(05:37:22) Moderadora/UOL: Caros internautas: O ator Bruno Garcia se atrasou no aeroporto e chegará em breve. Vamos começar o bate-papo com a atriz Monique Alfradique e assim que o Bruno Garcia chegar, ele entra na sala para participar da entrevista. Obrigada pela compreensão, equipe Bate-Papo UOL.
(05:40:14) José Robson: oi boa noite gata
(05:40:16) andreia: oi monique
(05:42:09) carola: oi monique, td bem?
(05:42:14) Monique Alfradique: Sobre a estreia de "A Comédia dos Erros": Eu já rodei todo o interior de São Paulo com uma peça, foi uma delícia. Mas São Paulo, capital, foi a primeira vez. Shakespeare então, é uma grande estreia, um grande crescimento tanto pessoal como profissional. Estou há dois ou três meses aqui convivendo com pessoas novas, um pouco longe da família, é um amadurecimento. A pré-estreia em Paulínia foi uma delícia. Resolvemos estrear lá para experimentar o que funcionaria ou não para estrearmos em São Paulo.
(05:41:13) José Robson: Monique qual a diferença entre atuar na tv e atuar no teatro?
(05:44:11) Monique Alfradique: José Robson, são bem diferentes, mas é tudo uma família, quando fico muito tempo na televisão sinto falta do teatro. Agora que estou mais no teatro estou começando a sentir falta da TV. É bem diferente, pois no teatro eu posso estar melhorando a cada espetáculo, já que estou fazendo sempre os mesmos textos e com o mesmo personagem, agora, na novela é complicado, tenho que fazer uma cena melhor que a outra, tenho que estar sempre me superando porque aquela já foi, o tempo é mais corrido. No teatro posso ir pesquisando o personagem mesmo durante o espetáculo. Eu me assisto, mas gosto de assistir sozinha. Sou muito crítica, isto é para ver o que está funcionando ou não. É bacana ter este feedback, mas é muito complicado às vezes.
(05:42:37) jujuba: Monique, é a primeira vez que vc internpreta shakespeare???
(05:45:01) Monique Alfradique: jujuba, é a primeira vez, estou felicíssima com o convite do Milani. Aos 23 anos estar participando de uma montagem de uma peça de Shakespeare é um crescimento muito grande. Eu já havia lido alguns livros e visto alguns filmes, mas nada como estar encenando mesmo. A tradução do Marcos Daud é muito bacana, pois não tem esta linguagem muito rebuscada, foi traduzido de uma forma mais coloquial até para facilitar o entendimento. Mas não deixa de ser super pomposo.
(05:42:40) carola: oi monique, td bem? como é essa peça q vc tá em cartaz?
(05:46:38) Monique Alfradique: carola, os irmãos gêmeos, os Antífolos, são separados em um naufrágio e junto com eles são separados outro par de gêmeos que são os criados Drômios. E o pai com um filho e um criado vão parar em uma cidade e a mãe com o outro filho e o outro criado vão parar em outra cidade onde vivem por muito tempo. Eu faço a Luciana que é a cunhada da Adriana que é casada com um Antifolo. Daí começa uma procura de um irmão pelo outro e quando este chega na cidade do outro começa esta confusão toda que vai se acumulando no espetáculo e se resolve no final.
(05:43:49) Jéssica: Você ja pensou em fazer algo sem ser atriz?
(05:47:35) Monique Alfradique: Jéssica, eu pensei em fazer psicologia, mas em nenhum momento foi para trabalhar como psicóloga, mas foi para me ajudar a atuar na carreira de atriz. Já me perguntaram isso, é uma pergunta muito complexa, desde que entendi que é uma profissão ser atriz e não só um divertimento, é difícil discernir o que é trabalho e o que é prazeroso para mim porque é tudo útil.
(05:44:01) carola: monique, vc recentemente fez um teste para um filme com o woody allen, né? como foi a experiência, já saiu o resultado?
(05:44:01) carola: aliás, esse teste foi para o filme que andaram dizendo q ele vai rodar no brasil?
(05:49:25) Monique Alfradique: carola, não este filme que irá rodar no Brasil. Eu ainda não fiz o teste, irei fazer daqui a mais ou menos um mês. Isto se deu pelo contato deles com a última pessoa com a qual trabalhei. Nem posso falar muita coisa, mas fiquei muito lisonjeada por ter sido escolhida entre tantas aqui no Brasil. Eu nem estou me preparando para o teste, estou mais voltada para os espetáculos que estarei estreando. Aliás vou estrear a peça "A Garota Número Um" no Teatro Ressurreição dia 20 de junho. Sábados e domingos às 16h.
(05:47:39) Katy: Monique, sei que o assunto é essa peça, mas tenho muita curiosidade sobre seu tempo de paquita!! Como voce entrou na trupe? Foi um sonho realizado? voce imaginava seguir carreira de cantora ou alguma outra area artistica? Ai, super realizou meu sonho!! Beijão!
(05:50:44) Monique Alfradique: Katy, eu já fazia teatro quando comecei a participar do programa da Xuxa. Eu fiz o teste sabendo que seria bom para a minha carreira de atriz. Nunca passou pela minha cabeça ser cantora, tanto que nem cheguei a cantar naquela época, não lançamos CDs. Entrei com este intuito e não foi diferente, a Marlene nos ofereceu cursos de cinema com a Tizuka Yamazaki e de teatro com a mãe da Christiane Torloni, a Delacy. Fiz curso de patinação achando que não iria precisar nunca, mas precisei quando fiz a Priscila em Malhação. Tudo isto está refletindo em mim até hoje.
(05:49:41) luluzinha: tem projetos futuros na TV? Ou pretende ficar um tempo só em teatro e, se tudo der certo (estou torcendo), cinema?? Tenho a impressoa de que fazer TV é muito cansativo, é verdade?
(05:52:01) Monique Alfradique: luluzinha, é bem cansativo, muito desgastante, ficamos muito voltadas para aquelas pessoas, passam a ser a nossa família. Vou ficar no teatro até agosto ou setembro e depois volto para a TV. Estou muito contente com isso. Eu já recebi um texto de um longa-metragem e estou lendo ainda. Já fiz um curta-metragem que me deixou com um gostinho bem especial para fazer um longa.
(05:51:22) ged: qual o papel que marcou a sua carreira
(05:52:59) Monique Alfradique: ged, foi a Branca na minha primeira novela, A Lua me Disse, foi bem marcante.
(05:54:31) Monique Alfradique: Sobre a peça infanto juvenil "A Garota Número Um": O texto é do Pedro Garrafa e a direção da Tatiane Daud. A peça fala da mídia em si, da influência que a mídia tem sobre todas as pessoas, sobre como um fato é interpretado e como é passado. Eu vivo a Maria Silva que filha de empresários e eles não têm muito tempo para mim e, viajando, colocam uma pessoa para cuidar de mim, uma "mãe de miss", que me ensina etiqueta e o que deve fazer. Só que ela detesta tudo isso e foge de toda esta mídia. Aí conhece uma menina que quer isto tudo, então elas trocam de papéis e rola toda esta confusão. Estou me divertindo muito. Terá a Apoena Gurggel, o Fabiano Augusto e o Alex Morenno.
(05:53:37) luluzinha: voce tem facilidade para comédia? ou é mais facil trabalhar com drama para voce?
(05:55:52) Monique Alfradique: luluzinha, os dois são opostos e bem difíceis. Eu gosto muito de comédia e o drama também tem o seu lado, então fico no meio terno, não consigo escolher. Agora estou numa pegada totalmente comédia com as peças "A Comédia dos Erros" e "A Garota Número Um". Para fazer rir não dá para fazer qualquer palhaçada, não dá para fazer qualquer coisa. Já o drama se souber tocar no ponto certo que remete ao passado também traz uma emoção.
(05:52:44) camila: monique, queria q vc falasse um pouco sobre sua carreira. vc começou com paquita, né?
(05:56:47) Monique Alfradique: camila, eu comecei fazendo teatro. Sempre conciliei teatro com TV e agora consegui conciliar estes dois espetáculos. Trabalhei com publicidade, fiz participações em algumas novelas como "Vira Lata" e "Pecado Capital". Isto foi antes de trabalhar com a Xuxa. Depois fui trabalhar com ela e depois voltei para teatro.
(05:53:46) joao u.: Monique, você pretende fazer uma tour com a peça? :)
(05:57:08) Monique Alfradique: joao u., em setembro estarei em Campinas com a "A Garota Número Um" e tem a possibilidade de "A Comédia dos Erros" ir para o Rio, mas não tem nada concreto.
(05:55:03) escravo da Monique: qual foi a coisa mais inusitada que um fã já fez por vc...
(05:57:50) Monique Alfradique: escravo da Monique, acho que foi uma carta que recebi com várias fotos, um book dele, ele estava como pretendente mesmo. Ele fez isto acreditando nesta possibilidade. Foi a coisa mais inusitada que me lembro.
(05:56:14) Ironika®: Leticia Spiler diz que teve q lutar demais para tirar a imagem de paquita e ser encarada como atriz, acha q teve o mesmo problema?
(05:58:47) Monique Alfradique: Ironika®, eu não sinto isso porque a minha geração foi bem diferente da geração da Letícia. Ela cresceu junto com a Xuxa e a nossa foi a terceira geração. Não chegamos a lançar CDs. Então as Paquitas ficaram mais presentes naquela época do que na minha época. Até porque eu sempre conciliei o teatro com isto, eu sempre voltei muito a minha atenção para isto, o que ajudou um pouco também.
(05:56:56) caio: Monique, você acha mesmo que a série Malhação é uma escola para os atores da nova remessa?
(05:59:53) Monique Alfradique: caio, sem dúvida, é sim, até porque lá se grava muito, se grava de segunda a segunda, é uma cena atrás da outra, é uma frente só. Até em cenas onde não temos falas estamos presentes porque é sala de aula. Por isso aprendemos até com as outras pessoas que contracenam conosco. É mais cansativo do que novela que tem vários núcleos, assim se grava de três ou quatro semanas. É mais tranquilo, tem épocas em que o nosso personagem está mais em evidência e por conta disso gravamos mais, mas fora isso tem este equilíbrio.
(05:57:21) escravo da Monique: vc tem algum ritual antes de pisar no palco....
(06:01:24) Monique Alfradique: escravo da Monique, eu tenho um ritual que é sempre beijar o chão do teatro, mas bem escondidinho. Também faço uma oração para o meu anjo da guarda, sou católica. Peço forças ao Dionísio. Uma coisa engraçada é que em toda a estreia minha eu me machuco, então já encarei isso como uma coisa natural, que é o Dionísio, deus do teatro, dando boa sorte. Em Paulínia eu rolei na escada. Quando era pequena em uma das minhas primeiras peças eu me machuquei no dia da estreia, fiquei com um ponto no queixo, tenho uma marca até hoje.
(05:59:08) escravo da Monique: qual personagem da História vc gostaria de interpretar....
(06:02:11) Monique Alfradique: escravo da Monique, são tantos personagens históricos, tenho vontade de fazer um monólogo futuramente. Talvez "Joana D'Arc". Uma vez vi uma montagem com a Christiane Torloni que me deixou encantada.
(06:02:23) Monique Alfradique: Estou praticamente morando em São Paulo, vou poder assistir outras peças aqui.
(06:00:00) VICTOR SARRO: como você conseguiu ingressar na rede globo .?? foi dando a cara a tapa ou alguma indicação ?
(06:03:04) Monique Alfradique: Victor Sarro, são os dois. Eu trabalhei como paquita com a Xuxa, depois passei um tempo em São Paulo rodando o interior com um espetáculo. Quando voltei para o Rio trabalhei como atriz com a Xuxa, participei do Programa da Xuxa em historinhas infantis. E na época a direção foi do Talma que me convidou para a próxima novela que ele iria dirigir, A Lua me Disse. Foi a minha primeira personagem.
(06:00:24) CRIS: vc ja recebeu convite pra posar nua, voce pensa nessa possibilidade?
(06:03:32) Monique Alfradique: Cris, não recebi, até porque não abro muito espaço para isso. Mas não digo nunca. Fiz um ensaio já faz um tempinho, mas isto não é a minha praia.
(06:02:41) Luara: Monique, li uma entrevista que o ator Marcelo Medici rasgava elogios a vc, sobre um episodio de Casos e Acasos e sobre a sua ida a Brasilia para reivindicar a meia entrada em Teatro. Vc é engajada em politica?
(06:04:23) Monique Alfradique: Luara, temos que ficar a par de tudo, ainda que somos uma referência. Tudo o que falamos repercute nos quatro cantos. Temos que estar a par de tudo e ter uma opinião sobre cada tema para poder se posicionar.
(06:05:00) Monique Alfradique: Sobre a meia entrada: É complicado ter uma opinião. Acho que não deve ter uma cota para isso. O ideal seria que deixasse como está ou que diminuísse o valor do ingresso, pois às vezes é posto um preço de R$ 120 sabendo que pagarão meia entrada.
(06:03:25) te amo monique: em qual atriz voce se inpirou para ser atriz ?????????
(06:06:41) Monique Alfradique: te amo monique, não busco a carreira de uma pessoa, mas vejo os exemplos a minha volta. O Toni Ramos me inspira muito, pois é uma pessoa que tem o lado pessoal totalmente preservado. Isto sem contar que é um profissional maravilhoso. Às vezes as pessoas são famosas não pelo trabalho que fazem, mas mais pela vida social que levam. Eu evito comentar de minha vida pessoal, falo o mínimo e tento me voltar totalmente para o meu trabalho para as pessoas continuarem me acompanhando como atriz.
(06:05:16) Ronan: o que passou na sua cabeça quando voce saiu de malhação???
(06:07:39) Monique Alfradique: Ronan, eu sai para fazer a novela Beleza Pura, mas foi com o coração apertado, pois foi maravilhoso. Todos me receberam super bem, é uma família mesmo. Aquela choradeira quando acaba é real mesmo, pois é uma família.
(06:05:22) caio: Monique, você acha que temas como poesia popular não deveriam adentrar na ideologia das novelas globais como forma de enriquecer culturalmente os brasileiros?
(06:08:57) Monique Alfradique: caio, acho que sim, mas isto é uma proposta da emissora, isto é discutido entre eles e nós não opinamos muito. "Hoje É Dia de Maria" trouxe um pouco isso, também "Capitu" e "Decamenon". Eles estão tentando aos poucos, mas não como uma grade fixa da emissora.
(06:10:27) Monique Alfradique: Sobre a queda de audiência das novelas e reality shows: É uma escolha mesmo, as pessoas preferem ver um reality show a uma trama. Não dá para comparar com antigamente porque hoje tem internet, antigamente não havia entrevistas pela internet como agora. Então acho que é por conta deste avanço tecnológico também. Hoje temos muito outros recursos, temos as séries americanas também que são maravilhosas. Acabei de ver "Sete Palmos" que foi maravilhoso. É bacana porque a cada episódio tem uma historinha e como sou muito ansiosa não preciso esperar o dia seguindo para assistir no mesmo horário.
(06:06:50) Luara: É mais dificil para uma jovem atriz tão bonita como vc, conseguir ser vista como talentosa? Te acho uma excelente atriz, mas as pessoas tendem a rotular a pessoa pela aparencia. O q vc acha disso?
(06:11:29) Monique Alfradique: Luara, acho que rotulam sim, por isso tento fazer sempre personagem que não tem muito a ver comigo e mudo de visual. Até este lado de posar sensualmente não tem muito um porquê, pois não é para mostrar um talento.
(06:06:29) Carlos Silva: Monique, nos tempos de hoje em que a mídia expõe tanto os artistas, e que a Megan Fox diz comparar a profissão com a de uma "prostituta", como você se enxerga atriz? Têm esse tipo de complexo em lidar com a fama?
(06:12:34) Monique Alfradique: Carlos Silva, não, isto depende de como cada um leva a sua vida. Eu sou tranquila e não deixo de fazer nada que tenha vontade. Se eu encarar de outra forma as pessoas irão encarar de outra forma também. Tem esta coisa de "prostituta", digamos assim, hoje em dia é muito mais valorizado, não tem esta rotulação, era mais no tempo das vedetes e no teatro de revista. Hoje tem um respeito maior.
(06:11:29) danilo: Monique gostou de participar do clipe "Alguém que te faz sorrir" do Fresno?
(06:14:09) Monique Alfradique: Danilo, eu gostei. Gosto de estar esperimentando outras coisas, o meu figurino é um figurino que eu nunca usaria...danilo, eu gostei bastante. Não sou do universo deles. Eu gosto de estar experimentando outras coisas e o meu figurino é um figurino que eu nunca usaria. Eu gosto de estar vivendo personagens diferentes, porque para era um personagem, tanto que eu fiz o clipe com outros atores. Então tinha uma história. Por isso que foi bacana.
(06:14:34) Monique Alfradique: Eu gosto de MPB, ouço Vanessa da Mata, Maria Rita. E como corro gosto de música eletrônica, pois me dá uma motivação maior.
(06:10:37) Ana Carolina: qual o maior desafio hj em dia os atores tem pra si,fazer teatro no brasil
(06:15:27) Monique Alfradique: Ana Carolina, aqui em SP são muito grandes a chances de participar de um espetáculo. Aqui tem vários espetáculos em cartaz, as pessoas procuram saber e vão assistir, tem muita coisa acontecendo, tem vários projetos musicais aparecendo aí. Então tem oportunidades sim.
(06:14:34) quero ser ator: Monique o meu sonho é ser ator por onde eu posso começar.
(06:16:57) Monique Alfradique: quero ser ator, a escola de teatro te dá uma base para qualquer carreira que for seguir, tanto no cinema como na TV. Eu não tenho uma preferência, faço um tanto quanto o outro. Fiz curso de teatro no Tablado, no Rio, com o Tourinho, Deus o tenha. Ele tinha a comédia no sangue. Fiz curso de expressão corporal, aula de voz, de canto, pois tudo é válido. O melhor exercício é observar e tentar fazer alguns cursos específicos.
(06:15:40) Ana Carolina: qual foi o papel mais dificil.que vc fez até hj,na sua opnião?
(06:17:26) Monique Alfradique: Ana Carolina, para mim o difícil é sempre o que está vindo, agora é a Luciana na "Comédia dos Erros".
(06:18:39) Moderadora/UOL: Caros internautas: o Bruno Garcia chegou. A partir de agora, mandem perguntas para ele também. Obrigada, equipe do Bate-papo UOL.
(06:19:36) Monique e Bruno: Ola, tudo bem... (Bruno Garcia)
(06:20:11) Monique e Bruno: Peço desculpas a todos, me atrasei por um motivo de força maior. (Bruno)
(06:08:59) Carlos Silva: Monique, você têm site oficial? O que acha dos artistas que possuem site e usam o microblog Twitter? Você também têm seu lado tecnologico e de interação com os fãs pela internet?
(06:21:50) Monique e Bruno: Carlos Silva, eu mal abro os meus emails, não tenho Orkut ou twitter. Até tem um blog sobre mim, mas é feito por umas fãs de São Paulo. Então estou devendo essa, é um lugar onde tenho que estar com mais presença. (Bruno) Eu vejo emails sempre. Tenho um blog que uma pessoa faz para mim, mas sou eu quem controla. Tem vários fakes meus, não tenho Orkut. (Monique)
(06:15:36) SSS: Em relação às novelas, não há uma grande necessidade de novos e ótimos escritores? A renovação de escritores não é um ponto mais crítico na TV do que a renovação de atores?
(06:23:32) Monique e Bruno: SSS, não acho, até porque hoje está havendo oportunidade. (Monique) Tem uma coisa complicada para autor de novela, pois não existe escola. Uma vez Mario Prata, um autor de novelas, falou que novela não é como um romance ou conto em que o escritor tem sempre um guardado na gaveta. Então o aprendizado é feito com a feitura. É uma renovação que não é tão rápida ou automática como em outras áreas, então é natural que vejamos com menos frequência do que em outras áreas. (Bruno)
(06:21:24) ruffus: vcs ja tinham trabalhado juntos alguma vez ou é a primeira
(06:23:53) Monique e Bruno: ruffus, é a primeira vez que trabalhamos juntos.
(06:21:07) brubs: Qual foi a cena mais estranha que vocês ja fizeram?
(06:25:32) Monique e Bruno: brubs, eu não diria estranha, mas já tive que nadar nu com a dublê da Adriana Esteves que também estava nua, então confesso que foi um momento um pouco estranho em minha vida profissional porque era a primeira vez que fazia uma cena deste tipo, mas foi bem interessante por sinal. Também quando estreei na Globo fazendo Caso Especial eu interpretei dirigindo um automóvel pela primeira vez, isto não dá para fazer no teatro. (Bruno) Estranha não, mas o que me deixou mais apreensiva foi a minha primeira fez que fiz novela, eu estava seminua e fiquei um pouco tensa. (Monique)
(06:22:56) camila: bruno, já perguntamos para a monique, mas queria saber de você também: já tinha feito shakespeare antes? que tal a experiência?
(06:27:04) Monique e Bruno: camila, eu já tinha feito "O Mercador de Veneza" que também é uma das peças consideradas comédia do Shakespeare. Foi uma comédia muito gratificante. Eu substitui o Marcelo Escorel que não podia viajar com o espetáculo. Também fiz um "Hamlet" em uma adaptação, um Hamlet meio pop, meio estilizado e tal. Shakespeare é sempre instigante, um dos nossos filósofos, um ser humano que trouxe grandes contribuições para o pensamento ocidental, ajudou a moldar o homem moderno, pois tinha uma visão muito avançada do mundo. (Bruno)
(06:20:45) Ana Carolina: bruno como foi sua preparação para esse papel que vc estará fazendo agora?
(06:29:45) Monique e Bruno: Ana Carolina, foi uma situação bem inusitada, eu entrei na peça a três semanas da estreia junto com o Marcelo Laham. E o fato de cada um fazer um par de gêmeos foi um grande desafio. O fato de eu ter conseguido decorar o texto já foi um grande avanço. Digamos que a preparação foi bem cansativa. Eu moro no Rio, tenho uma filha lá, destas três semanas eu emendei duas direto do hotel para o ensaio e do ensaio para o hotel. (Bruno) Nem dava tempo de ficar doente. (Monique) Mas estou acostumado com isso, pois na TV é um pouco assim. Mas saio um pouco para refrescar, sair um pouco para voltar com força. (Bruno)
(06:20:52) bonito: vc pensa em um dia fazer um papel dramático?
(06:33:19) Monique e Bruno: bonito, não chega a ser uma escolha, já fiz papéis dramáticos, aliás, acho que só fiz isso. É a minha primeira levada de comédia apesar de gostar muito. Então não tem muito isso, é mais pelo que se trata do que pela escola pela comédia ou drama. (Monique) Existe um grande mito, as pessoas em geral acham que os atores escolhem o que fazem em sua carreira. Isto não existe. Nós fazemos o que aparece. Não temos este direcionamento de carreira como acontece nos EUA, lá o esquema é outro, tem agente e tudo o mais. Para chegar a um nível deste demora bastante. Agora que estou me colocando em uma situação que dá para pensar em adiar algum projeto achando outro mais interessante. Mas isto demora muito para acontecer. Eu gosto muito de drama, sempre fui puxado pela comédia que dá prazer as mim e as pessoas. Mas é muito difícil, a comédia é matemática, não temos muita possibilidade na variação do ritmo de uma fala, por exemplo. Se as falas não forem dadas no ritmo correto não tem a piada. Já o drama tem outro caminho, é um mergulho em seu interior para buscar as emoções. Na TV fiz Queridos Amigos no ano passado quando fiz um personagem denso e dramático bem longe do núcleo de comédia, isto foi bem enriquecedor e também para mostrar para as pessoas que não só um palhaço de fazer graça, sou um palhaço de fazer chorar também. Os dois têm os seu grau de dificuldade. A comédia é mais técnica, ela precisa de um aparato matemático que o drama às vezes não precisa, ele é um pouco mais solto, você pode fazer uma determinada cena das maneiras mais variadas, mas exatamente por isso que pode ocasionar as dificuldades, se tem várias maneiras de fazer pode ficar em dúvida de qual a melhor. Na comédia muitas vezes é só daquela maneira, é tudo mais preciso e a dificuldade do drama é a imprecisão. (Bruno)
(06:21:55) SSS: Bruno, você tem algum plano de voltar com a série "Sexo Frágil"?
(06:34:10) Monique e Bruno: SSS, eu pretendo, mas não depende de mim. Este programa teve muita aceitação. É possível voltar, mas não depende só de mim. (Bruno)
(06:24:54) danilo: Bruno pretende digirir outra peças de teatro como fez em Apareceu a Margarida? E comofoi dirigi-lo? Gostou?
(06:35:19) Monique e Bruno: danilo, "Apareceu a Margarida" foi o meu terceiro trabalho de direção. Ela irá voltar. Iremos fazer pelo circuito Sesc no interior do RJ. Irá voltar com tudo. É uma delícia dirigir, uma oportunidade de ver o outro lado, o que enriquece bastante como ator. Eu gostei muito e pretendo dirigir bastante ainda na minha carreira. (Bruno) Já pensei em dirigir, mas agora nem pensar, tenho muito o que ser dirigida ainda. (Monique)
(06:28:25) kika: bruno, tem planos para o cinema? tenho muita vontade de ver voce e suas tiradas ótimas de comedia na telona! beijos, voce é tudo!!!
(06:36:45) Monique e Bruno: kika, recente tem o "Saneamento Básico" do Jorge Furtado. Tem "Lisbela e o Prisioneiro" e o "Auto da Compadecida". Tem o "Cleópatra" esteve em cartaz por pouco tempo, mas que passou no Canal Brasil. Também estou aguardando novos convites e propostas. Cinema é muito demorado para se consolidar. Então tenho algumas propostas, mas nenhuma concreta ainda. (Bruno)
(06:26:16) Carlos Silva: Bruno Garcia, nada contra mas eu preferia falar com a Monique. :-) Brincadeiras a parte, como vocês dois acham que os espetáculos de teatro têm amadurecido para atrair novos públicos? Vocês acham que o cinema é um concorrente do teatro?
(06:39:58) Monique e Bruno: Carlos Silva, não acho. O teatro tem o seu público fiel, mas também tem a levada de quem está fazendo, os autores. Aqui em SP tem muito mais a influência do teatro, mais do que no RJ. (Monique) O amadurecimento do público existe. Uma questão em que o teatro precisa se renovar e resolver é a questão dos custos. O teatro é para ser visto várias vezes, o grande lance de uma peça de teatro é poder ver algumas sessões para poder ver a magia que aparentemente é a mesma coisa, mas nunca é da mesma forma. O teatro surgiu desta maneira. É o lugar aonde se vai para ver, então se vai para ver todo dia. Como hoje em dia isto é impossível devido aos custos existe uma certa elitização do teatro que acho muito perigosa. Por outro lado existe várias iniciativas para não distanciar o público do teatro. Gosto muito de me apresentar em São Paulo porque o público é muito mais variado. Temos público de teatro de várias classes sociais. As pessoas são instigadas para ir ao teatro, tem muitas sessões gratuitas ou de baixo custo para fomentar este tipo de contato. É fundamental que tenhamos uma sociedade consumindo teatro, porque o teatro é auto-crítico, é onde você vai para se ver, para ver o homem, para rir de si mesmo ou chorar de si mesmo, vai ver a própria sociedade sendo retratada. E pelo fato de ser ao vivo, isto é muito próximo. Podemos modificar de acordo com o público, muito diferente do cinema que é igual em qualquer lugar do planeta. Uma peça de teatro não é a mesma mesmo com as mesmas pessoas de um dia para o outro. Então não tem como comparar o cinema com o teatro. Mas o teatro precisa encontrar um caminho para voltar a ser acessível. (Bruno)
(06:45:11) Monique e Bruno: Sobre a meia entrada: Isto precisa ser pensado sob vários ângulos. Faz sentido o estudante ter direito a meia entrada, pois ele não tem emprego fixo, dependem ainda dos pais. O que acontece é que se criou um comércio de meia entrada. (Bruno) Pois é, porque a partir disso foi aumentada a entrada pensando na meia entrada. (Monique) Isto também aconteceu porque a meia entrada virou algo não só dos estudantes. (Bruno) Hoje qualquer pessoa pode ter a carteirinha, hoje em dia isto é muito fácil. (Monique) Então são várias questões que se encontram que não é só uma questão de opinião. Tem que organizar todo o sistema que envolve isto para que as pessoas não burlem esta possibilidade, pois isto vai elevando o preço do ingresso. Com certeza é elitista e proibitivo, pois mesmo quem tem para dar às vezes prefere fazer um programa mais em conta. Porque hoje para ir ao teatro gastamos um dinheiro bastante considerável. Eu mesmo como consumidor de teatro acho caríssimo. Faço muita questão de pagar mesmo quando seja peça de amigos. Hoje é tão caro o aluguel dos teatros que a cotas de convites desabaram. Temos limites curtíssimos para isso porque senão não geramos receita diária. É muito complicado produzir um espetáculo. Se baixasse os preços seria outro braço da complexidade desta história. Hoje porque está tão caro? Está faltando fomento. O teatro pode até ser comercial como na Broadway. Mas isto é só uma parte da história. O teatro é artesanal e precisa ser fomentado pelas nações. Isto acontece no CPT com o Antunes Filhos, ele conseguiu desenvolver este trabalho sofisticadíssimo na pesquisa teatral porque foi subvencionado. Se não tiver insumos de fora não irá conseguir porque não gera lucro de saída. Então o teatro está um pouco preso a questão de precisar dar lucro, de ser comercial. E o teatro experimental está precisando de um reforço externo porque jamais irá conseguir sobreviver com força por meio de sua bilheteria. Não sei se a cultura tem que dar lucro. No caso do cinema é diferente. Porque o cinema é industrial. Pode-se ter um cinema artesanal com menos cópias, tudo barato. Mas pode fazer um filme barato e transformá-lo em um sucesso mundial. Já uma peça teatro terá o tamanho que tem, não pode ser encenada em várias capitais do mundo ao mesmo tempo. Este artesanal do teatro o torna muito único. Por isso é muito estranho que as pessoas queiram que ele dê lucro. O lucro que o teatro poderia dar é a felicidade das pessoas e cada vez mais cultura. (Bruno)
(06:30:49) carola: bruno, vc disse q fizeram exercícios para se preparar para a peça. qual sua relação com a preparação de elenco? acredita q métodos como o da fátima toledo funcionam?
(06:48:45) Monique e Bruno: carola, nunca trabalhei com a Fátima Toledo, mas visivelmente eles funcionam. De todos os filmes em que ela trabalhou os resultados foram bem interessantes. Mas eu sinceramente não tenho a menor vontade de trabalhar com os métodos dela. Eu vejo a interpretação como algo lúdico, gosto de fingir, gosto de iludir as pessoas. Gosto de chorar de mentira e as pessoas acharem que estou chorando de verdade. Não acho que para atingir determinada emoção tenhamos que vivê-la. Psicologicamente isto é bastante complexo, não tenho muita vontade. Mas é óbvio que existem vários métodos que são eficazes. (Bruno) A não ser que você não consiga atingir. (Monique) Tenho grandes amigos que trabalham e admiram o trabalho dela. É uma questão só de direcionamento, de tendência, de como vê a profissão, para mim o grande lance é a ilusão, senão passa a ser documentário. (Bruno) Eu sou como o Bruno, acho que aí está o nosso trabalho. A nossa mentira é de verdade. A faculdade de ator é faculdade da mentira, a gente impressionar sem ser a realidade. Porque para passar um sofrimento passando por um sofrimento qualquer poderia fazer. (Monique)
(06:49:42) Monique e Bruno: Venham nos assistir na peça "A Comédia dos Erros". Esta é uma oportunidade de ver dois atores fazendo dois pares de gêmeos. O grande mistério é saber como eles se encontram no final. Vão ao teatro Imprensa para descobrir isso. Obrigado.
(06:50:07) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Monique Alfradique e Bruno Garcia e de todos os internautas. Até o próximo!