UOL Bate-papo

7.433 salas abertas pessoas online 371.650 lugares

Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Costanza Pascolato - 29/06/2009 às 19h00

Ícone fashion promete "ensinar a ser Costanza" em "Confidencial" (Editora Jaboticaba). Em sua terceira publicação, a autora conta segredos de moda, estilo e bem-viver, além de revelar as escolhas, preferências e opiniões que a tornaram tão respeitada e admirada no meio. Dividido em nove capítulos: Estilo; Elegância; Moda; Corpo e Saúde; Disciplina e Liberdade; Identidade, Beleza, Idade; Simplicidade é uma Arte; Coisas da Alma; Paixão e Romance; Viajar para Aprender; e De Volta para Casa, o livro traz também um olhar moderno sobre o estilo e o modo de vida atual. Além de teclar sobre "Confidencial", Costanza dá dicas sobre o que vestir e faz balanço sobre as semanas de moda brasileiras que aconteceram recentemente.

  • Fotos, vídeos e notícias da temporada Verão 2009/10 da SPFW
  • Especial sobre o Fashion Rio; visite
  • Acompanhe UOL Estilo
  • Mais livros em UOL Entretenimento
  • Assista ao vídeo da conversa:

  • Participaram do Bate-papo 230 pessoas


    (07:26:33) Costanza Pascolato: Estou aqui pela primeira vez e estou adorando...

    (07:26:56) Costanza Pascolato: Sobre o livro "Confidencial, Segredos de Moda, Estilo e Bem Viver": Ele não é exatamente uma biografia. Como eu disse no começo do livro, não canto, não danço e não represento, mas faz 40 anos que as pessoas se interessam pelo que faço e o que faço para continuar sendo ativa e elegante. E esta notoriedade eu devo a mídia. Na verdade nem me acho tão elegante assim. Visto o preto porque é mais fácil. Depois, eu lido com muita cor na fábrica, então sempre fico no aperfeiçoamento da cor que virá, portanto se eu estiver usando uma cor parece já estou ultrapassada. É uma coisa profissional. Eu ando de preto e branco no verão e de preto no resto do tempo. A edição foi da Marcia Cabral, ela tem um bom gosto inacreditável.

    (07:27:59) Costanza Pascolato: Não é difícil ser eu, mas sou uma pessoa esforçada, disciplinada. Como neste livro tem bastante coisa falando sobre a disciplina achei que iriam me achar uma chata, mas ao longo do tempo esta disciplina é uma grande vantagem.

    (07:12:52) Lucasdvm: Boa Noite, Dnª Costanza e boa noite para todos ai do Bate-Papo Uol

    (07:28:03) Costanza Pascolato: Lucasdvm, obrigada...

    (07:12:53) carola: oi d. costanza, tudo bem? esse livro é uma biografia ou é um guia de estilo? como prefere defini-lo?

    (07:30:20) Costanza Pascolato: carola, é uma mistura, foi um trabalho muito amoroso, porque foi editado como sou. Então é uma mistura do que aprendi ao longo do tempo, se sou assim é porque aprendi um monte de coisas e tomei cuidado de ficar somando tudo isto. E não sei por que alguém gostaria de ser eu, pois ela pode ser ela no melhor dos mundos. Eu tentei colocar eu mesma, me considerei um produto, então trabalhei este produto como se fosse um bolo com ingredientes legais, fui batendo a massa até ficar legal e com cuidado com os ingredientes. Então cada pessoa pode pegar o que tem de melhor e de pior e ir corrigindo ou ir olhando para uma coisa que seja legal. Pois temos que começar a olhando para o que temos de bom.

    (07:31:32) Geovanna/UOL:

    Capa do livro "Confidencial", de Costanza Pascolato (Divulgação)

    (07:12:54) KICO!!!!: O brasileiro é elegante ou copia muito???

    (07:34:30) Costanza Pascolato: Kico!!!!, a mulher brasileira tenta mais do que o homem na idade adulta. Ou seja, ela é muito mais cuidada do que o homem, não pára diante de nada, se for para fazer ginástica ela faz, o cabelo é impecável. Em poucos povos do mundo a mulher é tão bem tratada como a brasileira. O homem está começando a se tratar mais, mas tem um complexo fundamental que é o machismo brasileiro. É assim, quando são jovens, legal, ouvem as coisas todas. Depois começam a engordar um pouco, fica ultra formal ou relaxado, o que é uma pena. Hoje vemos casais em que a mulher está muito elegante, bonita e bem tratada e o homem de camisa e calça branca como se pudessem tudo. Então o homem ainda precisa fazer uma forcinha. Hoje não tem uma moda que não seja um pouco bastarda, uma mistura de tudo, porque a informação é universal. O que estou sentindo como produtora inclusive de matéria-prima para roupas é que o Brasil está rapidamente alcançando uma espécie de autonomia não tanto das cores ou até das tendências, mas também disso. No Brasil tem certas formas de camisetas, de calças, sem falar no biquíni e lingerie que é fantástica, pois é conhecida lá fora pela modelagem que veio do maiô e foi até a lingerie que é copiada no mundo inteiro, vemos tanga asa-delta americana ou francesa, mas vieram do Brasil. E como somos um povo que vive uma vida muito menos formal do que em outros países do mundo, ou seja, tem menos centros onde se vem muito, estamos mais ou menos distribuídos em bairros, o calor é quase sempre constante, então usamos menos roupas, somos menos formais.

    (07:20:48) camila: boa noite, como a senhora entrou para o mundo da moda? desde sempre se interessou pela tecelagem?

    (07:37:44) Costanza Pascolato: camila, minha mãe diz que aos três anos eu já era muito ligada ao que eu estava usando, isso sem eles terem tecelagem. Depois eu acompanhei a tecelagem e aquela coisa toda, eu tinha uma tendência, lia tudo o que tinha sobre moda na época. Então comecei a me interessar pela diferença de comportamento entre Brasil e EUA quando eu morava em Nova York e acompanhei todas as grandes revoluções ligadas à moda. Fui muito feliz nesta época e continuo feliz porque olhar comportamento e moda é uma linha vermelha do entendimento da vida. Por meio da moda que entendo o comportamento, olhando para trás também, enfim é um código que sempre entendi muito facilmente.

    (07:29:36) renata: dna costanza, tudo bem? há tanto tempo se dedicando à moda, como a senhora vê o atual momento da moda brasileira? acredita, como disse didier grumbach em palestra recente no brasil, q não existe mais moda local?

    (07:41:10) Costanza Pascolato: renata, está errado, ou seja, tem que distinguir as coisas. Claro que não fazemos uma moda "tucano" e "coqueiro", o que é uma bobagem muito grande. E nunca fizemos um artesanato extraordinário, temos tímidos artesanatos muito pouco explorados pelo Brasil afora, pois poderiam ser muito mais explorados. O ideal seria a integração da indústria com o artesanato. No sentido de que as pessoas querem vestir roupa comum, mas que fossem mais bordadas. Poderia haver mais integração. Mas existe uma preferência nacional por certos modelos, certos tipos de roupas. Falo de moda que se usa na realidade, não falo de passarela. Mas estamos em um processo avançado em termos de moda. O brasileiro gosta de moda, se interessa, é uma coisa a flor da pele. A mulher é muito feminina neste país, então é a que puxa este cordão.

    (07:41:20) Geovanna/UOL:

    Costanza Pascolato conversa sobre o lançamento de seu terceiro livro, "Confidencial" (Flavio Florido/UOL)

    (07:29:43) CARIOCA: Com toda sua evidência e sucesso, as vezes te dá vontade q sua palavra tenha menos peso, q se importem menos com o q vc fala??

    (07:42:05) Costanza Pascolato: Carioca, é verdade, porque é uma responsabilidade. Às vezes falo uma bobagenzinha... mas graças a Deus que ouvem. Tem os dois lados da moeda.

    (07:34:50) LORENA: boa noite,tb?qual foi a inspiraçao para essa sua terceira obra?

    (07:43:54) Costanza Pascolato: Lorena, foi difícil. Não imaginam o pudor que eu tive, a vergonha de falar de mim. Mas fui estimulada a fazer este livro. Na primeira vez que publicamos em 1997 foi um super sucesso e até hoje pedem autógrafo. Faço 70 anos neste ano, pensava que com esta idade eu fosse ficar em casa fazendo crochê, mas não, há um entusiasmo, uma curiosidade.

    (07:34:57) Oliveros: OI Costanza, você acha que as revistas brasileiras de moda se acomodaram numa fórmula já gasta de editoriais?

    (07:45:15) Costanza Pascolato: Oliveros, acho que sim, tem grupos que poderiam talvez arriscar mais, apesar que de deveriam ter começado antes. Agora esta crise valeu para rever uma série de valores. Com muito carinho daria certo, mas precisa de um grande grupo por trás.

    (07:46:25) Costanza Pascolato: Sobre a crítica de moda: Tem algumas críticas muito boas e outras que ainda estão engatinhando. Tem muita gente ambiciosa, o que é legal. O que vejo é que tem muitas pessoas superficiais. Querem abranger muita coisa, o que é difícil, pois ficam dispersas e pouco profundas. E menos sutis, porque precisam saber mais de história da moda, que não é uma coisa meio morta, mas uma coisa de comportamento. A vantagem de ter vivido todos estes anos foi que eu os vivi de olhos abertos.

    (07:48:00) Geovanna/UOL:

    Costanza Pascolato em imagem que ilustra o livro "Confidencial" (Divulgação)

    (07:39:52) CARIOCA: No fashion week, a gente percebe que há dois grupos: os q vão pra badalar e uma pequena parte que trabalha de fato, sendo desse ultimo grupo, 60% poderia fazer tudo de casa, vendo as fotos pela internet, uma vez q moda (no mercado) é imagem, e imagem pode ser uma foto na INternet...E aproveito pra perguntar se Acompanha os Blogs e sites e toda a recente vida virual da moda!

    (07:48:50) Costanza Pascolato: Carioca, é impossível acompanhar todos, mas adoro blogs. Aliás, eu fiz uma coluna na Vogue em 1995 sobre blogs. Daí os brasileiros começaram e foi muito rápido. É difícil saber onde estão todos os blogs, não acompanho todos. Blogs de moda em português eu conheço quase todos.

    (07:41:33) vivi: ola!! vc acha que quem nao tem estilo nao esta na moda?

    (07:51:38) Costanza Pascolato: vivi, não, ao contrário, estou falando de estilo no sentido de uma personalidade, é muito mais personalidade do que a moda que é mostrada nas revistas e passarelas. Hoje as pessoas têm cada vez mais o próprio estilo. No Brasil ainda vemos meninas de certo grupo de idade que andam no shopping e usam exatamente as mesmas coisas, o mesmo cabelo, tudo. Não estou fazendo uma crítica, é falta de coragem de mergulhar na individualidade, o que é muito difícil. Ser individual, ter estilo e personalidade é mergulhar na solidão, você está sozinha. Tem gente que quer ser assim, eu quis ser assim desde pequena. Este sempre foi o meu negócio e também na vida, não estava interessada em ver o que a outra fazia. As pessoas tem muito medo de se jogar, senão não ficariam copiando todas as atrizes da televisão. Não é uma crítica, cada um faz o que bem entende. Enfim, por trás do tapete vermelho tem uma indústria enorme, para os estilistas serem realmente conhecidos pelo grande público tem que estar no tapete vermelho.

    (07:54:33) Costanza Pascolato: No livro "Confidencial" tem capítulos que diz que a falta de dinheiro te deixa muito mais criativa. Eu, por sorte, fui pobre, um pouco mais rica, falida, rica, vivi todos os lados. Tinha o conhecimento e o olhar e lembro que nas épocas em que tive menos dinheiro, sem ser paupérrima, eu via que tinha muito mais imaginação, procurava com mais afinco o que eu gostava em qualquer lugar. Nós, da moda, produtora e tudo o mais fomos as primeiras a começar a comprar nas lojas Marisa, Renner, C&A, esta coisa que chamamos de fast fashion, que está muito melhor do que já estive. No Brasil teve um crescimento fantástico. Então temos uma moda muito mais democrática, está ao alcance de todos. Temos brechó etc. há infinitas possibilidades. Basta procurar e quando não tiver dinheiro procure mais.

    (07:45:11) marina: Oi Costanza! Qual é sua dica para aqueles que querem estar na moda mas sem gastar muito ?

    (07:56:21) Costanza Pascolato: marina, procure, se gosta de brechó, tudo bem. Mas aconselho a pesquisar nestas lojas de fast fashion que citei. Porque outro dia uma revista da editora Abril me pediu para fazer uma pesquisa em que nenhuma peça de roupa poderia custar mais do que R$ 150. Então fui direto na Renner e escolhi tudo lá. Então você pode pegar o que tem no seu guarda-roupa e ir comprar umas roupas lá.

    (07:44:12) tim: fazer moda e ditar moda ?

    (07:57:08) Costanza Pascolato: tim, depende. Por exemplo, o Alexandre Herchcovitch se veste super bem e as pessoas procuram muito mais copiar o seu look do que usar as suas roupas.

    (07:45:02) Etro: Olá, Costanza. Qual é a sua visão sobre moda masculina dentro do mercado brasileiro. Trabalho com moda masculina e sinto que está um pouco estagnado. O homem atual aceita melhor algumas propostas ou ainda é mais fechado ?

    (08:00:58) Costanza Pascolato: Etro, sem fazer nenhum tipo de censura, acho difícil o homem ser formal aqui, com algumas exceções. O homem está em crise de identidade. Mas talvez esta coisa do casual seja o melhor lado. O meu modelo é o homem italiano, lá até os velhinhos são transados, não são só bem vestidos, são ousados. Eu descobri o blog do Sarotialist (thesartorialist.com) em 1995 e ele fotografa homens no mundo inteiro no detalhe, sobretudo quando vai para a Itália e mostra os velhinhos, todos transados. Eles são assim porque o italiano sempre foi hiper narcisista. Desde a época pré-Renascença eram transados, principalmente o homem. Eles mantiveram esta coisa do narcisismo que até é saudável.

    (07:45:05) vivi: Costanza o que vc diria para os futuros estilistas? Tem alguma dica de como chegar la?

    (08:02:27) Costanza Pascolato: vivi, o brasileiro é hiper criativo, rápido, interessado, muda de uma hora para outra, tem vontade e tudo, mas falta técnica. Hoje se eu fosse começar, iria aprender a costurar, a fazer o molde, a ser piloteira, a cortar e a me aperfeiçoar em tudo o que é construção de roupas, porque ninguém sabe isso.

    (07:51:29) Igor: O que é ser chique nos dias atuais?

    (08:03:39) Costanza Pascolato: Igor, o mais importante é não invadir o espaço do outro, vemos isso a todo instante. Elegância é maneira de ser, como se comporta com os outros. Inútil estar bem vestida e ser grosseira. Parar o carro no meio da rua e sair. Isto é uma desegância, podem se vestir o quanto quiser, ter carros, casas, alugar iates, se forem assim "neverland" como dizia o nosso Michael.

    (07:54:07) maricota: dna costanza, é verdade que a senhora e sua familia vieram para o brasil fugindo da guerra? como foi essa chegada no país? q memórias a senhora tem dessa época?

    (08:07:17) Costanza Pascolato: maricota, na Europa foi chato porque era um momento de fim de guerra. Eu nasci no começo da guerra e cheguei ao Brasil no fim. Então eu vivi todo aquele período conturbado da Segunda Guerra Mundial, inclusive com alguns campos de concentração no meio, mas não estes que vemos nos filmes, uma coisa mais branda, pois era campo de refugiados. Não tenho uma memória trágica. Para vir para o Brasil pegamos um barco em Cadiz na Espanha em 1945, antes atravessamos a Espanha inteira de carro. Havia um desespero na Espanha, tudo destruído. E lá embarcamos no primeiro barco europeu a sair da Europa depois da guerra. Naquele navio era uma bagunça, havia toureiros, cantores, empresários e políticos. E a coisa mais linda que me lembro foi de quando chegamos a Baía da Guanabara no dia 23 de dezembro de 1945 de madrugada. Estava uma neblina densa e de repente quando todos foram ver a Baía de Guanabara a neblina se levantou e foi um deslumbramento que até hoje choro, era um verde que não conhecíamos e aquelas montanhas. Até hoje não esqueço. Uma beleza alucinante, sem poluição, não tinha aquele aterro, não tinha os prédios que tem hoje, eram quase todos prédios decó, não eram tão altos, tinha um monte de jardins e palmeiras e o Cristo, aquela coisa maravilhosa.

    (08:19:06) Geovanna/UOL:

    Costanza Pascolato aguarda início de desfile em semana de moda (Divulgação)

    (07:54:24) Serio hxh: Costanza, é verdade que não se existe mais o glamour de outras épocas, em sua opinião ao que se deve este fato?

    (08:11:05) Costanza Pascolato: Serio hxh, tem um livro recente que li todo que diz que o início do glamour foi no final do século 19. O glamour como conhecemos hoje começou nesta época. Foi a sociedade pós industrial, esta classe média alta de burgueses, banqueiros e comerciantes que começaram a ser muito ricos e começaram a competir com a aristocracia, a ter carros, roupas e objetos de um certo nível. Aí, pela primeira vez na história, os artistas, que na época não eram considerados exatamente parte da sociedade. Então estas pessoas que eram deixadas foram da sociedade começaram a ter um peso importante. Artistas de teatros, mas também pintores e outras coisas assim. E com estes três poderes, ou seja, a nova burguesia rica, a classe artística que estava subindo com poderosíssimas personagens ricos e a aristocracia que também não queria deixar de ceder o seu espaço, que começou esta coisa do glamour. Foi aí que se criou a maior mística que foi mais ou menos passada ao longo dos primeiros anos do século 20 e alcançou o mundo via Hollywood. Passou da Europa para os EUA e dos EUA via Hollywood para o mundo. Então conhecemos este glamour que era feito de um pouco de mistério, não era escancarado como hoje.

    (07:53:59) Oliveros: Nesta temporada de moda foram 108 desfiles entre Casa de Criadores, Rio Moda Hype, Fashion Rio, SPFW e se 12 marcas revelaram uma imagem forte de moda foi muito. O resto apostou em fórmulas de bureau de estilo. O que fazer, apostar em desfiles fora da semana de moda ou investir mais em equipes reais de estilo?

    (08:13:46) Costanza Pascolato: Oliveros, vou falar uma coisa chata, mas que é verdade. Estamos falando de estilo que respeitamos como imagem que poderão render alguma coisa ao longo do tempo, não render dinheiro, enfim, ser exemplo para o mundo inteiro. Outra coisa é que as fronteiras da nossa moda foram avançando por causa destes desfiles. O resto é a questão da pulverização da necessidade de tantos grupos. É até muito considerarmos 12 desfiles e olha que tem roupa bacana mesmo, na verdade a referência e a inovação partem de pouquíssimos. O resto faz bem ou mal ou médio aquilo que sabem ou entendem que seja o próprio consumidor. Todos batalham porque se você tiver uma força comercial muito forte consegue passar coisas que não são tão interessantes. Hoje não é só uma questão da criatividade, mas do business, de como se chega ao consumidor, com que preço, velocidade e frequência.

    (08:19:33) Costanza Pascolato: Sobre a moda brasileira: Falando da identidade da moda brasileira que precisamos assumir com mais coragem. Pois estamos quase lá. Somente um país com bastante cultura e segurança de moda, que não tenha medo de ousar em ser diferente. O que achei mais legal da semana de moda foi a ousadia de algumas marcas, fazendo lindos desfiles, mas perigosos no sentido de brincar com algumas coisas que poderiam serrem bregas, mal-interpretados. Se fosse interpretar literalmente, por exemplo, um desfile do Alexandre com futebol americano com cor quase neon, material futurista, plásticos, formas e metais. Claro que ele não vai vender aquilo, mas ele foi fundo nas cores e na ousadia. Não importa quem vai usar isso, pois ele teve coisas que dá para usar e ao mesmo tempo, quem entendia ou não de moda ficou feliz depois de ver o desfile. Ali ele tocou em um ponto em que todos se emocionaram. As pessoas se emocionam com coisas bem feitas, apesar de não sairmos amanhã daquele jeito. E outros... Até a Triton que fez uma roupinha meio vitoriana, com uma cinta-liga, no limite do difícil. Acho isto lindo, quem vai fazer isso senão o Brasileiro que sai no carnaval para todos verem? Se formos muito refinados conseguimos pegar uma coisa perigosíssimas e transformar em uma coisa elegantérrima e é o que estão começando a fazer. Nos falta estrutura, dinheiro e coragem. Temos que nos estruturar mais, ter mais poder para fazer as coisas melhores e poder nos arriscar mais. Uma coisa é a imagem de passarela e outra é aquilo que vai ter a escolha, a seleção e a edição que vamos colocar na loja.

    (07:54:37) VICENZO: Costanza...muitas grifes e nomes da moda parecem estar em declinio...oq está acontecendo? As pessoas estão mudando sua visão de compra?

    (08:20:58) Costanza Pascolato: Vicenzo, não sei bem de quem você está falando, mas mais uma vez acho que o tempo anda. Já vi marcas que vieram e foram embora e outras que se reciclaram e ficaram interessantes de outra maneira ou a mesma pessoa que fazia isto e tem os filhos fazendo outra coisa. Mas isto tudo é normal, não somos a Itália ou a França com estes mega grupos que são estruturas gigantescas riquíssimas que tiveram oportunidade a partir dos anos 90 de se expandir tanto a ponto de alcançar uma classe média alta que jamais tinha comprado produtos de luxo e conseguiu nesta década. Foi exatamente entre 1995 e 2005 o auge da chamada moda de luxo.

    (08:03:00) @marcia: qual o segredo de tanta beleza, vitalidade e cria tividade?

    (08:21:22) Costanza Pascolato: @marcia, se quiser ler o meu livro, vale a pena e não é tão caro assim.

    (08:02:37) Pati: Seu livro ja chegou as livrarias?

    (08:21:59) Costanza Pascolato: Pati, o lançamento do meu livro "Confidencial, Segredos de Moda, Estilo e Bem Viver" será no dia 6 de julho (segunda). Obrigada.

    (08:22:10) Costanza Pascolato: Recomecem a cada dia e façam um coisa por vez... Obrigada.

    (08:22:26) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Costanza Pascolato e de todos os internautas. Até o próximo!

    Hospedagem: UOL Host