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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Daniel Azulay - 24/06/2009 às 17h00

Há 30 anos dedicando a carreira ao desenvolvimento da arte e à educação de crianças e jovens, ilustrador tecla com internautas a convite do portal "Virgula". Além de comentar o sucesso dos programas "Turma do Lambe-Lambe" (Rede Bandeirantes e TV Educativa) e "Oficina de Desenho" (Band-Rio) nas décadas de 70 e 80, o também músico e escritor, precursor em criar brinquedos com sucata doméstica, fala sobre as 14 "Oficinas de Desenhos" que possui e sobre o projeto social gratuito "Crescer com Arte". Atualmente o educador e artista plástico marca presença na "TV Rá-Tim-Bum" (Cultura).

  • Leia entrevista com o desenhista
  • "Algodão Doce Pra Você" de Daniel Azulay na UOL Megastore; compre
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  • Participaram do Bate-papo 366 pessoas


    (05:12:10) Daniel Azulay: Que bom estar aqui com vocês...

    (05:13:38) Daniel Azulay: As esculturas em bexiga chamava-se "Bolamania, você sopra, você cria". Não sei quantas bolas eu soprei, mas sei que eu trouxe para o Brasil as esculturas com bolas. O evento Bolamania inaugurou os principais shoppings centers do Brasil. Só no Barra Shopping foram 80 shows seguidos, depois fomos aos shoppings da rede e outros shoppings também. No início dos anos 80 a indústria de shoppings centers estava florescendo e eu inaugurei os principais com este evento.

    (04:56:36) cocota: boa tarde, daniel! em quem se inspirou pra criar os personagens da turma do lambe-lambe? alias, se inspira em quem/oq pra criar personagens?

    (05:15:37) Daniel Azulay: cocota, cada personagem da Turma do Lambe-Lambe tem uma faceta da minha personalidade. Sou geminiano então realmente tenho muitas facetas. Os principais personagens como o prof. Pirajá vieram primeiro. Aí ele não podia ficar sozinho então criei uma secretária, cozinheira e cobaia das pesquisas, porque ele é um pesquisador, que é a galinha Xicória. Depois a vaca Gilda que é uma espécie de Carmem Miranda, uma prima-dona solitária e muito romântica. Aí ela tem o namorado Bufunfa que é um elefante que contracenou nas tirinhas em quadrinhos. Depois vieram as crianças, Ritinha, a Damiana, o Pita e o palhaço Tristinho que é a minha paixão pelo circo. Eu coleciono tudo sobre circo. Hoje o circo ficou muito reduzido ao Cirque Du Soleil, mas eu fiz um especial para a Band nos anos 80 todo ambientado no Circo Garcia que foi um dos circos mais tradicionais do Brasil. Tem livros sobre ele, enfim, ele já acabou, fiquei muito triste quando ele faliu. Enfim, eu vivenciei muitas coisas bonitas do universo das crianças na televisão. E o nome Turma do Lambe-Lambe vem do fotógrafo da praça que lambia as cópias no tempo antigo dos meus avós. O fotógrafo lambe-lambe com aquela caixa com tripé que tira fotos dos casais de namorados na praça, fotos para documentos, pouca gente deve conhecer o que é uma máquina lambe-lambe. Por exemplo, a Ritinha tem um laçarote grande na cabeça, isto eu tirei de uma foto da minha mãe aos cinco anos. Os personagens foram criados para tiras em quadrinhos, então é muito interessante criar roteiros para uma tira que tem princípio, meio e fim. E tem uma situação engraçada. É um grande exercício de imaginação. Dei palestras em São José dos Campos em um congresso de histórias em quadrinhos explicando este time que é muito parecido com o comercial de televisão em que você tem um minuto ou 30 segundos para contar uma história e vender um produto. Durante quase dez anos desenhei quadrinhos para jornais e a Turma do Lambe-Lambe começou nos quadrinhos e depois foi para a televisão.

    (04:56:37) carola: oi, gostaria de saber como funciona o projeto crescer com arte? quem pode participar?

    (05:20:46) Daniel Azulay: carola, dando uma rápida descrição do que o projeto Crescer com Arte, ele nasceu de com um projeto gratuito de educação artística para crianças e jovens em situação de risco social. Crianças de comunidades carentes, favelas, fundações, de qualquer instituição de menores. Nasceu no ano 2000 quando eu divulgava fundações e institutos de menores em meu programa na Band-Rio que era um programa independente e regional, só passava no Rio de Janeiro. Eu recebi um prêmio por dedicar 15 minutos do programa a projetos sociais. Qualquer instituição, uma delas que foi mais divulgada foram as Aldeias Infantis SOS. Não sei se todo mundo sabe, aldeia não tem nada a ver com índio, mas é um condomínio, um ambiente onde tem a mãe social e reproduz o núcleo familiar. A função de mãe social é registrada no Ministério do Trabalho e ela faz o papel da mãe na família. As crianças ficam até os 18 anos. Resumindo, este trabalho das Aldeias Infantis SOS nasceu na Áustria no final da Segunda Guerra Mundial pelo grande número de crianças órfãs na Europa que precisavam recuperar a família para receber uma educação. Aqui no Brasil existem 40 núcleos das Aldeias Infantis formando profissionais liberais, médicos, advogados, digamos que com um padrão internacional em assistência social para menores, para crianças. E eu recebi um prêmio do Instituto Kanitz pelo trabalho com as Aldeias Infantis SOS, fui indicado por elas. Mas também ajudei a Fundação São Martinho que trabalha com meninos de rua no Rio de Janeiro, o HemoRio com campanhas de sangue, prevenção de acidentes com o Instituto Brasileiro de Pediatria e uma série de campanhas como a da Casa Ronald para crianças portadoras de neoplasia. Então o Crescer com Arte é um projeto que tem todo o descritivo dela na internet no site: www.danielazulay.com.br, no site tem o e-mail para receber mais informações. Este projeto está inscrito na Lei Rouanet ou é oferecido pelas prefeituras. A prefeitura do Rio de Janeiro fez na zona oeste, nas zonas culturais. Entrou em Pindamonhangaba e em Mogi das Cruzes com apoio da Aços Villares que foi absorvida pelo Grupo Gerdal, mas que continua prestigiando e mantendo o projeto. Como o projeto é gratuito para as crianças ele é inscrito pela Lei Rouanet que permite a dedução de impostos para a atividade social, então a instituição pode requisitar uma empresa que destine recursos deste projeto. Pode se comunicar pelo site ou pode se inscrever para ser beneficiada em determinada região. É um projeto itinerante e segue muito a região da empresa que a beneficia, ela é que indica a área.

    (05:22:35) Daniel Azulay: São 14 unidades do projeto Crescer com Arte. A Oficina de Desenho Daniel Azulay na Vila Burguesa está completando 20 anos. É uma rede de unidades franqueadas que começou com o meu desejo de fazer com que existisse um curso que não existia quando eu era pequeno. Eu sou autodidata. Minha formação é de bacharelado em direito, meu pai quis assim, não sossegou enquanto eu não estivesse formado e ainda trabalhei por três anos em seu escritório de advocacia. Eu comecei a desenhar quando entrei no colégio, tive a maior dificuldade de passar de ano porque eu vivia mais desenhando do que estudando. Era tão forte o desejo que eu nem saia para o recreio e ficava na sala. Minha mãe não entendia, assim como os professores, pois eu era um aluno diferente dos demais, eu era muito bem comportado e disciplinadíssimo. Eu não saia para o recreio para ficar desenhando, não parava nem para comer, vivia em meu mundo. Então foi difícil passar de ano, fazer provas sem prestar muita atenção, sem fazer o dever de casa, em casa eu continuava desenhando também. Então depois concluir o curso de direito que me dediquei com muito idealismo ao que eu faço, eu adoro desenhar.

    (05:15:47) Geovanna/UOL:

    Daniel Azulay relembra a "Turma do Lambe-Lambe" e os principais momentos de sua carreira; o artista plástico participa do Bate-papo UOL com Convidados a convite do portal "Virgula" (crédito: Flavio Florido/UOL)

    (04:56:48) bafon: olá, daniel! cantei mto "algodao doce" na vida, rsrs... e seu lado compositor? como tá?

    (05:24:54) Daniel Azulay: bafon, uma curiosidade, o primeiro programa de televisão que fiz para crianças foi para uma TV chamada Guanabara que era um embrião da TV Bandeirantes no Rio de Janeiro. E a TV Guanabara não aconteceu. Levou um ano, fiz o programa, gravei pilotos e fiquei muito frustrado por achar que nunca iria fazer televisão porque o programa que eu havia feito para esta TV não acontecia e achava que o problema era comigo. Mas a emissora não estava estruturada ainda. Isto é até uma lição, muitas vezes nós deduzimos que as coisas não irão acontecer achando que é um problema pessoal, mas não é, às vezes não é o momento certo, às vezes é a estrutura, são os outros e não você. Então quando comecei a fazer tudo de novo na TVE eu não fui, mas tanto que insistiram que o programa feito lá não ia para o ar, o programa estava pronto e eles não anunciavam a inauguração. Aí que eu fui saber quatro meses depois que o programa não tinha música. A emissora não tinha como cobrir os direitos autorais das músicas indicadas. Aí ficou um impasse. Eu tinha uma música chamada "Algodão Doce" e foi assim que eu passei a compor e durante os dez anos do programa passei a gravar um disco por ano. Então passei a atuar também como compositor. Trabalhar com crianças é gratificante porque você pode se multiplicar, pode-se criar quase de forma infinita, por mais que se faça sempre tem coisas novas que você pode fazer. Isto foi um prêmio que eu recebi por ter me dedicado às crianças e agora com mais de 30 anos.

    (04:57:57) carola: daniel, soube q vc tem um trabalho bacana de arte contemporânea. queria sber se é relacionado ao público infantil também e onde eu posso ver suas telas

    (05:26:41) Daniel Azulay: carola, tenho uma galeria virtual em meu site (www.danielazulay.com.br/contemporaryart). Está em inglês para o mercado internacional. A arte contemporânea é para adulto com o imaginário infantil. Tenho temas infantis misturados, tenho colecionadores adultos e jovens na faixa dos 30 a 35 que assistiam ao meu programa. Então fico muito feliz de ver que a minha inspiração de criança, de meu trabalho com o público infantil continua a crescer e a se multiplicar em uma nova linguagem. A arte de galerias, a arte contemporânea é fascinante porque não tem fronteiras, é uma língua universal.

    (04:57:55) juca: vc esta no ar em alguma tv aberta ou só no futura e ratimbum?

    (05:27:57) Daniel Azulay: juca, eu estou no almanaque da TV da Ediouro, no almanaque dos Anos 80 em que registram este momento da televisão brasileira. E que influenciou uma geração inteira. Então comentei na Ediouro que queria ter um livro inteiro sobre o meu trabalho, pois já tenho 30 anos de trabalho. Então este livro deverá sair em meados do ano que vem na Bienal do Livro. E tem uma rede de televisão aberta me sondando pensando em fazer um programa para as crianças e jovens de hoje.

    (04:59:02) malu: vc foi um dos 1os a fazer brinquedos com sucata e brincadeiras mais educativas na tv. como ve os programas infantis atualmente?

    (05:29:57) Daniel Azulay: malu, fazendo um paralelo, venho de uma época em que não havia computadores e fazia os programas de televisão de uma câmera só e com um mínimo de recursos. É coisa de doido. Assim eu estava buscando uma linguagem que buscava o raciocínio das crianças e uma palavra hoje tão comum que é a interatividade, multimeios para sensibilizar o espectador para construir e trabalhar a coordenação motora fazendo brinquedos com material reciclado. Não se falava em reciclagem. Na época não existia videogame então eu divida a tela com quatro caricaturas minhas sendo que só uma tinha gravada borboleta e fazia uma bolinha circular para pousava no número 1, 2, 3 ou 4. E tinha um reloginho, assim as crianças podiam jogar em casa. Isto era o embrião do Nintendo, do Sega, do videogame. Uma tela para brincar com o seu raciocínio e competir, porque as crianças adoram jogar, adoram testar a habilidade, o reflexo visual e o raciocínio.

    (05:06:20) Enio_40: boa tarde Daniel. É sempre um prazer recordar os tempos de criatividade na tv ! Brinquedos e brincadeiras simples. Como competir hoje com vídeo game, internet, mundo eletrônico "sem perder a ternura jamais" ?

    (05:33:18) Daniel Azulay: Enio_40, é um prazer saber de seu interesse. Tem perdas e ganhos. Falando dos ganhos, hoje a criança tem muita informação, rapidamente ela vai turbinar o seu desenvolvimento e aprendizado com informações que facilitam correlacionar idéias, correlacionar fatos, saber que uma coisa pode estar em função de outra, assim desenvolver a sua inteligência. Uma das características da inteligência é a capacidade de associar. Hoje as coisas têm tantas funções como o celular. E as crianças vão virando multitarefas, um pouco o canivete suíço. As perdas são o acesso a tudo o que existe de ruim, as informações nocivas como crime, drogas, desvios, perversões e sexo doentio como a pedofilia. Ou seja a informação não autorizada, inclusive o hacker do crime que usa a inteligência para clonar cartões de crédito. Mas isto irá sempre existir, é um risco natural e todos nós nascemos com o arbítrio, com a capacidade de decidir. Por isso que o elemento mais importante na educação é transmitir a responsabilidade, isto reflete no trabalho, na segurança, na saúde. É uma coisa legal que te abre os caminhos para você viver em segurança.

    (05:36:11) Daniel Azulay: Sobre os programas infantis atuais: Eu não gosto de criticar programas. Jornalistas me perguntam muito isto. Quem tem que dizer é o público infantil que vê. Pois parece que estou afirmando que o meu programa daquela época era melhor, mas não acho nada. Cada época, cada contexto tem o seu programa e os programas de hoje são ótimos, estão voltados inclusive para uma linha de montagem que é uma herança do passado. As emissoras abertas gostam de fazer sessão desenho que é um apresentador que é qualquer pessoa faz a costura de um desenho para outro e de repente para e chama um comercial ou levanta um produto. É uma fórmula gasta, mas funciona porque as emissoras precisam de desenho animado e têm uma estratégia de vender produtos licenciados com as caras dos bonecos que aparecem na TV. Muita gente não sabe, mas os desenhos vêem de graça porque os detentores dos direitos dos desenhos ganham e muito bem vendendo produtos. Mas para o produto vender na loja, digamos a lancheira do Garfield ou do Pokémon, eles tem que estar na tela. A venda é emocional, eles vêem na televisão e pedem para os pais comprarem. E a criança fica muitas horas com esta lavagem cerebral. A televisão é uma concessão do governo, a programação não pertence às emissoras, o governo é quem detém e deveria impor regras. No Canadá ou no Japão tem horários em que não pode anunciar. Tem que ter uma grade determinada e voltada para a educação construtiva, para o conhecimento profissional para preparar o espectador para o futuro. Ele irá ser um adulto. Então é um desperdício de tempo. Sei que é um pouco utopia o que estou no falando neste Brasil que conhecemos e com tantos problemas básicos como censura, linguagem e a começar pelos políticos. Infelizmente o pior exemplo vem da classe política. Falando positivamente, os canais a cabo transmitem Animal Planet, Discovery, Mister Maker e Art Attack que são maravilhosos. Fiquei muito honrado quando disseram que o Art Attack é um Daniel Azulay da BBC, pois faz coisas parecidas com os brinquedos dos anos 70.

    (05:15:55) elaine: daniel, puxa eu cresci vendo você desenhar, é emocionante estar aqui e lembrar que meu quadro preferido era do desenho oculto, obrigada por vc fazer parte da minha infancia

    (05:36:28) Daniel Azulay: elaine, que bom, mas se chamava Pincel Mágico.

    (05:17:16) Clark: Eu lembro quando foi inalgurado o Plaza Shopping em Niterói, Daniel fez uma apresentação lá. Eu era muito fã do seu programa! Algodão doce , filuil , pra vocês!!!

    (05:37:18) Daniel Azulay: Clark, algodão doce para vocês... eu faço para não esquecer. No Plaza foi a maior lotação de dia das mães no estacionamento da história do shopping. Foi Bolamania combinado com shows. E o show de shopping não é como o lugar do teatro em que as pessoas assistem e depois de uma hora vão embora. Lá travava tudo, os pais brigando que queriam olhar, as crianças ficavam atrás de adultos que não as deixavam verem.

    (05:19:40) Birigüense: Daniel, como era feito o truque daquela Lousa Mágica? Eu pirava naquilo quando era criança!!!

    (05:38:22) Daniel Azulay: Birigüense, o segredo do Pincel Mágico
    em que o pincel ia revelando parte da imagem. Uma vez eu peguei um avião na ponte aérea e me chamaram na cabine do piloto para eu dizer este segredo. Mas era asa de lagartixa e tinha um componente que o prof. Pirajá não me deixa revelar. É como a fórmula da Coca-Cola, não pode falar todo. Então o segredo é uma tradição, ele permanece.

    (05:25:45) Leitora: Qual é a sua postura diante dos desenhos e livros violentos que levam as crianças e pensarem a agirem com violencia nos dias de hoje bem diferente dos desenhos senssatos de antigamente ?

    (05:41:13) Daniel Azulay: Leitora, Tom e Jerry era violento, mas era água com açúcar perto de um game de destruição ou de serial killers que tem níveis mórbidos. Tenho até vergonha de falar, mas tem jogos de atropelar mulheres grávidas. Isto é doentio. São coisas mórbidas, de humor negro, são coisas proibidas. É muito triste. Mas a questão da violência que sempre irá existir na indústria de entretenimento, os filmes de ação são sinônimos de explosão e de sequestro, sempre tem muito sequestro em que tem que resgatar alguém. A minha opinião não é que deformem as pessoas. Mas concordo com a idéia de que uma criança mal formada, abandonada pelos pais, por exemplo, em que o pai é colecionador de armas, que está caminhando para um desvio devido a um problema ou por comportamento ou TOC e ela só vê filmes assim, com certeza irá ter ali uma influência altamente negativa. Pois uma coisa irá se somar a outra, ela precisa daquilo para reforçar aquele espírito negativo de destruição. Também sou contra estas camisetas mostrando cães mostrando os dentes, de ódio, mostrando caveiras. São tantas mensagens de ódio ao próximo. Será que se uma pessoa com este ódio ao próximo estiver em uma situação em que precisa da solidariedade do outro, se estiver se afogando com aquela camisa gostaria de ser abandonado, não gostaria que o outro ajudasse? Como uma pessoa ao invés de ter uma atitude pacífica e fraternal se posiciona sem conhecer o outro com uma mensagem que agride o próximo? Pois está agredindo o outro, quando leio isto me sinto agredido, ele está com ódio de mim. É a mesma coisa que ao olhar uma pessoa rosnar para ela como um cachorro rosna para o outro, não somos animais. E as camisetas não devem ter comportamentos assim.

    (05:43:29) Daniel Azulay: Sobre os resultados do projeto Crescer com Arte: Este projeto é voltado para crianças carentes. E os desenhos refletem o ambiente em que vivem. Primeiro são as siglas de grupos organizados como o Comando Vermelho, PCC, dependendo da região onde vivem. Eu fiz uma oficina de artes em praça pública em Angra dos Reis, de frente a baía para a fundação Carlos Borges e fiquei triste de ver uma área paradisíaca e com uma imensa favela no porto de Angra em que os desenhos são de metralhadoras AR-15. Pensei que fosse uma área nativa, tradicionalmente colônia de pescadores, mas já estava contaminada pela violência da cidade grande. A favelização parece que incorpora isso, a venda de drogas, a boca de fumo consentida que começa a ter lá começa a absorver as crianças e elas desenham esta realidade. Depois temos que fazer um trabalho para recuperar. Eu consegui em minhas oficinas gratuitas do projeto Crescer com Arte que as crianças começassem a desenhar natureza, fundo do mar, viagens interplanetárias, a desenhar a vida sadia e construtiva que lhes proporcionará um futuro.

    (05:45:35) Daniel Azulay: Sobre o desenho como forma de terapia: Nestes primeiros dez anos da Oficina de Desenho Daniel Azulay tive uma surpresa ao perceber que vários alunos eram encaminhados por terapeutas. Isto acontece por dois motivos, primeiro que as crianças se sentiam bem, gostavam, a aula é grátis, não precisa pagar, depois se quiser continuar nas unidades franqueadas podem se inscrever e fazer a matrícula. Até já demos bolsas para crianças com casos especiais, que tinham sofrido traumas tão violentos na família, órfãs. Os terapeutas recebem os desenhos depois desta experiência na oficina para analisar e comentar com os pais ou com os tutores para ver como estão se adaptando a um trauma tão forte. O que os terapeutas e psicanalistas infantis dizem é que a criança no consultório não verbaliza, ela não fala, não consegue expressar em palavras o trauma, mas no desenho elas conseguem se expressar, elas conseguem refletir no desenho o que estão sentindo. Por isso que desenhar na infância é tão importante. Criança que desenha não passa a infância em branco. Os pais podem acompanhar o seu desenvolvimento, ela melhora o equilíbrio emocional e a sua auto-estima. E estas crianças com apoio de terapia têm uma melhora muito sensível, convivem com suas inseguranças de uma forma muito mais positiva.

    (05:46:15) Geovanna/UOL:

    Artista plástico e educador fala sobre a apresentadora mirim do SBT Maisa; Daniel Azulay participa do Bate-papo UOL com Convidados a convite do portal "Virgula" (crédito: Divulgação)

    (05:25:49) Janete: Daniel, o que vc acha da Maisa?

    (05:48:48) Daniel Azulay: Janete, ela é um produto da televisão, nos ano 40 tinha uma Maisa no cinema que conquistou o mundo, chamada Shirley Temple. Ela tinha sete anos e era um prodígio. Dançava, sapateava e representava em pé de igualdade com as maiores estrelas de Hollywood. Depois do final da guerra, com o mundo destroçado e querendo entretenimento ela encantou a vida das famílias. As pessoas sentem a ternura, mas quem olhar um pouco mais em profundidade perceberá a manipulação e o adestramento. Na época em que havia muitos conjuntos infantis a revista Veja fez uma denúncia sobre crianças amestradas, eram crianças que cantavam em playback e davam tchau, elas dublavam apenas como macaquinhos treinados que repetem as mesmas ações e depois passam a canequinha. Tirando o lado artístico, pois muitos conjuntos foram muito bons, é sempre delicado este relacionamento dos pais que empresariam os seus filhos. Até que ponto as crianças estão deixando de estudar ou estão sendo jogadas em um círculo de compromissos. A Shirley Temple foi uma adulta inexpressiva, nunca mais representou, aquilo foi só quando criança. Ela acabou reprimindo de alguma maneira ou então tivesse o sentimento de infância roubada, pois não pôde ter a infância que as amigas viveram. A infância é a fase mais linda e necessária para construir uma vida adulta equilibrada emocionalmente. Então se você vira adulto muito cedo na fase adulta irá sentir falta de cumprir estas etapas.

    (05:27:48) Clau: Daniel, já pensou em fazer um programa de TV educativo pela internet?

    (05:51:34) Daniel Azulay: Clau, já fiz tantos pilotos, sou um artista de crianças sofrido. Eu adoro, mas a televisão é uma coisa muito trabalhosa. Não conheço a TV como é feita na Globo, digamos, que tem tudo. E como será na internet? Fiz dois especiais de final ano para o canal Futura. A televisão para criança hoje está muito mais difícil, pois precisa de efeitos especiais, modelagem digital, em que atores contracenam com personagens com vida. E isto tudo é caro de se produzir. Adoro os desenhos da Pixar. O Shrek também é exemplar, a técnica é boa. Mas os roteiros, os enredos dos filmes da Disney são imbatíveis. Embora tecnologicamente todos estejam se nivelando.

    (05:25:57) Fã do Azulay: Olá Azulay,... tudo bem? Quantas saudades dos seus personagens!!! o Pita, a Chicória, o Prof. Pirajá...... eles ainda existem amigo?

    (05:52:01) Daniel Azulay: Fã do Azulay, estão na TV Rá-Tim-Bum desde outubro do ano passado. No mês das crianças fiz um grande show com a Turma do Cocoricó para quase 10 mil pessoas no Shopping Nova América no Rio de Janeiro. Fico feliz de ter estes amigos galináceos. É muito bom.

    (05:26:40) Cohen: Daniel Azulay, primeiramente cresci assistindo você na TV nos anos 80. Desde então fiz uma longa pesquisa sobre sua vida, e sobre seus ancestrais. Inclusive descobri o que significa seu sobrenome AZULAY. O sr reconhece o significado do seu sobrenome? Tem conhecimento de suas origens antes da chegada ao Brasil?

    (05:53:20) Daniel Azulay: Cohen, Azulay é um acróstico de um rabino cabalista da Idade Média. Todas as letras são virtudes. É um nome que tem na Espanha. Meus avós vieram do Marrocos, meu avô é marroquino, a minha avó é espanhola, a minha mãe é portuguesa e o meu pai nasceu em Curitiba. Então tenho uma ótima combinação ibérica, brasileira e lusitana.

    (05:30:03) Marcelocalo: como faço adquirir fotos da turma do lambe-lambe,pois não acho pela net e gostaria de fazer uma festa temática para a minha afilhada

    (05:54:28) Daniel Azulay: Marcelocalo, quando eu estava na TV Educativa e na Bandeirantes eu cheguei a ter cem produtos licenciados. Então o marketing integrado está associado ao programa. Em meu site (www.danielazulay.com.br) você encontrará fotos, também nas oficinas de desenho e pela assessoria de imprensa (021 2611-6212). Ligue para este número que a assessoria de imprensa te enviará uma foto bem legal.

    (05:33:26) Carolina: vc ainda acredita na educaçao do nosso pais ja q o sistema educacional esta cada vez mais precario?

    (05:56:13) Daniel Azulay: Carolina, tenho que acreditar no Brasil e tentar embutir na educação a saúde, a educação do trânsito. O Brasil tem um problema, tem dimensões continentais e que já perdeu o controle do crescimento populacional o que gera os problemas urbanos. O Brasil é o país do futuro e que espero que um dia seja o país do presente. É um grande país que merece investimentos do mundo inteiro. Tem território, reservas energéticas, minerais. É abençoado por Deus e acredito que a educação acompanhará este crescimento.

    (05:36:16) Piparote: Daniel, quando você vai lançar um almanaque contando sua história?

    (05:57:43) Daniel Azulay: Será lançado em 2010 pela Ediouro. Estou prevendo um ano escaneando muita coisa, ingresso do Canecão, foto com a princesa Anne da Inglaterra, com o Pelé, o Cazuza no programa. E um DVD porque um livro sobre televisão e um artista multimídia como sou tem que ter, não basta apenas ler e ver figuras.

    (05:35:44) Anderson: Daniel,e co''driblar'' a internet,uma ferramenta muito pratica pra adquirir informacao,que nos passa as coisas praticamente ''mastigadas''.como estimular essas criancas q tem essa ferramenta tao util?

    (05:59:03) Daniel Azulay: Anderson, você diz que ao fazer deve de casa copiar, este mundo pronto em que se corta caminhos, este mundo pronto em que às vezes até anula a prova. Em que em vez de estudar pelos livros, raciocinar para aprender uma matéria em profundidade nos livros se pega uma sinopse. É mais uma das coisas ruins em que se usam para o mal, correm riscos. Isto é ética, meu pai me ensinou que não tem meio honesto. Ou se faz as coisas direito ou errado. Arbítrio é decidir. Mas temos a possibilidade de evitar isto tudo e de acreditar. Eu sempre faço direito, mesmo que não dê como eu quero, pois estou demonstrando que estou bem intencionado. O cinco anos em que fiz direito me ajudaram a entender culpa e dolo. Então tem que fazer as coisas direito. Tem que usar a internet de maneira sábia, para o bem, para aprender, para a inteligência. A maior parte das pessoas age direito.

    (05:36:59) Rogerin: O projeto de sua iniciativa recruta voluntários para atuar?

    (06:00:01) Daniel Azulay: Rogerin, sim, as oficinas de desenho têm propostas de pessoas para dar aulas. Entre em contato pela internet com as unidades associadas.

    (06:01:12) Daniel Azulay: Sobre as oficinas de mangá: Elas são um sucesso. Levei oito meses para desenvolver uma apostila com tudo o que diz respeito ao mangá. Considero o meu curso bem desenvolvido para ensinar mangá até porque os alunos sabem mais que os professores. Eles querem desenhar mangá para trabalhar em roteiros de anime ou de cinema, têm uma visão profissional.

    (05:38:18) thayane: já pensou em lançar uma linha de produtos artistico-didaticos?

    (06:01:37) Daniel Azulay: thayane, sou tão apaixonado por isso, tenho fotos de tantos produtos que foram lançados, brinquedos educativos. Fui pioneiro não só na sucata doméstica na televisão, mas nos primeiros CD-ROMs de língua portuguesa produzidos no Brasil. Foi o Oficina de Criação, depois fizeram o Caras e Bocas. Era bem avançado para a época.

    (06:01:39) Geovanna/UOL:

    "Algodão doce para você!", saúda Daniel Azulay; ilustrador participa do Bate-papo UOL com Convidados a convite do portal "Virgula" (crédito: Divulgação)

    (05:47:20) Deco: Daniel vc se lembra da histõria das hemacias que vc desenhava e contava

    (06:02:30) Daniel Azulay: Deco, não lembro muito, mas que bacana, falei sobre as hemácias, sobre colméia, abelhas, sobre saúde oral, dentição. Escolhia temas importantes para as crianças, para a saúde, alimentação. Temas positivos em que as crianças surpreendiam os pais. Então este deve ter sido um destes programas.

    (05:53:47) ggg: Você não acha que sair dessa febre de desenhos 3D é atualmente "inovar", ou melhor, sair do comum? Você acha que as crianças não engolem mais isso?

    (06:03:37) Daniel Azulay: ggg, engolem se bem feito. Aquele 3D de anúncio de dedetização é bem tosco. É melhor um desenho mediano em 2D do que um desenho de modelagem digital duro, robô, aquela múmia, é muito feio. Em 3D tem que ser muito bom. No Brasil temos o Cassiopéia que é um desenho pioneiro.

    (06:04:36) Daniel Azulay: Sobre os suspensórios, sua marca registrada: O Elton John tem uma coleção de óculos e eu tenho muitos suspensórios e gravatas, de todos os tipos. Também tenho uma gravata borboleta que roda e funciona a pilha.

    (06:05:23) Daniel Azulay: Agradeço esta possibilidade de estar aqui conversando e lembrando de como era bom aquele tempo. Mas não sou nostálgico, o tempo foi bom e hoje também está ótimo. Sou sempre otimista e vejo as coisas pelo lado melhor possível, cada dia que estamos aqui é uma bênção, uma maravilha. Vamos curtir e fazer as coisas que gostamos, assim fazemos tudo bem feito. Algodão doce para vocês.

    (06:05:20) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Daniel Azulay e de todos os internautas. Até o próximo!

    Hospedagem: UOL Host