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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Regina Scharf - 02/08/2002 às 20h00

Regina Scharf

Jornalista ambientalista falou sobre os avanços e retrocessos nas questões ambientais registrados na última década, a convite do site Ambiente Global.

Participaram do Bate-papo 65 pessoas

 (20:06:11)Regina Scharf: Boa noite a todos. É um prazer estar com vocês discutindo um assunto que tem saído muito pouco na mídia, a conferência de Johanesburgo, ou Rio+10, que rola em agosto.

 (20:06:12) Urbanóide fala para Prof. Rogério Forastieri: como foi a cobertura da Eco 92? e agora, no Rio +10, quais os principais avanços que os países fizeram na questão ambiental?

 (20:07:20) Regina Scharf: A cobertura da Eco foi, provavelmente, o ponto alto da cobertura ambiental no Brasil. Depois houve um refluxo do tema na imprensa. Porém, ela se concentrou mais no folclórico, menos nos conceitos que interessavam

 (20:07:23) Tubarão fala para Regina Scharf: O QUE TÁ ACONTECENDO COM O NOSSO CLIMA?? NÃO ESTOU ENTENDO??

 (20:08:17) Regina Scharf: Por muito tempo os cientistas não chegavam a uma conclusão se a Terra estava mesmo esquentando. Agora, porém, eles confirmara. A temperatura já subiu meio grau desde o começo do século e a coisa deve esquentar ainda mais.

 (20:08:24) Reciclado fala para Regina Scharf: Regina, quais são suas perspectiva de avanços para o Brasil, depois deste congressos?

 (20:09:44) Regina Scharf: Urbanóide, você me pergunta quais os avancos desde a Eco-92. Acho que o principal foi cultural. As pessoas tem uma noção bem mais clara de que suas ações interferem no planeta e vice-versa. As empresas também foram obrigadas a investir em controle ambiental, na marra, por pressão das ONGs, da opinião pública e das leis.

 (20:09:48) Reciclado fala para Regina Scharf: regina, fala a verdade, esses congressos estão trazendo algumas coisas de efetivo para o Brasil?

 (20:10:58) Regina Scharf: Tem muita gente que acha que não, Reciclado. Mas eu acho que eles são fundamentais para articular a sociedade civil e para estabelecer normas que deixem claro o que pode ou não fazer. Se elas são desrespeitadas, temos pelo menos muita clareza de quem pisou na bola.

 (20:11:02) Marina fala para Regina Scharf: Qual sua opinião referente ao progresso do desenvolvimento sustentável nas cidades?

 (20:13:09) Regina Scharf: Marina, demorou muito tempo até que as pessoas entendessem que as cidades apresentam seus próprios problemas ecológicos e que sua capacidade de aguentar desmandos é limitada. Acho que as cidades brasileiras ainda estão muuuito longe da sustentabilidade. Oxalá a Agenda 21 dê uma luz aos nossos governantes.

 (20:13:15) EL che fala para Regina Scharf: Existe esperança,na sua opiniao,que as grandes potencias cumpram corretamente os acordos que virao a ser feitos na Rio+10?

 (20:15:21) Regina Scharf: El che, eu tento ser esperançosa porque, do contrário, nem saio de casa. Mas os fatos temem em me assustar. Se tomarmos o presidente Bush, por exemplo, veremos que ele tem exatamente a mesma atitude do pai, que na Eco-92 se recusou a assinar a Convenção da Biodiversidade, alegando que ela não era interessante para os Estados Unidos. Desde então, a contribuição financeira dos países ricos para o desenvolvimento sustentável nos países pobres caiu vertiginosamente.

 (20:15:25) Urbanóide fala para Regina Scharf: desculpe se estou um pouco mal informado, mas sobre a reunião que salvo engano, aconteceu em Kobe, Japão, sobre o meio ambiente? parece que os americanos se recusaram a aceitar que suas indústrias estão entre as mais poluentes do mundo.

 (20:16:58) Regina Scharf: Urbanóide, você não está mal informado. Só errou de cidade. O Protocolo de Quioto determina que os países ricos e alguns nem tanto, como os do Leste Europeu, reduzam suas emissões poluentes para combater o aquecimento da Terra. Os Estados Unidos não negam que poluem, mas se recusam a assinar o protocolo, que consideram contra seus interesses.

 (20:17:01) Reciclado fala para Regina Scharf: regina, não existe um abismo entre o que é discutido nestes congressos e o que é ensinado nas universidades, em especial a USP? Explico: os professores brasileiros não deveriam ser "obrigados" a participar, afinal, eles que geram conhecimento

 (20:18:41) Regina Scharf: Reciclado, obrigar eu acho meio forte. Tenho certeza que todos iriam a Johanesburgo se pudessem. Mas é certo que estes encontros, até os mais céticos acreditam, são momentos históricos, onde nascem muitas idéias, formam-se redes internacionais de ONGs e se avança em questões fundamentais. Não vamos esquecer que o Protocolo de Quioto nasceu da Convenção de Clima, um dos principais produtos da Eco-92.

 (20:18:46) Marina fala para Regina Scharf: agrdeço tb vejo assim a grosso modo, pois pouco conhecimento e visão nossos governantes tem referente a tal área...Agradeço sua atenção

 (20:19:39) Regina Scharf: Marina, imagina, é um prazer. Eu sugiro que você dê uma olhada na recém-lançada Agenda 21 nacional, que tem um capítulo sobre Cidades Sustentáveis. Pode ser instrutivo.

 (20:19:44) Reciclado fala para Regina Scharf: Regina, quais são suas perspectiva de avanços para o Brasil, depois deste congressos?

 (20:20:47) Regina Scharf: Reciclado, só completando minha resposta: realmente acho que a Academia deve se abrir a esses eventos político-sociais, como as Cúpulas da Terra ou o Fórum Social. São termômetros fantásticos de novas tendências, do que precisa ou pensa a sociedade ou pelo menos setores importantes dela.

 (20:20:50) Urbanóide fala para Regina Scharf: de que forma as ONGs atuam na questão ambiental? embora até mesmo a Grennpeace, a mais famosa, tenha passado por maus momentos. seria esta a melhor forma da sociedade civil demonstrar o interesse pelo meio ambiente?

 (20:23:00) Regina Scharf: Reciclado, acho que dinheiro não vem. Se não veio depois da Eco-92, não vejo porque viria agora. Mas acho que ele pode ajudar no desenvolvimento e transferência de tecnologias de menor impacto e jogar, mais uma vez, luz na rica biodiversidade brasileira. Despertará cobiça, oportunidades (boas e más) de negócios e, quem sabe, acordará o Congresso e o governo para que aprovem logo uma lei que defina quem pode acessar os nossos recursos genéticos e de que jeito.

 (20:23:14) bbm fala para Regina Scharf: o quie é agenda 21?

 (20:24:57) Regina Scharf: Urbanóide, ONGs são um saco de gatos. Tem de tudo, ricas, pobres, com temáticas tipicamente brasileiras ou não. Algumas desenvolvem projetos, outras mapeiam problemas que já existem. Acho que elas podem ser aperfeiçoadas na sua ação, claro, mas a responsabilidade, como você diz, também é da sociedade civil, que tem de pensar duas vezes antes de votar, antes de consumir este ou aquele produto, privilegiar esta ou aquela empresa, jogar lixo de qualquer jeito, educar seus filhos.

 (20:25:25) jooozee fala para Regina Scharf: como a Agenda 21 pode ajudar uma região??

 (20:26:03) Regina Scharf: bbm, Agenda 21 é um dos documentos propostos na Conferência do Rio. É uma espécie de guia que cada país, estado ou cidade deve redigir, ouvindo especialistas e a população, e que deve orientar suas ações de modo a alcançar o desenvolvimento sustentável.

 (20:26:36) O Cara de SP.... fala para Regina Scharf: O que preocupa agora as empresas seriam os impactos ambientais, governamentais, e federais, e particulares estão voltando sua atenção para essa questão. Por exemplo o Metrô, a CPTM, entre outras, mas uma coisa caiu no esquecimento da maioria da populãção, derramamentos de óleos, e a base de petróleo que naufragou, cadê a intensidade de mostrar a população o que aconteceu com essas meias catastrofes que geraram ,uitos problemas para o meio ambiente do Brasil, o mesmo acontece com os desmatamentos

 (20:27:18) Regina Scharf: jooozee e bbm, a Agenda 21 é como um sistema de planejamento. Já não dá para agir sem pensar. Você tem que pensar a longo prazo, senão, babau!

 (20:28:26) jooozee fala para Regina Scharf: quais órgãos participam da elaboração de uma Agenda Regional? Os três setores podem dar opiniões??

 (20:29:10) Regina Scharf: O Cara de Sp...um dos problemas é que a gente, e a imprensa em geral, tem memória curta. Por isso é bom que alguém se encarregue de lembrar a gente de todos esses problemas acumulados, um papel que, em geral é desempenhado pelas ONGs.

 (20:29:45) Barr@cuda fala para Regina Scharf: Como voce vê as ocorrência de vazamentos na Petrobras? Até onde a exploração do assunto pela mídia é hipocrisia, pois temos várias industrias na cidade de São Paulo que não estão nem ai e a mídia não às ataca.

 (20:31:52) Regina Scharf: jooozee, em geral, quem coordena a elaboração de uma Agenda 21 é o Ministério ou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, ou ainda a prefeitura. A regra é que elas tem que submeter o projeto à sociedade em inúmeras audiências públicas e receber sugestões. Nem sempre, porém, isto é feito, ou bem feito. E se a Agenda 21 é feita sem que a discussão seja democrática, o que acontece? Ela não serve prá nada. Ninguém nem sabe que ela existe. É só papel, que não muda o comportamento de ninguém.

 (20:31:53) O Cara de SP.... fala para Regina Scharf: Assisti a uma palestra do Gilberto Dilmenstain e pude perceber que ele tocou na tecla de que as pessoas precisam se consciêntizar da temática social e ambiental! Vc acha que palestras e congressos são capazes de mudar a visão da população, não seria mais fácil criar um trabalho voluntário, ou não, ou campanhas mais eficazes para essa luta ambiental?

 (20:34:03) Regina Scharf: Barr@acuda, lamento discordar. As dimensões dos acidentes da Petrobras, que eu cubro religiosamente há duas décadas, são muito maiores que a maioria dos problemas ambientais causados por outras empresas, tirando as indústrias químicas - e estas, como você sabe, são bastante acompanhadas pelo Greenpeace e têm razoável cobertura da imprensa.

 (20:35:52) Regina Scharf: O Cara de Sp, eu acho que a solução para tudo é a diversidade. Eu posso te dizer que algumas das melhores reportagens da minha vida foram feitas em conferências. O que rola nos bastidores é importantíssimo, e isso não só na área ambiental. É onde você encontra parceiros, dinheiro, idéias. Agora, concordo que trabalhos voluntários e campanhas também são fundamentais. Cada um no seu espaço, desde que usado de forma séria.

 (20:36:09) Barr@cuda fala para Regina Scharf: Voce não acha que os sistemas de gestão em ambiente da maioria das empresas é apenas perfumaria para ludibriar a sociedade com falsas ações de proteção ao Meio Ambiente?

 (20:38:03) Regina Scharf: Barr@acuda, realmente, ainda tem muita empresa que faz de conta que é responsável. É muito comum uma indústria que tem quatro unidades deixa uma joinha, joinha, inscreve em prêmio, mostra pras autoridades. Enquanto isto, as outras, são um horror. Mas também conheço n casos de empresas que, até para ganhar mais dinheiro, ou deixar de perder, se endireitaram. Estas são as inteligentes, e não têm nada de boazinhas.

 (20:38:06) EL che fala para Regina Scharf: Os acordos firmados na Eco-92foram cumpridos pela,digamos,metade.Estou certo?Nao existe um orgao que apure e dê ,sei lá,puniçao para os que não cumprirem o estabelecido?

 (20:40:09) Regina Scharf: El che, você está certíssimo. Foram cumpridos pela metade, se tanto. O problema é que muitas convenções não estabelecem punições. Isto fica para uma espécie de regulamentação, como é o caso do Protocolo de Quioto, que estabelece metas bem mais rígidas que a Convenção do Clima (que não foi cumprida!). Se tem algum órgão para apurar? Também queria saber. Se tiver, não faz nada.

 (20:40:15) Urbanóide fala para Regina Scharf: quem foram os responsáveis pela Eco 92 e Rio+10? a ONU tem alguma atuação na questão ambiental?

 (20:41:44) Regina Scharf: Elas são, de fato, convenções organizadas pela ONU. Ela tem um órgão específico para a área ambiental, o Pnuma. Mas, como você sabe, Urbanóide, a ONU está passando por uma crise seríssima, inclusive financeira.

 (20:41:58) VEGA fala para Regina Scharf: como voce ve em termos ecologicos a eleicoes presidenciaveis no Brasil ?

 (20:42:41) Inoue pergunta para Regina Scharf: O que vc acha do uso indiscriminado da água, e as taxas absurdas cobradas pelas empresas, sem dar a manutenção devida.

 (20:44:55) Regina Scharf: Inoue, feliz ou infelizmente, temos de cobrar pela água, e não só pelo seu tratamento, porque ela é cada vez mais escassa e este é um jeito de ensinar indivíduos e empresas a usá-la com parcimônia. As empresas de saneamento, por outro lado, vivem uma sinuca de bico: captam cada vez uma água de pior qualidade e tem que buscar cada vez mais longe. Será que o consumidor é o único a ter de arcar com este preço? Francamente, acho que não.

 (20:44:58) Urbanóide fala para Regina Scharf: aproveitando a deixa de "O Cara de SP....", o seu trabalho como jormalista e ambientalista é bastante complicado. você não pode obrigar as pessoas, mas tenta conscientizar a sociedade sobre a importância da questão e de que forma podemos melhorar isto na prática. qual a dificuldade deste tipo de trabalho, que para ter sua finalidade precisa de um retorno do público, sem forçá-lo a isto?

 (20:46:41) Regina Scharf: Urbanóide, o primeiro problema é justamente este: eu me considero uma jornalista ambiental, não propriamente ambientalista, no sentido da militância, porque eu acho que isto pode embaçar minha avaliação. Eu não posso, a priori, achar que todo ongueiro é legal e que todo empresário é poluidor. Seria um contra-senso na minha profissão. E a realidade tem mostrado que eu tenho razão.

 (20:46:47) lizza fala para Regina Scharf: como você vê a posição dos Estados Unidos em relação ao protocolo de kioto

 (20:48:36) Regina Scharf: Urbanóide, continuando: acho que os fatos falam por si. Quem faz uma cobertura ambiental bem feita revela uma realidade bem mais convincente sobre os riscos para o futuro do planeta do que quem resolve ser panfletário. Eu acredito no poder de convencimento dos fatos. E, quando trabalhava na Gazeta Mercantil, onde estive por quase sete anos, descobri que o vínculo entre o lucro e a conservação dos recursos naturais é o melhor argumento que pode existir.

 (20:48:41) EL che fala para Regina Scharf: Como deverá ficar a questao da Amazonia após a Rio+10? Se é que da para dizer.

 (20:49:53) Regina Scharf: lizza, realmente é lamentável a posição dos EUA. Só espero que a opinião pública norte-americana consiga reverter esse quadro.

 (20:49:56) Barr@cuda fala para Regina Scharf: Já que voce é profunda conhecedora da Petrobras. Como voce vê o projeto de investimento em Meio ambiente (Pegaso 3D) da Transpetro (subsidiaria da Petrobras)?

 (20:51:04) Regina Scharf: El che, não sei se muda alguma coisa no caso da Amazônia. Talvez pingue algum dinheiro, mas certamente não muito. Espero que o evento acabe impulsionando a aprovação de uma Lei sobre o Acesso aos Recursos Genéticos

 (20:51:07) lizza fala para Regina Scharf: engraçado hoje estava pensando justamente nisso em relação ao meu trabalho, pois quando se argumenta que o lucro e a preservação podem andar de mãos dadas e até a preservação com fator de lucro pode se ter um maior apoio

 (20:52:43) Regina Scharf: Brarr@acuda, não sou uma profunda conhecedora da Petrobras. Acompanhei o Pegaso no geral, não da Transpetro em específico, mas hoje mesmo ouvi que, apesar do seu gigantesco passivo, a Petrobras tem uma "atitude" positiva, ou seja, está se esforçando para encontrar um caminho. Estou torcendo por ela.

 (20:52:47) Barr@cuda fala para Regina Scharf: Veja bem bons programas, como o Pegaso 3D da Petrobras e imprensa deve tambem ficar de olho e informar...divulgar...Ou não?

 (20:53:42) Regina Scharf: lizza, não posso dizer que agir bem sempre dá lucro. Mas, muitas vezes, é o que acontece. Para algumas pessoas, mostramos o lado ético da coisa. Para outras, o aspecto venal. E assim caminha a Humanidade...

 (20:54:25) de lima fala para Regina Scharf: gostaria de saber se os alimentos transgenicos pode trazer algum beneficio ao meio ambiente,e a saude do ser humano

 (20:55:17) Regina Scharf: Barr@acuda, só existe um bom programa: o que dá certo. Eu mesma já escrevi longamente sobre o Pegaso. Só escrevo novamente se passar um ano sem ouvir de um derramamento importante, OK?

 (20:55:19) Inoue pergunta para Regina Scharf: Os um metro e meio de lençol freático perdido anualmente pela China, não seria um exemplo para tomarmos posições mais conservadoras no trato de tão precioso liquido?????

 (20:56:53) Regina Scharf: de lima, sobre transgênicos, tenho a seguinte posição: não dá prá demonizar de cara, mas ninguém sabe nada a respeito. A maior parte dos testes foi feita pelas próprias indústrias interessadas. Enquanto não houver muita pesquisa consistente a respeito, prefiro fugir. E, francamente, acho que o Brasil devia fazer o mesmo. Do contrário, pode perder muito mercado.

 (20:57:49) Regina Scharf: Inoue, estou completamente de acordo com você. Se você se interessa por este assunto, não deixe de ler os livros do professor Aldo Rebouças, da USP, uma das maiores sumidades do Mundo neste assunto. É para ler de joelhos.

 (20:58:21) Regina Scharf: Amigos, foi realmente um prazer estar com vocês. Lamento se não pude responder a todos, mas outras chances pintarão. Um beijo

 (20:58:29) Selecionador UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Regina Scharf. Boa noite a todos e bom fim de semana.

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