(03:02:09) Lopeez: Olá
(03:02:10) nayara: oi
(03:02:11) nayara: tudo bom
(03:02:11) Kauany: Boa tarde gente :D
(03:05:25) Vladimir Brichta: Boa tarde gente!
(03:09:46) Vladimir Brichta: Sobre a peça "Hamelin": eu procurava um bom texto, uma boa peça em que eu pudesse dar uma dimensão mais profunda a um personagem. Eu tenho a chance de escolher mais o que eu quero fazer no teatro do que em outros meios. Na peça, eu interpreto um juíz que quer desmascarar um caso de pedofilia e procura de todo jeito encontrar o culpado. E este é um tema que agride a gente, porque já fomos crianças, temos filhos, enfim, e sempre nos conectamos a este momento de vunerabilidade, isso mexe muito com a gente. Quando eu li a peça através do convite do André Paes Leme, meu amigo e diretor, eu achei brilhante. O texto é do Juan Mayorca, autor que faz sucesso na Europa inteira, e o texto discute não só a pedofilia, mas a responsabilidade que os adultos tem em relação às crianças. No início da peça, o público desconfia que o Rivas é culpado e ao mesmo tempo o juíz que quer tanto resolver o caso é um pai ausente em casa. A criança que sofre o abuso não é vítima solitária, sua família é miserável, não tem condições, e todo um grupo na mesma condição aceita se tornar amigo desta pessoa que pode ajudar não só com amizade, mas financeiramente também. Então todos acabam consentindo com esta situação e há uma inversão de valores. As pessoas saem tocadas do espetáculo e temos tido críticas e opiniões muito calorosas. Todos saem do teatro questionando muito e pensando no que é responsabilidade de cada um. O tema da pedofilia coloca as pessoas num estado de muita responsabilidade e prudência.
(03:02:35) cacau-rj: vlad, o que vc mais gosta de fazer? tv, cinema ou teatro?
(03:18:58) Vladimir Brichta: cacau-rj, eu sempre gosto mais de bons projetos. É mais fácil eu ter muito prazer faznedo teatro do que televisão ou cinema, porque no teatro a escolha é minha. Talvez pelo fato de eu ter feito televisão e projetado minha carreira para me tornar mais conhecido, eu posso escolher mais o que eu posso fazer no teatro. Eu estou extremamente envolvido com este espetáculo, eu escolhi o que eu queria fazer, reli textos que conheci na faculdade, então quando fiz esta escolha foi muito claramente. Às vezes aceitamos um trabalho na televisão porque estamos contratados. Já fiz também algumas novelas que me deram muito prazer, como "Kubanacan", em que eu me diverti muito, e fiz também "Coração de Estudante". Tive muito prazer em fazer esta novela e era muito gostoso assistir. Ainda que eu tenha feito duas novelas no horário das oito, essas duas foram as que eu mais gostei e são também as que mais me dão retorno do público. Fiz também ano passado a série "Faça Sua História", que só teria 16 episódios a princípio e acabou indo muito bem. A receptividade foi excelente e fizemos mais de 30 episódios, saiu em DVD ainda e foi muito prazeroso fazer também. Eu costumo me assistir na TV, principalmente esta série, que era só uma vez por semana. Se eu não assistia, pedia para a produção me passar. Como eu participava um pouco mais nesta série do que numa novela, eu às vezes sugeria temas que pudessem ser explorados, eu decupava as cenas às vezes com o diretor, então eu me senti mais parte daquilo.
(03:30:57)
Moderadora/UOL:
No espetáculo "Hamelin", Vladimir Brichta interpreta um juiz determinado a provar que um importante membro da sociedade abusou sexualmente de uma criança (crédito: Silvana Marques/Divulgação) (03:03:02) cocota: oi vladimir! tudo bom? gostaria de saber sobre seus papeis no cinema. vejo vc sempre em comedias... tem preferencia por esse genero?
(03:03:08) wesley37: na minha opnião, vc se destacou muito na tv com os papéis cômicos. como é fazer uma peça cujo conteúdo é tão intenso e de certa forma, pesado!?
(03:27:48) Vladimir Brichta: cocota e wesley37, simplesmente aconteceu. Eu não prefiro comédia, assim como não prefiro drama. Mas os meus contratantes me preferem na comédia, então não neguei nenhuma oportunidade. Eu sempre quis trabalhar com o Guel Arraes, então quando surgiu o convite para a comédia romântica "Romance", eu não hesitei. (risos) Era um sonho de infância trabalhar com ele. O João Falcão, diretor com o qual eu fiz teatro, a peça "A Máquina", e depois a comédia "Mamãe Não Pode Saber" dele também, e de repente ele fez o filme "Fica Comigo Esta Noite", no qual tinha uma turma maravilhosa. O filme era uma comédia também e o João Falcão com quem eu não podia deixar de trabalhar. Depois em "A Mulher Invisível", em que eu tive a chance de trabalhar com Selton Mello e com o diretor Cláudio Torres. Agora eu fiz um outro que não é tão comédia, inspirado em "Quincas Berro D'Água", do Jorge Amado, que é do Sérgio Machado. E como não trabalhar com ele também? (risos) Eu acabo topando, mas as pessoas é que pensam comédia para mim, e quando a proposta é irrecusável... (risos) Se eu tiver que escolher, eu nem sempre vou optar pela comédia, como fiz com o caso de "Hamelin", que não tem nada de comédia.
(03:03:23) fabi_sp: tem algum personagem que vc interpretou que marcou mais que os outros? pelo qual vc sente mais carinho? Se sim, conte um pouquinho sobre ele pra gente!!
(03:23:33) Vladimir Brichta: fabi_sp, eu tenho muito carinho por estes três personagens que aconteceram de uma forma bacana com relação ao público. Isso a TV dá, você tem uma comunicação instantânea com o público. Em "Coração de Estudante" eu fiz o Nélio, que era um peão, e foi um dos meus primeiros papéis na TV, então eu estava estudando ainda como deixar minha marca de uma forma legal, genuína, sem ser arrogante. Eu fiz também o Henrico em "Kubanacan", no qual eu desenvolvi muito mais a linguagem do humor, não só para a TV, mas levei isto para a minha carreira. Nós tínhamos muita liberdade e essa novela era de época, mas foi gravada freneticamente, num ritmo acelerado, como é hoje, só que com os carros antigos e um pouco da conduta dos anos 50. Nas duas novelas eu trabalhei com a Adriana Esteves, que hoje é minha esposa, e eu tenho muita admiração por ela e isso marcou muito o meu prazer de estar fazendo aquelas novelas. Depois eu tive o "Faça Sua História", em que fiz o Valdir, taxista, e foi muito prazeroso também.
(03:03:32) malina: É verdade o que dizem a respeito do teatro: Embora seja menos reconhecido é muito mais gratificantes??
(03:29:45) Vladimir Brichta: malina, nem sempre é mais gratificante, mas se você fizer a escolha certa, provavelmente será mais gratificante, porque eventualmente você pode participar mais do processo produtivo. Em geral, o teatro te possibilita trabalhar dois, três, quatro meses ou até mais para dar muitas dimensões para aquele personagem antes de estrear. Eu não cometeria o erro de dizer que o teatro é mais gratificante, depende do que você procura e do meio.
(03:05:24) mel ;): Oi vladi! queria saber como a globo te encontrou. vc foi morar no rio p/ ser ator?
(03:32:22) Vladimir Brichta: mel ;), eu sou de Salvador, mas nasci em Diamantina, MG, saí de Minas antes de começar um ano de vida, depois fui para a Alemanha e antes dos cinco anos, fui para Salvador. Lá eu comecei a fazer teatro amador e passei seis anos num grupo, o "Fantasia", e foi muito libertador fazer teatro criança. Eu conseguia concentrar minha agressividadade, minhas frustrações e minha sensibilidade no grupo. Quando eu tive a oportunidade de escolher minha vida profissional aos 16 ou 17 anos, eu decidi ser ator. Nunca pensei em outra coisa. Cheguei a ajudar a minha mãe a vender coco na praia em Itacaré, ela teve um quiosque, também ajudei, mas nunca vi isso como uma carreira. Eu surfava e quis até ser jogador de futebol um tempo, mas nada foi suficiente para eu virar um atleta. Rapidamente eu percebi que não seria feliz com isso, não levava tanto jeito assim. Enquanto isso, o teatro era algo que me dava muito prazer, então eu só realmente pensei em fazer teatro. Fiz dois anos da faculdade de artes cências na Bahia e, de alguma forma, era um caminho. Enquanto eu pude me dedicar aos estudos, foi ótimo. Depois comecei a viajar com o espetáculo "A Máquina", que era encantador, e a gente fazia aquilo com uma vontade enorme. Fizemos uma segunda temporada da peça no Rio de Janeiro e lá nós fomos ficando. Acabamos fazendo um cadastro na Globo. Depois de fazer a primeira novela, eu fiquei sem saber o que fazer, não sabia se voltava para Salvador, ia para São Paulo... Eu queria trabalhar e acabei ficando. (risos)
(03:06:10) deusa_mg: oi, vladimir, te acho muito lindo! como é ser um mineiro com alma de baiano?? mande um beijo pra MG por favor! E quando o hamelin vai vir pras terras do pão de queijo?
(03:42:47) Vladimir Brichta: deusa_mg, um beijo para todos os mineiros! Eu tenho muito carinho por Minas Gerais e me dá muito orgulho ir pra lá, ao mesmo tempo que me dá muita alegria ser um pouquinho de cada parte deste país. Eu tenho chance de pegar um espetáculo e ir até determinados lugares que talvez eu não iria se eu tivesse uma outra profissão. Devemos viajar para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Manaus e Brasília, pelo menos. Estamos planejando as viagens para a peça em 2010.
(03:06:27) Kauany: Clichê: Você sente ciúmes da Adriana Esteves quando ela tem que beijar outro personagem, em uma novela, filme ou seriado?
(03:45:39) Vladimir Brichta: Kauany, não, acho que eu não sinto. Sou da mesma profissão que ela. E a resposta para a pergunta está na própria pergunta: ela beija outro "personagem". É mesmo profissão e eu também não ficaria feliz se ela sofresse comigo. Seria hipócrita da minha parte dizer que não é incômodo, mas daí a dizer que tem ciúmes e sofre, acho que não. Aquilo ali não é a vida da gente. No nosso casamento não tem espaço para isso.
(03:40:53)
Moderadora/UOL:
Vladimir Brichta fala sobre os personagens que marcaram sua carreira (crédito: Flavio Florido/UOL) (03:09:07) bia alves: Olá Vladimir, te acho lindo, e queria saber quais sao seus planos para 2010! Me manda um beijo, por favor
(03:44:00) Vladimir Brichta: bia alves, estou fazendo uns testes para um filme aí e quero muito que dê certo! Quem é meu amigo, torça por mim! (risos) Gostaria de fazer esse trabalho. Meu objetivo é fazer cinema ou pelo menos esse filme no ano que vem, além de levar a peça adiante. Ao mesmo tempo, sou contratado da televisão e em algum momento deve surgir algum convite muito legal e eu volto a fazer.
(03:09:21) cadu_ator: vladimir, em quem vc se espelha para desenvolver a sua carreira? quem são seus ídolos da tv brasileira??
(03:48:59) Vladimir Brichta: cadu_ator, eu cresci admirando primeiro os atores baianos, que eu via no teatro, o Arildo Deda, Marcelo Prado, Caco Monteiro, Bertrand Duarte, Fernando Fuco... Enfim. Eu cresci também acompanhando Wagner Moura, Marcelo Flores, Lázaro Ramos, Daniel Boaventura... E isso só pra falar da Bahia. Além disso, Osmar Prado, Antônio Callone, Lima Duarte, Marco Nannini, Selton Mello. Eu admiro muitos atores e certamente estou esquecendo alguém.
(03:10:27) raquel: e a polemica da meia entrada? sempre gosto de saber a opiniao dos atores osbre isso. beijo!
(03:55:44) Vladimir Brichta: raquel, obrigado pelo beijo e outro pra você. Bom, é uma questão polêmica de fato. Acho que se a gente reduzir a meia-entrada, não necessariamente vamos conseguir sobreviver só da bilheteria, então isso não necessariamnete resolve o problema de viver do teatro. Mas existe uma polêmica porque o controle sobre o direito à meia-entrada praticamente não existe. Isso realmente banalizou e quem paga o pato somos nós, já que o governo não nos restitui desse dinheiro. É claro que entendemos que jovens e idosos precisam disso, desse incentivo, para ir ao teatro, só que a banalização é terrível. Nós não devíamos nos preocupar com isso desde que houvesse um rigor para fiscalizar a carteirinha. Você faz um curso de culinária e tem uma carteirinha?
(03:57:32)
Moderadora/UOL:
Protagonista da peça teatral "Hamelin", ator comenta a polêmica sobre a meia entrada (crédito: Silvana Marques/Divulgação) (03:16:25) rio 2016: o que vc achou do rio ser escolhido para sediar os jogos olímpicos de 2016??
(04:05:08) Vladimir Brichta: rio 2016, a questão da violência é um pouco curiosa, porque teoricamente nós estamos "passando por uma onda", mas nós não estamos passando, é uma constante, estamos passando há muito tempo. A violência é uma crescente e, enfim, eu não me atreveria dizer que medidas são boas para o Rio. Mas, se querem que o povo tenha mais cultura, é preciso também investir na segurança e na formação básica. Acho que a escolha do Brasil coloca sim o país num momento diferente em relação ao resto do mundo e isso pode ser valioso, porém ao mesmo tempo temos um país corrupto, com uma adminitração controversa. Eu não diria que sou contra, porque também tenho um lado otimista bobo que acha isso bom, mas temos que pensar no progresso e corrigir ao mesmo tempo.
(03:53:16) Vladimir Brichta: Sobre o machucadinho no rosto: eu surfo e insisto nisso, aí me machuquei. Caí e acabei machucando. Tive que dar uns pontinhos e colocar o curativo.
(03:51:12) Dany: Olá Vladimir tudo bom? Que dicas vc pode dar pra quem gostaria ou pretende seguir carreira de ator(a)?
(04:08:47) Vladimir Brichta: Dany, o que eu posso dizer é: estude. Tem gente que estudou muito, tem gente que estudou pouco e não existe muita regra, mas eu, por exemplo, procurei fazer um curso, depois entrei na faculdade e tudo isso foi fundamental na minha formação. Isso também não quer dizer que entrar na faculdade garanta que você seja um bom ator ou consiga reconhecimento. No Rio de Janeiro e em São Paulo existem inúmeros cursos e faculdades que também fornecem cursos. Eu acho fundamental procurar cursos e isso, de alguma forma, vai te levar adiante. No elenco de "Hamelin" temos três professores-atores e o diretor também é professor. Vira e mexe eles estão formando grandes atores também. Eu acho que isso é viável, investir no estudo é fundamental.
(03:59:43) Vladimir Brichta: Sobre o projeto do vale-cultura: eu li sobre isso e acho que é um jeito de estimular o público, sim. Para eu tecer maiores comentários eu deveria estar mais à par disso, mas de qualquer forma receber um valor e ele obrigatoriamente ser gasto em cultura, é interessante. Se nós queremos uma sociedade que se comunique com a cultura, acho que é preciso que haja uma transformação muito maior e profunda. Precisamos de uma boa formação básica e que lá seja estimulado o contato com as mais diversas expressões culturais. No nosso país se consome muita música porque isso é inato, está no sangue praticamente. Acho que não é preciso de tanto estímulo para alguém se envovler com música ou futebol no nosso país, mas a cultura exige um incentivo. Isso tem que ser desde o berço, senão fica muito difícil. Às vezes o cara vai receber esse dinheiro e só vai ver show de música, ou então odeia teatro e acaba virando cambista. (risos) É preciso de outras iniciativas paralelas também, as pessoas precisam ler, ir a teatro e apreciarem uma exposição.
(04:11:21) Vladimir Brichta: Acho que deu para falar de tudo, né? E, fora isso, queria dizer que estou muito feliz com o espetáculo e acho que ele merece ser visto, sim. É um espetáculo muito importante e você vai se sentir tocado ao sair de lá. O valor é de R$15,00 e o CCBB proporciona isso! É muito bacana! Tchau, tchau!
(04:11:32) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Vladimir Brichta e de todos os internautas. Até o próximo!