(05:20:01) Arnaldo: Olá amigos do bate-papo Uol. Estou à disposição!
(05:20:44) cocota: boa tarde, bloch! a flip abre hj. como está o clima na cidade em relação a essa 7a edição?
(05:21:38) Arnaldo: Oi Cocota! Está uma delícia. Caipirinha e tempo bom, e agora com você online...
(05:21:46) luiza: queria saber quem vai estar na mesa com o sr e qual o assunto tratado?
(05:22:56) Arnaldo: Luiza, vão etar na mea comigo a escritora Tatiana Salem Levy, autora de A Chave de Casa, e o escritor Sérgio Rodrigues, que escreveu Elza, a Garota, ambos cariocas. O tema é pesquisa e invenção.
(05:23:03) joca: Você acha que a internet renovou o interesse pela leitura?
(05:24:06) Arnaldo: Joca, acho que a Internet renovou a prática de escrever e ler. O interesse pela leitura depende... pela leitura de livros é preciso enconrar tempo, e a internet consome muito tempo...
(05:24:13) José Robson: Como Você avalia a literatura brasileira?
(05:25:24) Arnaldo: Robso, a lieratura brasileira, tanto a clásica quano a contemporânea, é riquíssima e plural,em permanente renovação, e nem sempre reconhecida como devia ser internacionalmente
(05:25:28) cocota: opa, arnaldo! bom mesmo ia ser eu ai com acaipirinha e tempo bom tb, né? rsrsrs... o último livro que lançou seguia as regras antigas da ortografia, queria saber oq vc acha dessas novas normas. pq tenho dificuldades imensas!
(05:26:07) Arnaldo: Cocota, sobre a nova ortografia eu me pergunto por que derrubar o trema, que é tão útil, e por que não unificar os porquês...
(05:26:12) carola: oi arnaldo, tudo bem? como estão as coisas ai em Paraty? Já muito movimentado?
(05:26:46) Arnaldo: Carola, tá bem movimentado mas ainda não se configura uma muvuca... você sabia que é a minha primeira vez na Flip?
(05:27:26) 56zf: Você que as pessoas estão familiarizadas novamente com os contos, por causa dos textos curtos perpetuados pela internet?
(05:28:51) Arnaldo: 56zf, na minha opinião os textos curto pela internet são uma outra modalidade, que não remete imediatamente para os contos... há até uma literatura em papel que absorve um pouco dessa modalidade... você conhece o livro Geração 90, manuscritos de computador, antologia do Nelson Oliveira de autores nacionais?
(05:28:52) carola: e vc pensa em assistir a participação de outros escritores? quais?
(05:29:45) Arnaldo: Vou tenar ver tudo, os quadrinhos, Talese, Dawkins, Chico Buarque e, se possível, vou tentar assistir à minha própria mesa... :))
(05:29:52) Diego_ES: Que gênero literário vc mais escreve?
(05:30:54) Arnaldo: Eu escrevo semanalmente uma crônica no Segundo Caderno do GLOBO. Meu último livro, Os Irmãos Karamabloch, é uma saga familiar romanesca sobre o império Manchete, que focaliza minha família com suas luzes e sombras.
(05:30:56) José Robson: Sou Estudante De Uma Escola Publica,mais aqui em minha escola os profesores não estimulam os alunos a ler. qual a importancia da leitura na escola?
(05:32:01) Arnaldo: Robson, leitura é formação para a vida. O indivíduo que não lê está mais vulnerável e menos preparado para viver em sociedade e eagir às manipulações. Saber é poder.
(05:32:09) loira do banheiro: arnaldo, vc tb é colunista/cronista. qual a diferenca de escrever romances, textos mais jornalisticos e até biografias, já que seu ultimo livro conta a historia da sua familia?
(05:33:41) Arnaldo: Loira, acho que um gênero alimenta o outro. A crônica, por natureza, esta a meio caminho entre o jornalismo e a literatura. Meu último livro não é uma biorafia clássica, mas um painel memorialista que focalizaq um determinado grupo humano cuja tradição oral já é, na origem, romanesca. Ou seja, a fabulação está na própria realidade. Gosto de trabalhar esse limites.
(05:33:46) jujuba: como foi enfrentar as luzes e sombras da sua familia? fernando moraes disse que nunca mais pretende biografar alguem vivo, mas como é biografar pessoas proximas, mesmo mortas?
(05:35:03) Arnaldo: É difícil, às vezes doloroso, catártico e delicado, ainda mais em se tratando de uma família acostumada a contar e recontar uas histórias. Quando o quadro geral vem à tona, mexe muito com o coletivo.
(05:35:09) Diego_ES: Qual a diferença entre escrever crônicas e escrever para jornais?
(05:36:04) Arnaldo: Diego, minhas crônicas são escritas para o jornal O GLOBO. A crônica brasileira é um gênero sempre difundido em jornais e revistas, vide Fernando Sabino, Rubem Braga e tantos outros.
(05:36:11) José Robson: Eu Gosto Muito de Romances, poderia mim indicar um bom para eu ler?
(05:36:54) Arnaldo: Robson, são tantos... você já leu Machado de Assis? Leia o Dom Casmurro.
(05:37:01) pepeu furão!: qual a importancia de eventos como a flip epecialmente num pais como o brasil onde a literatura é tratada como algo menor dentro da cultura?
(05:38:28) Arnaldo: Oi Pepeu. Não só a Flip, mas a feiras de livros em geral, têm atraído um interesse crescente do público. Não sei se a lieratura é de fato tratada como algo menor na cultura... acho que o problema está mais na formação do público, o que nos remete ao sistema educacional.
(05:38:49) joelma: arnaldo, tudo certo? vc disse q pretende ir à mesa do gay talese. quais livros dele vc mais gosta?
(05:40:08) Arnaldo: Joelma, pouco li do Talese. Estou lendo Vida de Escritor e gostando muito.
(05:40:10) flip flop: boa tarde, arnaldo! sei que nao é mto o tema do papo, mas... oq vc acha da tal polêmica do diploma de jornalismo? vc tem? acha fundamental?
(05:41:55) Arnaldo: Flip Flop, eu tenho diploma pela mítica Eco-UFRJ (lá na Praia Vermelha, onde Lima Barreto eteve internado quando era um hospício...), e muito me orgulho do meu diploma. para amim foi fundamental, por me dar o sentida da missão do jornalismo, o distanciamento, e uma série de alicerces em ciências humanas. Recentemente escrevi uma crônica a respeio, procure no oglobo.com.br/blogs/arnaldo (sem o www mesmo), onde ela está reproduzida.
(05:42:01) Latino: Como é para você estar lado a lado de figuras tão ilustres em um evento igualmente notório como a flip?
(05:43:04) Arnaldo: É uma grande alegria estar ao lado de gente importante, sejam veteranos, sejam novatos, e poder falar do meu livro. Uma conquista e uma honra.
(05:43:13) flip flop: aproveitando, oq acha dessa penca de escritor que tem aparecido recentemente? bando de gente que reune textos de blogs e coisas do genero e nem sempre tem qualidade realmente boa.
(05:44:41) Arnaldo: Flip Flop, são os ossos da era da informação... a internet cria essa multiplicação autoral, quase todo mundo é auor, quem posta, quem comenta, quem xinga, quem insulta. Será que a previsão do Rubem Fonseca, de que no futura haverá mais escritores que leitores, se confirmará????
(05:46:25) legalzão: já que indicou dom casmurro pro José Robson, diga... capitu traiu ou não? qual sua leitura desse romance?
(05:47:46) Arnaldo: Sempre achei que traiu, mas, com o tempo, fui percebendo que pouco importa... esse tipo de conjectura, na verdade, acaba ofuscando o sabor do mistério e tirando o foco do texto para a busca de uma "verdade" que pouco contribui para a obra literáia
(05:47:57) toc toc: O que vc acha da nova geração de escritores brasileiros?
(05:49:38) Arnaldo: Toc toc, gosto de muita coisa, li menos do que gostaria, mas acho que a questão da estrutura está hiperdimensionada, pondo em segundo plano a capacidade de fabulação e o próprio texto
(05:49:57) loira do banheiro: arnaldo, vc é da facção que as pessoas tem que ler qq coisa, mas ler. ou ler oq realmente é bom. pq vira e mexe alguem critica um ou outro autor e acha que é melhor ler bula doq ler essas obras pasteurizadas
(05:50:55) Arnaldo: Loira, não entendi direito sua pergunta...
(05:51:08) Latino: Como você define o seu estilo de escrever?
(05:52:17) Arnaldo: Ih, latino, não sei... meu estilo é muito eclético, acho que ainda estou formando um estilo... sei lá, talvez um experimental memorialista cadenciado
(05:52:22) bloc: esse ano temos a presenca dos irmaos quadrinistas e premiados Bá e Moon na flip. gostaria de saber se você gosta de quadrinhos e se acha que ler esse tipo de publicacao é uma porta de entrada para os livros
(05:55:01) Arnaldo: Bloc, eu gosto de quadrinhos, mas não sou um aficionado, como amigos meus tipo Rodrigo Fonseca. Não me ligo em super-heróis, sou mais conectado aos álbuns tipo Asterix, Lucky Luckie, Tintim, Mortadelo e Salaminho, os Peanuts, coisa o Mad... as graphic novels me atraem, mas fico um pouco tonto com aquele movimento estpático com penca de texto. Mas não tenho nada contra e, certamente, é uma porta de entrada para leitura sim.
(05:55:05) Latino: Em termos de qualidade literária, na sua opinião, quais são os grandes escritores da literatura brasileira hoje em dia?
(05:55:59) Arnaldo: Do que eu ando lendo, acho difícil bater o Milton Hatoum.
(05:56:13) bloc: quando começou a escrever, como percebeu q tem o dom de escrever tão bem?
(05:56:57) Arnaldo: Bloc, foi tudo um exercício de crescimento... eu achava que escrevia muito bem quando não escrevia bem. Hoje, quando talvez eu esteja escrevendo bem, não penso da mesma forma, ganhei em modéstia...
(05:57:09) Latino: Independemente do que a crítica literária diz a respeito de Machado, eu gostaria de saber o que foi que o fez um grande escritor segundo a sua opinião
(05:58:18) Arnaldo: Latino, Machado é o fino da ironia, da elegância, do senso de observação do comportamento humano e do equilíbrio do texto: quantidade e qualidade na medida certa.
(05:58:20) Latino: O estilo do escritor, a ser ver, é algo que vem com o tempo?
(05:58:56) Arnaldo: Latino, o estilo é algo que ou se escolhe ou se desenvolve. Depende do caminho a trilhar e do risco que se está disposto a correr...
(05:59:00) loira do banheiro: desculpe, serei mais direta. o importante é ler (qq coisa, até literatura pauteurizada, de banca de jornal) ou é preciso ler, mas livros com qualidade minima?
(06:01:30) Arnaldo: Loira, seria reacionário querer impôr o que se deva ler. Mas me parece que hoje em dia o leitor está muita atrás de respostas e de um sentido utilitário do que de se confrontar com a arte literária. Isso é ruim, mas ler algo é sempre melhor do que não ler nada. Mas ler não basta: é preciso ir a exposições, ao teatro, ao cinema, ouvir música, busca a variedade mais do que um só caminho, olhar com mente aberta aquilo que parece difícil de apreender, e, assim, estabelecer pontes entre as várias formas de expressão.
(06:01:35) capitu: seus autores favoritos e suas leituras mais marcantes (que não são necessariamente os mesmos...)
(06:03:12) Arnaldo: Capitu, minha leitura mais marcante é de Grande Sertão, Veredas, a meu ver uma das cinco obras maiores da história da literatura mundial. Outros ápices são A Montanha Mágica, de Mann, toda a obra teatral de Ionesco, as crônicas de Nelson Rodrigues, as Cidades Invisíveis de Calvino.
(06:03:26) eguimaraens: Ola, Arnaldo. Há anos atrás trabalhei na sucursal de Porto Alegre da Manchete. Como vai você?
(06:03:26) eguimaraens: Queria saber como foi passar a família sob filtro do autor e ao mesmo tempo participante
(06:04:57) Arnaldo: Salve, eguimarães. Essam dupla pista, observador externo vs testemunha, foi o grande desafio do meu livro. Unir essas dimensões, conciliando os diversos narradores, a pesquisa, minha visão e a invenção literária, conseguindo uma certa musicalidade, foi muito difícil, daí eu ter demorado tanto tempo para terminar a obra.
(06:05:03) joelma: como surgiu o convite pra participar dessa flip? vc já tinha sido convidado em outras edições? qual sua expectativa?
(06:06:13) Arnaldo: Joelma, não tinha sido convidado não. Mandei meu livro para o curador e um belo dia recebi o convite. Tenho participado de mesas em feiras pelo país, fiz entrevistas, acho que estou começando a ficar afiado... tomara que dê tudo certo! Você vem?
(06:06:18) ÊPA! MINONDAS: aRNALDO, VOCÊ JÁ MOSTROU Q TEM CORAGEM SUFICIENTE PRA MERGULHAR NO UNIVERSO DAS INTRIGAS FAMILIARES. vC TERIA AGORA DESEJO FICCIONAL DE TRANSFORMAR AQUILO TUDO EM "OUTRAS HISTÓRIAS"?
(06:06:53) Arnaldo: Salve, Minondas... sua pergunta é tão boa que acho que não vou responder...
(06:07:45) Arnaldo: Galera, estão me expulsando do papo porque está na hora de encerrar! Foi um prazer estar com vocês. Qualquer coisa me escrevam, para arnaldo@oglobo.com.br. Abraços e beijos!
(06:08:04) Geovanna-UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Arnaldo Bloch e de todos os internautas. Até o próximo!