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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Renato Borghi - 06/09/2006 às 18h00

O ator Renato Borghi falou sobre seu primeiro Shakespeare,

Ator, diretor e dramaturgo fala sobre a estréia do espetáculo "Timão de Atenas", em cartaz no no Teatro Popular do Sesi-SP. Em seu primeiro Shakespeare, Borghi conta com uma super produção que traz 16 atores, quatro instrumentistas que tocam ao vivo, e pelo menos outros 30 nomes que estão envolvidos no projeto, que fica em cartaz até 15 de dezembro.

(06:17:05) Renato Borghi: Tudo ótimo, a temporada está indo linda lá no teatro Sesi na Av. Paulista e a platéia está ótima, inteligente. Nunca teve um Shakespeare tão atual quanto esse. E eu nunca tinha feito um Shakespeare na minha vida, e eu resolvi encarar e vou ficar viciado.
(06:17:07) kris: Boa noite, Renato. Feliz com seu primeiro Shakespeare? Por que so agora resolveu montar um espetáculo dele?
(06:18:49) Renato Borghi: Kris, porque assim que eu sai do Teatro Oficina, 1972, eu estava resolvidissimo a fazer um Shakespeare, mas a Ditadura endureceu e nós tivemos que adotar o Teatro de Resistência e adiei os Shakespeares. E agora eu estou me sentindo bem para montar um Shakespeare. O desejo nunca morreu e sempre esteve latente em mim, várias peças dele eu tenho o desejo de fazer.
(06:18:49) caião: oi renato, tudo bem? quem mais está no elenco da peça?
(06:22:42) eliana: renato, fiz cursos com voc~e e tenho a certeza que não encontrarei alguém com a paixão e sabedoria pela arte de representar como encontrei em você. A peça foi indescritível, você é demais. beijos Eliana.
(06:24:31) Renato Borghi: Caião, tem muita gente inteligente. Vários diretores de teatro: Mauricio Paroni de Castro, o Marcelo Fonseca, Milton Bicudo, Pedro Vicente, e uma jóia que é o Renato Dobal, com quem eu trabalhei em vários espetáculos célebres do Teatro Oficina. Temos também a Regina França e a Guta, as únicas mulheres da peça. È uma peça maravilhosa, de um homem riquissimo que deseja montar uma comunidade humana. Ele quer fazer uma sociedade com pessoas top de linha da Grécia. Ele não se importa com dinheiro, ele esbanja em banquetes e presentes até que um dia o mordomo revela que ele está falido, mas ele acredita que os amigos vão socorre-lo, até todos os amigos saem fora, e ele estava totalmente enganado formando uma comunidade de milhonarios que se ajudam. Ai ele tem um acesso de compreensão do homem, da coisa quantitativa, de juntar por segurança, de passar por cima de qualquer valor para ter o dinheiro. Ai ele amaldiçoa o dinheiro e na segunda fase ele fala coisas muito pertinentes a nossa sociedade atual. Ele vai numa
(06:24:41) jane: Renato, você tb atua como diretor. O que prefere fazer dirigir ou atuar?
(06:25:47) Renato Borghi: Eliana, obrigado. Que bom "Se todos fossem iguais a você, que maravilha ser ator", mas graças a Deus todos tem gostado do espetáculo. Desde criança eu alimento essa paixão e desde o inicio da minha carreira eu nunca mais sai do palco.
(06:26:04) Adriana/UOL:
Divulgação

Esq/Dir: Luciano Gatti, Renato Borghi e Ariel Borghi em cena da peça "Timão de Atenas"

(06:26:10) Renato Borghi: Mas eu gosto muito de TV, gostei muito de fazer o Rui Barbosa em Mad Maria na Globo.
(06:26:25) Tigre: e peça é longa? quanto tempo?
(06:27:28) Renato Borghi: Jane, de longe atuar. Eu dirijo de vez em quando, mas o meu grande prazer é estar no palco, criar um personagem. Dirigir é uma responsabilidade muito grande e múltipla. É muito dificil dar um fechamento, dar a cara da obra. Eu só consigo fazer isso com textos que me tocam profundamente.
(06:27:57) vanessa~*: Renato, vc tbm canta ou não..vc ja fez algum monologo??
(06:29:24) Renato Borghi: Tigre, são 2 horas e meia com intervalo de 15 minutos. Mas porque essa mania de peça longa? Já fizemos peça de 3 horas, o Zé Celso faz peças de 7 horas e a gente nem percebe. Nossa peça teria 3 horas, mas por uma exigencia contratual fomos obrigados a reduzir. Temos uma orquestra que executa uma música linda composta especialmente para o espetáculo e é regida pelo maestro Peregrine.
(06:29:39) Marcio Balthazar: Parabéns, Renato! Assisti a peça no sábado e gostei bastante! Li que essa peça foi em certo modo, relegada a um segundo plano por Shakespeare. Pq a escolheu para ser sua primeira em detrimento de peças mais clássicas?
(06:32:28) Renato Borghi: Vanessa, cantava muito bem quando tinha 25 anos, mas a minha voz cantada piorou muito depois de tantos anos no palco, onde a impostação falada não tem tanto a ver com a impostação cantada. Já fiz um monólogo, que me deu imenso sucesso, do Fernando Bonassi, que é um gênio de ator. Que aliás eu queria verter para inglês, francês, espanhol e italiano e fazê-lo nessa línguas. Essa peça é uma história maravilhosa de um homem que está comendo uma lasanha e de repente perde a mão e não se sabe como. Ele faz um implante e não se acostuma e acaba cortando a mão fora. Chama "3 cigarros e a última lasanha".
(06:32:29) Adriana/UOL:
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Renato Borghi em cena da peça "Timão de Atenas"

(06:33:03) estrela: quando vc virar a salvador para atuar?
(06:33:04) freire: Renato, você não pensa em trazer a peça para outros lugares, como Goiás?
(06:35:06) Renato Borghi: Balthazar, é o seguinte, essa peça não foi relegada pelo Shakespeare, ele morreu antes de ter terminado a peça e de acordo com Harold Bloom, os mais belos momentos de Shakespeare. O que está escrito lá é belo, é atual e é de uma universalidade e uma visão clássica de Shakespeare. Parece que ele sabe onde vamos chegar com a sociedade, está tudo lá. Eu acho que a peça é uma obra prima. É claro que os acadêmicos preferem as clássicas. Pra mim importa a peça e o público, eu não sou um acadêmico por excelencia, eu sou um artista.
(06:36:03) Adriana/UOL:
Adriana de Barros/UOL

Renato Borghi ao vivo no Bate-papo UOL

(06:36:07) Tigre: renato, vc acompanha novelas? digo, as que vc nao atua. tá acompanhando alguma no momento?
(06:37:43) Renato Borghi: Eu tenho uma lembrança tão boa de Goiás e de Salvador, quando eu fiz a mostra de Dramaturgia. Eu viajei nessa época pela Petrobrás, onde eu atuava e fazia palestras. Eu estou entrando numa campanha agora com empresas para ver se a gente consegue patrocinios para levar a peça adiante. Eu quero ver se, pelo menos ao Rio e a Brasilia eu vou, se der eu dou uma esticadinha a Goiás, que me recebeu muito bem.
(06:38:18) Adriana/UOL:
Divulgação

Renato Borghi em cena da peça "Timão de Atenas"

(06:38:22) Bruna: renato, desculpe fugir um pouco do tema, mas tenho uma grande admiração por vc. Gostaria de saber se vc tem acompanhado a propaganda política eleitoral... está com ânimo para votar? obrigada e beijão
(06:39:17) Renato Borghi: Tigre, quando eu posso eu páro para ver meus colegas, ver quem está atuando, conhecer gente nova, novos talentos. Eu acompanhei Belíssima, Silvio de Abreu é um orgulho para a teledramaturgia brasileira, ele é maravilhoso.
(06:40:04) ooopsy: renato, só entrei para dizer que vi a peça no dia de estréia e amei, já recomendei para todo mundo. Nunca vi um baixinho tão gigante no palco rs... parabéns. Você tira o fôlego da platéia. E a música ao vivo... sem comentários!
(06:41:25) Renato Borghi: Bruna, hahahaha. Que pergunta boa, meu amor. Eu fico espantado, é uma galeria de monstros. É uma coisa terrível aquilo. Depois da gente ter acreditado tanto, eu fiz campanha para o PT tantas vezes. Animado eu não estou, mas vou cumprir meu dever sim. Vou acabar fazendo uma seleção, e a gente tem que cobrar, né? Depois da Ditadura nós desaprendemos. O estudante foi se desmobilizando, e entrou numa geração mais individualista.
(06:41:30) eliana: Borghi, sempre quis te fazer a seguinte pergunta: por que você faz este tipo de peça, (não comercial),sabendo que o brasileiro não se sente muito atraído por esses espetáculos? Na verdade acho lamentável, mas a realidade que vejo e sinto é bem esta, Agora , infelizmente nós vemos um monte de peças que não nos trazem nada, e os teatros estão cheios. Como você, apesar do nome de peso, de todo seu talento, consegue reunir o amor a fazer essse tipo de espetáculo com a necessidade de ganhar dinheiro para sobreviver?
(06:45:23) Renato Borghi: Ooopsy, muito obrigado, meu querido. Eu fiz com um carinho enorme e querendo demais que vocês pudessem sacar a capacidade visionária do Shakespeare, além da poesia dele. Eu sinto um privilégio, um luxo, um prêmio depois de 40 anos de batalha no palco. A cultura no Brasil é vista como superflua e nenhum político pensa nisso. Eu acredito que só se pode ter bons homens se você o introduz no mundo da cultura e o faz crescer como homem. Porque tirar a cultura assim? É o menor orçamento do país, isso está errado. É preciso crescer nos valores, na literatura, compreender outros autores, a possibilidade de aprender outras linguas, de gostar de música. O ideal é que a pessoa evolua seu paladar, que realmente forma e faz desconfiar dos valores permanentes.
(06:46:30) maricota: Estou louca para ver este espetácuol..como foi a escoilhe do elenco que faz a peça com vc ???? Sou atriz e gostaria de saber.....Bjs e adoro o seu trabalho !!!!
(06:47:57) Renato Borghi: Eliana, eu não estou tão cético com você. Por exemplo, os dois Ricardos III estão lotados, já há o destemor de se enfrentar um Shakespeare. Mesmo em peças contemporâneas mais complexas estão crescendo. Há também o crescimento de grupos. Claro que eu sei que há muito público para essas comédias, mas não é só isso não. E o nosso Timão vai indo muito bem, graças a Deus.
(06:48:21) Marcio Balth: Olá Borghi! Parabéns pela atuação sua e de seu filho! Qual é o nome do ator q interpretou Abemanto? Gostei bastante dele também!
(06:48:27) Renato Borghi: Maricota, a escolha do elenco foi por sensibilidade e inteligencia.
(06:49:20) loira: como vc faz uma peca tao criativa parabens seja sempre assim adorei eu vou ver mais uma vez
(06:49:52) Renato Borghi: Márcio, esse é um diretor internacional que chama Mauricio Paroni de Castro. Ele é ítalo-brasileiro e sofre de esclerose múltipla, ele teve um câncer na garganta, por isso tem aquela voz rouca. É um homem de uma cultura maravilhosa e tem uma atuação brilhante.
(06:49:59) vanessa~*: Renato qts peças vc já fez. Vc tem idéia?
(06:51:37) Renato Borghi: Loira, é engraçado. Não foi sozinho, eu não gosto de levar as coisas só pra mim. Na verdade, quem me dirige há muito tempo é um rapaz de 34 anos que chama Elcio Nogueira Seixas, e minha sobrinha Luciana Borghi, cenografia da Simone Mina.
(06:51:38) Adriana/UOL:
Lu Etzel/UOL

Renato Borghi ao vivo no Bate-papo UOL

(06:51:41) Bruna: renato, quais atores da nova geração que estão atuando em novelas e que vc aposta?
(06:52:53) Renato Borghi: Vanessa, não sei dizer. Não tenho a menor idéia. Eu sou de um tempo que se fazia muitas peças durante muito tempo. Tive peças com 1000 apresentações. Talvez não sejam 48 anos de teatro e 900 peças. Pelo menos umas 60.
(06:53:58) freire: Renato, você acha que a novela é uma especie de dramaturgia que aliena a população brasileira?
(06:54:02) Renato Borghi: Bruna, o Selton Mello eu acho maravilhoso; o Matheus Natchtergale. A Mariana Ximenez, na televisão tem muita gente boa, é um celeiro maravilhoso.
(06:54:04) Adriana/UOL:
Divulgação

Renato Borghi em cena da peça "Timão de Atenas"

(06:55:10) Talita: além da sua peça, qual outra que está em cartaz em SP que vc recomenda?
(06:56:53) Renato Borghi: Freire, depende da novela, né? No tempo que a gente assistiu O Bem Amado, Roque Santeiro, era bem interessante, forte. Agora a televisão é mais na moda, mais maneira, mais video-clipe, mas de vez em quando temos coisas ótimas. O Ricardo Waddington fez o Mad Maria que me deu muito orgulho de ter feito. Você tem que saber peneirar, no conjunto é muito complicado, mas tem coisa muito boa que acontece aqui e ali. Temos diretores muitos bons, o Jorge Fernando, a Denise Sarraceni. Tem muita gente forte e que entende do oficio. Eu sinto mais falta de dramaturgos. Eu não sei porque os bons escrevem pouco, como o Gilberto Braga.
(06:57:11) marsha: vcs fizeram um preparo especial com os atores novos p/ interpretar shakespeare?
(06:57:42) Renato Borghi: Talita, eu não tenho oportunidade de ver tudo. Eu vi os dois Ricardo III, um do Jô Soares com o Marco Ricca e o outro do Roberto Lage com o Celso Frateschi.
(06:58:46) Renato Borghi: Marsha, fizemos uma pesquisa de 6 meses. Começou como uma oficina para estudar a sonoridade, o que é muito importante em Shakespeare, para ouvir o som da poesia. Foi uma preparação bem longa.
(06:59:53) Lu Moderadora: O Bate-papo UOL agradece a presença de Renato Borghi e de todos os internautas. Até o próximo!
(07:00:07) Renato Borghi: Tchau queridos. A gente está em cartaz no Teatro Popular do Sesi, quintas e domingos é gratuito. Sextas e sábados a preços bem baixos. Espero que vocês gostem e não vejam Shakespeare como uma ameaça de tédio, mas como um grande espetáculo.