(03:47:10) Soninha Francine: Oi, tudo bem gente? Já peço desculpas pelo bate-papo que tive de cancelar há uns dias atrás!
(03:37:08) marcos: tudo bem?
(03:41:26) Everton_sp: Olá Soninha. Antes de qualquer coisa, sou seu fã e jornalista. Quando surgiu a idéia de você escrever este livro?
(03:49:54) Soninha Francine: A editora me procurou quando eu ainda era vereadora, eu acho. Eles me contaram que tinham uma coleção de livros sobre futebol para crianças, um para cada time. O Serginho Groissman fez o do Corinthians, o Gabriel Pensador fez o do Flamengo, enfim. Eu demorei para aceitar por causa de tudo o que eu fazia, mas no fim eram só três mil caracteres, praticamente uma coluna no jornal! (risos) Aí foi fácil, no fim eu queria era mais espaço para contar as histórias!
(03:46:44) escravo da Soninha: você lembra do primeiro jogo que escutou no rádio, e tb da sua primeira vez num estádio de futebol...
(03:52:04) Soninha Francine: escravo, quem era mais ligado em futebol quando eu era criança era meu avô materno. Ele ouvia muito jogo em rádio quando eu era pequena. Eu não gostava muito de ouvir, só queria saber quem é que tinha feito gol. (risos) Eu queria mesmo era saber como andava o vôlei e o basquete, que eu praticava. Eu só me interessei de novo pelo futebol quando eu terminei o colégio e parei de jogar. Tanto que eu fui ao estádio pela primeira vez eu já tinha 20 anos. Estava um dia lindo e eu fui ver Palmeiras X São Paulo no Morumbi e o Palmeiras ganhou com um gol lindo do César Sampaio!
(03:47:23) Dessaahh: soninha o que voce achou de participar do CQC? e o que acha do que o povo acha da politica?
(04:17:37) Soninha Francine: Dessaahh, primeiro que eu não posso nem reclamar do "CQC", já que eu aceitei o convite. Duro mesmo é depois ir embora e ficar pensando "eu devia ter dito isso ou aquilo". Quanto ao povo e a política, o povo é muito ignorante. Isso não é uma crítica, é uma constatação. As pessoas não entendem as designações, o que faz cada cargo, não sabem diferenciar executivo e legistlativo e por aí vai. Além da indignação justa, tem também uma indignação alienada, de pessoas que não entendem o que está acontecendo mesmo. Às vezes as pessoas esperam que um bom vereador mande tapar buracos, podar plantas em terrenos e às vezes o vereador está discutindo algo maior, como mudanças climáticas que também afetam sua vida. As pessoas passam pela escola e estudam tabela períodica, respiração celular, reprodução das plantas e não entendem como funciona a câmara dos vereadores. As pessoas não sabem que nós nos dividimos em grupos, que os projetos vão sendo lidos aos poucos e por aí vai. Não acho que precisamos criar uma nova disciplina para educação política, mas o conteúdo pode ser incluso em outras matérias, como história e filosofia.
(03:48:35) Nina: Soninha, para vc, qual o principal problema brasileiro?
(04:21:52) Soninha Francine: Nina, acho que é a nossa falsa flexibilidade, ou a nossa indignação seletiva. Não digo que seja um problema brasileiro, mas aqui é muito marcante isso. Às vezes as pessoas se revoltam dizendo que uma subprefeitura não fiscaliza nada e quanto ela passa a fiscalizar, as pessoas reclamam novamente por que como nunca fiscalizaram, por que encher o saco agora? Isso acontece demais aqui, e as pessoas levam isso para a hora de votar também, por exemplo: fulano não presta, mas vai fazer tal coisa que me interessa...
(03:50:59) Everton_sp: Você tem algum palpite para Brasil e Argentina? Que jogador do seu time de coração você queria ver atuando neste clássico internacional?
(04:06:34) Soninha Francine: Everton_sp, ai, eu sou tão ruim de palpite! Eu acho que dá Brasil, na nossa superioridade mesmo. Geralmente os argentinos têm uma aplicação melhor que a nossa, mas nós também temos jogadores habilidosos, inteligentes e tudo mais. Geralmente eles são mais raçudos que a gente, mas quando é seleção contra seleção a coisa muda um pouco. A situação é favorável para eles, mas eu acho que dá Brasil mesmo.
(03:53:05) Anselmo: Soninha, a obra é muito legal e ajudou a fortalecer o vínculo dos meus dois pequenos com o clube. Entrei no bate papo só para te parabenizar!! Valeu!
(03:59:54) Soninha Francine: Anselmo, obrigada! As ilustrações estão demais também, né?
(03:53:29) Fofis SP: e quando vc descobriu o talento para "comentarista"? Ou descobriram vc?
(03:58:48) Soninha Francine: Fofis SP, quando eu começo a gostar, eu acabo indo morar junto. (risos) Então, chegou uma hora que eu estava tão envolvida com isso, que eu ia até ver jogo no estádio sozinha. Eu descobri isso quando eles foram gravar um Rock Gol e tivemos um problema, o Marco Bianchi, o Paulo Bonfá e o Felipe Xavier não podiam gravar, e olhando para quem trabalhava na MTV, eu era quem tinha mais perfil na época para isso. Eu narrei o jogo e as pessoas começaram a me chamar para uma coisa ou o outra por aí, para fazer entrevistas, comentar um jogo específico, enfim, até que a ESPN me convidou!
(03:54:20) Soninha Francine: Sobre o futebol: eu gostava do jogo, do esporte, mas não tinha um time do coração. Mas aí com meu marido japonês e palmeirense, eu comecei a me envolver um pouco mais. Aí os meus melhores amigos da MTV também eram palmeirenses. Nessa época, o Palmeiras começou a ressurgir das cinzas e depois começou a ganhar muitos campeonatos, dois paulistas, dois brasileiros. Aí sim eu virei palmeirense, eles jogavam mesmo com vontade!
(03:56:57) Alexandre/MG: o que você entende como um comentário em uma partida de futebol: uma análise mais voltada para a tática como faz o PVC ou algo mais prático como fazem os ex-jogadores?
(04:01:46) Soninha Francine: Alexandre/MG, eu gosto das duas coisas combinadas, porque eu gosto muito de observar o quanto um dia bom ou ruim de um indivíduo pode acabar com uma estratégia técnica ou como a estratégia também pode salvar o grupo de um jogador num dia ruim. Não é uma resposta em cima do muro, mas eu gosto mesmo das duas análises.
(03:59:57) queila: oi onde vc arruma inspiração para todas as suas obras?
(04:22:38) Soninha Francine: queila, puxa, eu adoro escrever! Se eu pudesse, eu escreveria o dia todo, que nem uma louca! (risos) Eu escrevo mentalmente sobre tudo quando estou na moto, o asfalto, a árvore, o passarinho...
(04:00:26) Everton_sp: Como você analisa os altos salários e preços exorbitantes que clubes e patrocinadores pagam para contratarem determinados jogadores?
(04:27:19) Soninha Francine: Everton_sp, eu acho uma insanidade, é insustentável! Alguns times até tentaram mudar de postura e pagar valores reais, mas isso acaba abaixando a qualidade geral do time. A distância de salários entre quem ganha muito e quem ganha pouco é muito grande e aí quando as coisas começam a dar errado, isso vira um ponto de tensão. Eu acho que as pessoas não podem aceitar isso, como aceitar que eu ganho mil, fulano quatrocentos mil e ele vale quatrocentas vezes mais do que eu, não? Eu não quero condenar quem ganha muito, mas sim a lógica do sistema, que é muito louca.
(04:05:53) Soninho: Você acha que com o nosso material humano ainda podemos ter um dos melhores campeonatos de clube do Mundo?
(04:24:23) Soninha Francine: Soninho, eu acho que a gente tem times legais e um campeonato competitivo. Agora ainda estão acontecendo umas repatriações inimagináveis... Ronaldo no Corinthians que deu super certo, o Fred no Vasco, que deu errado, enfim. Eu acho que nunca vamos competir com o poder de compra de times europeus, mas gosto muito dos times daqui. E lá nem sempre são só times bons que dá gosto de se ver jogar, né?
(04:06:44) Edie Henrique: do ponto de vista de políticas esportivas pensando em nossos estádios e em específico os do Estado de São Paulo. O que você aponta como problemas mais urgentes para a melhoria de nossos estádios?
(04:30:41) Soninha Francine: Edie Henrique, tem problemas quase acessórios, diante dos outros, que são os de conforto e comodidade (um bom acesso e uma boa visão de qualquer lugar) e também os banheiros, claro. Parece que papel é um luxo, sabonete então, nem se fala. E isso é uma das exigências da FIFA. Mas o maior problema é o acesso aos estádios. Em volta do estádio é sempre um tumulto, é um esforço conseguir chegar e sair do estádio. Vira um caos de carro, ônibus, cavalo, moto... Nós nos acostumamos com esse tumulto, mas isso cria uma situação favorável para brigas, para atos violentos. Acho que essa é uma das questões mais importantes para ser corrigida. Fora a forma de chegar ao estádio, mesmo. O transporte coletivo deve ser melhorado de qualquer forma para facilitar o acesso aos estádios.
(04:06:55)
Moderadora UOL:
Livro "Meu Pequeno Palmeirense" é tema de bate-papo com a jornalista e comentarista esportiva Soninha Francine, convidada do portal Virgula (crédito: Flávio Florido/UOL) (04:07:36) Johnny Love: Pq vc não participa das transmissões na ESPN? Gostaria de ouvir seus comentários...
(04:34:36) Soninha Francine: Johnny Love, sabe que eu já participei? Eu fiz Campeonato Paulista, Copa do Brasil e fiz bastante futebol feminino, Copa do Mundo, Olimpíadas... Agora não tenho participado muito, mas olha o elenco da ESPN! Eles são muito bons. Se um dia precisarem de mim, eles me chamam, mas gosto de ver os meus colegas. (risos)
(04:08:29) alan: oi soninha, aqui é o alan, tudo bem? voce acha que 80% das entrevistas com jogadores, antes ou depois dos jogos, ñ diz nada de nada?
(04:35:51) Soninha Francine: alan, eu acho. (risos) Eu acho que os repórteres não se preparam corretamente, também. Você só tem o tempo de ver o jogo e fazer uma pergunta com base no que você viu. A culpa não é dos jogadores, mas sim nossa, de só ter a mesma pergunta pra fazer: "e aí, o que você tá achando da partida?"
(04:11:36) Soninha Francine: Sobre o Maradona assumir o cargo de técnico da seleção argentina: eu acho que, no caso, o Dunga aqui no Brasil também foi aprendendo, ouvindo mais o Jorginho, que já tinha uma outra experiência, e foi ficando mais flexível em algumas situações. Já o Maradona, apesar de não ter sorte, eu acho que ele não tem tarimba pra montar uma equipe mesmo. Não basta ter carisma para ser técnico. Você tem de saber orientar um time e um craque não tem a menor obrigação de saber fazer isso. Eu acho que a Argentina vai para a Copa de qualquer forma, mas colocar o Maradona de técnico na Copa é se arriscar demais.
(04:15:27) palestrino: O que vc acha do atual elenco do Palmeiras?
(04:38:18) Soninha Francine: palestrino, acho que a nossa zaga saiu melhor que a encomenda. Eu já gostei mais do Armeiro quando ele chegou, ele acertava mais. Mas eu gosto, adoro. O meio-campo é muito bom. Com o Wagner Love, então, eu acho que a gente ganha todas! (risos) Quanto ao Muricy, eu acho que no Palmeiras ele tá deixando todo mundo mais à vontade. No São Paulo ele deixava todo mundo bem estratégico, jogando em grupo. Mas no Palmeiras agora demora um tempo para os dois lados se acostumarem, mas acho que tá tomando um jeito já. (risos)
(04:15:40) Johnny Love: Vc enfrentou muito preconceito por entrar em um meio predominantemente masculino?
(04:41:36) Soninha Francine: Johnny Love, eu acho que é um preconceito normal. Sempre foi muito mais masculino que feminino e aí de repente aparece uma voz feminina chata como a minha... É difícil acostumar! Tem essas grosserias adicionais, assim: "com quem essa menina da MTV tá dormindo pra chegar aqui?". Enfim, uma vez eu critiquei o Botafogo e ouvi um "vai lavar roupa". Também já teve um tipo de preconceito ao contrário, falando: "Essa aqui é a Soninha. ESSA entende!". Eu acho que o mercado está abrindo para jovens meninos e meninas, mesmo. Uma hora a gente não vai mais distingüir uma coisa da outra e não desgostar de um ou outro porque é homem ou mulher.
(04:19:38) Soninho: Você acha q o campeonato brasileiro deveria ter um "clima de NBA" para ser mais atrativo e valorizar seus astros tb?
(04:43:41) Soninha Francine: Soninho, eu acho, mas acho que talvez isso não role no campo. No intervalo rolam umas coisas sensacionais e aqui a gente até tenta fazer coisas assim, mas é futebol, é diferente. Lá o pessoal chega mais cedo, curte a experiência, acompanha melhores momentos num telão, compra arquivos de mídia pelo celular no bluetooth... Enfim, imagina se a gente tivesse isso aqui, mesmo que custasse só R$0,50? Ia dar um super faturamento!
(04:20:05)
Moderadora UOL:
Capa do livro infantil lançado pela subprefeita da Lapa, Soninha Francine, entrevistada a convite do portal Virgula esta semana (crédito: Reprodução) (04:27:06) Alexandre/MG: o que você acha que é fundamental para ser um bom jornalista esportivo?
(04:47:30) Soninha Francine: Alexandre_MG, acho que tanto o esportivo quanto o jornalista comum, é preciso ter muito gosto pela coisa. Muito interesse, não se distanciar, não se pode perder a vivência de ir ao estádio, de sentar na arquibancada mesmo. Isso tem que estar arraigado em você, na pele. Não perca o gosto, em qualquer área de jornalismo! Você tem que manter o gosto, mas não se deixar levar pela paixão ao ponto de esculhambar uma pessoa como se ela não fosse uma pessoa, não é? É o papel do jornalista trazer a racionalidade de volta e manter a paixão também. Às vezes nós dizemos o que as pessoas querem ouvir, mas temos de nos colocar realmente, levando os dois lados em conta. Futebol, por exemplo, tem tanta fofoca, que você não pode se confiar no que "alguém disse". Eu acho isso muito contraproducente. Claro, eu gosto de notinhas divertidas, mas tem horas que rola um veneno muito irresponsável, muito injusto.
(04:27:22) escravo da Soninha: você disse que adora escrever, como está sendo excercitar seus textos em 140 caracteres no twitter....
(04:48:25) Soninha Francine: escravo, puxa! Está sendo ótimo! Como vocês devem ter percebido pelo papo, eu sou prolixa, então lá é muito legal, é um exercício ter que resumir e ir direto ao ponto sem perder adjetivos e advérbios. Eu apelo com algumas abreviações internéticas, mas ainda assim é bem mais curto do que no blog! (risos)
(04:32:10) Soninho: Gosta de se aventurar a jogar futebol? OU a paixão fica somente no torcer e analisar?
(04:44:20) Soninha Francine: Soninho, eu tenho 42 anos e fui boa no futebol aos 8 anos. (risos) Hoje eu sou muito útil taticamente e jogo bola colocando a língua pra fora, quando jogo. (risos) Eu e a bola não temos a intimidade necessária para poder jogar bola pra valer, mesmo que eu fosse mais nova.
(04:49:48)
Soninha Francine: Se vocês quiserem falar comigo, conversar saber o que eu penso, me procurem! Mandem um e-mail, entrem no blog, entrem no twitter e chequem o que é real mesmo. Eu fico louca da vida quando as pessoas passam adiante algo que eu não disse! (risos) Então entrem no
@soninhafrancine e no meu blog,
http://gabinetedasoninha.blogspot.com . Obrigada! Tchau, gente!
(04:50:49) Moderadora UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Soninha Francine e de todos os internautas. Até o próximo!