UOL Bate-papo

7.825 salas abertas pessoas online 391.250 lugares

Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Rogério Skylab - 13/06/2008 às 18h00

Cantor e compositor falou dos shows no Centro Cultural São Paulo, em que lança seu novo trabalho, Skylab VIII. Na conversa ele também comentou sobre suas composições que, baseadas na estética trash, tendem ao humor negro e à escatologia.

  • Vídeos e clipes de Rogério Skylab
  • Compre CDs no UOL Megastore
  • Assista ao vídeo da conversa:

    Participaram do Bate-papo 337 pessoas


  • (06:10:40) Rogério Skylab: Eu tenho várias superstições, mas vou citar duas. Primeiro, eu evito andar de avião. A segunda é que eu não tenho celular porque eu não me sinto bem. Não consigo ter naturalidade para conversar no meio do ônibus ou na rua. Não gosto de celular.

    (06:07:00) Rodrigues: como é esse projeto de discos... esta no n.8 ja. as musicas sao as mesmas desde o skylab 1?

    (06:12:14) Rogério Skylab: Rodrigues, a cada Skylab são novas músicas com exceção do I e o II. O resto foi tudo disco de estúdio e são todas músicas inéditas. Eu fico preocupado em dizer qual a minha temática porque em nível jornalístico é interessante dizer que Skylab é trash ou escatológico. Este processo de segmentação que faz parte da lógica capitalista é tudo o que eu abomino. Eu trabalho exatamente com as misturas inusitadas, anti-segmentação.

    (06:07:02) Cyntia***: oi! boa noite! tudo bem??? como vc define o seu estilo musical????

    (06:13:14) Rogério Skylab: Cyntia***, é trabalhar sempre com a experimentação. Aliás, a palavra Skylab veio a calhar. Eu fiz um samba, o "Samba do Skylab", e me deram este apelido. E adoro este apelido porque Skylab é exatamente isso, um laboratório do céu pegando tudo o que vem da terra. Meu trabalho é justamente isso, trabalhar com tudo, samba hip hip, funk. Misturando tudo isso, estas misturas inéditas, estas experimentações.

    (06:14:23) Rogério Skylab: Eu não vejo mais motivo em prolongar a série Skylab. Eu pretendo me dedicar muito a literatura. Se eu vier a trabalhar com música será em outro nível, com outra banda e outro tipo de música. Mas com esta banda que me acompanha desde o Skylab I e este projeto de discos em série eu fecho no Skylab X. O Skylab IX já está pronto e o X provavelmente será o segundo disco meu ao vivo que sairá em CD e DVD com algumas músicas inéditas, mas o grosso será o panorama das minhas melhores composições nas séries anteriores, um apanhado de todo o conjunto da obra.

    (06:07:06) Damaris: vc se definiria como "musico alternativo" e pq?

    (06:15:14) Rogério Skylab: Damaris, hoje não me defino mais como músico alternativo porque com o boom da internet e a decadência absoluta das grandes gravadoras tenho a sensação que tudo é alternativo. Eu poderia dizer que era um músico alternativo há dez anos atrás, mas hoje não poderia dizer isso porque tudo é alternativo.

    (06:08:40) Fernando795: Oi Quando foi que começou sua carreira?

    (06:17:20) Rogério Skylab: Fernando795, eu nunca quis ser cantor, seguir música, a minha relação sempre foi com a literatura. Eu fazia faculdade de Letras no RJ na época e concorri em um festival de música popular e ganhei. A partir daí comecei a fazer música. É bom salientar que o que eu faço é música, mas não é só isso, é outra coisa. Existe um grande compositor paulista que admiro muito chamado Luis Tatit que faz uma excelente distinção entre cancionista e músico. Dentro da faixa dos cancionistas posso colocar Chico Buarque e Caetano Veloso. Eu me considero um cancionista, não um músico. Existe uma artesania dentro da canção, esta arte de misturar música e letra. É uma coisa muito específica, não basta ser músico para fazer isso. Sou um cancionista. Foi a partir do "Samba do Skylab" que eu vi que era este o meu negócio, compor canções.

    (06:09:13) Fernando795: vc sempre quiz ser cantor em momento algum pensou em seguir outra profissão?

    (06:18:04) Rogério Skylab: Fernando795, eu trabalhei no Banco do Brasil por muito tempo para ganhar o meu pão de cada dia e produzir os meus discos. Então trabalhei lá para dar condições para fazer e investir em minha música. Hoje vivo única e exclusivamente para a música.

    (06:11:07) seu fan: vc sempre foi compositor de musicas trash ?

    (06:19:06) Rogério Skylab: seu fan, me sinto incomodado em ser considerado o compositor trash. Já vem estas classificações. Me sinto incomodado com isso. Posso ter algumas músicas ligadas a este universo, mas tenho outras que não. Hoje tenho um universo de 150 canções fora as que eu não coloquei em disco, então são mais de 300.

    (06:10:32) Moderador/UOL:

    O cantor e compositor Rogério Skylab no estúdio do Bate-papo UOL (crédito: Eduardo Tardin/UOL)

    (06:15:14) Ana.Sá: sei que vc ja escreveu um livro... pretende lançar outros e investir na carreira literária?

    (06:20:25) Rogério Skylab: Ana.Sá, perfeitamente, o meu grande horizonte é este. Em 2006 eu publiquei um livro de poesia chamado "Debaixo das Rodas de um Automóvel" pela editora Rocco. E tenho o meu blog, cada um desenvolve o seu universo, e o meu universo lá é fazer esta mistura que define bem o Skylab. Então entrem no meu blog para fazer parte deste universo: www.godardcity.blogspot.com.

    (06:17:05) janaina: vc falou do fim completo das grandes gravadoras... acha mesmo que ja chegamos a isso... nao acha que a decadencia total das grandes gravadoras ainda demora um pouco?

    (06:21:25) Rogério Skylab: janaina, já vivemos, evidentemente que existe alguns músicos como a Ivete Sangalo que conseguem fazer com que estas grandes gravadoras sobrevivam. Tanto que se você perguntar para ela ou para a Daniela Mercury, eles serão contra a pirataria, eles estão em conlúio com as grandes gravadoras que sobrevivem por conta destas pessoas. Mas vai acabar, elas estão perdendo cada vez mais.

    (06:19:05) Igres: Rogério, minha mãe é socióloga e, assim como eu, é fã do teu trabalho. Pra você, seu trabalho é mais arte, crítica social ou simplesmente compulsão?

    (06:22:19) Rogério Skylab: Igres, destas três definições eu posso garantir o que não é: crítica social. Estou fora da política. O meu trabalho é anti hip hop e anti discursivo. Compulsão com certeza. Arte, acho que é.

    (06:19:10) Fabio Argollo: e ai cara blza? em quem vc se baseou p fz o poema "puta"?

    (06:22:51) Rogério Skylab: Fabio Argollo, faz parte desta lógica capitalista que vivemos. Todos vivemos sobre este segmento. Todos somos putos dentro do sistema que vivemos.

    (06:20:48) Filho do Skylab: Rogério, quais são as suas maiores influências do universo da literatura, arte, filosofia e poesia?

    (06:23:48) Rogério Skylab: Filho do Skylab, é difícil falar de todo mundo, vou lembrar dos nomes que me aparecem. Na literatura, Jorge Luis Borges e Machado de Assis. Na música, Arrigo Barnabé e Marcelo Birk. Na filosofia: Deleuze e Foucault. Na poesia João Cabral de Melo Neto, o maior de todos disparado.

    (06:21:54) Jonatas: Boa Noite Sky. Parabéns pela instrumental da sua banda é ótimo os arranjos. Em algumas músicas você deixa a dúvida se é realmente preconceituso em relação a alguns assuntos polemicos. Qual o obejtivo? É fazer o ouvinte se autocriticar?

    (06:24:58) Rogério Skylab: Jonatas, eu sou preconceituoso totalmente. Tem coisas que não vi e não gostei como "Cidade de Deus" e "Tropa de Elite". Porque acho que quando você vai ler um livro ou ver um filme já parte para com uma pré-simpatia ou uma antipatia. As coisas funcionam desta maneira. Então tem coisas que não vi e não gostei, neste sentido, sou preconceituoso.

    (06:22:00) Elvis: O q vc estava pensando quando escreveu a musica dos "Ratos estao entrando"?

    (06:25:30) Rogério Skylab: Elvis, faz parte da obra do Freud em que ele narra o sonho de uma pessoa neurótica. Foi a partir daí que fiz esta música.

    (06:22:21) iscai lábi: Você considera o programa do Jô Soares um grande marco na sua carreira? Foi ele quem fez você aparecer para o Brasil?

    (06:26:25) Rogério Skylab: iscai lábi, não tenho dúvida, o meu trabalho está muito ligado ao Jô Soares. Cheguei a ele da forma mais simples. Não tinha nenhum contato, mandei o release várias vezes até que um dia foi. Quando fui entrevistado pela primeira vez ganhei e fui sempre.

    (06:26:54) Moderador/UOL:

    O cantor e compositor Rogério Skylab no estúdio do Bate-papo UOL (crédito: Eduardo Tardin/UOL)

    (06:22:40) NÃO SOU O ARRIGO: tem algo que apareceu nos últimos 10 anos de frescor de novidade que te fez ficar entusiasmado, impressionado, e de quatro?

    (06:27:17) Rogério Skylab: Não Sou o Arrigo, ele tem algumas coisas. Tem o trabalho do Marcelo Birk, gosto muito dele. Tem uma banda do RJ que gosto também, Zumbi do Mato. Gosto muito do trabalho do Maurício Pereira e Jupiter Maça.

    (06:22:49) pó-de-mico: como surgiu a idéia da performance da música do matadouro, que é um dos pontos altos do show?

    (06:28:14) Rogério Skylab: pó-de-mico, é uma música que eu raramente canto nos shows porque para isso preciso de um tipo de platéia. É fundamental nesta música o processo do esfaqueamento. Então preciso de uma platéia que seja um teatro e que todos estejam sentados. Cantarei esta música num dos dois dias no CCSP.

    (06:24:02) giselda-mg: boa noite, o que seriam composições baseadas na estética trash do seu estilo.... pode dar exemplos? obrigada

    (06:28:53) Rogério Skylab: giselda-mg, nas primeiras "Matador de Passarinho", "Motossera", "Funérea". O disco Skylab II é o que exprime mais este universo trash.

    (06:24:05) duilius: gosta mais de escrever ou de compor e cantar e por que?

    (06:29:33) Rogério Skylab: Nos poemas você encontrará muito da música e do meu canto.

    (06:25:14) joel: fala skylab... lembro de ver vc no JO. queria perguntar: qual eh sua formacao. pq trabalha com musica e livros, ne?

    (06:30:46) Rogério Skylab: joel, eu sou formado em Filosofia e Letras pela UFRJ, mas não exerço a profissao. Um dos meus grandes sonhos frustrados é ser professor. Vejo um pouco disso nos meus shows que é próximo a uma sala de aula, uma coisa performática.

    (06:25:28) pó-de-mico: Skylab blz? Seu show vai ter músicas do novo álbum só ou os hits da carreira também vão rolar?

    (06:31:24) Rogério Skylab: pó-de-mico, nunca tem só hits de carreira, as pessoas reclamam porque eu evito isso. Fazer shows para mim é experimentar músicas novas.

    (06:25:47) Ruben: Vc vai cantar Zumbi é gay no show?

    (06:31:29) Rogério Skylab: Ruben, não.

    (06:26:10) jenifferx): 'amo muito tudo isso' é uma sátira ao mundo que só valoriza o 'in' ?

    (06:32:10) Rogério Skylab: jenifferx), eu sempre peço quando me perguntam isso e até para o meu público para não me ver como um sádico, eu não faço e evito isso. Quando digo que amo muito tudo isso eu amo mesmo, como ir ao McDonalds comer um McFish. Eu adoro.

    (06:27:27) jenifferx): você sofreu represálias com a música 'chico xavier e roberto carlos' ?

    (06:32:42) Rogério Skylab: jenifferx), primeiro que isto não faz parte da minha discografia e não sou maluco para isso.

    (06:27:36) rafaelll: e ae rogério...adoro seu trabalho! sensacional! quando vc pretende lançar novo CD?

    (06:33:30) Rogério Skylab: rafaelll, acabei de lançar agora, lancei o Skylab VIII. A melhor forma de comprar é por meio do meu site (www.rogerioskylab.com.br), mas tem uma porção de lojas vendendo também.

    (06:28:44) Igres: O que você acha desse circuito de música independente que cada vez mais anda ganhando força no Brasil? Coisa que era impossível se dependesse de uma grande gravadora.

    (06:34:16) Rogério Skylab: Igres, é só o que há. Hoje é só música independente. As músicas de grandes gravadoras são pouquíssimas e sem grande importância. As bandas que estão começando tem que ir para a estrada.

    (06:28:51) charles.lemes: rogerio aquela musicas das freiras sofreu algum critica da igreja catolica.

    (06:34:32) Rogério Skylab: charles.lemes, não tive nenhuma crítica da Igreja Católica.

    (06:30:29) VLADOIDO: E quando fará sho no rio novamente?!

    (06:35:04) Rogério Skylab: Vladoido, farei agora no dia 25 de junho.

    (06:31:11) Moderador/UOL:

    O cantor e compositor Rogério Skylab no estúdio do Bate-papo UOL (crédito: Eduardo Tardin/UOL)

    (06:30:57) hgghfgfh: Qual é Sua Musica favorita?

    (06:35:36) Rogério Skylab: hgghfgfh, é difícil dizer qual, é impossível, a minha favorita é a última, se chama "Oficial de Justiça". Estará no show amanhã no CCSP.

    (06:30:57) renan_deviltaz: rogerio, quando você compoe, qual a simbologia acoplada as suas canções, qual a mensagem que realmente você quer passar?

    (06:36:32) Rogério Skylab: renan_deviltaz, não quero passar nenhuma mensagem. Este é um pensamento antigo. Até compreendo porque a música popular brasileira estava muito ligada a mensagem. Faz parte da música discursiva. Só que a minha música não é discursiva, não passa uma mensagem, talvez passe uma sensação, esta é a melhor palavra.

    (06:38:05) Rogério Skylab: Eu acho o discurso ecológico muito chato e irracional. A natureza não é assim. Eu fiz a música chamada "Desperdício de Tudo" falando sobre o desperdício. O discurso ecológico fala em uma racionalização que não é ligado a natureza. A natureza é muito porrada, estou muito ligado a natureza como tsunami, terremoto. A onça caçando o viadinho... é de uma beleza.

    (06:32:22) Paralitico: Rogerio, voce sabe se a Fatima Bernardes, Gloria Maria ou Ana Maria braga ouviram suas respectivas musicas?

    (06:38:57) Rogério Skylab: Paralítico, não faço a menor idéia. Novamente, quando eu falo da Ana Maria Braga, Mário Covas e Fátima Bernardes não pensem que estou falando criticamente, meu pensamento não é crítico. Eu adoro a Fátima Bernardes. Meu pensamento é de celebração.

    (06:34:22) GUELOZ JUNDIAI: Rogério vc acha que a sua musica sofre algum tipo de preconceito, por ela nao ser uma musica convencional, ou seja uma musica radiofonica

    (06:39:53) Rogério Skylab: Geloz Jundiai, as rádios cada vez mais vão sentir dificuldades de se adaptar a este novo modelo que está começando a se impor. Porque no universo da música independente as músicas são diferentes umas das outras. E as rádios terão que se adaptar ao novo conceito que é o da diferença.

    (06:35:21) pó-de-mico: e a música "pára de roncar fdp" que é muito louca. Você se inspirou em alguém que roncava insuportavelmente

    (06:40:04) Rogério Skylab: pó-de-mico, me inspirei em minha mulher.

    (06:35:26) iscai lábi: Os únicos contatos que você teve com o Jô foi durante as gravações dos programas os quais você apareceu ou vocês se tornaram amigos? Pergunto isso porque eu notei que rolou uma energia legal entre vocês durante os programas.

    (06:42:34) Rogério Skylab: iscai lábi, ele e a produção do programa gostam do meu trabalho, enfim, a partir daí que houve o processo. Não existe nenhuma relação de amizade. Até me considero amigo do Jô Soares, já fui a uma reunião particular na casa dele. Mas o que acontece entre eu e ele é uma relação profissional, ele curte e me chama para o programa. Sou contra a "brothagem", você vai ao programa pela competência e não por isso. Isto ocorre no Brasil há muitos anos. Quem criou este conceito foi o Sérgio Buarque de Holanda com o conceito de homem cordial. Você é meu amigo, a tua banda é uma merda, mas como é meu amigo vou te trazer para o meu programa ou festival. Falta profissionalismo no Brasil. Por influência da cultura lusitana desde a época da colônia a amizade vale mais que a lei. Este é o problema do Brasil. O jabá é menos pior que a "brothagem", deveria ser oficializado. A regra é assim, o problema do jabá é que ele fica debaixo do pano.

    (06:43:06) Rogério Skylab: ............

    (06:35:31) Jonatas: Sky você se considera um Homofóbico? É apenas excentricidade?

    (06:43:38) Rogério Skylab: Jonatas, não tem nada a ver, você viajou com esta pergunta. Meu trabalho está cheio de conotações gays desde o Skylab I até o VIII.

    (06:36:00) Pedro - Sp: Você pretende fazer mais samba ou mais rock?

    (06:44:20) Rogério Skylab: Pedro de Sp, não tem essa. É uma junção, samba, rock, jazz... Se chama segmentação, não consigo me ver tocando uma coisa só. Por isso que um dos meus guitarristas de minha banda toca na noite que quer dizer tocar vários estilos, isto é muito importante.

    (06:39:11) ...: como você compos a música da FATIMA BERNARDES?

    (06:44:55) Rogério Skylab: ..., eu a via tão profissional no programa que comecei a visualizá-la como uma pessoa comum, uma mulher comum que tem caderneta ou corrimento...

    (06:39:16) Chapado: sua mãe ja ouviu alguma musica sua?? o que ela achou??

    (06:45:14) Rogério Skylab: Chapado, ela não curte o meu trabalho porque é muito corola, uma velha católica, vai muito a igreja. Por isso não curte muito o meu trabalho.

    (06:39:39) VLADOIDO: VC acha que a música trash ganhou volume depois de vc ter se lançado no cenário atual?

    (06:45:20) Rogério Skylab: vladoido, não acredito nisso.

    (06:40:07) cebola: Rogério, você acredita que é necessário ofender ou "cutucar" para que as pessoas pensem?

    (06:45:57) Rogério Skylab: cebola, eu não ofendo ninguém, vou repetir isso pela terceira vez, o meu trabalho não está ligado a ofensa, crítica social, sátira e muito menos ao deboche. Está ligado a celebração, quando falo de Fátima Bernardes é porque gosto dela.

    (06:40:10) jenifferx): como é tocar em são paulo? você se sente mais avontade no rio?

    (06:46:45) Rogério Skylab: jenifferx), eu adoro SP, moro no RJ, mas adoro esta cidade. O público paulista é mais fanático por meu trabalho, o que me dá muita alegria. O público carioca gosta, mas tem um certo distanciamento.

    (06:47:45) Rogério Skylab: Eu queria testar através da notícia que eu estava morto. Evidente que foi uma notícia falsa, quem via o meu blog sabia que eu estava de curtição. Eu fiz uma paródia em cima de um conto de Machado de Assis chamado "O Homem Célebre". Foi isso o que aconteceu. Não teve nenhuma repercussão. Por isso, fica cada vez mais claro para mim que no universo da cultura a fragmentação é tão grande e tende-se a se fragmentar cada vez mais com a internet que realmente eu não tenho tanta importância assim.

    (06:42:27) Berth_SP: Rogério, por que o uso de tantos palavrões nas suas musicas?

    (06:48:39) Rogério Skylab: Berth_SP, já usei mais, hoje não uso tanto. É uma forma de mostrar como sou no meu dia-a-dia. Outra coisa, o palavrão tem uma carga de intensidade. Por exemplo, "filho da puta" assume outra dimensão, não quer dizer que você é filho de uma puta.

    (06:43:34) Meyri: você é um filosofo, vc acredita que essa sua condição implica nas escolhas das letras desse cd? você acredita que a filosofia ainda existe?

    (06:50:04) Rogério Skylab: Meyri, eu não sou filósofo e reajo quando me chamam assim como reajo quando me chamam de Antonio Cícero, Filósofo. Filósofo porra nenhuma, não é fácil ser filósofo. Tenho as minhas dúvidas se existe filosofia no Brasil. Temos grandes filósofos franceses e alemães, o Brasil não tem esta formação.

    (06:43:49) pó-de-mico: skylab, aproveitando o gancho das perguntas do pessoal, você acha que o fim do jabá está próximo? já pediram jabá para vc ou seu pessoal?

    (06:51:24) Rogério Skylab: pó-de-mico, o jabá é debaixo do pano. Não sou contra o jabá. Suponhamos que eu queria fazer uma apresentação no Faustão e ele diga que eu tenho que pagar tanto, se eu tiver dinheiro eu pago. O problema é a hipocrisia de fazer isso por debaixo do pano. Oficializa isso e acabou. Acredito que alguns programas de TV tem sim. Mas não se esqueçam nunca que televisão é conceção pública.

    (06:44:08) doug: Sendo Formado em Filosofia, você faz "testes" retoricos na plateia? do tipo, fazer uma musica já esperando uma reação das pessoas,?

    (06:52:00) Rogério Skylab: doug, não sei. Não penso muito na reação, seria uma coisa muito programada, meu trabalho não tem esta coisa da programação, deste ensaio. Faço uma música pela compulsão de fazê-la e não por esperar uma reação da platéia.

    (06:48:06) paulera: Rogério, você se lembra de um show que fez no bar A Obra em Belo Horizonte? Uma intervenção fantástica! Quando você volta à capital mineira?

    (06:53:21) Rogério Skylab: paulera, muitas pessoas de BH e vários lugares do Brasil me perguntam isso. Tenho o maior prazer de tocar nestes lugares, mas vocês não podem pedir para mim porque não sou eu quem escolhe isso. Eu preciso de um contratante em BH que banque a minha ida até lá, senão nunca farei show lá. Não é porque eu não gosto do lugar. A questão com o lugar é que preciso de um produtor para me chamar até lá.

    (06:48:29) hyatt: se vc não faz crítica social, nem coisas do tipo ... como vc explica o Hino Nacional do Skylab ?

    (06:54:19) Rogério Skylab: hyatt, novamente pode parecer uma paródia em cima do Hino Nacional Brasileiro. Quando eu falo "filho da puta" pode ser tanta coisa, até uma coisa íntima, posso chamar um irmão assim. Isto mostra uma formalidade do nosso país que foge do discurso hipócrita.

    (06:50:18) o criador: Oi Rogério, em que vc se inspirou quando compor "Eu fico nervoso" ?

    (06:55:19) Rogério Skylab: o criador, eu sou uma pessoa que fica nervosa, sou um cara de temperamento irracível, sou de uma família italiana. Apesar de ser uma pessoa tranquila e serena em alguns momentos fico muito nervoso. A intensidade da minha performance vem de acordo com o meu temperamento.

    (06:56:18) Rogério Skylab: O meu trabalho é absolutamente vivencial, neste sentido ele não é cerebral, é muito vivencial. Agora, para fazer uma música, o início e o final dela, tem que operar com uma racionalidade, tem que ser consciente de tudo o que se está falando. Então tem os elementos racional, do pensamento, e a coisa cerebral de início, meio e fim.

    (06:50:26) jenifferx): além do show no CCSP, haverá outros por aqui nessa temporada?

    (06:56:42) Rogério Skylab: jenifferx), neste momento não, mas deve aparecer mais shows. Tem uma agenda em meu site: www.rogerioskylab.com.br.

    (06:52:56) Carol: Skylab..vc acha que seu estilo musical rompe com a "mesmice"..vc enxerga algo parecido com o seu trabalho no mundo?

    (06:57:19) Rogério Skylab: Carol, na verdade eu não sei se rompe com a mesmice e nem sei se existe esta intenção quando faço a minha música. A única coisa que sei é que eu me coloco totalmente em minha música.

    (06:52:12) Cristhiano Poeta: ROGERIO SOU TEU FÃ APESAR DE PAGODEIRO NATO...MAS O NOSSO BRASIL COM NOSSA RIQUEZA MUSICAL...TROUXE VC PARA NOS ALEGRAR COM SEU TALENTO FERA.........EU PERGUNTO...DE ONDE VEM SUAS INSPIRAÇÕES FERA?.....E FAZ UMA PARA O NOSSO "PRESIDENTE FALTA UM DEDO"...RS

    (06:58:23) Rogério Skylab: Cristhiano Poeta, é bom você falar isso, eu adoro pagode, gosto de todos os ritmos, não tenho nenhuma crítcia, até sertanejo eu gosto. Tenho uma música que falo do dedo mindinho do Lula que se chama "Corpo e Membro sem Cabeça", está no Skylab VII.

    (06:53:41) Matadordepassarinh: Rogerio adoooooro a musica "derrame" se possivel, podes canta-la um pouquinho pra nós?

    (06:58:32) Rogério Skylab: Matadordepassarinh, não.

    (06:54:07) Jurjizada: Rogério, você pensa em fazer uma música com uma letra séria e construtiva, ou pretende continuar apostando na bizarro?

    (06:59:22) Rogério Skylab: Jurjizada, minhas músicas são absolutamente sérias, em momento algum deixei de considerar a seriedade de minhas músicas, não sei qual o conceito de construtivo para você. Construtivo no sentido de construtivista, sim. Mas no sentido de uma mensagem construtiva, não, aí é outro papo.

    (07:01:04) Rogério Skylab: A música brasileira tem composições belas e há um perigo de perder estas composições. O mais importante de fazer músicas, compor e escrever livros é ouvir as músicas, ler os livros, poder entrar em contato com a música brasileira. Esta compulsão de ficar fazendo música a toda hora e o tempo todo faz com que nós percamos o contato com as nossas músicas. É hora de deixar de fazer música e entrar em contato com as músicas e livros que nos oferecem.

    (06:57:14) Rxon77: Boa noite, considero-o como um revolucionario da musica, sou seu fâ e tenho todos os seus Cds, ORIGINAIS (não a pirataria) , Gostaria de fazer-lhe uma pergunta: Não enche o saco todo show seu ter que cantar Matador de Passarinho, sendo que o novo disco está sensacional?

    (07:01:51) Rogério Skylab: Rxon77, não vou cantar "Matador de Passarinho" desta vez e não tenho cantado nos últimos shows. Mas não vejo nenhum problema em cantar esta música. Não tenho nenhum preconceito contra os grandes hits, cantaria com o maior prazer.

    (06:58:13) Guilherme: o que você espera do show de amanhã no CCSP?

    (07:02:23) Rogério Skylab: Guilherme, vou fazer a música, o meu disco, o meu show com a banda de sempre, afiadíssima no Centro Cultural São Paulo. Espero vocês lá.

    (06:59:02) monstro santo: Rogério , o seu novo álbum segue a tendência de manter em pauta temas que visem a quebra de tabus e brincar com as dualidades e os conflitos humanos ??

    (07:03:19) Rogério Skylab: monstro santo, brincar com dualidade sim, adoro brincar com isso. Gosto muito desta idéia de paradoxo, em cada música percebo o paradoxo. Na música "Quero saber quem matou" é justamente isso, quero saber quem matou Tom Zé, quero saber quem matou Lobão... Esta frase é paradoxal, estou puto da vida porque estas pessoas morreram.

    (07:04:11) Rogério Skylab: Não esqueçam de ler o meu blog, é a idéia que passo do Skylab no meu dia-a-dia. Está dentro do meu site: www.rogerioskylab.com.br. Obrigado.

    (07:04:21) Moderador/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Rogério Skylab e de todos os internautas. Até o próximo!

    Hospedagem: UOL Host