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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Rodolfo Bottino - 31/07/2009 às 15h00

Após quatro anos de sucesso no Rio de Janeiro e em diversas cidades brasileiras, chega ao restaurante Oggi (São Paulo) a peça "Risotto!". Em cartaz por tempo indeterminado e com texto de Luiz Salém e Stela Miranda, o espetáculo une artes cênicas e da culinária contando histórias de família tendo a comida como tema central e, entre comentários e dicas gastronômicas, o ator cozinha um panelaço de risoto para a plateia. Bottino, que ficou famoso em todo país após interpretar Lauro na minissérie "Anos Dourados" (Globo), diz como trocou a carreira de ator pela de apresentador e chef de cozinha, revela como uniu essas duas paixões em um só local e também fala sobre as experiências pessoais que mudaram sua vida.

  • Ouça entrevista com o ator para a rádio Jovem Pan
  • Restaurante no teatro -ou vice-versa
  • Ator sai do armário e revela ser soropositivo
  • Serviço do espetáculo "Risotto"
  • Receitas de risoto na TV UOL
  • Assista ao vídeo da conversa:

  • Participaram do Bate-papo 180 pessoas


    (03:02:49) gustavo: oi rodolfo

    (03:05:05) alice: oi, rodolfo, sou su fã, grande abraço!

    (03:07:00) Rodolfo Bottino: É um prazer estar aqui com vocês...

    (03:10:32) Rodolfo Bottino: Eu nunca deixei de fazer teatro, mas queria fazer programa de culinária, um sonho antigo. Hoje além da peça "Risotto" eu faço outras coisas. Este ano eu fiz um espetáculo de Shakespeare e vamos continuar fazendo em festivais. É a peça "Medida por Medida" onde faço a cafetina Japassada. São 13 atores homens que fazem também as personagens femininas. É um espetáculo deslumbrante com a direção de Gilberto Gawronski. Mas não dá para viajar com 13 atores. E estou dirigindo a peça "Sem Medida". Eu faço a peça "Risotto" há cinco anos, mas a única cidade onde não fiz esta peça foi São Paulo. Durante este espetáculo vou ensinando a fazer risoto, conto a história do personagem que não é a minha vida, tudo é o universo italiano, quer dizer é a cara de São Paulo. Tem gastronomia, italiano e comédia. Então estou muito feliz porque a peça foi muito bem recebida. Já morei em São Paulo por várias vezes com várias peças e aqui me recebem muito bem. É uma cidade que foi se desumanizando, tudo é muito longe, um trânsito, mas teve um paradoxo nesta história, as pessoas começaram a se voltar para si mesmas, para os amigos. Então hoje todo dia tenho a casa de um amigo para ir. Então São Paulo me recebe com carinho, isto é muito legal. No Rio tudo está mais difícil, tudo está mais complicado, está sendo mal administrado há tanto tempo e não tenho o dinheiro que São Paulo tem. Então esta peça está cabendo certinho aqui.

    (03:11:45) Rodolfo Bottino: A peça "Risotto" está no restaurante Oggi em São Paulo (av. Brig. Faria Lima, 4.433, Itaim Bibi, de sábado às 20h30 e domingo às 19h). Fica em um espaço super legal em frente a uma loja imensa da Suxxar. Para comprar o ingresso tem que agendar com antecedência pelo telefone 2843-8888.

    (03:06:54) Carla: Como é a peça Risotto?

    (03:12:52) Rodolfo Bottino: A peça tem um monte de historinhas _que não são da minha vida. Eu queria fazer uma peça em que eu cozinhasse e escolhi o risoto devido ao simbolismo do arroz. Ele simboliza a fertilidade, boa sorte e era uma coisa que podemos fazer de uma vez só, não tem acompanhamento. E o público todo come, tem esta jogada também. Eu já fiz esta peça para 1.200 pessoas, para 4.000 pessoas, mas o jeito que eu gosto é como faço aqui, para 80 pessoas. E é gostoso, no final eu converso com todo mundo na platéia.

    (03:15:03) Rodolfo Bottino: Eu já trouxe de Paris um saco de poivre-rosé, que é pimenta rosa, por US$ 100 na época e quando cheguei na minha casa em Búzios tinha um pé de aroeira e eu vi que pimenta rosa é aroeira. O Brasil é tão rico de ingredientes. De tudo né, de cultura em todos os lugares. Eu faço isso na peça. Este é um país onde todas as culturas sempre falaram o mesmo idioma, desde os índios. Falamos português do Oiapoque ao Chuí. Eu estudei na Itália, várias vezes na França, já fui para o Oriente. Mas eu trago tudo para os ingredientes daqui. Por exemplo, se estou em um programa de televisão e quero fazer um foie gras eu chamo um francês para fazer. Porque não acho certo mostrar em uma TV aberta, por exemplo, um foie gras ou um caviar e dizer que este prato só pode ser feito com caviar. É um deboche com quem está suando para comprar uma sardinha. Então tenho que ter esta consciência.

    (03:16:35) Moderadora UOL:

    O ator Rodolfo Bottino conversa sobre a peça-gastronômica "Risotto", em cartaz por tempo indeterminado, no restaurante Oggi (São Paulo) (crédito: Flavio Florido/UOL)

    (03:07:54) marcelo: rodolfo, em que momento resolveu unir dramaturgia e culinária? e como é a peça, pode explicar pra gente...?

    (03:16:00) Rodolfo Bottino: marcelo, tem a parte da dramaturgia enquanto o risoto está sendo feito. A cada fim de semana eu faço uma receita diferente, então dá para ir várias vezes.

    (03:09:35) Cadu_RJ: olá Rodolfo, vc acha que o Salém soube dar o tempero certo para a peça e como esta sendo fazer esse espetáculo onde vc consegue juntar duas paixões?

    (03:17:21) Rodolfo Bottino: Cadu_RJ, sempre foi uma delícia para mim, eu acho que me divirto mais que a platéia. Porque entro com tanta vontade. Mas claro que sempre fico nervoso antes. Ator que não fica nervoso antes não é bom ator. Só que hoje em dia eu sou muito mais calmo por causa dos anos de televisão. Eu tenho 20 anos de novelas, minisséries e várias coisas na Rede Globo. E a televisão me descontraiu. Eu sou engenheiro civil, também estudei arquitetura, mas comecei a fazer teatro na faculdade. Eu tinha tanto medo de entrar em cena, mas tanto medo que um dia perguntei para a Jaqueline Lorance e para a Fernanda Montenegro se um dia o prazer de estar em cena seria maior que o meu nervoso e elas disseram que sim, mas que eu nunca deixaria de ficar nervoso porque sou um grande ator. Foi até um bom elogio partindo de quem partiu.

    (03:13:11) luma: vc ensina a cozinhar na peça?

    (03:17:31) Rodolfo Bottino: luma, eu ensino de verdade a fazer o risoto de verdade.

    (03:15:23) Casanova: pensa em voltar a fazer novela ou minissérie, como Agosto, Pátria Minha?

    (03:21:20) Rodolfo Bottino: Casanova, eu penso, claro que pensamos porque pinta o convite e tal, mas no mesmíssimo momento em que estou dirigindo a peça "Sem Medida", estou fazendo a peça "Risotto" e a peça "Medida por Medida" em festivais fazer uma novela agora seria muito complicado.

    (03:22:38) Rodolfo Bottino: Eu tenho 50 anos e quando eu tinha 35 anos comecei a ficar de cabelos brancos, mas não tinha vontade de pintar, não podia mais ser pai e nem filho na novela, então não tinha mais grandes papéis. E eu sempre fiz grandes papéis. Então resolvi ir para o caminho da culinária. Eu tinha um restaurante em Botafogo que se chamava Madrugada que foi um grande sucesso e o José Hugo Celidônio, um grande chef do Rio, me chamou para dar aula no Clube Gourmet. Eu já cozinhava desde pequeno e comecei a me aprimorar na França, estudando com grandes chefes.

    (03:17:23) Dani Anderson: Lindoooo! Amo vc! Qdo vem a BH?? Sou amiga do Toninho seu irmao!

    (03:23:27) Rodolfo Bottino: Dani Anderson, ele ainda mora em Belo Horizonte. Eu vou sempre aí, mas ando meio baqueado com esta cidade porque a minha tia que eu amava como mãe se foi no ano passado. Mas amo os meus primos que estão lá. O problema é que a vida não me leva para BH. Às vezes leva, mas me aguarde porque daqui a pouco eu estou aí.

    (03:25:41) Rodolfo Bottino: Eu sempre publico onde estou. Quando eu estava em cartaz em Brasília eu escrevi muito sobre a cidade em meu blog (youpode.com.br/blog/penacozinha). No blog não falo só de gastronomia, tem várias receitas ótimas, mas falo da vida. Uma vez o meu amigo Josimar Melo escreveu lindamente sobre a peça em seu blog. Lá além de brincadeiras eu escrevo histórias minhas de verdade.

    (03:29:18) Rodolfo Bottino: O brasileiro sabe comer. Tem um poder aquisitivo muito baixo, mas sabe comer. Que coisas lindas. Eu faço um vatapá, herança da minha avó, que quem come adora. É uma das maravilhas que temos. No sul tem comidas maravilhosas. Mas tudo tem que ser muito bem feito. Por exemplo, se não reutilizar óleo a fritura não fará tanto mal. Eu tento passar isso em todos os meus programas. Eu estudei por 16 anos o movimento dos alimentos do mundo, sei de onde vem cada alimento. Vocês não sabem que beleza que é a história da batata.

    (03:17:31) Zeus Maria: O que aconteceu com o "Gema Brasil" que você apresentava na TV Educativa?

    (03:30:37) Rodolfo Bottino: Zeus Maria, era muito bacana, eu estudava a semana inteira a vida de cada convidado. Era muito trabalhoso, mas eu amava fazer. Mas entraram duas mulheres da TV Cultura que acharam que o programa não era cultural. E eu não tinha disposição para explicar para elas o que era cultura ou não. Então achei melhor me afastar. A produção do programa era minha, eu que bancava. E irei voltar a bancar outro. Isto é certo, tenho vários patrocinadores. Eu quero fazer um programa para a internet.

    (03:18:26) alice: rodolfo, quem são seus maiores ídolos na culinária e na dramaturgia? beijos!

    (03:32:19) Rodolfo Bottino: alice, beijos. Na culinária o meu ídolo e guru é o José Hugo Celidônio. Sou louco pelo Francesco Carli do Cipriani no Copacabana Palace. Adoro a Dada, da Bahia. Em São Paulo são tantos. Tem muita gente para falar. Na área artística o meu grande ídolo é o Marcelo Mastroianni e o Jack Nicholson. Eu queria ser um destes dois. Li uma entrevista com o Marcelo Mastroianni falando sobre teatro e na última linha onde falava da importância do teatro e tudo o mais ele disse que infelizmente é exatamente na hora do seu jantar (risos). Eu o conheci no Brasil. Também adoro Dustin Hoffman.

    (03:24:02) mila: Oi Rodolfo. Você não acha que a imensa abertura da gastronomia está fazendo comermos mais a moda do que a comida?

    (03:34:43) Rodolfo Bottino: mila, tem que tomar cuidado com isso, tem muita gente que faz dois dias de Cordon Bleu na França e coloca o emblema e diz que é Cordon Bleu. Mas não é. Tem que tomar cuidado para não comer o que está na moda. Tem que comer o que você gosta. Claro que alguma coisa que está na moda pode ser do seu total agrado. Por exemplo, o petit gâteau que comemos hoje em qualquer restaurante não é correto. Este foi inventado em Nova York. Porque tem farinha lá no meio, é só um pedaço que é mal assado. No verdadeiro petit gâteau foi trabalhada uma barra de chocolate cortada em fatias e congelada na neve. Depois foi feito um bolinho de chocolate com este congelado dentro. Daí o bolo assou e o congelado derreteu. Era um chocolate puro. Agora é moda comer este petit gâteau, não faz mal comer faria crua. Mas não é o verdadeiro.

    (03:35:53) Rodolfo Bottino: Eu não suporto lugares que servem muitas coisas no mesmo prato, eu me confundo, não gosto. Isto me irrita muito. Entrar em um lugar e não ter um simples filé de peixe que posso comer com coisas muito simples.

    (03:33:01) Zeus Maria: Qual o seu prato favorito e o seu cardápio diário?

    (03:36:52) Rodolfo Bottino: Zeus Maria, eu achei um boteco na Frei Caneca que é deslumbrante onde por R$ 8,50 comi um filé de frango tão no ponto que nunca vi na vida, comi arroz, feijão e salada de tomate com cebola. Fiquei felicíssimo comer isso. Adoro comer uma comida super saborosa, mas adoro também o meu arroz com feijão. Quiabo com camarão é o meu prato predileto, mas sem baba, sequinho.

    (03:29:13) cida-suzano: oi rodolfo..POR FAVORRRRR me manda a receita do molho com queijo ...esqueci o nome..aquele podrinho e verde rsss.vc fez na tv culinaria da gazeta.me manda por favor.

    (03:38:29) Rodolfo Bottino: cida-suzano, é a coisa mais simples do mundo, é o madrugada, o primeiro prato que inventei. Foi aos 17 anos. Eu estava abrindo o restaurante e todos os pratos eram da minha família. Então inventei um macarrão verde com macarrão branco. Este queijo não tem nada de podre, é um gorgonzola que vem da Itália. Isso mais nozes e passas. Entre em meu blog, Com um Pé na Cozinha, que tem. Neste fim de semana a o risto será de gorgonzola com nozes e passas.

    (03:22:40) larisa: a cada fim de cada trabalho que você se sente totalmente realizado?

    (03:40:54) Rodolfo Bottino: larisa, não sei se a palavra realizado existe para o ator. O que sentimos é um vazio muito grande. Se for filme ou televisão você não irá voltar a fazer. Teatro você até pode voltar a fazer, mas com o mesmo público e a mesma turma não vai acontecer de novo. Assim como qualquer momento da vida, nunca volta. Por isso que é tão importante vivermos cada momento, seja de amor, de briga, de mágoa, de felicidade. Todos os momentos têm que ser vividos. Senão vamos acumulando e o acúmulo nunca é bom. E nenhum deles se repete. Aos fazer 50 anos eu fiz cinco sessões de análise porque eu queria voltar para a minha juventude, mas o meu analista me disse que nenhum momento da vida volta, mas podemos continuar realizando e realizando grandes sonhos. Sonhos que achamos que são impossíveis. Isto é possível. Não precisa ser a primeira bailarina do Municipal, entra em uma aula de dança para mexer o corpo. Mas nunca pare porque quando você deixa de realizar aí você morreu.

    (03:26:21) larisa: você ja teve vontade teve vontade de seguir outras carreiras?

    (03:41:38) Rodolfo Bottino: larisa, eu já quis ser psicanalista e publicitário. Quando pequeno eu queria ser calista, podólogo, eu via a minha avó fazendo isso. Mas já fui muita coisa, fui fotógrafo de foto antiga, fui muita coisa, não dá para contar, é muita coisa...

    (03:37:14) maricleide_rs: rodolfo, queria saber como você "aguenta" o assédio das fãns?

    (03:42:51) Rodolfo Bottino: maricleide_rs, eu não tenho muito assédio de fãs, eu trato todo mundo de igual por igual. Eles só assediam quando nos tornamos um mito, meio que inatingíveis. É muito chato esta posição que as pessoas tomam na vida. Tem que tratar todos legal. As pessoas chegam perto de mim e perguntam sobre o meu trabalho, perguntam sobre mim na televisão e eu peço para irem ver a minha peça, mas não vão. Por favor, vão ao teatro, é tão bacana... A minha peça é as 19h e depois tem uma pizza deslumbrante no restaurante.

    (03:37:40) Marco Panda: Boa tarde Rodolfo. Admiro teu trabalho como ator e gourmet. Parabéns! Quro assistir à peça. Sou vegetariano. O Risoto do espetáculo leva algum tipo de carne? não quero perder a chance de provar um prato preparado por vc! supe abraço

    (03:45:10) Rodolfo Bottino: Marco Panda, neste fim de semana não vai carne. Mas liga para o restaurante (2843-8888) e pergunta qual será o risoto no fim de semana.

    (03:38:40) valeria sousa: para acompanha um bom vinho que prato vc sugere...o risoto por exmplo?

    (03:46:08) Rodolfo Bottino: valeria sousa, não, é o contrário, para acompanhar um prato que você escolhe o vinho. Agora se você já tem um super vinho um risoto ou uma massa vai muito bem. Tem que saber se é tinto, se é encorpado, se é branco doce ou muito suave...

    (03:41:05) Moderadora UOL:

    Rodolfo Bottino fala sobre sua carreira na dramaturgia e na culinária (crédito: Flávio Florido/ UOL)

    (03:40:32) Karu: Na novela Bebê a bordo vc fazia o papel de um pai cheio de filhos. Hoje na sua realidade você gosta de cozinhar pra uma grande família?

    (03:47:00) Rodolfo Bottino: Karu, gosto. A minha família já é grande e quando ela se reúne eu sempre faço uma coisa ou outra. Sempre cozinho para a minha mãe e para eles. Mas o meu dia-a-dia é sempre cozinhar para os amigos.

    (03:40:56) Rezinha: Você pensa em viajar com a peça pelo Brasil?

    (03:32:54) Rodolfo Bottino: Rezinha, eu sou contratado e faço espetáculos. Pode entrar em contato comigo pelo blog ou pela Morente Forte no tel. 3255-6183 e 3259-3545.

    (03:44:16) cida-suzano: só pra saber...os óculos são uma mania ? vc aliou a necessidade a coleção?acho mto bacana

    (03:48:47) Rodolfo Bottino: cida-suzano, eu nunca me adaptei a lentes, acho um saco. Então todos os meus óculos sempre foram muito transados. Este pesa uma grama, a armação é francesa e a lente é alemã. Claro que eu ganhei tudo isso. Mas a lente tem sete graus e não aumenta o tamanho do meu olho. Não posso operar. Mas ter grau não quer dizer que se tenha defeito no olho, quando se opera é que fica com o olho doente.

    (03:42:28) bad: Olá Rodolfo é um grande prazer falar com vc!!! queria saber oq mudou em sua vida após o seu problema de saude?como vc administra isso hj?

    (03:52:05) Rodolfo Bottino: bad, a minha vida não mudou nada, só fiquei mais elegante para a vida, cuidei mais da minha capacidade de crescer. Cresci muito. É porque tomei muitas rasteiras, foi uma atrás a outra. Por causa do processo de análise eu consegui tirar a morte que existia dentro de mim. Ela anda do meu lado, assim como de todos. Mas dentro de mim só tem vida, vontade de realizar e de fazer coisas. Eu tirei isso de letra, mas não é fácil. Aproveito para dizer que a garotada não está se cuidando, as pessoas estão transando sem camisinha. Não sei se é o momento de falar isso, mas vou falar. Está tendo umas festas pelo Brasil e pelo mundo todo onde um grupo de HIVs positivos recebem grupos de jovens saudáveis. E este grupo vai para ver quem pega. É neste nível o negócio, é seríssimo. Tenho documentos do Ministério da Saúde, da Fiocruz, da Fundação Praça 11 com relatos. É claro que não estou aqui para denunciar festa nenhuma, cada um faz o que quer. Mas é um desamor enorme, é como uma roleta russa. O coquetel não cura o HIV, por isso tem que usar camisinha. Só não pega beijar na boca, todo o resto pega. E tem que se cuidar para qualquer coisa, em tudo na vida. Eu passei por fases difíceis, mas todos passam. A escola da vida não tem férias. Por isso vamos tentar ter bom humor, vamos tentar ser pacientes com os outros, ser generosos. Porque isto já é meio caminho para a cura de qualquer coisa. A cura começa pela cabeça.

    (03:49:23) mauro: rodolfo! parabens pelo seu trabalho... queria saber com quem gostaria de contracenar que ainda nao contracenou?

    (03:53:12) Rodolfo Bottino: mauro, tem tanta gente que eu gostaria de contracenar. Nunca contracenei com a Tonia Carrero que amo de paixão. Mas contracenei com quase todo mundo porque na novela isso acontece muito. Já contracenei com a Fernanda Montenegro, com a Jaqueline Lorance. E eu adoraria contracenar com a Angelina Jolie.

    (03:50:42) Thiago: Ola, desde Anos Dourados em 1986. que papel mais lhe impressionou? Qual foi o mais prazeroso?

    (03:54:36) Rodolfo Bottino: Thiago, o Lauro Dorneles em Anos Dourados foi uma maravilha. Também amei fazer Bebê a Bordo. Mas o divisor de águas na Rede Globo foi o Bob na novela Ti-Ti-Ti. Foi uma novela em que pintamos e bordamos. Mas todas as peças que fiz eu amei, nunca fiz uma peça que eu não gostasse.

    (03:47:11) alice: rodolfo, qual sua sobremesa tipica brasileira predileta? e doces de outros países?

    (03:55:56) Rodolfo Bottino: alice, quindim, sou louco por isso. É uma forma de suicídio porque o seu sangue praticamente fica sólido, pois vai muita manteiga, muita gema de ovo e coco. Mas tem que ser perfeito e com aquela gelatininha em cima. Tem uma torta francesa que adoro de paixão. Também adoro todos os doces portugueses de ovos, toucinho do céu, ovos moles de aveiro, fios de ovos, ovos nevados...

    (03:52:31) Lucy: Rodolfo, obrigado por alertar os jovens, infleizmente eles não nos ouve (as mães...) e por conta disto, pagam com suas vidas. Sou mamãe de um rapaz maravilhoso e sem vícios, soropositovo (apenas 25 anos e emgenheiro elétrico - homossexual).

    (03:57:42) Rodolfo Bottino: Lucy, dá uma força para ele. Porque tem jeito. Claro que não é bacana ter isso, ser diabético ou não ter uma perna, mas ele é seu filho, cuida dele. Se ele tiver pai pede para ele cuidar também. Há duas semanas dois meninos se mataram e a última mensagem deles tinha sido para mim no blog. Porque eu respondi a entrada deles no blog. Aí fiquei sabendo disso, chorei a noite inteira, fiquei péssimo. Agora não respondo mais pelo meu email particular, só respondo pelo blog. Porque eu não posso fazer nada, não sou médico, não sou psicanalista, não sou sociólogo, mas tenho certeza que com amor e cuidando da cabeça ninguém vai embora antes da hora. Só vai na hora em que Ele lá em cima chama. Aí não tem como não ir.

    (03:55:31) mauro: q vc acha q é preciso para se tornar um bom chef, rodolfo? e parabens pela peça :)

    (03:58:27) Rodolfo Bottino: mauro, tem que ter um conhecimento vasto sobre os ingredientes, pois só se faz a grande gastronomia com produtos de primeira qualidade. É bacana fazer uma boa escola. E em primeiro lugar tem que ter amor na hora de entrar na cozinha, quando se cozinha com amor é muito difícil o prato sair ruim. Se fizer assim duvido que o prato saia ruim.

    (03:58:43) Rodolfo Bottino: A peça "Sem Medida" deve estrear em São Paulo antes de outubro.

    (04:01:06) Rodolfo Bottino: A batata foi descoberta no Peru pelo Pizarro em 1532 e ele levou para a Europa e imediatamente ela se tornou a base da alimentação lá. Invadiu a Inglaterra, Irlanda, Escócia, Alemanha... O último lugar foi a França. Quem levou foi o Parmentier, mas 250 anos depois, os franceses tinham nojo de batata. Eu sei até a receita que o Parmentier fez. Ele era um cara que tinha 11 profissões, entre elas agricultor e chefe de cozinha. E fez uma panquequinha de batata com caviar e creme azedo. E a rainha da época provou e adorou. Aí todos os súditos quiseram. Mas o Kennedy só foi presidente dos EUA porque deu um fungo na batata na Inglaterra, Irlanda e Escócia que matou todo o gado que também comia batata. E as pessoas morriam de fome na rua. Saiam navios da Irlanda que se chamavam navios tumba porque ninguém chegava com vida no novo mundo. Só que o bisavô do Kennedy chegou e fundou a dinastia Kennedy. Então se não existisse a batata e o fungo da batata o Kennedy não teria sido presidente dos EUA. Todos os alimentos influenciaram tudo no mundo. O Brasil só foi descoberto por causa da pimenta do reino. Eu adoro batata...

    (04:01:48) Rodolfo Bottino: A peça "Risotto" mudou a data para terminar em São Paulo, a princípio seria até 30 de agosto, mas estou tão feliz lá que vamos prolongar.

    (04:03:10) Rodolfo Bottino: Obrigado, quero mandar um beijo para todos. Transem de camisinha, não custa nada. Vão ao teatro, é tão bom e bacana, é o único veículo em que não fica gravado em lugar nenhum, ele só fica guardado na emoção de cada um. Então nada é igual ao teatro. Um beijo a todos, foi um prazer.

    (04:03:14) Moderadora UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Rodolfo Bottino e de todos os internautas. Até o próximo!

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