, eles sempre me respeitaram.
(03:10:11) Tyago-RJ: Ola Raquel,tudo bom? Queria saber o seguinte, com a estréia do filme e tudo mais... isso mundo algo na sua vida?
(03:13:39) Junior Surfistinha: oi raquel! vc gostaria de posar nua?
(03:32:39) Raquel Pacheco: Junior Surfistinha, recebi o convite, mas não topo, por enquanto. Assim que eu parei de fazer programa, eu ia provar que não preciso mais do meu corpo para ganhar dinheiro. Quero mostrar que tenho cérebro. Não é só porque parei de fazer programa que sou santa, estou longe disso. Mas tenho vergonha de aparecer na revista. Eu não tenho mais família, não me aceitam mais. Mas a família do meu marido me acolheu e eu quero respeitá-los.
(03:14:41) gabriel 20ans: oi raquel vi seu filme amei,a deborah tava fabulosa,akela cena das meninas no salão de beleza foi real?pq eu ri muito .sucesso bjks!!!!
(03:24:15) Raquel Pacheco: gabriel 20ans, foi real em partes, foi uma adaptação de uma história que contei.
(03:14:45) Erika sp: Qual foi a situação mais constrangedora que você ja viveu com um cliente?
(03:34:26) Raquel Pacheco: Erika sp, foi quando fui atender um cliente em um motel, combinamos que ficaria duas horas e esse tempo passou. Eu disse que precisava ir embora e ele me trancou no quarto e não me deixou sair. Eu fiquei com muito medo. Quando ele me deixou finalmente ir embora, ele ia me pagar e jogou todo o dinheiro no chão, eu tive que me abaixar e pegar todo o dinheiro. Me senti muito humilhada, mas pelo menos não fui agredida.
(03:15:51) Guiga: Depois do sucesso do "Doce veneno do escorpião" Outros livros seus tão serão adaptados para o cinema?
(03:35:15) Raquel Pacheco: Guiga, por enquanto não. Não consigo imaginar os outros livros como filme. Os outros livros são dicas, talvez uma série.
(03:16:37) Nicko / SP: Boa tarde. Como você lidava com a solidão ? Apesar de ter contatos com muitas pessoas, imagino que o sentimento de solidão devia ser devastador... Agradeço a resposta e lhe desejo muito sucesso !!!
(03:37:15) Raquel Pacheco: Nicko / SP, obrigada! A solidão foi complicada pra mim. Eu tinha vários homens e ao mesmo tempo nenhum, as vezes batia a carência. Mas desde criança eu era quieta, não me aproximava de colegas, vivia nos cantos. Até hoje tenho poucas e boas amigas. Mas o mais difícil foi a ausência da minha família, sentia falta da minha mãe e do meu pai. Eu tentava matar meu tempo no computador e lendo.
(03:19:40) RICKISON-PARAIBA: Bruna as cenas parecem reais.voce acha que deveriam ser ainda mais PESADAS?
(03:38:20) Raquel Pacheco: RICKISON-PARAIBA, não. Eu acho que as cenas no filme estão reais. As cenas sexuais não precisam ser explícitas, dá pra perceber sem precisar mostrar tanto.
(03:20:29) maria clara: você ainda está morando com aquele seu ex cliente? como anda a vida de vocês?!
(03:39:49) Raquel Pacheco: maria clara, sim, estamos juntos há seis anos. Nossa vida está ótima, há muito respeito, cumplicidade. Nosso casamento foi um contrato, sentamos e dissemos tudo o que gostaríamos ou não. As vezes chego em casa cansada e não quero conversar, e ele me respeita muito. Ele sempre está ao meu lado nos momentos bons e ruins.
(03:41:03) Raquel Pacheco: Meu marido assistiu o filme comigo em setembro de 2010 e na pré-estreia. Ele gostou muito do resultado, gostou do filme. Ele sempre me acompanha nas minhas viagens, ele vai comigo no bar onde sou DJ. Somos muito unidos.
(03:24:20) lingua: Você não acha que as cenas de drogas que aparecem no filme fazem certa apologia ao uso de drogas?
(03:42:55) Raquel Pacheco: lingua, acho que não. Está muito real. Não consigo contar minha vida, minha experiência, sem contar o uso das drogas. Seria apologia se não mostrassem que, por causa das drogas, cheguei a decadência, quase morri. Parei de usar drogas por causa da overdose. No filme está explícito, porque está mostrando a realidade.
(03:24:32) Nicko / SP: Existe uma "mística" no mundo feminino de que "os homens são todos iguais e nenhum presta". Por não concordar com isso, gostaria de um depoimento seu a respeito do assunto, pois imagino que você tenha conhecido homens que a fizeram "balançar" ?
(03:44:25) Raquel Pacheco: Nicko / SP, não podemos generalizar nada. Até mesmo em relação aos homens, também há mulheres que não prestam. Prefiro acreditar que existe homens que não traem, que não procuram garota de programa enquanto estão comprometidos. Os homens têm defeitos, mas mulheres também.
(03:47:29) Raquel Pacheco: A maioria dos homens tem um fetiche que não tem coragem de pedir para a companheira, então, procuram uma garota de programa. Muitas vezes eu já fiz o papel do homem na relação sexual, pois têm homens que querem ser penetrados. Então eles procuram garotas de programa, realizam fantasia e pronto. Mas a desculpa que eu escutava mais é o "extinto masculino". Homens separam muito bem o sexo do amor, eles acham que a vontade carnal deles não é traição. Mas e o machismo? Eles não aceitam que as mulheres também separem o sexo do amor.
(03:49:15) Raquel Pacheco: Eu acredito que eu tenha salvado vários casamentos. A garota de programa acaba tendo esse papel. Homens chegam estressados à garota de programa, querendo desabafar. As vezes eles não querem contar os problemas para as esposas. Então eles me contavam. Mas acho que eles têm que se abrir para as parceiras.
(04:05:36) Raquel Pacheco: Muitos clientes me procuravam para fazer sexo anal, pois as esposas não topavam fazer. As mulheres deixam de fazer coisas simples na cama e não realizam esse prazer. Sexo anal é muito prazeroso para a mulher. Elas podem realizar a vontade do marido e sentir prazer. Homens sempre deixam vestígio quando traem. O homem quando trai, mais que saiba dividir o sexo do amor, não sabe disfarçar. O comportamento sempre muda.
(03:27:00) Fábio: Raquel, depois dessa passagem de sua vida, prostituição, o blog, os livros, você voltou a ter contato com sua família?
(03:29:19) Fábio: Aquele negócio dos 800 clientes para sair da prostituição foi verdade? O final do filme deixa aberto esse ponto, foi assim mesmo que voce deixou a prostituição?
(03:52:30) Raquel Pacheco: Fábio, não voltei a ter contato com minha família. Eles ficaram sabendo através de um diário onde eu escrevia sobre minha vontade de ser garota de programa que eu deixei em casa após fugir. E quando eu comecei a aparecer na mídia, eles tiveram certeza. Pensei que, agora que não sou mais garota de programa, eles voltariam a falar comigo, mas não aconteceu. Os 800 clientes foram verdade, sim. E eu deixei a prostituição após sentar, fazer contas, eliminar alguns custos que eu não precisava e dividir em programas, para ver quantos eu precisava fazer para deixar a vida. E foi isso que fiz.
(03:27:32) Fregues antigo: tudo bem raquel ? ja fui cliente seu e gostaria de saber se voce alguma vez ja pensou em voltar a trabalhar no ramo de Gp ? bjus e sucesso
(03:54:04) Raquel Pacheco: Fregues antigo, eu nunca pensei em voltar a fazer programa. Quando eu decidi que pararia eu já estava decidida. Já tinha chegado no limite, estava cansada fisica e psicologicamente. Parei em outubro de 2005. Foi uma decisão muito mais fácil do que a decisão de começar a fazer programa. Eu não me arrependo, mas não voltaria a fazer.
(03:35:50) Danilo Novais: hoje em dia você ganha a vida como escritora ?
(03:54:33) Raquel Pacheco: Danilo Novais, ganho com direitos autorais, como DJ e minha loja virtual.
(03:40:21) naja: como vc enfrentaria o fato de seu marido sair com um gp?
(03:55:44) Raquel Pacheco: naja, prefiro não pensar nisso. Não sou neurótica e acho que nenhuma mulher tem que ser assim. Prefiro confiar nele.
(03:42:44) gutopinda: ja pensou entrar para a politica?
(03:55:55) Raquel Pacheco: gutopinda, não nunca, tô fora.
(03:47:03) PREDADOR: RAQUEL VC NÃO ACHA QUE SEU FILME PODE SER UM EXEMPLO PARA AS MENINAS QUE TEM A IDADE DE QUANDO VC COMEÇOU?POR MOSTRAR UM GANHO DE DINHEIRO RAPIDO E FACIL
(03:58:10) Raquel Pacheco: PREDADOR, não. Quem diz que o filme pode ser um exemplo, que pode fazer apologia à prostituição, não assistiu o filme. Eu procurei a profissão, eu fui atrás dessa vida. O filme mostra a realidade, o lado bom e o ruim. Se estivesse fazendo apologia, o filme não estaria mais em cartaz. Sempre deixei claro que, se a prostituição fosse bacana, eu nunca teria parado.
(03:59:39) Raquel Pacheco: Fui fraca, imatura, rebelde e inconsequente. Comprei um jornal de empregos e tinha muitos anúncios chamando mulheres para serem garotas de programa. Muitos anúncios diziam "Ganhe X por semana, atendendo só executivos", me ilude, achei que era fácil. Mas logo no primeiro dia, vi que não era o que imaginei.
(03:57:15) marinalva: marinalva da paraiba, raquel vc continua tendo contatos com as suas amigas?
(03:57:26) Rodrigo 26: Raquel vc ainda tem amizade com aquela mulher que fazia programa com vc logo no começo, aquela que lhe ajudou bastante?
(04:01:47) Raquel Pacheco: Rodrigo 26 e marinalva, não tenho mais amizade com a Gabi, acabou, por culpa minha. Sinto falta dela. Com as outras amigas, garotas de programas, também não tenho mais contato, as meninas mudam muito de casa e telefone, é inevitável perder contato, muitas vão para o exterior também.
(03:59:29) LUKAS: O QUE MUDOU NA SUA VIDA DEPOIS QUE LARGOU OS PROGRAMAS
(04:08:03) Raquel Pacheco: LUKAS, mudou completamente, mas foi uma mudança muito boa na minha vida. Sempre senti falta, durante a prostituição, de ser de apenas um homem. E quando eu resolvi ser de apenas um homem, eu vi que era isso que eu queria. Eu faço sexo apenas com ele, é uma mudança brusca, mas não sinto falta. Sou uma mulher realizada sexualmente. Só sinto falta das minhas amigas da época.
(04:09:04) Raquel Pacheco: Quero agradecer a todos. Obrigada pelo papo. Assitam o filme. Tem uma mensagem muito bacana! Obrigada pelo carinho. Me sigam no twitter: @BSurfistinha. Beijos.
(04:09:05) Moderador / UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de todos os internautas. Até o próximo!
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