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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Daniela Mercury - 29/04/2008 às 16h00

A cantora e bailarina, que se prepara para sua 13ª turnê internacional, participou do Bate-papo UOL com Convidados e conversou sobre seus 19 anos de carreira (são 14 CDs e cinco DVDs gravados), comentou seu papel à frente da UNICEF, revelou projetos futuros e falou sobre o DVD comemorativo que lançou recentemente, "O Canto da Cidade 15 Anos". Na conversa, Daniela também comentou a pirataria e afirmou que sente falta de crítica especializada no país.

  • Leia crítica do DVD da cantora
  • Trechos de "Daniela Mercury - O Canto da Cidade 15 Anos"
  • Letras das músicas de Daniela Mercury
  • Compre canções na UOL Megastore
  • Ouça sucessos da cantora na Rádio UOL
  • Assista ao vídeo da conversa na íntegra:

  • Participaram do Bate-papo 2525 pessoas


    (04:09:04) Daniela Mercury: Estes 15 anos passaram rapidamente, intensamente e ao mesmo tempo com força, mas a minha vida foi tão ocupada de lá para cá, mais ocupada do que era anteriormente, tenho uma vida ocupada desde os 15 ou 16 anos de idade. Muita coisa aconteceu. Agora está caindo a ficha de tudo, estou conseguindo celebrar e ver a estrada percorrida com estes discos agora. É muito bom parar para celebrar estes 15 anos. Talvez se tivéssemos parado nos dez anos eu não tivesse esta alegria de estar mais tranquila em termos de carreira, de estar mais madura com tudo isso e poder realizar muita coisa na minha cabeça e no meu coração.

    (03:56:09) Jonathan Bacch: Dani, Dani Dani, Daniela o swing eh com ela e o balanço eh de arrazar!!!!!!!!

    (04:09:45) Daniela Mercury: Estes 15 anos não são muito nem pouco, é a sensação de que foi um tempo vivido. Trabalhei e viajei muito. Muitas coisas aconteceram na minha vida e no Brasil também aconteceu tanta coisa de lá para cá. Dá a sensação de um bom tempo vivido.

    (03:56:00) claudiogulla Rio: o pessoal fãs do Rio de janeiro saudam a nossa rainha!!!

    (04:02:28) leopoldotranquilli: dani kd vc... eu vim aqui só pra te v

    (03:56:28) Angelo Vitória-ES: Olá Daniela ! Vitória-ES está aqui marcando presença

    (04:02:31) jefferson: OS FÃS DE SALVADOR TB

    (04:10:45) Daniela Mercury: Um beijo para todos vocês, parceiros, amigos e companheiros. Estão sempre vigilantes na internet cuidando de mim. Muitos deles são amigos de muitos anos, de convívios, de muitos shows. De muitas aventuras, já foram para vários carnavais.

    (04:02:17) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury conversa em instantes, mande sua pergunta!

    (04:06:00) Viinicius Nobrega: Daniela, quando voce gravou O CANTO DA CIDADE, imaginava esse enorme sucesso?

    (04:13:45) Daniela Mercury: Viinicius Nobrega, não tinha idéia, eu já tinha um grande sucesso na Bahia com o "Swing da Cor". Na verdade eu vim com o Companhia Clic, com os dois discos anteriores que pouca gente conhece. Antes de fazer discos eu já tinha um trabalho, fui da Banda Eva e cantei como backing vocal do Jerônico e do Gilberto Gil. Gnhei notoriedade no barzinho e no trio elétrico como cantora. Quando gravei os discos com o Companhia Clic já ganhei mais algum público. Isto no final dos anos 80. De 90 para 91 comecei a carreira solo. Então o "Canto da Cidade" vinha como mais uma parte daquilo que estava acontecendo, o florescer de uma carreira, mas jamais imaginei que iria chegar tão fortemente no Brasil. Quando cheguei aqui em SP para fazer aquele show do meio dia no Masp pensei que fosse ter umas 200 pessoas no máximo e foi uma grande surpresa o que aconteceu e fiquei muito feliz, pois foi fruto do que aconteceu no norte e nordeste do país. Tinha mais de 40 mil pessoas.

    (04:06:01) Rudolph: Como vc explica a Receptividade do " primeiro mundo" com a sua música?

    (04:17:57) Daniela Mercury: Rudolph, em 1993 eu fui para os EUA, mas turnê mesmo eu comecei pela Itália em 1995 quando eu estava acabando de gravar "Música de Rua". Estas turnês sempre foram maravilhosas, seja na Itália ou Portugal. Estou comemorando dez anos de lançamento do disco "Feijão com Arroz" o que mais vendeu internacionalmente depois do "Canto da Cidade". "O Canto da Cidade" chegou a quase 3 milhões de discos nos primeiros anos e continuou vendendo bastante nos próximos anos. Virou um disco emblemático e muito emocionante. A receptividade das pessoas é igual daqui. Eu falo um pouco inglês ou espanhol para explicar as músicas e o resto deixo para a compreensão deles. Aqui "O Canto da Cidade" é um disco bem universal, todos os países latinos cantavam junto. A comunicação se estabelece muito rapidamente. Até hoje eles conseguem cantar, até na Alemanha cantam trechos.

    (04:06:15) **Naty**: Dani.. primeiro parabens pelo seu trabalho maravilhoso,,, vc é uma artista completa.. agora a pergunta.. Vc ultimamente não está fazendo mais micaretas fora de epoca.. a não ser o carnaval de salvador né isso? Vc pretende voltar a puxar blocos sem ser em Salvador novamente? Sucesso

    (04:21:18) Daniela Mercury: **Naty**, não pretendo puxar blocos fora de Salvador. Vim desenvolvendo a minha carreira fora do país. Não consigo dar conta destes carnavais fora de época, posso vir a fazer, mas não está em meus planos fazer muitos. Talvez dois ou três no ano, já fui em Belém, são clássicos, carnavais extremamente importantes. Estou inventando um projeto para o segundo semestre que tem a ver com o carnaval, mas é feito de forma diferente. É um projeto do "Canto da Cidade" em parceria com a produtora daqui de São Paulo. Estou compondo muito para um disco novo que só deve sair no final do ano. Tem muito show por aí, mesmo saindo do país ainda vou estar muito presente no Brasil.

    (04:16:58) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury fala sobre os 15 anos do CD "O Canto da Cidade" (Flavio Florido/UOL)

    (04:06:28) everton_sp: Sou admirador do seu trabalho desde quando a vi pela televisão cantando na Praça da Apoteose. De lá para cá, em que aspectos a sua música mudou? E com relação a pessoa Daniela Mercury, em quinze anos, em quais aspectos você acredita ter mudado?

    (04:24:04) Daniela Mercury: everton_sp, primeiro viajando o Brasil inteiro, eu mal tinha conhecido o eixo RJ-SP. Fui conhecendo este país e sendo inspirada por este universo maraviloso e cultural das cidades, sendo modificada pela cultura brasileira, ficando mais sensível a tudo e capaz de compreender o que é este país. Depois, com os trabalhos fora do país, o contato com os povos tão diferentes, fui entendo como a minha música impactava as pessoas. Os princípios e ideais continuam os mesmos. Desde de menina com a dança queria ser uma interventora e fazer algo criativo. A minha música foi tomando uma cara de acordo com as influências de cada momento. Eu me modifiquei muito, sou uma mulher muito mais consciente do mundo que vivo, com muito mais cultura e profundidade. E até mais feliz e tranquila.

    (04:28:19) Daniela Mercury: Eu recebi este carimbo de cantora de axé quando os jornalistas não sabiam dizer o que eu estava fazendo. Eu dizia que era música percussiva brasileira, música afro-baiana brasileira. O que eu fazia era trazer a música dos blocos afro do carnaval e todas as músicas saídas do carnaval ganou este nome de axé. O samba reggae não é samba com reggae, é samba com merengue, uma influência latina, mas vem do samba afro do ilê, uma síntese do Olodum. Realmente teve novos ritmos neste período. O samba reggae me fez decidir fazer uma música relacionada ao carnaval e a minha cidade. Como intérprete eu tinha uma ligação muito forte com a música brasileira. Sou filha dos Novos Baianos, do Tropicalistas, do Clube da Esquina, de Elba ramalho, de Shangai, de Geraldo Azevedo, de Zé Ramalho, de Amelinha. Tenho uma influência muito grande de Djavan, de Marina Lima, do rock, Paralamas, Titãs. Tudo isto me influenciou muito. Então, o que fazer? Tanto que a Companhia Clic era um pouco eletrônico, mas diziam que era new have. Resolvi fazer samba porque eu cantava muito João Bosco na noite e os sambas afros de Vinícius e Tom. Aí quando surgiu o samba reggae decidi que era aquilo. O samba reggae é um dos ritmos que está dentro do axé e um dos que mais gravei em minha vida, quase 40 músicas com variações e infusões de outros ritmos.

    (04:07:59) Viinicius Nobrega: Daniela, Voce acha que sua fama veio a partir do CANTO DA CIDADE?!

    (04:29:12) Daniela Mercury: Viinicius Nobrega, o "Canto da Cidade" foi determinante, ele me coloca na música brasileira como artista brasileira. Consegue fazer um rompimento em Rio e SP e abre um espaço para o axé. E internacionalmente também, foi o meu primeiro grande sucesso que me fez ser convidada para estas grandes turnês.

    (04:30:54) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury conversa sobre sua carreira e o marco representado pelo "Canto da Cidade" (Flavio Florido/UOL)

    (04:09:33) patricia: Daniela o Dvd "o canto da cidade" esta a um mes entre os mais vendidos do Brasil , você esperava esse sucesso ???você

    (04:32:32) Daniela Mercury: patricia, eu não estava mais preocupada com a venda, mas sim em dividir este momento de emoção. O Canto da Cidade foi muito importante, canto canções da Banda Mel, Cheiro de Amor, Olodum, músicas que se tornaram conhecidas por eles mesmos que já eram artistas grandes na cidade e tinham um espaço muito grande no Norte e Nordeste. Eu não tinha idéia de que este DVD seria tão bem recebido. Mas achei que pudesse tocar as pessoas que estavam lá, relembra-las. Ele foi um sucesso tão avassalador no país na época. Para quem viveu ou não é um DVD emocionante. Fico muito feliz de ser um grande sucesso de vendas para que vocês tenham este momento guardado em casa também, além da memória e do coração. Também tem o CD "Canto da Cidade" remasterizado.

    (04:11:05) Lucas Almeida: Olá Daniela, foi vc quem compôs O Canto da Cidade?

    (04:34:01) Daniela Mercury: Lucas Almeida, o "Canto da Cidade" é minha e do Toti Gira, meu parceiro que também é cantor. No Companhia Clic tenho dezenas músicas de minha autoria.

    (04:11:08) Rodrigo/BSB: Daniela, quando será lançado o seu novo CD?

    (04:35:33) Daniela Mercury: Rodrigo/BSB, provavelmente lançarei no segundo semestre deste ano. Entre outras terá "Preta" uma canção que gravei com Seu Jorge.

    (04:36:33) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury fala da produção de seu novo CD, que será lançado no segundo semestre (Flavio Florido/UOL)

    (04:12:01) Rudolph: Daniela Hoje em Dia é normal a mistura de Tecnno e Axé como vc se sente sendo a Pioneira nessa Mistura vc acredita que há ainda espaço para outros tipos de mistura?

    (04:37:52) Daniela Mercury: Rudolph, todos pastam para tudo, estou ficando louca para definir que tipo de sonoridade vou misturar. Sempre quero fazer algo que não foi feito. Adoro música acústica e cheguei a pensar em fazer um disco mais cool, mais tranquilo, acústico, o que não quer dizer lento. Mas a própria canção já pede outra coisa e lá vou eu. Eu misturei várias batidas diferentes no disco "Carnaval Eletrônico". A música dá uma possibilidade de liberdade que é como escolher qualquer cor para pintar, é como inventar uma nova cor. Me sinto muito bem sendo pioneiro, adoro provocar as pessoas e a me provocar primeiramente. Estou louca para me surpreender comigo mesma.

    (04:41:10) Daniela Mercury: Sobre críticas, quanto mais críticas negativas mais sinal de que eu choquei, o estranhamento é fundamental na arte. As críticas são um diálogo importante, fico feliz quando um crítico compreende o meu trabalho para criticar. Para os críticos que tem que falar de dezenas de gêneros diferentes e não conhecem o Brasil é muito difícil ter a idéia do tema, nem sabe dizer o que é. Acho que falta músicos fazendo crítica de música e pessoas que conheçam o Brasil com profundidade, não só Rio e SP, e que gostem do Brasil. No nordeste tem dezenas de coisas que não são conhecidas. O que importa é o que a gente gosta. Como um crítico pode dizer se é bom ou não se ele não toca, se não tem noção da harmonia. Há alguns críticos que ainda têm dificuldade de perceber a sofisticação e a beleza, que questionam a beleza da construção musical que é Luiz Gonzaga, então imaginem o axé que é um ritmo novo. Eu gostaria que eles tivessem uma base musical melhor, que fossem músicos e conhecessem um pouco da música da gente para se emocionarem juntos, para entender do que estamos falando.

    (04:12:28) Sintia`Lira: Boa tarde Dani. Como vai ser a divulgação do DVD " O canto da cidade"? Quais cidades vc se apresentará primeiro?

    (04:44:24) Daniela Mercury: Sintia`Lira, um beijo, estou com o "Balé Mulato" na estrada, estou fazendo alguns show no começo de maio. Depois passo um mês fora no Nordeste com "Balé Mulato" e celebrando o "Canto da Cidade". Na verdade todas as minhas turnês vão celebrar um pouco o "Canto da Cidade". Na próxima turnê irei resgatar algumas coisas do "Canto da Cidade" e terá coisas do disco novo. Este ano consegui dividir a turnê da Europa com o Nordeste em junho e julho. Farei shows em Londres nos dias 1º e 6 de junho. Também farei Irlanda, em Dublin e Glasgow.

    (04:52:23) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury dá sua opinião sobre suas ações no UNICEF (Flavio Florido/UOL)

    (04:18:10) JorginhoDiSalvador: Oi Daniela, sou seu fã, em um DVD vc diz ser a porta voz da cultura negra da nossa cidade, me responde, qual a sua opinião sobre o Estatuto da Igualdade Racial? Beijos

    (04:48:29) Daniela Mercury: JorginhoDiSalvador, na verdade o samba reggae me aproximou desta luta, deste discurso afirmativo da cultura negra, da negritude, de quem somos nós. Falar do negro é falar do brasileiro. E falar do negro é também falar do índio que se misturou. Tenho uma vondade muito grande de a gente se amar, vi uma beleza tamanha na música que estava sendo feita, compositores talentosíssimos e artistas novos do povo, e decidi que quero ser porta-voz deste discurso, desta música nova, visceral. Desta música que sai do chão, negra como asfalto, forte. Não deixei de ser a baiana, sou muito ligada às minhas raízes baianas, negra por ser baiana, mas não sou negra.

    (04:51:39) Daniela Mercury: Sobre as cotas para negros em universidades, isto me lembra um pouco o Bolsa Família, são atitudes paliativas de tentar compensar. Primeiro acho confuso descobrir quem é negro e quem não é negro no Brasil. As cotas não são saudáveis nesta sociedade, não são ideais porque estas pessoas não deveriam precisar deste espaço para estar na universidade. O ser humano é tão grandioso e a pobreza econômica não diz quem somos nós realmente. Acredito no ser humano e acho que o povo negro não deve ser tratado diferente. Às vezes nem sabemos qual a cor que temos. Mas diante da situação que o Brasil viveu e da exclusão social que sofreu o povo negro acho que as cotas são um processo de se chegar a um lugar melhor, de dar oportunidades. Assim como acho que as universidades públicas devem dar oportunidades para quem precisa.

    (04:57:43) Daniela Mercury: Todo o povo brasileiro precisa de respeito e uma reparação e ela passa pela educação. Todo o povo brasileiro tem o direito de ter educação de qualidade não importa a cor da pele ou a classe social. Como embaixadora da Unicef falo que devemos pensar no povo brasileiro como se fossem nossos filhos. Estive com a Fernanda Montenegro e ela disse que são dez convernos falando de educação no país e no entanto não conseguimos ver uma mudança efetiva porque a essência da escola é a qualidade do ensino, o professor preparado, motivado por ser valorizado pela sociedade. O plano de educação do ministro que está sendo feito é de muita competência, com a ampliação dos cursos técnicos, hoje há uma defasagem de pessoas de nível técnico. Os governantes dizem que a sociedade tem que colocar a educação como prioridade. Já temos tecnologia e conhecimento para educar as crianças, o que falta é dinheiro. Para cada ano de escolaridade o brasileiro recebe 15% a mais no salário. Temos países dentro de países aqui, há lugares onde há 50% de analfabetismo. É urgente educar estes jovens, mas se ficarmos de braços cruzados vamos ficar como um país atrasado e com muitas pessoas perdendo o seu tempo de vida sem poder usufruir com a plenitude que merecem. Então a educação depende de nós.

    (04:56:59) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury fala sobre música e cultura no Bate-papo UOL (Flavio Florido/UOL)

    (04:20:14) Marco: Daniela, você tem encaminhado algum projeto relativo ao possivel lançamento de um livro de poesias suas????

    (04:59:17) Daniela Mercury: Marco, estou conseguindo usar mais as coisas que escrevi, são pretensas poesias, falo os meus textos e uso para compor. Estou fazendo, não sei quando pode sair este livro, mas tenho vontade, nem que sejam pequenas pretensas poesias.

    (04:20:37) everton_sp: Você tem um engajamento social que a difere de muitas artistas no país. Alguma vez o fato de ser uma pessoa que critica, que tem voz ativa, já a atrapalhou a sua carreira? Isso sem contar a injustiça feita com você quando não mais pôde cantar para o Papa.

    (05:00:49) Daniela Mercury: everton_sp, a única coisa que tive foram pessoas dentro de companhias de disco que não acreditaram na possibilidade de trabalho tanto no Brasil como fora. No Brasil nem tanto, mas no exterior atrasaram em alguns anos, mas eu provei o contrário. Alguns diretores artísticos não tiveram a sensibilidade de ajudar.

    (04:23:52) Lucas Almeida: Quando você, ao ganhar o Grammy Latino 2008, levantou a bandeira que artistas brasileiros deveriam cantar na festa principal do prêmio, isso surgiu algum efeito positivo? Você acredita que ano que vem, poderemos ver um artista tupiniquim cantando para nossos "hermanos"?

    (05:05:11) Daniela Mercury: Lucas Almeida, primeiro, estes termos tupiniquins desmerecem a gente, usam de forma pejorativa. Primeiro Mundo é padrasto e nós somos jovens querendo andar. Tenho muito orgulho de ser brasileira, a música brasileira é uma das mais respeitadas no mundo, apesar de não ocupar o espaço mundial como deveria. Gostamos tanto do Brasil que acabamos não investindo tanto fora do país. Nós temos que ficar mais populares nos EUA, internacionalizar mais a nossa música e isto exige esforço e diálogo. Mas digo que valeu o esforço e reivindicar. Basta conseguirmos vencer esta questão da audiência, tem que ter insistência. Espero que o Brasil tenha uma audiência enorme no Grammy Latino e eles se surpreendam.

    (05:09:17) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury diz que alguns diretores artísticos de gravadoras não tiveram a sensibilidade para estimular sua carreira internacional (Flavio Florido/UOL)

    (04:22:46) PAULO RN: É com muita satisfação que estou aqui. A minha admiração pela música e os artistas baianos e suas influências é muito grande, em especial a você que pra mim é um ÍCONE. neste sentido, gostaria de saber como você ver hoje as letras das músicas baianas. caso esteja confuso, você pode me retificar ou ratificar. pois, no início dos anos 80 qndo a música baiana começou a se massificar, sem ter ainda a denominação de axé music. as letras exprimiam certa exaltação a negritude ou protesto a certas condições como preconceito, descaso histórico entre outros temas sociais. era uma música mais voltada para questões históricas, como faraó, madagascar, senegal entre outras. hoje, como você definiria em que está centrada a música baiana. o que difere da década de 80, 90 que foi o seu boom e nosso início de século? obrigado por sua atenção desde já. abraços.

    (05:10:23) Daniela Mercury: Paulo RN, modificiou naquele momento em que o samba reggae estava chegando, ele transforma, não existe axé sem samba reggae. O axé e aquela coisa carnavalesca fizeram coisas importantes. Em todo o axé as músicas e as letras são construídas em cima das divisões pecurssivas. Em Salvador foi muito importante esta modificação. O axé conseguiu virar um gênero que conseguiu reunir todas estas vertentes. Quando o samba reggae chegou em 1986 e 1986 veio com o mesmo discurso anteriormente de afirmação do povo negro, temas muito relacionados a África e a origem do povo negro. Depois virou um ritmo. Logo começaram a vir as canções de amor, coisas ótimas vindas do Pelourinho. Depois virou um ritmo como qualquer outro onde os artistas vão se utilizando falando de temas mais urbanos e falando de amor. Cada artista vai falando de acordo com o seu universo de público.

    (04:28:07) Leandro Maringá PR: Boa Tarde!!! sou de Maringá no Paraná. Daniela o que vc me diz a respeito da pirataria de cds? as misicas em mp3? vc acha que o valor de R$30 a 40 reais em um cd é justo????

    (05:16:42) Daniela Mercury: Leandro Maringá PR, a Fernanda Montenegro disse que o teatro está sofrendo uma crise muito grande e que não se tem público no teatro. E aí ela disse que colocou uma peça com um dia por semana ao preço de um real e todos só iam neste dia. Outro exemplo, perguntaram se há pirataria no Jãpão e disseram que tinham 10% de pirataria, daí fizeram uma campanha dizendo que isto é errado e agora têm praticamente zero de pirataria lá. Um povo sério, ético, não rouba. Não se pode fazer destas coisas por questão de honestidade. Se vivemos em uma sociedade que dá valor ao trabalho e falamos de oportunidade, de emprego, de capitalismo, não dá para não respeitar o trabalho das pessoas. E música é um trabalho como qualquer outro. Se as pessoas acham que a pirataria é boa, que o CD é caro, o carro é caro, o queijo é caro, bebida é cara, tem dezenas de coisas caras no supermercado e as pessoas não saem roubando. O governo não consegue controlar a pirataria. Não é comprando um CD pirata que vou ajudar as pessoas, mas é exigindo educação. Simplesmente foi destruída uma indústria no Brasil e não ajudou muita gente. A pirataria é um roubo como qualquer outro e fica a cargo de qualquer um saber o que faz diante do computador.

    (04:31:44) LEKA/27: Tds sabemos que entrar na midia é facil basta fazer algum musica boba. Ou algum programa estilo bbb. O q vc acha de se manter no mercado. Com vc consegue isso msm apos tantos anos.

    (05:18:02) Daniela Mercury: Leka/27, com trabalho, uma busca de tentar entender como este trabalho pode continuar, mas principalmente me expressando, colocando minha alma. Podem fazer o que for, podem botar outdoor ou na internet, se aquilo não nos toca não vale nada. Não importa a propaganda, mas a qualidade.

    (05:21:00) Geovanna/UOL:

    Daniela Mercury, embaixadora do UNICEF, fala sobre o caso Isabella Nardoni (Flavio Florido/UOL)

    (04:32:12) everton_sp: A emoção de cantar este ano no Festival de Salvador a música "O canto da Cidade" que te lançou nacionalmente, foi a mesma de tê-la cantado na Praça da Apoteose quinze anos atrás?

    (05:19:32) Daniela Mercury: everton_sp, lembro que eu estava nervosíssima na praça da Apoteose, não consegui usufruir daquilo. A surpresa foi tão grande de estar ali naquele palco no Rio de Janeiro que não deu tempo de me dar conta do que estava acontecendo. Depois quando vi que fui dando importância. Cada momento ela tem um sentido diferente de celebração.

    (04:40:53) everton_sp: Como embaixatriz da UNICEF, qual é a sua visão sobre os casos recentes de maus tratos contra as crianças?

    (05:23:23) Daniela Mercury: everton_sp, não só como embaixadora do Unicef em que me dispus a desnaturalizar esta violência no Brasil. Hoje no Brasil sabemos que o trabalho infantil e o abuso de menores não é normal. Eu fiquei tão chocada com este caso da Isabela, tentando encontrar uma razão. Eu já sabia que a violência doméstica tem um número bastante grande no Brasil. O alcoolismo temos que refletir assim como a falta de educação que faz com que as pessoas não saibam cuidar das crianças. Eu fico indignada com o ser humano e quero acreditar que estas sejam exceções, casos mais dramáticos. A negligência e falta de cuidados é muito duro de aceitar. É inaceitável e absurdo ver um ser humano matando um filho. Por isso que eu preciso cantar o amor e cantar alegria. Precisamos de uma dose de felicidade para equilíbrio humano. Merecemos a felicidade, seja ela com toda a felicidade que o povo nordestino possa ter. O povo baiano tem mais sabedoria porque sabe ser felizes.

    (04:47:35) Mineiro-23: Recentemente, você disse que se sente um peixe fora dágua em eventos de Axé. Você acha que o público desses eventos está mais interessado em pular do que em prestar atenção ao conteúdo das músicas e a um show mais complexo como o seu?

    (05:27:04) Daniela Mercury: Mineiro-23, eu busquei trazer o carnaval para dentro do show, traduzir um pouco este universo para dentro das canções, gosto da parte cênica, de ser bailarina e dar uma acabamento. Os eventos de axé tem um entretenimento, são eventos divertidíssimos, eu já me diverti muito. Mas realmente fico atrapalhada dentro destes ambientes. Isto não tem nada a ver com o público. Não me sinto desrespeitada porque sei que o evento é para aquilo. Até por ser uma artista de artes cênicas, não sou apenas uma cantora. Nem no barzinho me predispus a ser fundo musical, toda a minha trajetória na Bahia eu fiz querendo fazer espetáculo. Cada banda tem a sua história e eu prefiro juntar poesia, movimento, cena e luz. Gosto disso e me incomoda ir a um espetáculo onde as pessoas estejam ali somente para dançar. Espero que as pessoas usufruam de tudo o que quero mostrar.

    (05:29:34) Daniela Mercury: Nesta semana estarei fazendo outras entrevistas, na Marília Gabriela. As perguntas foram muito inteligentes, pertinentes. Fico muito feliz de ver que as pessoas querem ter um diálogo mais interessante, divertido. Mandem as perguntas para o meu blog em meu site: www.danielamercury.art.br. Tem agenda de show. Estarei fazendo uma turnê internacional pela Europa, vou a Valencia, Bonn, Rabat, Zurich, Glasgow, Dublin e Londres. Depois voltarei para o Brasil. Talvez vá para a Polônia e Romênia. E ainda neste ano ou no próximo irei para a China e Japão. Muito obrigada, um beijo a cada de vocês.

    (05:29:48) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Daniela Mercury e de todos os internautas. Até o próximo!

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