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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Zeca Baleiro - 09/09/2009 às 15h00

Ao invés de gravar um álbum e sair em turnê, o cantor e compositor Zeca Baleiro resolveu inverter o processo. Dia 11 de setembro estreia em São Paulo o show "Concerto", que vem para amadurecer o repertório do artista e depois lançar um novo CD. A apresentação tem formato de recital e Zeca sobe ao palco com dois músicos que se revezam pelos instrumentos para tocar sucessos e novas canções, como "A Depender de Mim" e "Mais um Dia Cinza em São Paulo". A turnê promete ser diferente: um rodízio será feito entre as músicas da setlist, o que garante uma apresentação sempre nova.

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  • Participaram do Bate-papo 367 pessoas


    (02:52:49) JORDANE: OLÁ

    (02:52:50) vick: oii

    (03:01:00) marcel goom: boa tarde

    (03:13:53) Zeca Baleiro: Olá, pessoal! (canta e toca a música "Você é Má")

    (03:16:39) Zeca Baleiro: Sobre o show "Concerto": eu acabei de encerrar a turnê do meu último disco, que era duplo. Fizemos um DVD duplo também, sendo que o volume um foi gravado ao vivo em show e o volume dois foi feito ao vivo, mas em estúdio. Para esse show, nós começamos a ensaiar um repertório onde cabe de tudo, Foo Fighters, Camisa de Vênus, vários outros, fora as canções novas. Aí o que der disso tudo nós vamos fazer o próximo disco.

    (03:02:26) JORDANE: OLÁ ZECA, NESSE SEU NOVO SHOW O QUE VC ESPERA DO SEU PUBLICO

    (03:18:49) Zeca Baleiro: Jordane, (risos) aplausos! O que nos motivou a apostar neste show foi justamente o convite do Teatro FECAP em fazer apresentações lá. É um teatro super simpático, é pequeno, aconchegante e favorece a audição de quem vai nos assistir também. A gente espera que a platéia também tenha uma audição mais atenta para músicas introspectivas. O show tem um formato de recital e o teatro ainda possibilita que a gente grave tudo em alta qualidade todos os dias, aí depois é só dar uma olhada nos melhores takes. (risos)

    (03:13:34) marcel goom: zeca tem mais alguna novidade com o teatro magico

    (03:20:25) Zeca Baleiro: Marcel, com o Teatro Mágico, não. Foi uma participação eventual no "Chanel Nº5", música do CD deles. E é isso! Tenho uma grande admiração por eles e até podemos fazer algo de novo, mas por enquanto é isso.

    (03:15:10) Maria: Olá...Estive em alguns shows que vc fez e percebi que vc consegue reunir várias "tribos". Quando começou a cantar, vc imaginou que iria agradar a qual público, mais diretamente?

    (03:24:41) Zeca Baleiro: Maria, eu achava que ia agradar a um público específico, eu não imaginava que fosse agradar tanta gente junto. Hoje fico feliz de ver tantas pessoas diferentes gostando do meu trabalho. O sucesso popular também te influencia na forma de compor um pouco, você começa a escrever pensando num público que você já tem. É uma armadilha isso, eu tento fugir. Claro que já fiz trilhas para filmes, para ballets e tudo mais, mas é um trabalho diferente, é por encomenda. Agora quando você já tem um sucesso popular, você começa a seguir aquilo, tanto que muita gente fica preso a uma fórmula só. Por isso mesmo que eu gosto de fazer coisas diferentes. Já fiz show super dançantes e agora estou indo para uma coisa mais introspectiva, é meu jeito de fugir disso, dessa armadilha.

    (03:26:22) Zeca Baleiro: Sobre a criação de trilhas sonoras: quando você compõe para um filme, para uma peça, a sua música é coadjuvante, ela tem de se interar com o produto da forma mais natural possível. É mais difícil. O último trabalho que fiz nesse sentido foi a trilha de um grupo de dança mineiro, o "Primeiro Ato". Foi muito prazeroso, vi coreografia deles feitas com músicas de sugestão dos bailarinos, vi coreografias feitas sem música e também compus canções novas para que eles criassem a coreografia.

    (03:17:10) André: Como foi gravar uma música com Ze´Ramalho?

    (03:21:40) Zeca Baleiro: André, foi ótimo! O Zé é uma referência para a música brasileira. Eu quis chamá-lo para cantar comigo porque era uma canção que era super inspirada nos repentes do nordeste, e ele tem essa voz tipicamente nordestina.

    (03:18:56) eduardo: oii zeca tudo bem? tem previsao para shows aqui no estado do paraná?

    (03:20:39) Fernanda Priscila: Já que não teremos o CD primeiro... Você irá dilvulgar muito essa turnê... Você pretende fazer shows em lugares mais longes (como RN, por exemplo)??? amo vc!

    (03:29:03) Zeca Baleiro: Fernanda Priscila, meu último show rodou por quase todas as capitais, mas Natal ficou de fora, nem sempre tem um produtor na cidade disposto a trazer, né? (risos) Agora com este show eu já tenho algumas coisas marcadas, principalmente em outubro. (Visite o site para ver a agenda de shows completa: http://www2.uol.com.br/zecabaleiro/)

    (03:21:03) Rita Cássia: Zeca, dizem que devemos dar mais atenção às perguntas que às respostas. Minha pergunta é: O que Zeca Baleiro perguntaria à seus fãs???beijos

    (03:27:28) Zeca Baleiro: Rita Cássia, eu perguntaria: vocês não tem nada pra fazer, não? (risos) Brincadeira, eu perguntaria o que mais vocês ouvem além da minha música.

    (03:22:25) violero: olá, sou compositor como você, o que voce utiliza como inspirador para compor?

    (03:30:24) Zeca Baleiro: violero, ah, a vida! Eu não tenho regra nenhuma para compor, sou muito caótico. Às vezes abandono uma festa no meio para ir pra casa escrever. (risos) Mas não é só inspiração, tem um trabalho, tem um sofrimento até chegar na forma definitiva da música. Só algumas que têm essa coisa mágica de surgirem na cabeça já prontas.

    (03:23:12) Maria: Eu te acho muito original... e dentro dessa originalidade eu percebo muito a poesia. Vc tem algum poeta preferido?

    (03:30:54) Zeca Baleiro: Maria, eu li bastante poesia na adolescência. Dos brasileiros, eu gosto muito do Murilo Mendes.

    (03:25:15) helena: quando será o próximo baile do baleiro aqui em são paulo? estamos sentindo falta...

    (03:31:12) Zeca Baleiro: helena, o Baile do Baleiro volta em dezembro, talvez participem algumas pessoas, o Benito de Paula...

    (03:26:39) bibi: Qual sua especialidade na cozinha ,fiquei sabendo que vc cozinha muito bem?

    (03:32:07) Zeca Baleiro: bibi, carneiro. Faço um bom carneiro. Não posso dar a receita porque é especial. (risos) Não posso revelar a receita, é com ervas, acompanha um cuscuz marroquino...

    (03:33:15) Zeca Baleiro: (Começa a cantar e tocar "Meu Amor, Minha Flor, Minha Menina", do álbum "Baladas do Asfalto e Outros Blues")

    (03:31:09) Pedro: zeca tudo bem? você fez uma parceria interessante com o sesc sp a preços populares. o que você acha de iniciativas como essa, para divulgação do trabalho do artista? beijo

    (03:35:57) Zeca Baleiro: Pedro, pô, o SESC é a casa do artista aqui em São Paulo. É uma instituição que cumpre muito esse papel de levar espetáculos de qualidade a preços populares e às vezes até gratuitamente. Eu toco sempre nas unidades deles, já gravei várias vezes, mas não lembro de nada específico. Eu faço de tudo, toco em teatros até festas de rua onde ninguém paga nada. Acho que neste ponto o artista tem que seguir o que Milton Nascimento fala: "o artista tem que ir onde o povo está". (risos)

    (03:31:32) Pombo Azul: e parceria com a Zelia Duncan? Ela falou de você em um show dela aqui em Ribeirao preto...Parcerias futuras?? Podemos esperar??

    (03:36:56) Zeca Baleiro: Pombo Azul, sim, a Zélia é uma amiga muito querida, ela é muito verdadeira. Nós já compomos duas músicas juntos, eu dei uma letra para ela musicar e ela fez o mesmo pra mim, mas ainda não gravei, continua inédita.

    (03:32:13) HeltoN: E ae Zeca tranquilo? Qual a dica para quem esta começando a fazer musica agora. Tipo Como entrar no mercado ?

    (03:40:00) Zeca Baleiro: HeltoN, hoje nós temos ferramentas que não tínhamos antes. Minhas demos eram levadas em fitas k7 pela Rosana, minha empresária hoje, no início dos anos 1990. Hoje você grava no fundo da sua casa com um pouco de qualidade. O boca-a-boca hoje é muito mais fácil, mas outras coisas se tornaram mais difíceis também, né? Eu passei por essa estrutura antiga e hoje eu posso me vangloriar de ser totalmente independente, independente e feliz. Não dependo de uma gravadora grande, embora eu possa lançar um projeto específico com alguma. Para as minhas ambições, meu público cativo e a estrutura que eu tenho já estão de bom tamanho.

    (03:40:14) Moderadora/UOL:

    Zeca Baleiro conversa sobre parcerias, projetos passados e futuros no Bate-papo UOL (Crédito: Flavio Florido/UOL)

    (03:34:07) waltêra: Zeca, na sua música "minha tribo sou eu" você diz nao ser cristao nem ateu. Você acredita em Deus? Se sim, de que maneira?

    (03:41:26) Zeca Baleiro: waltêra, eu acho que nós temos muitas formas de viver a espiritualidade. Deus tem muitas formas, muitas cores... (risos) Acho que a discussão de Deus existir ou não já é meio antiga, acho interessante vivermos próximos de alguma energia próxima a essência humana, mas isso eu falo melhor numa palestra de programação neurolingüística, tá? (risos)

    (03:36:02) Zé jabur: No seu quarto disco, tem uma musica q considero genial em sua obra: "A serpente" inde vc faz uma releitura so bumba boi de matraca. O Chico Science fez algo assim com o maracatu de baque virado e com isso criou um novo estilo. Porque vc não explorou mais os ritmos maranhenses q são tantos e tão geniais???

    (03:43:14) Zeca Baleiro: Zé Jabur, o Chico Science foi um representante apenas, porque muita gente já fazia isso por lá. Não estou diminuindo a importância dele, mas sim ampliando a discussão do caso. Eu fazia isso no Maranhão, outras pessoas em outras partes do país, mas no Recife muita gente fazia isso e chamou a atenção das gravadoras. Não me interesso em ficar propagando essa questão regional unida a polirritmia, mas faço de vez em quando ainda hoje, como em "Bumba Meu Boi".

    (03:37:17) Ellen-RJ: Zeca, sou muito sua fa, queria que vc me dissesse o que vc quis dizer com "a mentira é uma princesa cuja beleza nao gasta" em Dindinha. Desculpe minha ignorância e tb queria as bases para eu tocar no violao. Obrigada.

    (03:52:14) Zeca Baleiro: Ellen - RJ, bom, no meu site, até o disco 4, se não me engano, você encontra as cifras. Nós estamos fazendo já uns livretos com todas as cifras, simplificadas e tal. Até o ano que vem a gente deve lançar. Algumas cifras já estão lá, sim. Quanto ao verso, eu não gosto de explicar, porque cada um faz a leitura que quer. Eu já nem sei o que eu mesmo quis dizer. (risos) O que eu acho que quis dizer é que a mentira é mais perene que a verdade.

    (03:38:26) cocota: com o cenário fonográfico de hoje do Brasil e do Mundo é arriscado lançar um CD de inéditas na sua opnião?

    (03:40:05) Camis: Zeca. Pq Beleiro? Eu ainda não descobri

    (03:53:36) Zeca Baleiro: Camis, (risos) essa é a pergunta que eu mais respondo. Foi o apelido que eu ganhei na faculdade, porque eu sempre tinha balas no bolso. (risos) Aí eu adotei o apelido do meu nome de bastimo e juntei com o "Baleiro". Meu nome é José, aí ficou Zeca Baleiro.

    (03:40:37) monica: qual é aquela música que vc escuta e pensa " puxa, porque não fui eu quem fiz"???

    (03:54:55) Zeca Baleiro: monica, puxa, várias. Músicas do Belchior, por exemplo. Ele é meu amigo, eu não acho que ele tenha sumido mesmo. Talvez ele só queria dar um tempo, não sei. Nos encontramos pela última vez na saída do show do Bob Dylan em São Paulo.

    (03:41:45) bibi: Vc tem alguma superstição antes de entrar no palco ?

    (03:55:33) Zeca Baleiro: bibi, eu sempre faço o sinal da cruz e tomo um whisky (risos). É bom para aquecer, principalmente quando é um show agitado, que você tem que animar o público e as canções não são tão introspectivas.

    (03:42:40) Clea: Zeca, sua parceria com Raimundo Fagner foi incrivel e deu muito certo. Vcs pretendem fazer um novo trabalho futuramente?

    (04:00:08) Zeca Baleiro: Clea, ah, foi interessante, mas o cara é preguiçoso e tal... (risos) Quando ele dá entrevista, aí ele fala que sou eu! Mas eu gostei muito de trabalhar com ele, ele tá sempre na berlinda, nem todo mundo reconhece a grandeza artística dele. Mas, como eu sou um provocador, eu gostei de me juntar a ele. Gostei de empenhar o "meu prestígio" a ele. (risos) Acho que isso é mais uma curiosidade de quem gosta da minha música e sabe que gosto de fazer parcerias, não vejo como uma cobrança.

    (03:43:14) marcel: o que esta ouvindo ultimamente de brasileiro e em geral

    (03:57:07) Zeca Baleiro: marcel, eu tô ouvindo pouca música. Como eu trabalho muito intensamente com isso, eu chego em casa e quero silêncio. Prefiro ver um filme, ler um livro... Mas, de compositores brasileiros, eu sempre destaco o Wlado, um catarinense-alagoano bem interessante, o Totonho, da banda Totonhos Cabra, e o Cléber Albuquerque, um compositor de Santo André.

    (03:46:54) Rodrigo Benevenuto: Zeca vc vai estar no carnaval 2010 no Recife?

    (04:02:54) Zeca Baleiro: Rodrigo Benevenuto, não sei. Ainda não recebi convites. (risos) Essa pergunta existe porque eu toquei de 2000 a 2007 no Carnaval de lá, que é muito interessante. Além da programação padrão, eles espalham palcos pela cidade com bandas diferentes.

    (03:51:00) Bárbara: zeca, eu acho o máximo isso que você faz de resgatar certas músicas, quando você as regrava parece que dá uma nova vida à elas. Qual o critério que você usa pra escolher quais você vai regravar e incluir nos seus trabalhos?

    (04:05:07) Zeca Baleiro: Bárbara, são vários critérios, a idéia é essa mesmo, renovar a música, dar uma nova vida... Às vezes você regrava uma música e ela soa como nova para uma outra geração. Acho desafiador poder reler também. No show eu toco "Best of You", do Foo Fighters.

    (04:06:42) Zeca Baleiro: Sobre a música para Michael Jackson: eu compus "Canção de ninar neguinho" em 1993, no começo do declínio dele, depois de vê-lo chorando na capa de uma revista. Hoje é motivo de chacota, mas ele já sofreu demais, tomara que deixem ele em paz agora! (risos)

    (03:53:00) Douglas Reis: Zeca, até que ponto é importante pra um artista solo como você ter uma mesma banda com os mesmos musicos a tanto tempo? E qual o tamanho da participação desses músicos na criação dos seus discos?

    (04:08:13) Zeca Baleiro: Douglas Reis, eu trabalho muito coletivamente. Eu gosto deste processo de me juntar com os músicos. Esta banda com quem eu estou é muito criativa e, na verdade, eu sempre procurei trabalhar com gente criativa, gente de diversas origens. Acho que acaba criando um conjunto interessante. Todo mundo traz colaborações preciosas assim. Se você faz com verdade e com talento, isso vai chegar no destino. Hoje eu vejo que as pessoas começam com uma ansiedade imensa pela fama, que, na verdade, é uma consequência às vezes até indesejada do trabalho.

    (03:55:37) telegrama ;): o que você acha das musicas que estão tocando no momento, como o sertanejo universitário?

    (04:12:33) Zeca Baleiro: telegrama, olha, eu não tenho como julgar e se eu tivesse, eu também não julgaria. Eu tenho minhas predileções musicais, mas também não condeno nenhum tipo de música. O cara pode ter verdade fazendo sertanejo universitário e pode ser enganador fazendo sonatas e música erudita. Eu só acho que o que toca hoje no rádio é muito ruim, isso é fato. Eu lamento porque fui muito apaixonado pelo rádio! Mas forró universitário, sertanejo universitário, pagode universitário... (risos) Enquanto tiver universitário ouvindo música, tá bom! Pelo menos tem coisa nova vindo por aí. Mas tem muita gente boa aí, o Zezé Di Camargo, por exemplo, é um excelente compositor. Não gosto de sertanejo, mas ele é um cara que realmente sabe fazer.

    (04:13:16) Zeca Baleiro: Apareçam no show, galera. Acho que vai ser interessante! (risos) Obrigado! (Canta "Telegrama")

    (04:13:20) Moderadora UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Zeca Baleiro e de todos os internautas. Até o próximo!

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