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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Eliane Cantanhêde - 10/09/2009 às 17h00

Eliane Cantanhêde

Colunista da "Folha de S.Paulo" e da "Folha Online" comenta o acordo militar Brasil-França, assinado na última segunda-feira (7) pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy. No mega-acordo de R$ 22,5 bilhões, a serem pagos em 20 anos, ficou acertado que o Brasil comprará helicópteros, submarinos convencionais e a tecnologia para desenvolver um modelo de propulsão nuclear. A conta pode ainda sofrer um acréscimo de R$ 10 bilhões se for concretizada a compra de 36 caças Rafale, da Dassault.

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    (05:02:04) eliane cantanhede: Olá todo mundo!

    (05:08:38) JAAS: Eliane, nao acha que o que vem sendo discutido na midia nacional e internacional sobre a compra de armamentos pelo Brasil é exagerado? Falo isto porque a quantidade do acordo nao foge muito da media que vem sendo comprada por outros países, isso sem falar da necessidade de atualizacao das forcas armadas nacionais. Isto é, o futuro acordo nao foge dos parametros essenciais e normais de um país do porte do Brasil.

    (05:09:49) eliane cantanhede: JAA - Com certeza. Mas, como se trata de compras de armamentos que podem chegar a 13 bilhões de euros, é preciso discutir muitíssimo, sim.

    (05:10:14) Carol Lisboa*: O q vc acha do Pré-sal criado por lula??

    (05:11:21) eliane cantanhede: Carol Lisboa: o Pré-sal não foi "criado" pelo Lula, foi resultado de décadas de intenso trabalho e de pesquisa. E não é de um governo, mas do Estado brasileiro.

    (05:11:33) Ezequiel: boa tarde Eliane. O que acontece se o Brasil declinar do acordo com a França, e comprar os aviões dos EUA ?

    (05:12:41) eliane cantanhede: Ezequiel: boa tarde! Eu acho que é uma possibilidade bastante remota, mas, se acontecer, vai ser uma confusão dos infernos. Porque toda a ação e todos os movimentos do Planalto, da Defesa e do Itamaraty foram pró-França.

    (05:12:44) Chuck: O anúncio do fechamento da compra dos jatos criou um mal estar muito grande ao governo?

    (05:13:35) eliane cantanhede: Chuck: Criou. Eles fizeram uma lambança de todo o tamanho, passando a imagem de um país descoordenado. A imprensa nacional ficou confusa. Imagina a internacional!

    (05:13:40) Stefano Gabana: Oi Eliane, o que vc diz a respeito deste acordo estar sendo feito, justo agora com quase todo mandato do Lula completado?

    (05:15:24) eliane cantanhede: Stefano: O projeto FX, de renovação da frota de caças da FAB, vem desde 2001. O mundo andava em crise, o dinheiro curto, houve o recuo. Mas a decisão estratégica já estava tomada de antes e o governo decidiu tocar adiante em abril do ano passado. Um ano e meio de análises, um processo lento, mas acho que é normal que seja agora. As condições são mais favoráveis.

    (05:15:29) monica: ola, eliane! tudo bom? esse acordo militar era efetivamente necessario? nao estamos jogando $$ no lixo?

    (05:16:37) eliane cantanhede: Monica: Olá! Acho que é necessário, sim. Esse dinheiro não está sendo jogado fora, está sendo empregado em tecnologia de ponta que não apenas gera empregos agora como tem enraizamento forte em várias áreas, principalmente ciência e tecnologia.

    (05:16:40) fernando: Eliane, seu texto de hoje na Folha diz que a compra desses caças estava sendo decidida desde os anos 90... como é que uma compra pode demorar tanto? quantas gerações de aviões já não passaram desde então?

    (05:18:39) eliane cantanhede: Fernando: Eu não escrevi isso. O que houve é que, desde os anos 90, se discute a renovação dos velhos Mirage das décadas de 70 e 80. Decisão, mesmo, só a partir de 2001. E, como é uma compra caríssim, demora mesmo. Já se passaram tantas gerações que toda a licitação anterior foi para o lixo e vieram novos concorrentes. Renovou tudo.

    (05:18:47) Camila: O Lula e o presidente da França praticamente anunciaram que o acordo tinha sido fechado. Mas na verdade entendi que não. Qual pode ser a conquencia juridica pro Brasil? Tira a credibilidade do governo em futuras concorrências?

    (05:20:19) eliane cantanhede: Camila: foi um vexame. O comunicado comum usou duas vezes o verbo "decidir" e no fim foi maroto, falando em avançar as negociações para a aquisição. E veio o Amorim dizer que era para avançar com um país, não com os outros dois. Depois, tiveram que voltar tudo atrás, dar o dito pelo não dito. Não deve ter consequências jurídicas por enquanto, mas tira credibilidade do governo, sim.

    (05:20:22) zero: OIá. Eliane, hoje em dia o Brasil possui aviões da década de 70/80 e mal tem dinheiro para mantê-los voando. Mesmo assim opta por comprar o avião mais caro entre todos, só por causa da suposta tranfêrencia de tecnologia. Você não acha perigoso isso?

    (05:21:31) eliane cantanhede: Sinceramente, acho que a opção pelo Rafale, da Dassault francesa, é muito mais por questões diplomático-estratégicas do que tecnicas. Mas ele vai ter de abaixar o preço. A conferir.

    (05:21:39) Jefferson: Mesmo havendo previsão constitucional de que o petroleo pertence a união, acredito que o lucro não deve ser repartido igualmente entre os estados, pois uns são mais afetados do que outros (SP, ES, RJ), e vc, o q acha?

    (05:22:29) eliane cantanhede: Jefferson: acho que é justo que os Estados produtores tenham algum tipo de remuneração a mais. E eles estão lutando com unhas e dentes para isso.

    (05:22:32) Adolfo: Outro dia vi um analista na Globo News falando que o ideal seria a compra de aviões dos EUA por que nós já temos tecnologia americana e a compra de aviões franceses criaria uma diferença de tecnologias....etc..etc...isso é verdade?

    (05:24:00) eliane cantanhede: Adolfo: não é bem assim. Lembre-se de que os Mirage da FAB são franceses, com tecnologia francesa. E o pacote da década de 1980 foi com a Itália. Além disso, há todo o conjunto de compras de submarinos e helicópteros com a França, aproximando processos e tecnicos dos dois países em diferentes áreas.

    (05:24:08) rene: a entrega dos equipamentos só virá num próximo governo, que as eleições devem definir. Com as bases estadunidenses na Colôbia, a riqueza da Amazônia, não é preciso se defender?

    (05:25:20) eliane cantanhede: Rene: Riqueza da Amazônia, Pré-Sal, o Brasil deslanchando, isso tudo significa poder, inclusive poder bélico. Faz sentido e tem efeitos na indústria, na tecnologia, até na educação.

    (05:25:41) Victor: Elaine, o governo afima que a compra dos armamentos serve para defender a soberania do pais. Defender de quem? se paises mais podesoros quiserem tomar-nos o petróleo, eles o farão e ainda de maneira diplomática.

    (05:27:03) eliane cantanhede: Victor: Há uma palavrinha mágica no dicionário de todas as nações: dissuasão. Ter armamento, como submarinos e caças, não significa a intenção de atacar, mas significa que quem se aventurar a atacar vai encontrar reação. As portas não estão escancaradas para aventureiros...

    (05:27:06) Wolfgang: Eliane, você fala em lambança do Governo, mas a fala do Lula permitiu que os EUA colocasse novas prpostas na mesa e por sua vez, com o interesse renovado dos americanos, a França deve baixar o preço de manutenção dos caças francese

    (05:28:39) eliane cantanhede: Wolfgang: esse é o discurso do governo para fingir que foi um ato ensaiado. Não foi. Eles não mediram as consequências de passar por cima de todo o processo de seleção e deixar os dois outros concorrentes com cara de trouxas. Afinal, isso não é uma negociação sindical, é uma negociação internacional de grande monta.

    (05:28:42) w4mpx: A compra dos caças franceses pode gerar um "mal estar" nas relações entre Brasil x USA ?

    (05:29:45) eliane cantanhede: W4mpx: Eta senha complicada! Bem, mas a expectativa é de que os americanos retaliem de alguma forma, mesmo que sutil. O mal estar já está criado. Agora, é saber como vai se materializar.

    (05:29:52) Cavaleiro: Eliane, a Sra. acredita que a Franca transferirá mesmo tecnologia?

    (05:30:51) eliane cantanhede: Cavaleiro: ótima pergunta. Os experts acham graça dessa história de transferência de tecnologia, porque nenhum dos países ricos faz isso na prática. Mas digamos que há níveis diferentes. Uns transferem mais, outros menos.

    (05:30:56) Bill: Elaine voce acha mesmo que o Lula teria divulgado a finalização do processo com a França, propositadamente, com o objetivo de mecher com o "brio" doa americanos ou foi ao acaso?

    (05:32:06) eliane cantanhede: Bill:não foi isso, não. Não foi para provocar os leões com vara curta, até porque nesse confronto a gente sai perdendo. Foi mais um ato de voluntarismo do Lula. Tava lá com o Sarkozy, bateu um papo, já queria os franceses mesmo. Aí, mandou ficha. E deu no que deu.

    (05:32:18) Alek: É sábido que a Embraer utiliza motores da gigante americana GE, e que dependemos da tecnologia americana na aeronautica. Com a parceria e a transferencia de tecnologia, a Embraer poderá ser ver livre das empresas norte-americanas utilizando motores da francesa Snecma, sem contas as aviônicas?

    (05:33:24) eliane cantanhede: Alek: não é tão simples assim, porque as tecnologias nem sempre "conversam" entre si. Ás vezes, vc compra um computador x que não se adapta ao sistema y de outra fábrica, não é verdade?

    (05:33:30) Leandro Prazeres: Olá, Eliane, sou repórter em Manaus e gostaria de saber o que esse acordo pode significar para a região Amazônica no âmbito da Segurança Nacional?

    (05:34:48) eliane cantanhede: Leandro: Oi. Hoje almocei com o ex-comandante da Amazônia. Ele e todos os militares acham que, com os novos caças e os novos helicópteros da Eurocpter, o raio de vigilância da Amazônia ficará muito melhor, óbvio. O efeito mais direto, aliás, é sobre a Amazônia.

    (05:35:02) Wolfgang: Eliane, em qual medida o Governo Americano poderia atrapalhar a aescolha soberana do Brasil por equipamentos de outra procedência? O histórico de contribuições tecnológicas e de entrega de materias de ponta, eles não têm bom histórico...

    (05:36:14) eliane cantanhede: Wolfgang: Eles não têm condições de atrapalhar a escolha, mas podem retaliar depois. E, olha, têm meios para isso. Só não sei se convém politicamente, já que o Brasil é elemento de equilíbrio numa região que tem Chávez, Morales...

    (05:36:17) Boca: Boa tarde, Eliane. E os caças russos sukhoi, provavelmente os preferidos dentro da FAB, por que foram preteridos?

    (05:37:44) eliane cantanhede: Boca: não é verdade que os Sukhoi eram preferidos na FAB. Eles são excelentes, mas tinham pelo menos dois grandes problemas: o menor nível de transferência de tecnologia (praticamente nenhuma) e uma logística caríssima. A Rússia é longe, tem um clima gelado e não tem outros equipamentos no Brasil. Seria começar do zero, sem perspectivas de futuro.

    (05:37:58) Comandante: Sra. Eliane, nossa frota é patética, salva penas pelos mirrages, a necessidade não se discute, mas pergunto: Como esse recurso vai se desembolsado, se o proprio PAC que é necessidade numero 1 esta emperrado? Pergunto também como o brasil será visto para o mercado financeiro apartir desta compra?

    (05:39:11) eliane cantanhede: Comandante: são duas fontes principais de pagamento, em 20 anos: recursos do Tesouro e financiamento externo, com aprovação do Congresso. Quanto ao mercado financeiro, a sinalização é positiva. O país mostra que tem poder, tem dinheiro, tem ousadia.

    (05:39:16) Fabio: Olá Eliane, sou seu leitor assíduo. Estamos comprando o melhor pacote? Ou o ranço antiamericanismo que impera no PT deixou o governo miope?

    (05:40:42) eliane cantanhede: Fabio: perguntinha difícil... Que há um ranço antiamericanista, lá isso há. E que jogar todas as fichas (submarinos, helicópteros, caças) num único jogo também é arriscado. Mas a aliança França, pelos ricos, e Brasil, pelos emergentes, é promissora, geopolítica.

    (05:40:46) luiz: O F 18 Hornet ja foi testado varias vezes em combate e é mais barato. Porque comprar o Rafale que nunca entrou em combate ?

    (05:42:04) eliane cantanhede: Luiz: porque esse é apenas um dado entre muitíssimos outros em questão. O F-18 tem suas vantagens, o Rafale tem as dele, até o Gripen, que ainda é virtual, também tem. A soma de vantagens e desvantagens é que importa

    (05:42:05) alexandre: Boa tarde Eliane, uma coisa que me deixou pasmo foi que o presidente Sarkozy encarou uma viagem longa para ficar menos de 24 horas no Brasil, faz um pronuciamento conjunto com o presidente Lula, Celso Amorim confirma a opção pela França para no dia seguinte nada estar decidido. Ninguém se atreveu a tentar moderar o ímpeto do governo?

    (05:43:13) eliane cantanhede: Alexandre: são essas coisas que acontecem no governo, impetuosas, voluntaristas. Mas não se esqueça que o Sarkozy viria de qualquer jeito, para assinar o pacote de 8,5 bi de euros de submarinos e helicópteros.

    (05:43:21) MARCIO: Boa tarde. Com relação aos aviões, de quantos caças o brasil dispõem hoje e é verdade que a reforma nos caças F5 superou as expectativas?

    (05:44:41) eliane cantanhede: Marcio: não importa quantos caças o Brasil tem hoje, porque o fato inegável é que estão obsoletos, caindo (espero que não literalmente) pelas tabelas. Quanto aos F-5, não sei se a reforma foi esse sucesso todo.

    (05:44:46) jmgarcia: Eliane, quem é ligado a area de defesa já antecipava a preferencia pelo Rafale. Mas setores da FAB defendem o F-18. Não seria melhor esperar o resultado da análise da FAB?

    (05:46:41) eliane cantanhede: jmgarcia: o erro básico dessa história toda foi esse, o de by passar todo o trabalho de um ano e meio da FAB e anunciar a decisão sem nem sequer esperar a conclusão. Horrível. Mas,por precisão, quem antecipou a preferência pelos Rafale foram Lula, em entrevista ao Le Monde, e o Jobim, que várias vezes admitiu a preferência. Aliás, fui à França com o Jobim e o comandante Saito, no ano passado, e desde então a preferência é clara.

    (05:46:45) Teresa: Eliane, eu já concordei que não faz sentido essa compra, e que está na cara que foi favorecimento para o Sarkozy, um negócio de cartas marcadas. Vc acha que por causa do mal estar diplomático que gerou com os USA e com a Aeronáutica pode inviabilizar o negócio? E na verdade, estamos precisando de equipamentos de guerra, ainda por cima desatualizados? Vc sinceramente acha que o Brasil pensa em usar isso para alguma coisa?

    (05:48:47) eliane cantanhede: Teresa: por partes. Causou mal estar, sim, mas não a ponto de melar tudo. E, quando se fala em "usar", é preciso saber do que se fala. Não vamos precisar, pelo menos tão cedo, de atacar ninguém. Mas precisamos mostrar que temos condições de nos defender, temos pilotos bem treinados, temos tecnologia e equipamentos. E ainda vamos vender para os vizinhos e para a África.

    (05:48:57) brasil: Olá boa tarde! A escolha dos caças franceses nao seria um equilibrio de forças,na America do Sul pois os EUA equipam a Colombia, os russos a Venezuela,e os franceses o Brasil ?

    (05:49:34) eliane cantanhede: Brasil: Faz todo o sentido. Isso pesa muito no cálculo pela França.

    (05:49:37) DesconfiadoCidadao: Ouvi dizer que a Rússia possui o melhor de todos os caças (Sukoi), mas que não entrou na FX2, por se sentir 'traída' na FX1. O que você sabe sobre isso?

    (05:50:30) eliane cantanhede: DesconfiadoCidadao: o que acabei de dizer um pouco acima: os Sukhoi não transferiam tecnologia e tinham uma logística caríssima. Apesar de serem excelentes.

    (05:50:38) JeanPaulínia: Olá! Pergunta: - Claro que um negócio destes não é fechado na hora são anos de negociação, mas o fato dele ter sido assinado e divulgado agora teria a ver com o acordo do governo colombiano para a construção de uma base americana na Colômbia?

    (05:52:00) eliane cantanhede: JeanPaulínia: Não, não tem nada a ver uma coisa com outra. O FX-2 foi lançado em abril do ano passado, com prazo previsto para terminar entre setembro e outubro mesmo. O Brasil não gosta das bases dos EUA na Colômbia, mas uma coisa não teve nada a ver com a outra.

    (05:52:01) Zé Brasil: Boa tarde. Sra Elaine, vc não acha que o Governo LULA deveria também apresentar um pacote de reestrturação da carreira militar que está com os salários achatadíssimos. Pois vc não acha que para pilotar caças, helicopteros e submarinos caríssimos com salários baixos e pessoal desmotivado é perigoso???

    (05:52:55) eliane cantanhede: ZéBrasil: Já houve dois pacotes de reestruturação salarial da área militar. Ainda é pouco? Ok. Mas é melhor do que era.

    (05:53:20) Paulo: Eliane, corre o risco de a América do Sul entrar em uma corrida armamentista?

    (05:54:30) eliane cantanhede: Paulo: essa é uma grande discussão nos meios acadêmicos, nos jornais, nas áreas de inteligência dos países. Na minha opinião, está entrando sim. Ou, como me disse uma autoridade da Espanha, "a lógica armamentista está chegando à região".

    (05:54:52) Alexandre: Boa tarde, Eliana, sabemos que o projeto para modernização das forças se arrasta a decadas. Você acredita que o avanço de uma esquerda mais radical na america latina pode ter contribuido para este anúncio de compra de armamente significativo para a região como demonstração de força regional?

    (05:56:24) eliane cantanhede: Alexandre: potência que é potência se arma, e o Brasil tem esse sonho de ser potência regional. Não poderia ficar parado, vendo a Venezuela, a Colômbia, o Peru, o Chile, todos se armando. Mas, de qualquer forma, o fato é que os equipamentos estão mesmo um lixo. A renovação viria mais cedo ou mais tarde, em qualquer circunstância.

    (05:56:43) Zé Brasil: Boa tarde. Sra Elaine, vc não acha também que com esta divulgação precipitada da preferência pelos franceses o Governo LULA desprestigiou mais uma vez os chefes militares passando por cima da opinião deles que é mais técnica??? VC não acha que LULU devia acatar o parecer dos militares sobre o assunto???

    (05:58:32) eliane cantanhede: ZéBrasil: não foi a primeira vez. Lembra da crise aérea, que durou um ano porque o Lula desautorizou o comando da Aeronáutica e tratou motim militar como greve sindical? Mas não acho que o Lula deveria acatar simplesmente o parecer militar na compra dos caças, porque isso envolve questões geopolíticas, diplomáticas... E é assim em todo lugar do mundo.

    (05:58:48) dario: Eliane, o Brasil com esses caças e seu poder bélico está preparado para uma possível invasão a nossa soberania?

    (06:00:32) eliane cantanhede: Dario: difícil dizer. Comparados com o poderio militar dos EUA, do Reino Unido, da própria França, os nossos futuros caças ainda são bem poucos e simples. Já no caso do submarino de propulsão nuclear, a ficar pronto em 2021, aí, sim, o Brasil estará entre os 7 do mundo com capacidade de produção. Estamos avançando, mas não ainda para enfrentar os buldogs.

    (06:00:34) PT-RJ: Em que pé estão os AMX da Força aérea? Ainda estão em boas condiçõees de uso?

    (06:01:13) eliane cantanhede: PT-RJ: O problema é todo esse: a frota está obsoleta, inadequada, precisa mesmo ser renovada.

    (06:01:17) deolho: Havendo a corrida armamentista na América do Sul, o Brasil (principalmente com esta compra do caças) estaria em vantagem com relação aos países vizinhos?

    (06:02:20) eliane cantanhede: dolho: provavelmente, sim, mas eles continuam com projetos de compras também.

    (06:02:22) Marii: Sr. Eliane, com tantas pessoas desempregadas, e o Brasil com um enorme probleam social, não seria ignorancia da parte do Lula aceitar comprar esses recursos da França, "só pra inglês ver" ?

    (06:03:27) eliane cantanhede: Marii: esse tipo de indústria é empregadora e geradora de conhecimento. Irradia para vários outros setores. Até a internet, por onde estamos falando, é resultado de pesquisas na área bélica.

    (06:03:37) river: Boa tarde Eliane. A justificativa para tanto investimento nao pode ficar atrelado somente a pre sal e amazonia, temos hoje as maiores reservas de agua potavel do planeta, reservas minerais abundantes e ainda a serem descobertas sem contar a maior área para expansão agricola do mundo. Tudo isso também poderia justificar todo esse investimento militar? que voce acha disso?

    (06:05:04) eliane cantanhede: River: com certeza, até porque a água é um dos fatores crescentes de cobiça mundial. O Brasil é um país continental, com fronteiras imensas e riquezas exploradas e ainda a serem exploradas enormes. Como o urânio, por exemplo...

    (06:05:23) axe: Por que o Brasil não poderia formar esquadrilhas com aviões de variada procedência?

    (06:05:58) eliane cantanhede: axe: porque isso não gera tecnologia, capacitação de gerenciamento, treinamento adequado de pilotos.

    (06:06:12) Wolfgang: Eliane, o contrato dos submarinos é mais vultuoso e um sub nuclear é fator disuassório bem maior que 36 caças, tendo em vista que pode trancar o atlântico Sul com sua presença. Na sua opinião, porque o contrato dos subs não foi tão questionado e compra dos caças o foi?

    (06:07:17) eliane cantanhede: Wolfgang: os dois projetos têm sido questionados, mas as respostas são convincentes. No caso dos submarinos, houve uma pressão enorme dos concorrentes alemães, via imprensa. Aliás, ainda há.

    (06:07:27) rogerio: A Costa Rica nunca precisou de forças armadas e tem uma relação por vezes complicada com seus vizinhos.Porque nós? estará de volta a velha hipótese de conflito nas fronteiras? agora com quem?

    (06:09:01) eliane cantanhede: Rogério: a Costa Rica é o máximo! Bem, mas a verdade é que nunca se sabe o dia de amanhã. O Brasil tem muitas riquezas. Certamente, riquezas cobiçadas. Mas, bem, gente, preciso ir escrever. Tenho muito trabalho para fazer ainda hoje. Um abraço a todos e obrigada pela presença e pelas excelentes perguntas.

    (06:09:10) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Eliane Cantanhêde e de todos os internautas. Até o próximo!

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