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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Denise Fraga - 16/10/2008 às 15h00

Atriz conversa sobre a montagem "A Alma Boa de Setsuan", de Bertolt Brecht, que protagoniza no Teatro Renaissance, em São Paulo. A peça explora o bem e o mau do ser humano numa parábola sobre a vida da prostituta Chen Tê que, escolhida por deuses por ser uma alma boa, tem que travestir-se em uma figura masculina, Chui Ta, para evitar abusos de sua generosidade.

  • Álbum com imagens de "A Alma de Setsuan"
  • Metrópolis entrevista a atriz Denise Fraga
  • Lenise Pinheiro fotografa os bastidores da peça
  • Veja a vídeos de teatro
  • Assista à íntegra do bate-papo:

  • Participaram do Bate-papo 389 pessoas


    (03:12:37) Denise Fraga: É um prazer estar aqui conversando com vocês...

    (03:13:20) Denise Fraga: A peça "A Alma Boa de Setsuan" está lotando o Teatro Renaissance, as pessoas estão gostando, estou super feliz. A temporada foi prorrogada até dezembro.

    (03:15:30) Denise Fraga: Eu queria muito trabalhar com o diretor Marco Antônio Braz, começamos a ler várias coisas. Ele tem um grupo de comediantes, é especialista em Nelson Rodrigues e sempre faz peças irreverentes. Como eu, ele acha que o teatro tem que encantar, divertir, seduzir a platéia e depois dizer o que quer. Quando lemos "A Alma Boa de Setsuan" do Brecht vi que tinha tantas coisas que eu queria dizer. Demorou seis anos este processo, da primeira leitura do texto até a estréia.

    (03:17:58) Denise Fraga: A peça "A Alma Boa de Setsuan" é uma fábula que diz que os deuses vêm a terra procurando uma alma boa e cansados de procurar e vão se hospedar em um pequeno povoado. É um povoado miserável e quem dá a hospedagem a eles é a prostituta Chen Tê, a personagem que faço. Em troca eles dão um dinheiro a ela, eles só dormem na casa dela apesar de ela ser uma prostituta. Com este dinheiro ela feliz da vida resolve abrir uma tabacaria. Mas as pessoas do povoado começam a tirar o dinheiro dela, pois ela não consegue dizer não. Até que ela resolve se fazer passar pelo próprio primo Chui Ta, uma figura masculina que vem para colocar ordem na casa. Então a peça fala do bem e do mal que cada um de nós temos e quando devemos usar a dureza, quando precisamos ser firmes. Ele fala de uma coisa que é quando precisamos ser cruéis para conseguirmos o que queremos, às vezes passando por cima dos nossos princípios humanitários para sermos respeitados.

    (03:19:44) Denise Fraga: Eu queria muito montar esta peça porque vivemos uma síndrome social em que usamos da dureza como primeira alternativa. Não acredito muito nisso por isso que esta peça me disse tanto. Fora isso ela tem discussões muito interessantes que são muito éticas. Que é "em tempo de miséria, o que é ética?". Até onde este limite da ética é esticado. Eu falo na peça assim: "Quem é que pode não ser mal em um tempo onde não se tem o que comer?". É uma discussão muito abrangente porque a fome talvez possa justificar este elástico esticado da ética para lá e para cá. Mas de que fome estamos falando? Estamos perdendo a ética por fomes de manter carro importado, por exemplo. A peça fala disso tudo muito bem.

    (03:09:58) joca: boa tarde, denise! como surgiu a oportunidade de estrelar essa peça? assisti e recomendo!

    (03:19:53) Denise Fraga: joca, obrigada...

    (03:10:04) alê: oi, denise! parabens pelo trabalho, vc é mto talentosa! queria saber mais sobre o figurino e a concepção estética da peça já que é tudo bastante colorido e divertido. obrigada

    (03:21:07) Denise Fraga: alê, os figurinos da peça são da Verónica Julian e da Cris Camargo. O cenário lindo é do Márcio Medina, um super artista. Estamos o tempo inteiro em cena e recebemos a platéia na entrada do teatro. O Brecht prega muito isso, está sendo feito de uma forma muito bonita e delicada. Tem que ver.

    (03:10:28) Seiferus: olá Denise!!!! Denise, antes de vc se tornar atriz, vc pensou em ter outra profissão ou atuar na tv e no teatro sempre foi seu sonho?

    (03:24:01) Denise Fraga: Seiferus, não, eu não era aquela menina que recitava poesias na sala de jantar. Eu era super tímida. Aprendi a falar e sou tagarela pra caramba, mas ainda sou uma pessoa que fica vermelha. Então foi uma coisa que foi acontecendo em minha vida. Fiz vestibular para ilustração visual porque eu queria fazer ilustração de livros infantis, mas nunca fui boa desenhista. Quando passei, como eu ia começar a cursar a faculdade somente em agosto, fui fazendo vários cursos. Fiz um curso de teatro que gostei muito. Não achei que iria ser atriz, mas no segundo curso de teatro que fiz o professor Cláudio Côrrea e Castro me incentivou muito. Daí entrei em uma escola de teatro, mas sem nunca acreditar que eu iria ser atriz. Até que eu me formei e fui trabalhar com o Grupo Tapa, pois o meu diretor era desto grupo. Depois eu desisti de novo, fiz concurso para ser aeromoça entre outras coisas. Daí as coisas foram rolando, mas foi graças a minha família que me apoiou no início para eu poder investir neste primeiro período de adaptação. A felicidade de pagar o primeiro aluguel sendo atriz é muito bom.

    (03:34:58) Moderadora/UOL:

    Atriz conversa sobre o sucesso da temporada paulistana de "A Alma Boa de Setsuan"; clique aqui e veja fotos do espetáculo (crédito: Flavio Florido/UOL)

    (03:27:20) Denise Fraga: A vivência é independente de ser ator. O ator vai melhorando se estiver atento ao dia-a-dia. Nós precisamos de atores novos e muitos destes já têm talento. Talento é uma coisa em que a pessoa já nasce com ele. Vocação é outra coisa, mas tem que ter os dois. E às vezes uma pessoa que tem muita vocação melhora muito como ator sem ter talento nenhum, vira um ator muito bom. A vivência é fundamental para o ator melhorar, que é estar na vida sempre atento, observando a vida. A nossa ferramenta é o dia-a-dia, é a observação. Ser uma pessoa sofrida não significa que você será um bom ator. A vivência que significaria um aumento de repertório de um ator, de material para um ator ser melhor é esta capacidade de observar a vida e sair às ruas para, por exemplo, andar de ônibus ou de metrô. Tem que ver muitos filmes também. Hoje neste mundo tão audiovisual vivemos muito a referência da referência, fazemos filmes a partir de outros. Mas temos que conhecer as coisas, ir às festas de famílias, por exemplo, pois são muito nutritivas para um ator. Tem qu estar com as antenas abertas para a vida. Mas quando se quer ser ator já se faz isso naturalmente quase que sem querer. É olhar a vida enquanto ela está passando. Eu já tinha esta capacidade antes, uma coisa que todo o ator tem.

    (03:20:08) Katherine: A PEÇA VIRÁ PARA O PARANÁ?

    (03:22:35) Fátima: VC FARÁ TURNE PELAS CIDADES DO EST DE SP? EU MORO EM BAURU VC VIRÁ PRÁ CÁ/

    (03:22:35) Albert: Olá Denise, queria saber se você tem intensão de viajar com o espetáculo ou se só vai ficar em SP?

    (03:28:13) Denise Fraga: Katherine, Fátima e Albert, a gente vai viajar com a peça sim. É muito caro hoje, mas se Deus quiser vamos conseguir viajar. Agradeço ao Bradesco Prime que patrocina a nossa temporada em SP.

    (03:09:39) Oriental qr saber!: quando vou ter o prazer de ve-la na tv mais uma vez?

    (03:09:39) Fátima: SEI Q EST´PA MUITO OCUPADA COM A PEÇA... MAIS VE SE VOLTA PRÁ TELINHA MENINA VC NOS FAZ MUITA FALTA VIU/ RSRS

    (03:29:21) Denise Fraga: Oriental qr saber! e Fátima, eu fiz a minissérie Queridos Amigos na Globo. Agora parei para fazer a peça. Estamos propondo um novo projeto com o pessoal do Retrato Falado. O Retrato Falado por enquanto não volta, mas ele já morreu duas vezes e ressuscitou. Ele pode voltar a qualquer momento.

    (03:28:26) mari: assisti trair e coçar com vc, achei o maximo, como seria bom se vc fizesse ela novamente

    (03:31:33) Denise Fraga: mari, eu fiz a peça "Trair e Coçar É Só Começar" por seis anos. Foi uma coisa muito feliz e um aprendizado enorme. A comédia conversa com a platéia, tem uma resposta sonora que é a risada. Isto ajuda faz com que o ator vá medindo os erros e os acertos. E a temporada vira um grande jogo do que está funcionando e o que não está. Esta peça foi uma escola maravilhosa disso. Até hoje a peça está em cartaz. O texto é do Marco Caruso. Lembro que na época eu ficava obcecada por pequenos tempinhos. O que me manteve ali foi isso, essa obsessão pelos detalhes.

    (03:28:35) thiago: denise, voce ja preciso fazer um personagem que nao condiz com sua pessoa? foi dificil?

    (03:33:41) Denise Fraga: thiago, eu fiz 173 Retratos Falados, teve muitas mulheres que eu achei que não seria capaz de fazer. Tinha algumas que eram completamente difíceis de adquirir. Mas foi um exercício maravilhoso e eu ia atrás disso. E mal ou bem eu consegui fazer a minha leitura daquela personagem. Mas o personagem mais difícil que fiz foi na peça "Ricardo III" que era uma tragédia. Era uma personagem completamente trágica, uma mulher que perdia o trono, os filhos eram mortos. Eu tinha que codificar o silêncio da platéia e isto que é difícil para mim. Agora, a peça "A Alma Boa de Setsuan" tem humor, as pessoas riem muito e ao mesmo tempo saem com amor no coração.

    (03:28:41) CHEN TE: Oi Denise, Assisti sua peça e me identifiquei muito com a Chen Te. Naõ consigo dizer não e sempre me prejudico com isto. Vc tb é assim? E o que sua persinagem acrescentou em sua vida?

    (03:34:24) Denise Fraga: Chen Te, eu também sou super Chen Te, por isso que resolvi montar esta peça. Mas você vai aprendendo a lidar com isso.

    (03:28:50) seu fã: ola denise, parabens pelo seu trabalho, qual foi seu personagem preferido nas novelas?

    (03:35:48) Denise Fraga: seu fã, obrigada. Eu fiz somente quatro novelas. E a que eu mais gostei foi "Éramos Seis" em que eu fazia a Olga. A novela era ambientada em uma cidade do interior, a cidade de Itapetininga. Eu gostei tanto de fazer as cenas tomando café na cozinha com aquela canequinha de ágata esquentando a minha a mão e fazendo aquele sotaque caipira. Eu digo que quando eu ficar velhinha e as coisas começarem a se misturar na cabeça estas coisas que são ficção começarão a se tornar realidade. E esta é uma delas.

    (03:29:27) Ana Luiza: denise de onde vc tira suas inspirações para encorporar o personagem?

    (03:37:00) Denise Fraga: Ana Luiza, a primeira coisa é o próprio texto. No Retrato Falado eu tinha a fita com a entrevista da mulher contando a história e ao vê-la ia surgindo o personagem. Mas quando se trabalha com texto de teatro ou de televisão é o próprio texto e a nossa imaginação. Eu sou uma pessoa muito ligada ao texto. Sempre fico me questionando para buscar o subtexto, aí que está a força fazer um personagem realmente forrado.

    (03:50:33) Moderadora/UOL:

    Denise Fraga comenta sua paixão pela atuação e fala de suas participações no teatro, na televisão e no cinema; clique aqui e veja fotos de "A Alma Boa de Setsuan", em cartaz em São Paulo (crédito: Flavio Florido/UOL)

    (03:34:41) thiago: denise, voce ainda tem contrato com a rede globo e ate quando vai?

    (03:37:13) Denise Fraga: thiago, eu sou contratada pela Rede Globo e o meu contrato vai até março do ano que vem.

    (03:34:45) .ché.: Vc pensa em fazer filmes estrangeiros também e virar uma atriz mundialmente conhecida e reconhecida?

    (03:39:13) Denise Fraga: .ché., eu gostaria de filmar mais. Nós ficamos numa ilha por causa da nossa língua, muito poucas pessoas falam português no mundo. Eu comecei a estudar espanhol para fazer o Te Quiero América. Eu queria poder filmar mais, mas as pessoas não me chamam muito. Então vivemos em uma ilha que fala português na América do Sul, acho que deveríamos ter o espanhol com segunda língua. Porque este grande continente tem uma força muito grande e se trabalhássemos entre nós seria muito bom.

    (03:34:45) DENISE: DENISE FRAGA TUDO BEM GOSTARIA DE SABER COMO É A SENSAÇÃO DE TEATRO, POIS UMA VEZ POR ANO EU FAÇO UMA PEÇA AQUI EM CASA COM CRIANÇAS SABE POR ISSO VOÇE PODE ME DAR UMAS DICAS OBRIGADA

    (03:41:47) Denise Fraga: Denise, sempre digo que eu tenho a melhor profissão do mundo. Melhor que esta só a de cantor. Mas nesta profissão se pode arriscar a várias coisas como cantar. Eu acho lindo você querer fazer teatro. A dica que te dou é para ler a dramaturgia, ler teatro. Mas leia em conjunto, com os amigos. Isto é maravilhoso. O teatro é aquela coisa linda que salta, é o poder de avivar uma palavra, uma coisa escrita. Então você pode ler o que tem escrito de dramaturgia como os clássicos, Brecht. A antologia poética do Brecht é muito boa de se fazer nos palcos. Então busque nos textos e saia falando isso.

    (03:43:08) Denise Fraga: Um texto bom que eu li do Brecht foi o "O Círculo de Giz Caucasiano" que até teve uma montagem da Cia. do Latão. Estes textos ultrapassam a linha do tempo, são textos que podem ser lidos em qualquer realidade. Temos que ler a dramaturgia que temos disponível porque tem coisas sensacionais que nunca mais foram montadas e precisam ser revistas.

    (03:34:48) luis: denise sou do interior e fui com meu filho que é trabalha no SBT e é colega de uma das atrizes da peça ,foi a promeira vez que fui a um teatro APAIXONANTE, ver vc ao vivo e notar sua interpretação literalmente da cabeça aos pés, eles falam junto com vc lindo.

    (03:46:35) Denise Fraga: luis, obrigada, fico muito feliz, se você gostou nunca deixe de ir ao teatro. O teatro não é como ver um filme, não é como ver televisão que são outras formas de contar uma história. O teatro é missa, ele continua vivo porque ele é um compromisso entre nós dois. Aquele espetáculo só você e quem estava com você viu. Porque é um combinado que fazemos de um ritual que vai acontecer naquela noite. É como uma cerimônia, uma missa. É essa sensação do aqui e agora que faz o teatro viver. Tem um diretor italiano que diz que o público ainda continua indo ao teatro na grande esperança de ver o ator morrer em cena. Claro que não é exatamente ver ele morrer. Mas é esta possibilidade, de repente tudo aquilo pode se desfazer. Caminhar no fio de navalha que faz o teatro ser especial. Não se esqueçam que o que você vêem lá não é filmado. Aquilo não pode ser desfeito. Diferente do cinema e da televisão que está filmado. É um combinado entre nós de segurar ali uma rede esticada que não pode arrebentar, é uma concentração coletiva e é isso que faz o teatro ser especial e inesquecível. Te agradeço e te espero em todas as peças que eu fizer.

    (03:48:43) Denise Fraga: Hoje temos muitos convites para que as pessoas fiquem em casa, a própria a internet, o grande acesso às imagens. Por isso que eu gosto de dizer o quanto o teatro é especial. Uma coisa curiosa que está acontecendo é que quanto mais o tempo passa mais teatro é. O teatro está se desvendando para o espectador para que o espectador entenda cada vez mais como o teatro é especial, este combinado entre nós de que aquilo está acontecendo ali de forma verdadeira e única.

    (03:34:55) domenico: Nossa, seis anos? POr quê tanto?

    (03:50:26) Denise Fraga: domenico, porque eu não consegui o dinheiro. São 11 atores em cena com uma produção grande. Fui adiando o projeto, apareceram outras oportunidades no teatro e fui adiando. Tem que conseguir o patrocínio, mais uma vez agradeço ao Bradesco Prime e a lei de incentivo a cultura, isto multiplicou a nossa multiplicidade cultural. Eu recebo as pessoas na platéia e vejo que muita gente vem a SP no fim de semana para consumir cultura. SP virou realmente uma cidade de turismo cultural. É impressionante. Tem público em todos os lugares, as casas estão lotando, é lindo de se ver.

    (03:34:50) vanessa: denise vc se espelhou em algua atriz de humor ...para ser esta atriz maguinifica....

    (03:51:47) Denise Fraga: vanessa, obrigada, tive algumas musas. A primeira foi a Marília Pera, lembro daquela novela "Brega e Chique" que ela fez na época em que eu fazia a escola de teatro, saia de lá correndo para ver a novela. Fora isso, eu tive mestres. A Sueli Franco que foi uma mestra para mim, eu a substitui em "Trair e Coçar". O trabalho Rogério Cardoso me emotivava e me ensinava muito. Sou muito fã do Chaplin, adoro este tipo de economia de gestual.

    (03:34:55) Fã interior de SP: Olá Denise, de onde é seu sobrenome?

    (03:52:27) Denise Fraga: Fã interior de SP, a minha família é de Minas. Meu pai é mineiro de Carangola. Tem uma parte da família que é de Vitória. Mas eu não sei direito, dizem que não é português. Tenho muitos parentes espalhados por todo o Brasil.

    (03:38:06) Gilmar: Para quem pretende seguir carreira com ator/atriz, qual é a dica que você nós dá?

    (03:38:20) imita a vida...: denise, meu sonho é ser ator, que escolas vc me aconselha em sp e no rio, cursos tecnicos

    (03:39:10) adilson: tbem quero dicas e conselhos para ser ator e escritor.

    (03:56:23) Denise Fraga: Gilmar, imita a vida... e adilson, não sei, depende do que vocês querem fazer. Mas antes de entrar em uma escola como o EAD, a ECA ou o Célia Helena vejam se vocês querem fazer isso mesmo. Esta é uma profissão que engana porque tem muita gente sendo seduzida pelo glamour desta profissão, o "ser ator". Esta profissão em si é um ofício que para quem não está disposto é chato. Porque é repetir, é ler, repetir e decorar, fazer de novo, sempre repetindo. É uma coisa que pode enganar os desavisados. Então quando me dizem que querem trabalhar na televisão eu digo que não é bem assim, tem que ver o que se quer fazer mesmo. Se você quer ser ator e gosta deste ofício leia a dramaturgia, pois assim você terá vontade de dizer aquilo alto. Terá esta imagem de você já falando aquilo. Junta um grupo de pessoas, amigos que queiram fazer teatro, se vincule a um grupo amador. Assim quando você entrar na escola você já terá de posse daquilo que realmente quer. Tem que se juntar com pessoas. Quando sai da escola eu não sabia o que fazer, na carteira de trabalho dizia que eu era artista atriz. Mas o que significava aquilo? O que eu iria fazer no dia seguinte? Não sabia aonde ir. Mas eu me juntei a um grupo de teatro da turma da escola e fizemos uma peça do Martins Pena mesmo sem dinheiro. Uma coisa que o ator tem que fazer é buscar projetos, ver o que está escrito.

    (03:50:51) prifla: Olá Denise!! Assisti a peça em Paulínia e adorei, toda a minha família assistiu também...

    (03:51:14) luluij: denise gosto muinto de vc sou sua fã

    (03:51:25) Letícia: Denise , ainda não assisti a peça mais m disaseram qu é mt boua estou louca para ver , parabéns :D

    (03:51:28) Helô: nossaaaaaaaaaaa te adoro muiiito

    (03:51:41) Bolinho: parabéns pelo seu trabalho

    (03:51:42) amorzinho: gosto muito de vc!

    (03:51:47) Ponciano: boa tarde Denise, é um grande prazer falar com vc, sou seu fã...

    (03:52:06) Anellyz: Sua fã, te acho hilaria, brilhante no que faz

    (03:52:07) Bruno BH 28: oi Denise, é um prazer estar participando aki com vc desse bate papo... Voce está de parabens pelo trabalho q vem fazendo nos ultimos anos, cada vez melhores. Esperamos sua peça aqui em BH.

    (03:56:36) Denise Fraga: Obrigada pelos elogios...

    (03:52:09) Melo: sou seu fã e quero saber se na sua agenda tem algo marcado para Natal RN

    (03:57:50) Denise Fraga: Melo, tudo o que eu quero é viajar com esta peça por todo o Brasil. Estou tão feliz em ver a peça acontecer. Eu gosto muito desta peça e se Deus quiser iremos para Natal também.

    (03:53:07) CHEN TE: Denise vc já utilizou a técnica do Chui Tá em sua vida?

    (03:58:21) Denise Fraga: Chen Te, a gente aprende a ser como ele, mas não se pode gostar disso. Aí que mora o grande perigo.

    (03:53:21) Luu: Como ser bom e ao mesmo tempo sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

    (04:01:47) Denise Fraga: Luu, realmente tem que fazer um esforço. É um exercício diário de você não entrar nesta roda vida em que você é convidado o tempo inteiro para conviver nesta bolha individual em que o que vale é o seu, onde o que vale é que é melhor não se comprometer com o outro. Porque se conviver com o outro ele pode abusar de você. Somos convidados a viver em bolhas individuais. Então tem que fazer um exercício de dar as mãos o tempo inteiro sem medo de que lhe tomem o braço. Senão perdemos a nossa capacidade de assombro, não podemos perder isso. Temos que continuar nos assombrando. Somos acostumados com uma lógica esquisita. Vivemos em uma sociedade louca. Temos que fazer um exercício. Se você deu uma fechada no trânsito pede desculpas. A desculpa tem um poder de desarmar as pessoas, porque as pessoas erram mesmo.

    (03:53:31) Grazy -SP: Por quanto tempo a peça ficará em cartaz em SP?

    (04:10:43) Denise Fraga: A peça "A Alma Boa de Setsuan" fica em cartaz em São Paulo até dezembro no Teatro Renaissance.

    (03:53:49) Machado: denise, as criticas sobre a peça são boas???

    (04:02:55) Denise Fraga: Machado, fiquei muito feliz com as críticas que a peça teve. Tivemos críticas lindas como a da Folha de S.Paulo, a da Veja etc.

    (03:53:52) Felipe-Lisboa: Você ja recebeu propostas para trabalhar em outra emissora?

    (04:03:31) Denise Fraga: Felipe-Lisboa, na verdade estou contrata pela TV Globo há muito tempo. Fiz o Retrato Falado durante nove anos. Estou muito feliz lá.

    (03:53:57) JTR: Por que vc acha que, embora a imagem seja dada tanto valor nos atores atuais, no final somente os competentes é que são lembrados de fato...

    (04:05:53) Denise Fraga: JTR, o mundo mudou um pouco, ele se multifacetou. As pessoas estão se tornando especialistas cada vez mais. Assim acontece com os atores, tem atores que nunca pisaram em um palco, outros que nunca fizeram televisão e outros que estão se especializando em cinema. Porque tem esta proliferação de meios. A coisa da beleza funciona muito na TV, serve muito a este veículo. Tem muita gente que liga a televisão atrás daqueles rostos bonitos que vêem todos os dias. E tem rostos bonitos que têm talento e outros que estão ali dando um jeitinho para ser ator, mas que serve ao veículo. Tem lugar para tudo neste mundo e este mundo está ficando cada vez mais impossível de ter algo original, porque parece que já foi tudo inventado.

    (03:54:06) Machado: denise, vc tem vontade de fazer algum musical no teatro? mande um abraço para Machado-MG (sul de MG)

    (04:06:39) Denise Fraga: Machado, eu já fiz, mas foi há muito tempo. Eu adoro cantar, sou uma boa cantora de chuveiro. Gostaria de cantar no palco, não sei se seria exatamente em um musical. Um beijo para o pessoal de Machado, MG. Ali tem a melhor comida do mundo.

    (04:02:32) ricardo leandro: Como vc vê Brecht hoje e ontem.

    (04:10:23) Denise Fraga: ricardo leandro, o Brecht atravessou os tempos. Quando escrevia as peças ele queria tanto dizer suas idéias que fez muitos discursos. Ele parava o correr das suas histórias para o ator ir a frente fazer reafirmações do que estava sendo dito. Talvez isto seja hoje uma coisa datada, uma coisa de reincindir. Hoje o mundo está mais rápido na assimilação da informação. Montar uma peça de quatro horas é uma coisa de se pensar porque o tempo de assimilação das pessoas mudou. Na época ele foi uma grande bandeira do movimento comunista no mundo. Ele era um grande autor que foi meio que uma bandeira da idéia comunista. Hoje isto mudou. Hoje ele fala de uma coisa que é isso, mas que também são outras tantas coisas. A "Alma Boa de Setsuan" é uma discussão de uma coisa intrínseca ao ser humano, de uma dualidade animal que nunca irá ser resolvida. Isto é quase uma questão filosófica mesmo. Acho isso lindo na peça. A personagem diz que não é só uma alma boa. Nós temos muitas faces. Isto é bonito, é mais uma questão filosófica do que esta coisa com que o Brecht ficou estigmatizado. É maior que a bandeira comunista.

    (04:11:08) Denise Fraga: Nós temos que fazer um exercício diário em que a gentileza gere gentileza. Vão ver a peça "A Alma Boa de Setsuan". Obrigada e tchau.

    (04:11:10) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Denise Fraga e de todos os internautas. Até o próximo!


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