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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Zélia Duncan - 30/07/2009 às 16h00

Cantora conversa sobre os shows que apresenta em São Paulo para lançar seu oitavo álbum, "Pelo Sabor do Gesto". O novo CD conta com a produção de John Ulhoa, do Pato Fu, e Beto Villares e traz ainda as participações dos jovens artistas Curumin e Marcelo Jeneci.

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  • Ouça o CD "Pelo Sabor do Gesto"
  • Zélia Duncan expõe "lado C" em novo trabalho
  • Leia letras de músicas no Vagalume
  • Assista clipes e trechos de shows da cantora
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  • Participaram do Bate-papo 658 pessoas


    (04:07:42) fran: é um prazer imenso esta aqui , e podendo falar com vc

    (04:07:46) Alice: Oi

    (04:10:05) Zélia Duncan: Olá, tudo bem...

    (04:11:11) Zélia Duncan: O disco "Pelo Sabor do Gesto" é o nono da minha carreira. O show em São Paulo será nos dias 31 de julho e 01 de agosto no Citibank Hall, às 22h. A direção é de Ana Beatriz Nogueira. Vamos apresentar o disco inteiro e terá algumas outras músicas para complementar. A Ana Beatriz teve idéias lindas e estão todas no palco, todas deram certo, coisas simples e delicadas, nada que interfira em meu jeito de cantar. O olhar de alguém de fora é sempre bom. Tem quatro músicos: Ézio Filho, Webster Santos, Léo Brandão e Jadna Zimmermann. O cenário é de Analu Prestes. Estamos muito felizes com este novo trabalho.

    (04:11:47) Zélia Duncan: Eu lancei o meu último trabalho autoral em 2005, o "Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band", e ele durou até agora. Fui esticando, fazendo um projeto aqui e outro ali, mas sempre com a minha turnê paralela a todas estas outras coisas. Eu acredito no trabalho muito antes até desta crise e de tudo mudar com relação a internet. Mesmo nesta época eu nunca acreditei em fazer um disco por ano. A minha vida fonográfica sempre foi de no mínimo de dois em dois anos. O Brasil é muito grande. E hoje em dia, em que se está discutindo tanto em como vai ser o formato da música, é mais um motivo para eu trabalhar muito mais.

    (04:07:50) MELISA: Oi Zekia orimeiramente um grande abraço pra vc.Eu gostaria de saber se quando vc começou a pensar no repertório do novo CD já havia aquela música que vc disse "essa não pode faltar"?

    (04:13:39) Zélia Duncan: Melisa, é a música "Aberto" que é minha e do Edu Tedeschi. Eu comecei a testá-la nos shows para ver como era e gostei muito do resultado. Uma música simples e muito direta. Ela com certeza não poderia faltar. Eu tinha uma lista grande de coisas e quase todas entraram no disco. Fui aos poucos conseguindo me desposar de uma ou de outra. É difícil cortar alguma música, normalmente eu faço isso sozinha, mas como os produtores que escolhi moram longe de mim, um mora em Belo Horizonte e outro em São Paulo e eu moro no Rio, eu fui conversando um pouquinho com um e com o outro. E com a Bias Paes Leme, que foi minha produtora, um pouco mais. Aí mostro para alguns amigos mais próximos como o Jamari França, um cara que entende muito de música. Vou conversando com eu sei que me conhece e que gosta do que faço, assim vou me libertando de uma música ou outra.

    (04:07:52) RENATO: ESSE CD NOVO PODE VIRAR D.V.D SOU SEU FA 1

    (04:15:08) Zélia Duncan: Renato, muito obrigada. É difícil falar de DVD de um álbum que saiu há no máximo dois meses. Mas é que isto já virou quase que um caminho natural no tempo em que vivemos, é importante. Mas acho que sim, apesar de que ainda não há nada preparado. Pois estamos tão felizes com o show. Eu faço tudo com muita vontade, não subo ao palco a toa, faço questão de criar desafios e vou cada vez mais mergulhando neles. Então chegará um ponto em que não conseguirei não levar mais este show para casa comigo. A turnê do "Pré-Pós..." durou quatro anos e espero que este dure isto. Espero poder levar este show para onde nunca fui. Eu quero ir para o norte, apesar de ser difícil, é muito caro, às vezes mais caro do que ir para fora do país. Mas a minha batalha é sempre pelo Brasil, cantar para nós aqui é o meu maior objetivo.

    (04:17:37) Zélia Duncan: Sobre as mudanças dos shows durante as turnês: Dentro da música vamos achando outras maneiras de fazer, testamos uma coisa ou outra e acabamos absorvendo aquilo. Algumas coisas viram mesmo uma coreografia vocal, naquela hora você tem vontade de fazer aquilo e faz. O bacana é que o show vai mudando e certamente um dia nunca é igual ao outro. O show sofre interferência de quem vai ver também. Costumamos dizer que cada público tem o show que merece. Então não saia de casa pensando que o que você vai levar para o show não faz diferença. Não cruze os braços e diga para o artista diverti-lo. Vá aberto para ouvir e de alguma maneira oferecer a sua participação.

    (04:10:05) Zélia Duncan: Sobre os públicos: Eles têm suas características, alguns são mais extrovertidos, outros demonstram alegria de outra forma. Eu tenho uma relação muito profunda com São Paulo. O meu maior fã-clube oficial está aqui. Uma coisa interessante foi quando gravei o meu segundo de carreira em 1994. Quando estávamos mixando o disco o meu produtor me disse que São Paulo iria gostar muito de mim. Eu gravei a música "Lá Vou Eu" da Rita Lee que falava de São Paulo e ela tocou muito aqui. Eu conto sempre sobre o meu famoso show no Sesc Pompéia em que tive a impressão de que a platéia cantava comigo. Tudo isso foi aqui em São Paulo. O primeiro grande show da minha vida foi no Ibirapuera para mais de 60 mil pessoas. Então tenho esta relação, mas me sinto muito bem recebida aonde quer que eu vá.

    (04:10:04) Rodrigo: Zelia tem alguma surpresa para a estreia do show em Sampa. Estarei lá. Sou seu fã. Seu novo disco como os demais está lindo.

    (04:18:59) Zélia Duncan: Rodrigo, a internet não nos deixa mais fazer muito segredo. Só fiz dois shows em Niterói, RJ, e no primeiro dia disse que seria a única estreia possível, pois depois disso todos já saberiam o que acontece no show. Mas nada como estar presente. Ver a coisa acontecer ainda é diferente. Nada substitui a presença física das coisas. No show cantarei "Flores" e "Intimidades" que são do meu repertório, faço uma pequena homenagem ao Roberto Carlos e canto Tom Zé e Luiz Tatit que é um dos meus ídolos. O resto será surpresa, ou seja, você vai sentir assistindo.

    (04:19:20) Moderador UOL:

    Cantora conversa ao vivo com internautas sobre sua carreira, timidez, música, Internet e turnê do novo CD (Crédito: Flavio Florido/UOL)

    (04:09:16) Petter Alex: Vc que é mais uma nova adepta do Twitter, o que está achando dessa ferramenta? Acredita que ele pode te aproximar ainda mais dos seus fãs?

    (04:21:12) Zélia Duncan: Petter Alex, eu comecei a cutucar o twitter há uns dez dias. O meu twitter é @zdoficial. Já tem um com o meu nome. O negócio é tão surreal neste mundo virtual que a Zélia Duncan está me seguindo (risos). Isto é incrível. É interessante poder falar de música, dar uma impressão sobre algo, responder quando alguém quer me dizer algo, apesar que já faço isso pelo meu site. O meu MySpace (www.myspace.com/zeliaduncan) é reservado para os profissionais de música para trocarmos informações profissionais, não fiquem chateados comigo. Então tem o twitter, tem o meu site oficial (www.uol.com.br/zeliaduncan), o flickr (www.flickr.com/photos/zeliaduncan) onde tem fotos. Mas o twitter é divertido, não acho que vou me viciar nele, mas também não acho que tenha graça vocês saberem o sabor do chá que estou tomando, isto é meio boboca, mas é uma questão de gosto e eu respeito. De vez em quando falo alguma coisa um pouco mais pessoal, isto ainda é divertido. Mas este é um canal para falar de música, ouço as opiniões das pessoas. Podemos falar da vida, de cinema, por exemplo, coisas que possam elevar a nossa alma.

    (04:22:32) Zélia Duncan: Eu tento usar a internet como ela me usa. Também trabalho muito pela internet. Nesta fase de lançamento eu pude responder a muitas entrevistas por email, isto é muito bom. Assim posso pensar melhor o que vou dizer, as respostas vão mais completas por email. Quando é outro Estado acho muito melhor responder por email do que por telefone, por exemplo. Usei muito a internet na pré-produção do disco. Por exemplo, eu fui ao estúdio do John Ulhoa e fizemos uma pré-produção com voz e violão, depois ele me mandou as suas ideias pela internet. O Beto Villares fez isto da outra vez, desta vez não porque ele não teve tempo para nada, então fizemos tudo junto mesmo. Isto é muito interessante. Outro dia eu cantei em um evento chamado Samba Social Clube. Só que eu estava fora do Brasil e precisava tirar o tom da música. Eu ia cantar com a Nilze Carvalho e o Hamilton de Holanda, o maior bandolinista de todos os tempos e meu querido amigo. Aí combinamos de entrar no Skype e tiramos o tom da música se vendo. Isto é muito bacana, é incrível. É sensacional.

    (04:12:33) racca_helena: Zélia, além das letras de música, você escreve contos, poesias ou poemas? Se escreve, tem pretensão de publicar? Vejo tanta poesia em suas músicas! Lindas! Beijos!

    (04:23:46) Zélia Duncan: racca_helena, obrigadíssima. Eu adoraria saber escrever contos e romances, mas sou uma escritora frustrada. Eu tenho textos curtos, de vez em quando escrevo uma crônica e até textos para o jornal. Já entrevistei alguns colegas e tive a honra de fazer o prefácio do livro da Fernanda Takai. Mas as minhas coisas mesmo são as minhas letras. Fico feliz por você ver poesia nelas. Poesia é a coisa que mais amo. Sempre tem esta discussão de que letra de música ser poesia ou não, mas não entro muito nesta discussão, apesar de achar que são coisas diferentes. Ainda bem que alguém acha que alguma letra minha seja poética, é o que tento fazer, mas ser poeta mesmo já é outra coisa.

    (04:17:34) Carolina: Oi Zélia,parabéns pelo novo CD..qual é a sua favorita desse disco Pelo sabor do gesto??

    (04:24:22) Zélia Duncan: Carolina, esta pergunta é muito difícil de responder. Mas hoje escolho "Todos os Verbos" que é minha com o Marcelo Jeneci.

    (04:17:40) aline: oi, zélia, quais cantores da nova geração vc gosta bastante? vi q tem curumim e jeneci no seu novo álbum....como os conheceu?

    (04:25:02) Zélia Duncan: aline, eu conheci o Curumin pela Ana Elisa, filha do Itamar Assumpção e muito amiga minha. O Marcelo Jeneci eu conheci por meio do John. Foi uma alegria enorme porque ele não só toca no disco inteiro como acabou virando meu parceiro na música "Todos os Verbos". Uma coisa inédita porque normalmente eu entro para gravar com tudo fechado. E ele me desviou do meu caminho, mas como eu adoro ser desviada de um caminho, foi ótimo. Estou aberta para estes bons acidentes de percurso.

    (04:22:37) escravo da Zélia D: qual música você veio escutando no caminho do bate-papo...

    (04:25:35) Zélia Duncan: escravo da Zélia D, vim ouvindo em meu iPod algumas músicas do show que será amanhã. Estava ouvindo "Felicidade" do Luiz Tatit que cantarei amanhã.

    (04:19:19) Ricardo - SP: Boa tarde Zélia! Parabéns pelo novo trabalho, lindo e delicado! A principio você tinha três músicas para compor o titulo do cd, Boas Razões, Sinto Encanto e Pelo Sabor do Gesto, como escolheu a faixa título?

    (04:26:42) Zélia Duncan: Ricardo - SP, obrigadíssima. Escolhi esta música porque achei que seria mais abrangente. "Pelo Sabor do Gesto" é o que sempre precisamos para fazer o que gostamos, para inventar algo ou até para nos arriscar. Achar o sabor nas coisas que fazemos. Sempre tento fazer isso. Para eu subir no palco tenho que ter um ótimo motivo, então tenho que ficar distribuindo sabores pelas coisas que eu escolho. Então achei que este título seria mais abrangente, embora eu ainda goste muito dos outros. Este disco tem o sabor do prazer. Cantar é difícil de definir o que é, é bastante subjetivo, é um prazer muito grande. É pelo sabor deste prazer, este prazer primeiro de desejar ser cantora. É pelo sabor daquele primeiro gesto de quando comecei a cantar em 1981. A única coisa que eu queria era cantar e ser feliz cantando.

    (04:25:17) Gauchioca: Por favor, conte como conheceu Nei Lisboa e pq resolveu gravar a canção Telhados em Paris. Tem intenção de gravar outras dele? Conhece Maracujás??????????

    (04:28:10) Zélia Duncan: Gauchioca, não lembro da música "Maracujá", mas tenho alguns discos dele. Eu guardo "Telhados de Paris" há muitos anos, sempre a toquei sozinha no quarto ou em passagem de som. Ela me acompanha há uns 15 anos. E desta vez sem ter muita explicação resolvi colocá-la no disco. Foi até antes de fazer as duas versões das músicas francesas que estão no disco. Não tinha pensando em juntar tudo isso. Quando vi esta música estava no meio. É uma música que me toca e o Neil Lisboa é um compositor incrível. Só esbarrei com ele uma vez, mas espero encontrá-lo muito mais. Tem muitas coisas dele que eu gosto, espero continuar pesquisando e certamente irei encontrar outras coisas que tenho vontade de cantar.

    (04:26:11) AguileramaníacOoOo: Zelia eu ouvi um cover que vc fez de Secret da Madonna,que alias ficou sensacional na sua voz.Vc gosta de alguma cantora pop?

    (04:29:38) Zélia Duncan: AguileramaníacOoOo, adoro a Madonna, mas não estive em nenhum show dela. Em nenhum deu certo de eu ir. Eu admiro muito a maneira de ela revolucionar as algumas coisas, o seu jeito de sobreviver na música, de repente ela renasce. Com "Music" ela voltou linda e maravilhosa, é um disco que musicalmente eu gosto muito. Gosto de sua atitude irreverente, de seu jeito de "não preciso de ninguém para viver". Os seus shows são maravilhosos e os clipes são pequenos filmes. E "Secret" é uma música que me apaixonei desde que ouvi pela primeira vez.

    (04:10:05) Zélia Duncan: Sobre a morte do Michael Jackson: Musicalmente ele é um gênio. Ele mudou o nosso jeito de ouvir música. A própria Madonna deve muito a ele porque a linguagem do videoclipe mudou a partir dele. Isto apesar de toda a polêmica de ele acabar ficando quase branco, ele era um negão maravilhoso e tenho certeza de que ele tinha muito orgulho disso, e independente de seus conflitos pessoais que eram muito mais profundos do que isso, tinha a ver com a parte afetiva e familiar, era muito difícil. O seu jeito de dançar era único, mas aquilo veio da rua. Então ele trouxe isso e deu uma auto-estima incrível para os negros. E ensinou à música mundial um monte de coisas. Então ficou um vazio muito grande na música, é um legado que iremos ficar destrinchando para sempre.

    (04:21:32) gpeddino: Como é lançar um trabalho autoral após quatro anos de hiato e a passagem pelos Mutantes? Se sente amadurecida?

    (04:31:57) Zélia Duncan: gpeddino, certamente e me sinto mais livre. Fui ver o que mudou, e me trouxe principalmente a liberdade de estar mais solta no ar. Eu venho caminhando para isso, procurando isso. A liberdade é um espaço que vamos atrás para poder exercitar. E este projeto com os Mutantes me deu isso.

    (04:34:31) Zélia Duncan: Sobre o documentário sobre o Arnaldo Baptista, do Mutantes: Espero que todos já tenham visto "Loki", se não viu já correndo ver. É um documentário emocionante, uma história de amor, lá vamos entender a revolução que os Mutantes fizeram na música brasileira. E o que é o Arnaldo Baptista dentro do Mutantes. Ficamos entendendo muito mais. Conheça para saber por que nos emociona tanto. Tem pedaços dos shows de Londres e do Ipiranga que foram os mais importantes e emocionantes. Para mim, ver de onde eu estava vendo parecia mentira. Eu tive um medo, mas não paralisante, um medo normal. Adoraria ter visto a Rita Lee com eles, infelizmente não aconteceu. Mas o que faz isto ser tão forte ainda é o fato de a Rita estar ali na verdade. Porque ela é criadora junto com eles de tudo. Então, fazendo aquela música, sentimos nitidamente a presença dela. Tem tudo a ver com a inteligência dos dois e da inteligência dela. Sentimos o talento dos três, é muito bonito de se ver. E eu entrei como uma cúmplice e uma testemunha muito privilegiada por estar ali no meio. Apesar de todos os riscos que isto representou para mim, mas consegui fazer tudo certo. Entrei na hora em que eles estavam precisando de um elo e em uma hora que foi boa para mim. E sai na hora certa também, foi tão importante quanto a minha entrada. Acabei de gravar uma música da Rita Lee, "Ambição". Na época eu fiz o que achei que deveria ser feito e não me arrependo de nada.

    (04:27:09) Coroneco: Fala um pouco dessa nova pegada rítmica do novo disco, dde onde veio essa inspiração?

    (04:35:44) Zélia Duncan: Coroneco, isto desembocou de tudo o que venho vivendo, de meus discos anteriores, de todas as minhas experiências, seja com os Mutantes, cantando com a Simone, o contato com aqueles músicos incríveis, o John Ulhoa e o Beto Villares. Eles iam chegando e propondo coisas e eu ia aprendendo. É legal se colocar na posição de saber que temos um monte de coisas para aprender, ficar velho é sacar isso. De alguma forma este disco ficou mais sereno, desta vez chegou mais macio. Ele veio de uma maneira natural. O meu trabalho não é muito mental. Quando estava pronto me disseram que eu estava mais romântica e eu olhei e vi que era verdade.

    (04:27:53) Rodrigo: Zelia, voce cantando Itamar Assumpção nos da a impressao que ele ta na música junto com você. Itamar é sempre uma referência para voce ne

    (04:37:13) Zélia Duncan: Rodrigo, que delícia, totalmente. Comecei a ouvir o Itamar Assumpção em 1984 e em 1985 cantei uma música dele pela primeira vez, "Fico Louco". De lá para cá sempre o ouvi. Depois de um longo caminho ficamos amigos. Ele está presente até em meu disco de choro e samba. A sua presença em minha vida e na minha música me ajuda a legitimar o que faço, a dar mais consistência. E sobre a música "Duas Namoradas", mais de uma pessoa já disseram que sente bem a sua onda tocando. Porque eu tenho a sua gravação tocando. Tudo será sempre uma homenagem a ele. É uma honra que as pessoas sintam que estamos pertos.

    (04:29:40) DudaFreitas: Zélia, sou fã do seu trabalho desde sempre, parabéns pelo novo disco. Quando terá show no Rio de Janeiro Capital?

    (04:39:01) Zélia Duncan: DudaFreitas, espero passar em muitas cidades, fiquem de olho em meu site (www.zeliaduncan.com.br) e no MySpace. Tenho show marcado para o Canecão no RJ somente no dia 29 de agosto. Também tenho um show no Festival Inverno da Bahia em Vitória da Conquista nos dias 21 e 23 de agosto. Também estarei em PE no dia 19 de setembro. Estamos marcando muitas cidades ainda, fiquem em contato pela internet.

    (04:28:22) Daniel Samppaio: Zélia com o cenário fonográfico de hoje do Brasil e do Mundo é arriscado lançar um CD de inéditas na sua opnião?

    (04:40:57) Zélia Duncan: Daniel Samppaio, não acho que uma coisa justifique a outra. A dificuldade do mercado não significa que terei que fazer as coisas mais óbvias do mundo. Aí é que não merecerei mercado nenhum. O meu disco está inédito, tem três regravações com cara de inéditas. Estou o tempo todo tentando me renovar então não posso me deixar abater porque o mercado está ruim, pois não sou vendedora de discos, sou cantora. É óbvio que o meu trabalho precisa ser vendido e consumido para que eu exista. Mas farei de tudo para que quem esteja encarregado de fazer isso tenha a mão um bom produto. Mas não irei mudar a minha música por causa do mercado. Pelo contrário, vou sempre achar estímulo, mesmo no meio da loucura toda. Quem tem uma carreira sólida e um jeito seu de falar está muito mais a frente, com as rédeas na mão do que quem o mercado quis. Porque não sabemos quem o mercado quer. Eu só sei quem eu sou. E sei que ser você me procurar e for ao meu site, ouvir o meu disco e ir ao show verá alguém tentando achar alguma coisa. Se o mercado está ruim regravar tudo é meio burocrata e melancólico, não irei fazer isso.

    (04:45:49) Zélia Duncan: Sempre digo que não somos o que fomos e que ainda não somos o que vamos ser. Eu errei ao assinar o manifesto Música para Baixar, eu li muito rápido aquilo, porque eu concordo com a primeira frase que eu li em que dizia que o fã não é pirata. Não vejo problemas em baixar o disco antes de comprar. Aí esta frase faz sentido, o fã quer conhecer e comprar. Ele não é pirata. O que discordo é do fã predador, aquele que indiscriminadamente baixa tudo sem dar nenhum valor ao artista que ele diz que gosta. Porque aquilo não é nenhuma mágica, tem um monte de gente trabalhando para aquilo acontecer. Outra discussão é o preço do disco. Concordo que é caro. O disco tem um imposto que, por exemplo, o livro não. Por quê? Ninguém entende. E o dono da loja quer ganhar mais de 100% em cima daquilo que está comprando. E quem sofre? O artista. Eu juro que não queria que o meu disco fosse caro, por mim este disco custaria R$ 5. Eu iria adorar, mas nem tudo depende de mim. Eu não sou contra, adoro a internet. Mas infelizmente no Brasil quando a internet apareceu as grandes gravadoras quiseram lutar contra ela e proibi-la e não viram a porta maravilhosa que ela poderia ser para elas. Agora temos que convencer as pessoas de que se apropriar é uma coisa e eventualmente pagar por um trabalho de uma pessoa é outra. Só que ainda não temos a facilidade do iTunes em que por 99 cents compramos a música que queremos. Então só quero dizer que não estou radical na parada, mas é o meu trabalho que vivo dele e ele não está a disposição dos outros, não acho justo. Mas também não tenho esta solução completa e minha mão. Quando o UOL começou a vender músicas eu achei muito legal, mas quando fui comprar achei difícil. Agora deve ter melhorado. Bote nesta conta a minha burrice virtual. Tem o UOL e outros sites, mas ainda acho difícil comprar. Eu dou muito valor para isso, espero que vocês sejam os primeiros a achar o jeito mais fácil de fazer isso.

    (04:30:42) nina: Zélia, qual é aquela música que vc escuta e pensa " puxa, porque não fui eu quem fiz"???

    (04:46:11) Zélia Duncan: nina, um monte, todas as que eu canto e que não são minhas pode ter certeza de que pensei isso.

    (04:33:07) Gota Cristalina*-*: Zélia, qual foi o melhor show que você fez q considera o melhor da sua carreira?

    (04:10:05) Zélia Duncan: Gota Cristalina*-*, isto varia, o que foi melhor para mim certamente não foi o melhor para todo mundo. São muitos anos cantando, mas o show de encerramento do "Pré-Pos..." no Sesc Pinheiro foi muito especial e emocionante e também a sua estreia no Tom Brasil. Este do Ibirapuera foi inesquecível.

    (04:44:22) Moderador UOL:

    Capa de "Pelo Sabor do Gesto", oitavo álbum de estúdio de Zélia Duncan (Crédito: Divulgação)

    (04:35:41) lima: zélia, boa tarde, vc acha que na atualidade as vozes femininas dazem mais sucessos que as masculinas?

    (04:47:46) Zélia Duncan: lima, acho que tem mais mulher do que homem neste mundo, então acaba tendo mais cantores. No Brasil temos uma tradição da mulher que canta, as grandes divas, sempre tivemos este fetiche da mulher cantora, isto é mais forte. Até por isso ou por alguma outra razão seja mais fácil de elas aparecerem, mas qualquer homem que canta bem fura este negócio.

    (04:36:09) Debora: Zelia, queria que voce contasse um pouco do inicio da sua carreira...soube que voce fazia locução...e era timida...antes de ser cantora mesmo. É verdade?

    (04:49:13) Zélia Duncan: Debora, eu me sinto um pouco tímida, não sou a pessoa mais extrovertida do mundo. E já era cantora quando fui locutora na Rádio Fluminense. Adoro tudo o que diz respeito a voz. Antes de querer cantar o meu sonho era ser âncora de jornal, adoro este trabalho, acho bonito. Quando estou cantando é outra coisa que vem, vem um prazer de cantar, sinto que tenho uma voz para fazer aquilo, é quase uma vertigem boa. E não necessariamente os apresentadores são pessoas extrovertidas, assim como as pessoas extrovertidas não necessariamente são artistas.

    (04:37:40) Bruna/SP: Zélia, existe a possibilidade de cantar qq dia desses uma musica com Ana Carolina?

    (04:49:37) Zélia Duncan: Bruna/SP, quem sabe, os nossos caminhos ainda não se encontraram. Se um dia houver o desejo de que isto aconteça iremos fazer, senão seguiremos os nossos caminhos.

    (04:42:46) patricia: tem algum projeto pra final de ano?

    (04:49:52) Zélia Duncan: patricia, tenho sim, cantar "Pelo Sabor do Gesto" para você onde quer que você esteja.

    (04:40:53) Fabi.Lopes: Zélia, conta um pouco como foi a parceria com a cantora Isabella Taviani, na musica " Depois da Chuva "

    (04:52:50) Zélia Duncan: Fabi.Lopes, ela foi uma surpresa muito legal, é uma batalhadora, estamos batalhando há muito tempo, nos conhecemos um pouco mais no ano passado. E agora ela foi gravar o seu disco e me convidou para gravar um bandolim em uma faixa, fiquei honradíssima. É uma coisa que nunca faço, estudei muito para merecer este emprego de tocar bandolim. E acabei fazendo duas letras que entraram no disco, uma se chama "Arranjo" onde dou uma canja com ela e a outra é "Depois da Chuva" em que o Jorge Vercilo é o autor da melodia do refrão. Viramos todos parceiros harmoniosos e seu disco deve sair no mês que vem. Tenho algumas músicas do Christian Oyesn compostas no bandolim, é um grande parceiro. E um dia ele me disse que eu deveria aprender a tocar estas músicas no bandolim. Eu fiquei treinando e aprendi. O bandolim é um instrumento maravilhoso. E o Webster Santos me ensinou, mas na verdade toco muito pouco.

    (04:49:32) Digo_UJA_SP: ZELIA ! boa tarde! já passou alguma saia justa durante um show, uma apresentação ou coisa qualquer ?? Beijoooooo

    (04:53:40) Zélia Duncan: Digo_UJA_SP, claro que já passei micos. Coisas como quase levar tombo. Uma alça de uma blusa já caiu. Coisas que às vezes nem são tão grandes, mas no palco parece coisa do outro mundo. Já invadiram o palco de um jeito engraçado. já passeipor algumas...

    (04:50:40) Karrie Eur: Quando você vem para a Europa? Mais precisamente Holanda? rsrs

    (04:54:32) Zélia Duncan: Kerrie Eur, eu adoraria ir para a Holanda, quem me dera. Em Portugal já fui seis vezes, já fui para Madrid. Fui para Londres com os Mutantes. Já fui parar no Japão, mas Holanda ainda não rolou. Quem sabe...

    (04:50:24) EDSON MARTINS: Curto muito, além do seu trabalho, sua integração com o fãs, (como eu), e a troca entre as duas partes, especialmente em SP com a galera do UJA que encontro em todos os shows. Tem um sabor especial cantar em Sampa?

    (04:55:30) Zélia Duncan: Edson Martins, estes são fãs que adoro afagar, eles sabem disso, são fãs que muito mais que pessoas casuais, são pessoas que me acompanham, me protegem e cuidam da minha música por aí. Eles sempre me comovem. O UJA já tem 12 ou 13 anos, é uma coisa muito sólida a nossa relação. Às vezes vejo a bagunça deles, mas nunca posso estar lá no meio. São pessoas muito fiéis que procuro retribuir.

    (04:53:23) TaMiReS: Zélia, da onde veio a inspiração para compor a música Não vá ainda?

    (04:57:08) Zélia Duncan: Tamires, foi um coração muito partido, eu tinha 18 anos quando fiz esta letra, estava sofrendo muito por amor. Sofrer é bom e errar é útil. Quando estou mais triste tenho mais vontade de escrever, certamente escrevo mais. Por exemplo, "Enquanto Durmo" é uma música muito alegre, quando a fiz eu estava tristíssima e o Chritian chegou lá e exorcizou aquele negócio.

    (04:54:38) nandynha: Qual a musica mas pedida pelo publico mas conhecida?

    (04:57:52) Zélia Duncan: nandynha, a mais conhecida é "Catedral", mas tem outras bem pedidas como "Alma", embora seja do Arnaldo Antunes e do Pepeu Gomes. "Enquanto Durmo" é muito pedida, mas talvez a mais pedida seja mesmo "Catedral".

    (04:55:38) Cibele: Vi o repertório do show... Vai cantar Cedotardar mesmo? Ouvi e já deu pra imaginar você fazendo graça com ela rs

    (04:58:12) Zélia Duncan: Cibele, com certeza irei cantar "Cedotardar" que é do Moacir Albuquerque e do grande e querido Tom Zé.

    (04:55:05) PriBe: Oie!! Sempre que fazes versões, elas são mais adaptações do que simples traduções. É para contar a mesma história à tua maneira? Beijos Lisboetas

    (04:59:27) Zélia Duncan: PriBe, eu nem falo francês. Uma pessoa traduziu a letra e eu peguei a tradução e fiz a versão para o português. É o desafio de fazer sentimentos soarem em nossa língua, aqueles mesmos sentimentos feitos em francês soarem de forma similar do nosso jeito. Este é o maior desafio. É muito bom.

    (05:00:06) Zélia Duncan: Fui um prazer estar aqui. Vamos ouvir música pela internet, mas não vamos esquecer o mais legal que é ver o artista ao vivo. Se tiver que baixar uma coisa ou outra, não se esqueçam que às vezes no encarte tem uma história que virtualmente você não terá. Até breve, até sempre...

    (05:00:03) Moderadora UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Zélia Duncan e de todos os internautas. Até o próximo!

    Hospedagem: UOL Host