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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Nany People - 06/03/2008 às 15h00

Nany People

A comediante conversou com internautas sobre o espetáculo "Nany People Salvou Meu Casamento", em cartaz em São Paulo. O texto de Bruno Motta e Daniel Alves satiriza palestras de auto-ajuda e faz a protagonista assumir o papel de uma conselheira amorosa que interage com o público. Além da peça, Nany participa do humorístico A Praça É Nossa!, do SBT.

  • Crítica de "Nany People Salvou Meu Casamento"
  • Naomi é atrevida e destrói tudo, reclama Nany People
  • Entrevista com a drag queen
  • Serviço do espetáculo
  • Assista ao vídeo do papo
  • Nany People critica Parada Gay; leia

    Participaram do Bate-papo 246 pessoas


  • (03:03:50) Nany People: É muito bom estar aqui... Sou fã do bate-papo UOL. Cheguei e estou muito feliz.

    (03:04:07) Nany People: A peça "Nany People Salvou Meu Casamento" é para você que casou, que não casou ou vai se casar...

    (03:06:12) Nany People: Tudo vem no decorrer do percurso, fiz questão de estrear em Poços de Caldas, minha cidade natal. Agora está acontecendo em São Paulo. Quando estreamos aqui no teatro Brigadeiro todo mundo estava de ressaca e agora no mês de março é que podemos ver todo o trabalho de mídia feito pela equipe toda. Hoje será decidido se continuremos em maio no teatro Brigadeiro. Esta peça mostra uma outra Nany que o grande público normalmente não vê, estou retomando meu lado ator.

    (03:03:57) fã nr 01: Nany, vi seu espetáculo e amei. Meus parabéns.

    (03:07:36) Nany People: fã nr 01, muito obrigada...

    (03:04:11) Jose Alexandre: Boa tarde, trabalho com o pessoal do Cafe com Bobagem e quero dizer que acho muito bom seu trabalho na Praça! Agora, como o Edmilson esta em férias, quero saber se vc consegue uma cópia de seu excelente texto da Praça referente ao carnaval!

    (03:12:33) Nany People: Jose Alexandre, na Praça tem uma equipe de redatores. Eu costumo brincar que trabalho no SBT, mas lá é como se fosse a minha casa, trabalhei sete anos no programa da Hebe e agora estou na Praça É Nossa. Comecei fazendo a Fofoqueira, depois fui para a Tagarela e o Carlos Nóbrega disse que eu deveria fazer mais isso. Tenho tanto prazer de fazer a Praça e a minha química é tão perfeita com o Carlos Alberto que não precisamos passar o texto antes, é espontâneo. Como acontece em toda a emissora, houve mudança na grade do programa da Hebe quando mudou o diretor por isso eu sai. Ela foi um divisor de águas em minha vida, literalmente me apresentou para a sociedade brasileira como um profissional. Fui muito bem cuidada na produção da Hebe, tiveram muito zelo comigo. Todos da produção me tratavam com muito zelo e carinho, era um trabalho de equipe. Também deixei a G Magazine este mês porque ela foi vendida. Então tudo tem um momento.

    (03:08:06) carola: nany, palestras de ajuda podem ajudar mesmo? ahah

    (03:17:33) Nany People: carola, isto na verdade virou festa da uva né. É sempre o "faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço". O Bruno Motta fez na idéia do texto. Poucas pessoas sabiam da minha formação teatral e um dia conversando em um festival de humor que o Bruno estava fazendo me aconselharam a voltar para o teatro. Eu já havia atuado no cinema em "Cama de Gato" e estreei no teatro em "Um Homem é um Homem". Nesta peça, quem deu o aval de ser uma palestrante foi a Imara Reis. Esta peça tem muita interação com o público. Tem este DNA de frescor porque a relação homem-mulher vai existir sempre. É uma peça que fala de relacionamento, de amor, de parcerias, não só de relacionamento amorosos. Então eu descontrui a Nany People para fazer a minha personagem.

    (03:10:04) Digo: nany, gostaria de saber qual o motivo de nunca se mostrar como homem e numca divulgar seu nome

    (03:19:38) Nany People: Digo, porque virou aquela coisa do caça e caçador. As pessoas gostam de mistério. É como quando o mágico mostra a sua mágica, depois do Mister M, as mágicas não tiveram mais tanto sucesso. Muito cedo descobri que as pessoas gostam da realidade virtual. Esta peça é um trabalho de equipe, todos chegaram com uma proposta muito boa para fazê-la. Ela foi um encontro de almas porque o pessoal gosta do mistério. Eles ainda vêem que a magia e a pesonalidade da Nany continua ali. Por isso fiz questão de segurar a minha identidade pessoal e o meu nome.

    (03:11:10) orgulho: oi Nany, tudo bem? acho vc super divertida. quando vc descobriu esse talento?

    (03:22:10) Nany People: orgulho, aos quatro anos de idade eu já cantava em quermesse onde nasci em Serrania. Cantei no Chacrinha aos 11 anos de idade e ganhei uma TV além cantar de outros lugares. Eu queria ser artista muito cedo. Quando vim para São Paulo fui fazer teatro no Macunaíma, onde aprendi sobre todo o mundo do teatro. Então foi predestinação mesmo.

    (03:23:40) Geovanna/UOL:

    Nany People conversa sobre a comédia com que está em cartaz em São Paulo (Priscila Gomes/UOL)

    (03:12:21) Rodrigo Vilela: titiaaa.. bom eu vi a peça "ótima" , e pude observar qto os casais se identificam com algumas cenas q a Nany e o Pierre interpretam!! Eles te procuram titia?

    (03:24:05) Nany People: Rodrigo Vilela, a peça não tem esta pretensão, apesar de tirar uma onda das palestras. Ela fala das convivências entre homem e mulher em todas as suas etapas. Então as pessoas se reconhecem porque se vêem lá.

    (03:13:36) Garoto_2.0: Nany que prazer falar contigo, já tive o prazer de estar em dois shows seus. Qual é o seu sonho que ainda não se realizou e que ainda está por realizar? beijos AMO MUITO VC!!!

    (03:25:51) Nany People: Garoto_2.0, obrigada. O meu sonho ainda não realizado é ter um talk show misturado com sitcom que acalento desde 1998 quando sai da antiga TV Manchete. Eu adoro conhecer pessoas e lugares.

    (03:27:58) Geovanna/UOL:

    Nany People e Pierre Bittencourt em cena de "Nany People salvou meu casamento" (Divulgação)

    (03:30:45) Nany People: Sobre o stand up, costumo brincar com o Bruno Motta que vou montar uma comunidade "Eu Odeio Stand Up" porque todo mundo virou stand up. Eles querem me matar por isso. Me sinto bem com esta galera jovem e inteligente, mas é claro que tem muita gente equivocada neste caminho. Tudo na vida depende de como se encara, o humor negro às vezes desce queimando que nem cachaça ruim. Tem três coisas que você tem ou não: talento, carisma e bilau grande. Quando a pessoa tem carisma ou simpatia a piada flui melhor, isto acontece em função de eles serem muito jovens. Muita a gente acha que enquanto mais decrepto for o humor é melhor. Eu acho que quanto mais colorido for, melhor. Esta auto punição intelectual social é que empaca as coisas pelo caminho. Me sinto lisonjeadíssima quando me convidam. Tem muita coisa boa no stand up, mas muita coisa ruim também.

    (03:16:37) kiko: Nany, tive o prazer de assistir ao seu espetáulo e ADOREI!!!! Em especial a "CARA" nova, ou melhor, a cara limpa da Nany People. Por que você demorou tanto para mostrar esse rosto ???? rs Isso foi um desafio para você????

    (03:34:06) Nany People: kiko, foi muito sofrido. Eu não podia incorporar sete mulheres em sete etapas diferentes como drag queen, iria virar um scrach feminino. Por isso fui tirar o megahair e ver qual seria o melhor visual. O Cássio de Souza, meu produtor, desmontou a Nany. Me sinto pelada sem este cilial, nua. Então foi um desafio muito grande e as pessoas não se chocaram com isso.

    (03:17:58) Rômulo PHB: Olá Nany, td bem? Boa parte das pessoas adquirem conhecimento de maneiras inusitadas, e o humor é uma delas, como é que é explorado o tema de salvamento de casamentos na peça?

    (03:35:09) Nany People: Rômulo PHB, o tema é explorado desde que a peça começa. A síndrome começa desde a primeira convivência e ela resolveu ajudar porque os homens e mulheres não se completam. Desde o momento do primeiro mote, vai passando pelos degraus dos relacionamentos e vai mostrando como salvá-lo sem capotar nas curvas.

    (03:36:23) Geovanna/UOL:

    Nany People no estúdio do Bate-papo UOL (Priscila Gomes/UOL)

    (03:21:06) luis felipe: qual foi a sua primeira peça?

    (03:38:14) Nany People: luis felipe, foi a "Dona patinha vai ser miss" da Maria Clara Machado. Em 1986 fiz aula de teatro no Macunaína e depois fiz interpretação na Unicamp.

    (03:22:39) WILL PEOPLE: NANY COMO VC TBM ESCREVE EM UMA REVISTA MENSALMENTE,VC TEVE PARTICIPAÇÃO NA MONTAGEM DO ROTEIRO???

    (03:40:36) Nany People: Will People, a personagem da palestrante toda tem o meu DNA, como diz o Bruno Motta. Ele é um excelente autor, jovem, brilhante e inteligente. Tem uma intimidade com a palavra, em seus shows de stand up ele não diz um palavrão. E na peça eu fui dando os motes e os links e esta foi se aperfeiçoando.

    (03:27:58) kiko: A peça em nenhum momento fala para o público GLS. Você sofreu preconceito do público GLS???

    (03:45:52) Nany People: kiko, tem né. As pessoas se limitam, nunca deixei de fazer nada em minha vida por ser gay. Sou sempre chamada porque sou profissional. Tudo depende de como você faz. A tua liberdade começa quando termina a do outro.

    (03:49:05) Nany People: Sobre o elenco: Conheci o Pierre Bittencourt na Praça É Nossa. Antes íamos chamar um outro ator, mas ele não pode fazer. Então chamei o Pierre que já atuou em Chiquititas, trabalhou em peças e faz dublagem. Ele é muito de bem com o seu trabalho. E o que é melhor, é hetero e nunca teve ressalvas de trabalhar comigo. É brilhante, de bem com a vida e com o seu tempo. Ciente de seu ofício e tem nas veias a coisa do teatro. Eu que cobro dele um pouco mais de glamourização. Foi um grande achado.

    (03:30:09) éder campos: Boa tarde titiaaaaaaaaaa... Hoje vc acha que as pessoas te consideram mais humorista, caricata ou atriz ou vc acha que tudo isso é um conjunto e vira filho de teletubbie? amo vc!

    (03:50:32) Nany People: éder campos, cada um vê como quer. Depois que entrei na Praça começaram a me chamar de humorista e agora me chamam de "a atriz" Nany People. Mas eu já fazia teatro desde 1978.

    (03:39:23) CESAR SP: TAMBEM GOSTARIA DE SABER SE JÁ TEM UMA NOVA PEÇA BEIJOS TE AMO

    (03:51:55) Nany People: Cesar SP, ainda não, estou preocupadíssima com "Nany People Salvou Meu Casamento". São Paulo está nos recebendo tão bem que estendemos a peça para março e abril. Estamos fazendo parcerias e tudo está vindo a calhar. Estão vindo associações ao teatro, foram 50 senhorinhas me ver.

    (03:49:13) incondicional: ola Nany, td bem? Queria saber porque vc não participa da Parada Gay? Tem algo que não concorda?

    (03:58:25) Nany People: incondicional, deixei de fazer a Pagada Gay há oito anos. Fiz muitos shows da Associação Amigos da Parada quando o Roberto de Jesus ainda era presidente para comprar aquela bendida bandeira de 35 metros. Mas a partir de um momento em que ocorreu esta democratização em qualquer ambiente, também acontece uma banalização do mesmo. Isto aconteceu com a Parada Gay, assim como o movimento GLBT e as boates no Brasil afora. Eu sou de uma época em que fui lançada em uma boate chamada Gent's e para ser estrela de uma boate você teria que ser "a bicha", para não falar outra coisa, você tinha que ser "o veado". Então depois que houve esta democratização qualquer buraco virou GLS. Se não dá certo como hetero, abre como gay porque funciona. Mas viado não é burro. Quando falo "viado" não é termo chulo, o pessoal fala isso mesmo, falo no sentido da palavra. Cansei de ir a festa tropical sem ter nem um abacaxi pendurado. Voltando a Parada Gay, depois que inventaram esta coisa de organizações de parada, que começou a entrar dinheiro público, a parada gay no Brasil virou micareta. Tem parada gay o ano inteiro. Aí vem esta festa da uva, todo mundo chupa e ninguém paga nada. Tanto que em Porto Alegre até três anos atrás tinha duas paradas. Pelo lado social, se fala e se exige tanto respeito a tal diversidade, mas respeito não se exige, se conquista. Falo por mim, sou de uma família mineira católica apostólica praticante em uma cidade pequena e me impus como gay desde que me conheço por gente. Sobre a diversidade, como uma classe exige respeito quando a própria classe não respeita as próprias diversidades que lhe são peculiares? Traduzindo, gay não suporta bicha pintosa que não suporta travesti que não suporta sapatão e assim vira um balaio de gato. Então como querem que eu que vivo como artista, drag, transex ou como queiram colocar, que dê a minha cara a tapa para um movimento que é um dia só quando a minha passeata é a vida inteira? Eu não comungo disso, respeito se conquista. Tem um monte de gente na Paulista que vem em excursão para cá se chupando, se acabando e se pegando e volta para o interior fingindo que não é e a família fingindo que não sabe. Tambem deveria-se usar mais esta política de associações de amigos de paradas, de ONGs. Existem ONGs maravilhosas que prestam serviços de cidadania e de apoio, mas tem muita ONG forjada e às vezes são estas forjações que fazem a contramão da parada. Por isso que até deixo de ganhar dinheiro. Hoje se eu quisesse ganhar dinheiro não faria mais show em boates, faria festa gay, faria festa em parada porque tem o ano inteiro no Brasil. A cada dia surge uma em um lugar. Então é nisso que eu não acredito. Então não é a parada, não acredito neste tutti fruty, nesta torre de Babel que isto virou. Tem que parar um pouco para ver o que é ONG e o que não é, o que se está celebrando ou comemorando. Por exemplo, me ligaram do SUS perguntando o que eu acho se tratassem os travestis pelo nome de guerra que são atendidos lá. Porque aquilo é um constrangimento danado. Então acho isso legal. Sempre tive estas considerações sobre a parada e nem por isso deixei de ser amiga do Alberto de Jesus e da Silvete Montila, a madrinha da parada, e cada um tem o seu ponto de vista.

    (03:49:19) fã nr 01: Nany, houve algum tipo de preconceito por parte de contratantes ou até mesmo dificuldades com teatros aqui em São Paulo por causa da Drag? Como vc explica o grande número de famílias no teatro que eu mesmo vi quando assisti o espetáculo?

    (04:02:53) Nany People: fã nr 01, existe uma pré-idéia de que se tratando da Nany People da TV o espetáculo seja militante GLS e me sinto muito feliz ao ver que bato a carteira de todo mundo, todos ao me ver dizem que não acreditam que sou eu. Elas acham que é tudo um fuzuê, mas quem tinha esta idéia está mudando. Este é um espetáculo pertinente. Eu fui dar entrevista no Pânico quando estava viajando com a peça e contei que ela fala de relacionamentos, de amor etc. A dona do Teatro Brigadeiro viu a entrevista e abriu o teatro para mim, enquanto que em outros teatro nem resposta tive. Estou muito feliz neste teatro, sendo muito bem tratada lá.

    (04:04:13) Nany People: A peça "Nany People Salvou Meu Casamento" fica até abril e pode ser que fique até maio. E tem o site www.nanysalvoumeucasamento.com.br. Obrigado a todos, adorei vir aqui. Vão ao teatro...

    (04:04:17) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Nany People e de todos os internautas. Até o próximo!

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