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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM João Moreira Salles - 03/07/2008 às 13h00

João Moreira Salles

Cineasta aclamado pela crítica pelo documentário "Santiago" (2007) abriu a série de Bate-papos promovidos pelo UOL em parceria com a revista "Bravo!" sobre a Feira Literária de Paraty, a Flip. Na manhã desta quinta (3), João Moreira Salles foi mediador da mesa "Primeiro Tempo" em que participaram os autores Adriana Lunardi, Emilio Fraia, Michel Laub e Vanessa Barbara.


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    Participaram do Bate-papo 157 pessoas


  • (12:53:43) Moderador/Bravo!: Boa tarde. Eu sou o João Gabriel e vou moderar o primeiro bate-papo de hoje, com João Moreira Salles. Hoje teremos ainda Contardo Calligaris, 15h, e Inês Pedrosa, 16h.

    (12:59:21) Moderador/Bravo!: Oi, João, tudo bem?

    (12:59:34) João M. Salles: Tudo ótimo.

    (01:00:06) Moderador/Bravo!: Na mesa de hoje de manhã, você lamentou muito a derrota do Fluminense ontem. O boato na Flip é que você se tornou tricolor, deixando de torcer para o Botafogo. É verdade?

    (01:01:10) João M. Salles: Você está enganado. Eu lamentei a vitória do Fluminense. Fui dormir com os fogos e achei que o tricolor tinha vencido. Disse isso na mesa hj de manhã. Nada contra o fluminense.

    (01:01:12) Moderador/Bravo!: Os tricolores da platéia devem ter achado uma ironia cruel, não?

    (01:01:39) João M. Salles: Mas sou botafoguense e não gostaria de ser o único time do Rio sem a Libertadores.

    (01:10:26) Kauany: Nunca deixe de torcer pro Fluminense, sou tricolor também e jogamos com muita raça essa libertadores se fosse para por a culpa em alguém, colocaria unicamente no juiz, depois daquela falta claramente mal marcada que era importante para o fluminense.

    (01:02:03) Moderador/Bravo!: Em entrevista a Bravo! no ano passado, você disse que deixaria de fazer documentários, o que gerou muitos protestos dos leitores. Ainda mantém essa intenção?

    (01:02:47) João M. Salles: Não disse bem isso. Disse apenas que só voltaria a fazer documentários quando pudesse reproduzir a alegria que tive ao fazer Santiago.

    (01:03:09) Moderador/Bravo!: É o seu filme preferido entre todos os que vc fez?

    (01:03:46) João M. Salles: Sim, não por achá-lo bom ou ruim. É que os outros poderiam ter sido feitos por outras pessoas.

    (01:04:11) João M. Salles: Santiago não. Só eu poderia tê-lo realizado. É a minha história.

    (01:04:15) Moderador/Bravo!: Em entrevista a Bravo!, a escritora Inês Pedrosa disse ter se emocionado muito e chorado com o filme.

    (01:04:31) Moderador/Bravo!: Isso tem sido uma reação comum. O que vc acha disso?

    (01:04:43) João M. Salles: Não sabia disso da Inês Pedrosa.

    (01:04:55) João M. Salles: Fico muito honrado.

    (01:05:57) João M. Salles: Olha, é sempre bom saber que as pessoas reagem a algo que a gente faz. No caso de Santiago, confesso, sem retórica nenhuma, que essa reação não era esperada.

    (01:06:26) João M. Salles: O filme foi feito para mim e para minha família. Nunca achei que ele pudesse ter um alcance maior do que este.

    (01:06:32) Moderador/Bravo!: Documentários brasileiros vêm recebendo muitos prêmios no exterior. Vc acha que o cinema brasileiro atingiu excelência e também uma linguagem própria neste gênero?

    (01:08:07) João M. Salles: Excelência é um substantivo meio forte. Existem filmes muito bons e outros nem tanto. O que eu acho é que os realizadores brasileiros estão tentando encontrar formas originais de contarem as suas histórias. Nada é mais importante do que isso. Mais do que tema, documentário é maneira de narrar o tema.

    (01:08:01) Kauany: João Moreira Salles, tudo começou pra você com notícias de uma guerra particular, oque você mudaria nesse filme, de acordo com tudo que você vê o tráfico atual do Rio de Janeiro e sua relação com as polícias?

    (01:09:12) João M. Salles: Não mudaria nada. Infelizmente, de 96 para cá o problema se agravou.Ou seja, o que mudou foi a intensidade, não a qualidade.

    (01:09:37) João M. Salles: Estruturalmente, ainda estamos no mesmo ponto de 96.

    (01:09:33) carola: oi joão, que tal sua participação na Flip hoje pela manhã? Poderia nos contar como foi? Infelizmente não estou em Paraty!

    (01:11:24) João M. Salles: Carola, eu fiz a mediação da mesa de novos escritores. A mesa foi deles, não minha. Mas foi um prazer estar cercado de novos e tão talentosos escritores.

    (01:11:21) Vivian: Voce disse que depois de Santiago seria dificil fazer outro filme. Como estão esses planos agora?

    (01:11:55) João M. Salles: Oi, Vivian. Pois é, esse é o problema.

    (01:12:58) João M. Salles: Só farei um novo filme se ele for um passo adiante em relação a Santiago. É impossível voltar a fazer os documentários que fazia antes de Santiago.

    (01:12:38) Kauany: Uma pergunta pessoal João, se não fosse um grande documentarista como é hoje, o que você sonhava ser?

    (01:13:33) João M. Salles: Kauany, eu sonhava ser ponta-direita do Botafogo.

    (01:15:59) Kauany: Ou então humorista. Admiro seu senso de humor.

    (01:13:19) carola: caro joão, é sua primeira vez na Flip? qual o paralelo que você traça entre a literatura e o cinema?

    (01:14:23) João M. Salles: Carola, não é a minha primeira vez não. Difícil responder a tua pergunta em três linhas. O máximo que posso dizer é que ambos são construções da imaginação.

    (01:14:52) João M. Salles: De um modo geral, maus livros rendem bons filmes. Bons livros geralmente produzem maus filmes.

    (01:14:56) Moderador/Bravo!: Vc disse que é impossível fazer os documentários que fazia antes. Em que medida e por quê Santiago, a seu ver, é uma mudança em relação ao cinema que vc saía antes.

    (01:16:28) João M. Salles: Moderador, Santiago não é um filme para fora, no sentido de ser uma representação do mundo. Ele é, sobretudo, um filme para dentro: da minha memória, da minha consciência do tempo, da própria noção de documentário.

    (01:15:30) Kauany: Você trabalhou com grandes nomes da cultura brasileira em geral, qual foi a virtude que você mais aprendeu com eles?

    (01:17:17) João M. Salles: Kauany, deixa eu falar apenas do Eduardo Coutinho, meu grande amigo e quem mais me ensinou a compreender a minha profissão.

    (01:19:07) João M. Salles: Com Coutinho, aprendi que documentário é questão de forma mais do que de conteúdo. Aprendi que documentário lida com a questão do poder - o poder é de quem filma. Onde há poder, há responsabilidade. Portanto, o problema essencial do documentário não é de natureza estética, nem de linguagem, mas de natureza ética, o que se pode ou não fazer com o personagem.

    (01:16:25) Geovanna/UOL:

    João Moreira Salles tecla direto do Espaço Bravo! na Flip

    (01:16:33) rodrigos: ola joao... minha questao eh bem generica... ao ouvir cineastas falando, sempre tenho a impressao de sao muito bem credenciados a falar do comportamento humano em geral, alem de outros assuntos... vc acha q necessariamente o bom cineasta eh um intelectual ou nao necessariamente essas coisas se relacionam??

    (01:20:33) João M. Salles: Rodrigos, cineastas vêm em todas as cores, tamanhos e sabores. John Ford certamente não era um intelectual. Bergman era. O cinema de um não é superior ao do outro. E vice-versa.

    (01:17:44) 3jw6: Li recentemente que você defende que os documentários brasileiros deve se voltar para temas próximos a vida dos diretores, evitando filmar o outro. è isso mesmo? se sim, porquê.

    (01:21:57) João M. Salles: 3jw6, que nome complicado. É isso mesmo. De um modo geral, documentário é sempre sobre o outro, no sentido do outro social (menino de rua, fome no sertão etc) ou outro cultural (índio, o jongo da serrinha).

    (01:22:52) João M. Salles: Ou seja, documentaristas sempre fazem uma viagem para longe de si mesmos. Defendo que a viagem pode ser para bem perto. Por exemplo, ao redor do próprio quarto.

    (01:19:01) Vivian: Mas você já tem alguma cois em mente ou acha que isso ainda está longe de acontecer? Eu assisti o Santiago três vezes e me emocionei em todas as vezes. Adorei o filme, é um dos mais bonitos que já vi. O que você quis transmitir com ele? Você acha que conseguiu? O que ele tem de especial para você, além de ser tão pessoal?

    (01:24:48) João M. Salles: Oi, Vivian. Claro que fico contenteque você tenha visto o filme e gostado. Mas finalidade não é algo que julgo importante num filme. Qual a finalidade de um quadro? De um poema? De uma sinfonia? Ninguém faz essa pergunta. No entanto, o documentário sempre é obrigado a respondê-la, como se ele tivesse a obrigação de se justificar para além dele próprio.

    (01:25:32) João M. Salles: Documentários deveriam se bastar. Nesse sentido, são tão inúteis quanto qualquer objeto estético. Defendo com unhas e dentes a inutilidade dos documentários.

    (01:22:10) Kauany: Depois de entreatos e peões, você era a favor da reeleição de Lula na época?

    (01:26:51) João M. Salles: Kauany, essa pergunta é pessoal demais. Minha opinião vale tanto quanto a tua. Prefiro te dizer que ontem vocês [fluminenses] tiveram uma noite de botafoguenses. Vai por mim: dá pra sobreviver.

    (01:27:00) 3jw6: O que você acha dos documentários que usam o cruzamento das artes plásticas e a videoarte. Como é o caso de Marilia Rocha (Aboio) e Cao guimarães (Andarilho e alma do osso).Podemos entender que está nascendo o novo docuemtnátio brasileiro?

    (01:28:44) 3jw6: Mas isso não é apenas uma questão geografica.

    (01:31:06) João M. Salles: 3jw6, acho que é um caminho extremamente original. O documentário brasileiro é rico, em boa parte, em função das experiências dessa turma de Minas Gerais.

    (01:24:44) Rafa vp: como era o marcinho? ele era legal? eu tenho a maior curiosidade... eu ia perguntar para o mano brown mais vc conhece melhor ele.

    (01:28:55) João M. Salles: Marcinho era muitas coisas ao mesmo tempo: idealista, bandido, inteligente, confuso. Eu resolvi ficar amigo do rapaz idealista e confuso. É uma amizade que prezo muito. Foi uma longa conversa entre dois brasis absolutamente opostos. Eu, nascido onde nasci, ele, nascido onde nasceu.

    (01:30:00) João M. Salles: E no entanto, a conversa foi possível e encontramos um terreno comum onde discutimos nossas idéias. Sempre achei que esse era um bom sinal de civilidade. As diferenças radicais não significam necessariamente a falta de comunicação.

    (01:30:00) Renato: João, estou procurando o documentário "O Vale" e não encontro em lugar algum, acho que foi produzido pela sua produtora. Como posso fazer para obter uma cópia

    (01:31:45) João M. Salles: Renato, entre em contato com a videofilmes.

    (01:30:56) marc: VC TEM INTERESSE EM ALGUM DIA

    (01:30:56) marc: PRODUZIR UM FILME DE CONTEÚDO BÍBLICO AO´PÉ DA LETRA?

    (01:32:07) João M. Salles: Marc, não.

    (01:31:06) Geovanna/UOL:

    Em Paraty, João Moreira Salles responde a perguntas dos internautas

    (01:31:45) guta: Joâo, quando assisti Santiago, fiquei muito impressionada com a beleza do texto da narração. gostaria de saber se teria acesso a este texto em alguma publicação

    (01:33:17) João M. Salles: Guta, o texto foi escrito a medida que o filme ia sendo editado, na própria ilha de montagem. Ele não tem vida independente. Ele é parte do filme. Em breve, Santiago sairá em DVD. O texto estará lá, encarnado no filme.

    (01:37:16) guta: bom, talvez minha questão não seja o objetivo . se o texto do filme tiver sido publicado, peço ao moderador que , se puder, envie email em qual local encontrar. interessa-me muito o texto da narração. emocionei-me muito. obrigada. augustafriche@bol.com.br

    (01:37:57) Moderador/Bravo!: Oi, Guta, pode deixar que eu mando.

    (01:33:14) carlinhos: Vc gostaria de atuar em um filme lá em Hollywood??? Me responda por favor

    (01:34:15) João M. Salles: Carlinhos, acho que a pergunta é outra: Hollywood gostaria de me chamar para dirigir? Acho mais fácil o Botafogo vencer a Libertadores.

    (01:33:59) carlinhos: Qual é seu maior sonho?

    (01:36:27) João M. Salles: Carlinhos, essa é dura. Verdade? O Botafogo campeão do mundo em jogo contra o Manchester. 2 x 0, gols de Cuca (técnico, eu sei, mas a melhor coisa a passar pelo Botafogo nos últimos anos) e de João Moreira Salles (se lembra, nesse chat, eu já virei ponta direita do time).

    (01:36:09) edu: João, acho que para a compreensão de Santiago voce utilizou-se muito de outros veiculos de comunicação em debates e etc, Voce se considera privilegiado ? Vários diretores tiveram projetos complicados que não puderam ser discutidos

    (01:38:30) João M. Salles: Edu, eu não controlo o que os outros veículos dizemm ou não dos filmes que faço. Tenho uma tese a respeito da repercussão de Santiago: talvez seja o primeiro filme sobre o extrato social do qual faço parte. Isso não foi planejado, mas acabou sendo uma novidade.

    (01:38:06) toni: Pensa em fazer mais documentariors sobre bastidores da politica? Gostou da experiencia com os politicos?

    (01:39:34) João M. Salles: Toni, não. Documentário só se faz uma vez. A segunda é sempre um prato requentado. Eu nunca repetiria um tema.

    (01:38:56) Geovanna/UOL:

    João Moreira Salles responde as perguntas dos internautas

    (01:39:11) carlinhos: Vc já pensou na sua carreira escrever um livro??abraço

    (01:39:28) Peckinpah: Você pensa em trabalhar com ficção também?

    (01:41:20) João M. Salles: Carlinhos e Peckinpah, não. Nunca pensei em escrever um livro. Quanto a ficção, essa é uma das perguntas curiosas que nós, documentaristas, sempre temos que responder. Eu me pergunto: por que ninguém pergunta ao Spielberg o seguinte: "Spielberg, quando finalmente você fará o teu primeiro documentário?"

    (01:40:09) Lurhan: Vc concorda que os filmes ainda tem muito para chegar numa produção Americana, haja vista o pouco investidmento?

    (01:40:14) Lurhan: Vc acha que o Governo deveria subsidiar os filmes naionais para que as produções saissem melhor?

    (01:43:13) João M. Salles: Lurhan, o nosso problema não é de produção, mas de distribuição. Um filme como "Cidade de Deus" não deve nada a qualquer produção americana. Quanto aos subsídios, essa é uma grande pergunta. É legítimo nós nos perguntarmos: num país de tantas carências, o governo deveria subsidiar as artes? Cada um encontre a sua resposta.

    (01:41:46) india: porque o cinema nacional so chama atencao quando è assunto polemico com tropa de elite

    (01:47:30) João M. Salles: india, acho filmes como "Tropa de Elite" importantes. Minha questão é que o cinema brasileiro não pode ser feito apenas de filmes sobre violência. De um modo geral, o cinema brasileiro é barulhento (tiros, morte, sofrimento) enquanto o cinema argentino fala aos sussuros. Eu gostaria que o cinema brasileiro sussurrasse um pouco mais.

    (01:45:30) AtorEnrustido-ES: Concordo... as vezes acho que a gente acaba passando uma imagem meio estranha e pessimista do país lá fora...

    (01:42:09) Vitor.: João, o que achou do filme "Mutum"? Acha que está em falta no Brasil filmes com tal riqueza poética?

    (01:45:14) João M. Salles: Vitor, sou suspeito para falar de "Mutum", pois sou um dos produtores do filme. Acho que a Sandra conseguiu fazer uma adaptação primorosa de Guimarães Rosa. Como disse lá em cima, sobre livros bons e filmes ruins, isso é quase um milagre.

    (01:43:48) Geovanna/UOL:

    O cineasta João Moreira Salles tecla no Espaço Bravo!, na Flip

    (01:43:06) Kauany: Vou indo. Abraço a você e espera que um dia o Botafogo chega lá! Assim como o Fluminense!

    (01:43:53) João M. Salles: Tchau, Kauany. Boa sorte para nós dois.

    (01:44:29) Cecilinha: Boa tarde João primeiramente parabéns por tudo que tem feito e pela sua alma tão bela, te conheci há muito tempo na casa do ermelino no aniversário da sua irmã Marina que fazia 18 anos e fiquei muito impressionada com você, o que tem se repetido estes anos todos com sua enorme competência.Imagino que more no rio mais teria enorme prazer de reencontra-lo qdo vier a São Paulo.Um grande abraço Cecilinha Buffardi PS.Seu avo era muito amigo do meu tio avó o Tio Zito Colletti de Pinhal,qdo seu avó fundou o banco convidou tio Zito para ser seu sócio este mundo é muito pequeno mesmo.

    (01:48:23) João M. Salles: Cecilinha, que bom que a gente está se reencontrando ainda que virtualmente. Mande um abraço pra turma!

    (01:46:19) 3jw6: A linguagem clássica do documentário é o dueto entrevista + exposição. A falta de criatividade em torno dessa estrutura básica e o fácil encantamento do cineasta com o seu objeto transformam muitos (mas muitos mesmo!) documentários em irrelevantes relatos de casos esquisitos e/ou extraordinários, um quase (mero) relato jornalístico-factual.O que vc acha dessa opinião.

    (01:47:32) 3jw6: João, Spielberg já produziu documentários: a série Survivors of the SHOAH.

    (01:49:04) João M. Salles: 3jw6, você é um robô?

    (01:50:39) João M. Salles: Olha, acho que já falei disso acima. O documentário brasileiro tem conseguido fugir desse modelo clássico. Quanto ao extraordinário, defendo o documentário ordinário, no sentido de um documentário sobre a normalidade, não sobre a exceção.

    (01:48:45) fonter: João, eu me lembro de ver uma entrevista em que você dizia que aprendeu a fazer documentários lendo a revista "New Yorker", o estilo de produção literária, textos longos,etc. Eu gostaria de saber se a Revista Piauí, revista da qual sou assinante, procura desde sua gênese a reprodução de uma linguagem documentarista.

    (01:52:21) João M. Salles: Fonter, a piauí é feita por uma porção de pessoas. No meu caso, quando colaboro, levo sim os procedimentos do documentário para a escrita. Foi assim com o perfil de FHC, cujo procedimento de realização foi muito parecido ao do meu documentário sobre o Lula.

    (01:52:32) Moderador/Bravo!: Aliás muito legal essa reportagem, parabéns!

    (01:49:37) carlinhos: Se vc fosse diretor em hollwood,tinha 3 protagonistas internacinais: Angelina Jolie, brad Pitty e jony deep, tinha que escolher um, qual vc escolheria ? Me responda essa pergunta

    (01:52:55) João M. Salles: Carlinhos, ANGELINA JOLIE (!!!)

    (01:52:37) Geovanna/UOL:

    O cineasta João Moreira Salles foi mediador da mesa "Primeiro Tempo" nesta manhã

    (01:52:48) Lurhan: Por fim, você não acha que o Brasil se fecha em uma redoma quando se fala e jovens talentos, ou seja, se pegar os cineastas no Brasil, normalmente são os mesmos, isto e´, dificilmente se abre as portas para novas idéias. O q pensa?

    (01:54:27) João M. Salles: Lurhan, não, não acho. Nós mesmos, na viodeofilmes, lançamos nos últimos anos inúmeros novos diretores: Karim Ainouz, Sergio Machado, Eduardo Valente etc

    (01:54:27) estamira: Olá João, tudo bem? Ontem assisti o documentário onibus 174, que por sinal foi muito difícil de achar, porque tem tais filmes e documentários que a exibição é muito difícil, parece que é barrado, onibus 174 é assim, e é do josé pdilha o mesmo diretor de tropa de eleite, que esse por sinal foi um dos filmes mais assistidos nos últimos tempos...

    (01:56:00) João M. Salles: Estamira, isso me surpreende. 174, um documentário extraordinário, não foi bem lançado no cinema. Mas até onde sei, em DVD foi. Não deve ser difícil encontrá-lo.

    (01:54:42) Moderador/Bravo!: Aproveitando o gancho da Estamira, vc não acha que falta mais espaço para exibir os documentários brasileiros?

    (01:55:21) GeraldoBittencourt: Pra você, João, por que o público brasileiro em geral não tem o hábito de ver documentários? Você acredita que isso se deve ao hábito de ver novelas e, por tabela, no cinema só consumir produtos que tem dinâmica um pouco parecida?

    (01:57:19) João M. Salles: Geraldo, o mundo não tem o hábito de assistir documentários. Seremos sempre um gênero não menor, mas para menos pessoas. Como diz Coutinho, nada de errado de ficar à margem. O esforço é que essa margem não se transforme em gueto.

    (01:56:13) IPS: Olá João. Apesar de vc ter uma carreira respeitada no terreno da não-ficção (documentários), qual a sua relação com o cinema ficcional?? que filmes vc diria q te marcaram pessoalmente (independente do seu ponto de vista crítico sobre eles)?

    (01:58:30) João M. Salles: IPS, tenho uma regra pessoal. Não dou opiniões pessoais. Não sou um especialista em cinema, sequer sou um cinéfilo. É claro que gosto de muitos filmes, mas é apenas o meu gosto pessoal. Vale tanto quanto o teu.

    (01:57:48) 3jw6: joão, você não está generalizando o cinema nacional. Há muitas produções sem tiros, morte, sofrimento.

    (02:00:28) João M. Salles: 3jw6, câmbio. Você tem razão, mas não são esses filmes que chamam mais a atenção. Lá fora, do Brasil, o que se espera é favela, tiro e violência. Minha pergunta é a seguinte: por que não ir à favela contar uma história de amor?

    (01:58:02) Geovanna/UOL:

    João Moreira Salles fala sobre cinema em papo direto de Paraty

    (02:00:56) Moderador/Bravo!: Gostaria de agradecer ao João -- que, ao contrário dos boatos que circularam em Parati, continua BOTAFOGUENSE --e a todos os que participaram do chat.`Nos encontraremos de novo no bate-papo das 15h, com Contardo Calligaris, e no das 16h, com Inês Pedrosa.

    (02:02:05) João M. Salles: Moderador e participantes, muito obrigado e por favor espalhem por aí: sou botafoguense! Não virei casaca (o crime mais vil que um homem é capaz de cometer).

    (02:01:55) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de João Moreira Salles e de todos os internautas. Até o próximo!