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Bate-papo com convidados

BATE-PAPO COM Ana Paula Padrão - 02/07/2009 às 13h00

Bate-papo UOL com Ana Paula Padrão. Jornalista conversa sobre sua estreia ao lado de Celso Freitas no comando do "Jornal da Record", que vai ao ar de segunda à sexta às 19h50. A apresentadora trabalhou por 18 anos na Globo e recentemente esteve entre os contratados do SBT onde comandou o programa de reportagens "SBT Realidade". O contrato da jornalista com a emissora da Barra Funda tem duração de quatro anos e prevê, além da apresentação do jornal diário, a produção de reportagens especiais.

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    (12:58:25) Criança Inteligent: oiê

    (01:04:34) Ana Paula Padrão: Boa tarde a todos... O "Jornal da Record" vai ao ar de segunda à sexta às 19h50. Por isso estou aqui mais cedo, daqui a pouco tenho que estar na redação da Record.

    (01:04:36) Ana Paula Padrão: Sobre a estreia do "Jornal da Record": Ela foi muito mais tranquila do que eu esperava. Há mais de dois anos que não fazia programa ao vivo, por isso achei iria ficar mais tensa, nervosa, que iria estranhar a bancada. E de fato nos programas pilotos no fim de semana eu ainda não estava confortável. Mas no dia, na última hora, quando rodou a vinheta, eu estava muito tranquila. Toda a operação foi muito tranquila, as matérias estavam lá, o jornal estava muito bem fechado especialmente naquele dia, ele sempre foi muito bem fechado, mas sabe como é a estreia, as pessoas prestam mais atenção. O fato de eu ter conversado muito com o Celso Freitas ajudou muito. Estamos cada vez com mais sintonia, mais química. Então estou bem confortável.

    (12:58:29) Daniel.BH: Boa Tarde Ana Paula... Parabêns pelo belo inicio de trabalho... Qual o grande desafio que vc encontrará sendo ancora do Jornal da Record? Tendo em vista grande ''concorrentes'' que vcs possuem!

    (01:07:02) Ana Paula Padrão: Daniel.BH, é verdade, são vários jornais bons e todos mais ou menos no mesmo horário, o horário de início da noite, e é claro que temos que levar isto em consideração sempre, respeitar a concorrência sabendo que temos que oferecer muita qualidade para conseguir competir. Mas a Record tem isso, temos feito um investimento neste sentido. Estes três primeiros dias de jornal foram muito bons. As matérias têm muita qualidade, os investimentos foram feitos nos lugares certos e na hora certa. Por exemplo, anteontem a noite decidimos mandar um repórter para Buenos Aires para cobrir a crise da gripe suína lá. Isto foi um gol da Record. Porque ontem conseguimos entrar ao vivo de Buenos Aires com o Rodrigo Vianna com matéria pronta e chamando outras matérias feitas no Brasil. Então existe um investimento na qualidade do jornal, isto me deixa muito tranquila. E eu vou tentar fazer o melhor com o que sei fazer na bancada, com o meu desempenho de bancada, neste sentido é muito importante trabalhar na mesma sintonia com o Celso. Desenvolvemos uma relação e uma química para que as pessoas percebam que o que estamos entregando é fruto do que fazemos e do nosso relacionamento. Algumas coisas em televisão são indisfarçáveis, quando tem química, tem e quando não tem, não tem. Não adianta tentar fingir. Estamos desenvolvendo isso a partir de uma relação pessoal que já tínhamos e estamos tentando transportar isto para o nosso cenário de trabalho que é a bancada do Jornal da Record. Nos conhecemos na Globo, mas nunca trabalhamos juntos em bancada apresentando o mesmo produto. Estamos tentando desenvolver estar harmonia agora, mas é muito mais fácil quando se tem um bom relacionamento com a pessoa. E é impossível não se relacionar bem com o Celso, pois ele é muito querido dentro na redação, é uma pessoa super do bem. Então será fácil, tem tudo para que dê tudo certo.

    (12:58:29) carola: oi ana paula. tudo bem? ficar em segundo lugar na audiência logo na estreia atingiu as expectativas da Record? Como vcs pretendem manter esse publico cativo?

    (01:07:55) Ana Paula Padrão: carola, esta pergunta na verdade deve ser dirigida a Record. Eu nem tenho cargo editorial no jornal, apesar de palpitar muito, eu sou apresentadora. Claro que eu olho as matérias e colaboro com o que conheço de jornalismo. Mas não é difícil entregar qualidade quando os investimentos certos estão sendo feitos. E a Record indiscutivelmente tem feito isso tanto na contratação de bons repórteres quanto no planejamento de um grupo de redação que sustente estes repórteres, que desenvolva uma linha editorial responsável e coerente de acordo com que a Record quer com o seu público.

    (01:01:26) Renan Antônio: Boa Tarde Ana Paula, como vai? Fiquei muito feliz ao ver que era você que estaria participando hoje do bate papo da UOL. Poderia informar por favor, sua tragetória acadêmica.. Obrigado

    (01:11:39) Ana Paula Padrão: Renan Antônio, boa tarde, muito obrigada. Me formei em Comunicação Social na UnB, sou de Brasília e morei lá até perto dos 30 anos. Depois fui correspondente no exterior durante alguns anos e voltei direto para São Paulo para assumir a apresentação do Jornal da Globo. Em minha licenciatura eu fiz dois cursos, jornalismo e rádio, TV e cinema. Duas especializações em cinco anos de curso. Mas objetivamente a minha grande formação é nas redações. Já passei por rádio, revista e estou em TV desde o final de 1986. Na verdade em alguns momentos fiz coisas concomitantes, mas tenho uma formação bastante geral. Nunca fiz jornal impresso, mas já fiz artigos e colunas. Então tenho a formação clássica de um repórter considerado completo. Como ter passado por Brasília, uma grande escola, depois de passar por Brasília sabemos o que é cobertura de governo, de presidente, de Legislativo, de Judiciário e o que é a cobertura de uma grande decisão que atinge o setor produtivo nacional e as pessoas comuns de maneira geral. Passei por todos os planos econômicos desde o governo Sarney até o plano final de estabilização econômica em 1994. Fui correspondente internacional que é muito importante para a formação de um repórter, fiz grandes coberturas internacionais e cobri assuntos específicos, fiz de tudo um pouco no exterior. E a minha formação se completou sendo âncora de um grande jornal, o que estou retomando agora. Mas a minha formação é muito mais a de repórter de rua. Uma vez disse que a bancada é muito mais para fim de carreira e fui muito mal interpretada, o que eu quis dizer é que considero muito mais fácil chegar a bancada quando já se tem uma história de reportagem que te garante saber como é toda a confecção de uma matéria e quando você já passou por um rol de assuntos que te dá alguma autoridade para apresentá-lo para quem está em casa. O telespectador não é bobo, ele sabe que é assim.

    (01:03:01) REPÓRTER ESSO: Boa tarde,A.P.P. : Vc, como conceituada jornalista como vê a queda do diploma para exercer a profissão?

    (01:15:05) Ana Paula Padrão: Repórter Esso, eu sou um pouco contra a corrente geral neste assunto, não sou defensora de que o jornalista tenha que ter diploma para poder exercer a profissão. Primeiro porque a verdadeira formação de um jornalista não está nas escolas de comunicação e sim nas redações. Segundo porque os pré-requisitos para ser um bom jornalista não são aprendidos nas escolas de comunicação. Para ser um bom jornalista tem que ser basicamente um curioso, tem que perseguir a verdade acima de qualquer coisa, checar todos os fatos um cem número de vezes, ou seja, tem que ser muito minucioso em sua apuração. E o principal, tem que ter vocação para o jornalismo. Jornalismo é uma profissão vocacionada. É como ser médico, se não tiver vocação, jamais será um bom médico. Se não tiver vocação para o jornalismo jamais será um bom jornalista, pois você é jornalista o tempo inteiro em sua vida. Você é jornalista quando está de férias, no fim de semana, está sempre apurando alguma coisa, você é um curioso 100%. Então vocação não se aprende, tem que ter. Claro que os aspectos técnicos se aprende, é saudável que a redação se abra para profissionais cada vez melhor formados. É evidente que tem que ter um diploma, mas não poderia ser outro e com uma especialização, um mestrado ou uma pós-graduação em jornalismo? Assim a redações serão mais arejadas e irá trazer um leque maior de profissionais que poderá até melhorar a qualidade do jornalismo que fazemos. Eu me formei em jornalismo porque era a faculdade possível no momento. Preferia ter feito filosofia e ser jornalista, mas não podia fazer isto naquela época. Mas dar esta chance para ter uma formação acadêmica sólida em determinada área que te dê uma visão geral e estratégica do mundo e uma boa formação humanística é muito importante para escrever bem sobre as coisas depois. Então se você tiver vocação, é indiferente o tipo de curso que fizer, você será jornalista.

    (01:01:29) Daniel.BH: Qual foi a notícia que vc deu que mais te chocou nestes anos de carreira?

    (01:16:28) Ana Paula Padrão: Daniel.BH, tem várias, todo dia me choco com alguma coisa. Ontem me choquei com uma frase de um entrevistado do Jornal da Record. Ele disse: "Mais uma morte, mais uma estatística. Ninguém vai fazer nada?". Às vezes o que o cidadão diz no momento de indignação desperta a sua raiva, o seu desejo de mudança. Eu acho importante mantermos a capacidade de se indignar. O jornalista que fica amortecido, que não se encanta mais por nada ou que não fica mais indignado com mais nada perdeu a capacidade de ser um bom jornalista, um bom repórter. Claro que cobrimos as mesmas coisas ao longo da vida, mas cada vez que cubro o mesmo fato me sinto foca de novo e tenho o mesmo sentimento de paixão ou de indignação e raiva que tive no começo da carreira. Então todo dia sou um pouco foca e fico indignada com alguma coisa.

    (01:17:50) Ana Paula Padrão: O que me move sempre é gente, pessoas, gosto de cobrir pessoas. Tanto faz se estão sendo afetadas por uma medida econômica, uma catástrofe natural ou que estão sofrendo porque estão em uma região de conflito. Para mim é indiferente em que momento vou cobrir, contanto que envolva pessoas. Por exemplo, em uma guerra nunca me interessou a estratégia militar, o que sempre me interessa é a consequência sobre as populações envolvidas. Eu tento cobrir em uma área de conflito as pessoas e suas emoções porque elas estão em seu limite. Em uma situação em que estamos permanentemente correndo risco de vida ficamos o tempo inteiro trabalhando no limite. É isto o que eu tento de alguma maneira registrar e passar depois para um veículo que tenha uma limitação dimensional e quando conseguimos passar a emoção é uma grande vitória. É isto o que tento sempre.

    (01:01:26) AnaBeatriz Camargo: Boa tarde, Ana! Primeiro parabéns pela estreia e pela série S.O.S. que está maravilhosa! Você é uma inspiração para esta (aspirante a) jornalista. Gostaria de saber sobre os workshops que você pretende ministrar e sobre as reuniões do Mind The Gap.

    (01:21:33) Ana Paula Padrão: AnaBeatriz Camargo, este é um assunto muito importante para mim. Nestes últimos anos senti muita vontade de retornar o meu conhecimento para as gerações mais novas. Fui levada a isso porque sou muito chamada para conversar com alunos de comunicação e de outros cursos. Chamo estes eventos de Mind the Gap porque existe um gap entre a formação profissional e o mercado de trabalho. Nos últimos dez anos a revolução na comunicação foi tamanha que mudou tudo, não só nos veículos tradicionais de comunicação como em outras áreas onde a comunicação está presente. Então percebo que quem está saindo de um curso de comunicação ou que está enfrentando o mercado de trabalho pela primeira vez não sabe que importância pode ter. Hoje se pode comunicar de milhões de maneiras e se perguntam para aonde vão. Hoje tem jornalistas em tudo o que é área, é o segundo impacto que eles têm. Para quem vão trabalhar e como? Se eu conseguir juntar este grupo de pessoas que estão terminando seus cursos e começando no mercado de trabalho com grandes líderes de vários setores que sejam de alguma maneira uma inspiração para estes jovens irei conseguir com que eles vejam melhor o mercado por meio de pessoas bem sucedidas em várias áreas. E fazer com que estes líderes setoriais enxerguem as angústias de quem está entrando no mercado de trabalho. Juntar estas pontas. Isto acontece em muitos países no mundo. Quero roubar um pouco do tempo de grandes ídolos para que sejam inspiração para quem está chegando. Espero fazer o primeiro destes encontros daqui a dois meses. O projeto está completo e logo estarei fazendo um boca a boca nas faculdades chamando as pessoas para participar. Isto é uma coisa interessante e quero fazer em caráter permanente daqui para frente.

    (01:02:08) Nando: Oi Ana Paula. Sou seu fã. Como você consegue dividir seu tempo entre a sua produtora, a Touareg Agência de Conteúdo e a Record

    (01:23:11) Ana Paula Padrão: Nando, não é fácil mesmo, estou trabalhando 11 horas por dia. O primeiro expediente é na Touareg e o segundo experiente é na Record. Estou trabalhando em tempo integral nos dois períodos. Mas estou conseguindo fazer isso porque a minha produtora está madura o suficiente para isso. Já temos dois anos e meio no mercado e a Keila Castro é muito boa, ela tomou as rédeas da empresa enquanto tomo decisões estratégicas. O dia-a-dia está sendo feito por eles. E como não tenho nenhuma obrigação editorial no Jornal da Record eu não preciso acompanhar as primeiras reuniões que são de manhã. Isto também me poupa tempo, posso chegar de tarde. Mas é claro que misturo tudo, de manhã já ligo para a Record para dar um palpite e a tarde ligo para a Touareg para resolver um problema. Acabo sempre misturando tudo. E tem dado certo, estes três dias me deram tranquilidade e acredito que continuará assim.

    (01:02:11) Wesley: Boa Tarde, Porque saiu da emissora sbt para ir para record?

    (01:25:18) Ana Paula Padrão: Wesley, não, a ordem dos fatores é diferente. Primeiro saí do SBT, meu contrato estava terminando e eu não manifestei interesse na renovação. Porque o produto que eu estava fazendo lá estava sofisticado demais para a casa, me vi sem espaço para desenvolver o tipo de trabalho que fazemos na Touareg dentro do SBT. E como a produtora estava indo muito bem e estava finalizando o projeto do Mind the Gap resolvi ficar só com a produtora. Quando saí de lá recebi convites, inclusive da Record. E na Record consegui um esquema que me favorece, primeiro que é conseguir continuar trabalhando na Touareg de manhã e segundo de continuar fazendo reportagens de rua que é uma coisa que não queria perder. Voltar para a bancada não estava em meus planos, mas a Record conseguiu conciliar as duas coisas. Foi uma arquitetura feliz para mim, assim resolvi aceitar o convite de Record. Mas primeiro pensei em ficar só com a produtora.

    (01:18:06) Geovanna/UOL:

    A jornalista Ana Paula Padrão conversa sobre sua estreia na apresentação do "Jornal da Record" (Record) (Geovanna Morcelli/UOL)

    (01:11:22) Wesley: Ana paula, você acha que na record terá mais oportunidades que teve no sbt?

    (01:26:16) Ana Paula Padrão: wesley, na verdade eu desempenho uma função dupla na Record. O SBT era um cliente da Touareg e na Record sou uma contratada da empresa para apresentar o Jornal da Record com o Celso Freitas e fazer séries de reportagens quando for cabível.

    (01:11:20) JOSÉ: Qual foi o mair desafio da sua vida profissional?

    (01:28:49) Ana Paula Padrão: José, uma pergunta difícil, o maior desafio é aquele que ainda está por vir. Como sou permanentemente animada, nunca perco a chama e a curiosidade de repórter. O desafio é fazer uma coisa que nunca fiz. Isto quase sempre está envolvido com reportagem. Por mais que se esgote os assuntos, a capacidade humana de criar coisas novas é infinita, sempre nos deparamos com alguma coisa que não fizemos e não sabemos como tratar. Por exemplo, em 1999, houve o acidente nuclear de Tokaimura no Japão e eu fui fazer. O acidente aconteceu em uma usina nuclear e o isolamento da área só se deu depois de alguns dias, mas chegamos antes. E é muito diferente de cobrir qualquer outra situação perigosa porque não enxergamos o perigo. Ele pode estar ali nos contaminando e não sentimos. E o meu ímpeto era de tentar chegar o mais perto possível da usina, tentar as melhores imagens possíveis. É até uma coisa desajuizada porque é um risco. Mas quando você não percebe o risco iminente tende a não reagir a ele. É uma situação nova, pois os primeiros acidentes nucleares aconteceram a partir de Chernobyl. É muito difícil reagir a situações em que não estamos preparados para enfrentar. E isto sempre acontece. Então os meus maiores desafios estão ligados a administração de área deles.

    (01:19:21) sofia: Qual a sua principal missão nessa fase da carreira?

    (01:29:59) Ana Paula Padrão: Sofia, a minha missão junto a Record é trabalhar no sentido de ajudá-los a se estabelecer como a principal oferta de boa televisão no Brasil. Eles estão fazendo um investimento correto. São sérios, acreditam no que estão fazendo e irei colaborar com o meu desempenho e experiência. Isto é um objetivo, no que estiver ao meu alcance trabalhei para que a Record se estabeleça e chegue ao primeiro lugar. E do ponto de vista pessoal é realizar o Mind the Gap, assim ficarei muito realizada profissionalmente e pessoalmente.

    (01:19:36) Liu: O que você achou dos correspondentes da emissora???

    (01:31:28) Ana Paula Padrão: Liu, são muito bons, a Adriana Araújo teve uma estreia espetacular em Nova York. Não é segredo de ninguém que ela é muito boa nas entradas ao vivo. Sempre se destacou muito nisso. E agora ela tem maturidade que só a idade trás para enfrentar a cobertura internacional que é difícil no começo. São correspondentes em vários pontos no mundo. Fiquei bem satisfeita. E a Record não vai parar por aí. Ela tem muita agilidade de trazer o noticiário onde quer que ele esteja.

    (01:32:44) Ana Paula Padrão: Quando somos convidados para determinados postos não perguntamos o que vão fazer com quem ocupa aquele posto naquela hora. Apesar disso, eu perguntei, porque como tenho uma profunda admiração pela Adriana Araújo, já trabalhei com ela e ela estava muito bem na apresentação do jornal me preocupei em saber se era uma coisa que traria algum inconveniente para a vida dela. E a Record me assegurou que não. Mas como se deu a negociação com ela eu não sei e não é o meu papel saber isso. Seria até um excesso de minha parte querer participar disso. Então de minha parte foi muito tranquila. A Adriana é uma excelente profissional e atuará bem onde quer que esteja. Enfim, vou procurar fazer o melhor para desempenhar bem o papel que fui convidada a desempenhar.

    (01:12:19) Carol: Ola Ana tb?Saiba q desde quando fiquei sabendo q vc viria tc conosco eu aguardo anciosamente por isso pois sou sua fã incondicional acho q atualmente na sua profissao ninguem supera vc.Ana sempre quis ver vc a frente do jornal nacional ,pois acho vc a pessoa mais indica ja q nao tem ninguem melhor.Queria saber d vc se algum dia vc almejou esta na bancada do jornal nacional apresentando diariamente? e se vc ainda tem contato com seus antigos colegas globais?

    (01:36:09) Ana Paula Padrão: Carol, muito obrigada pelo carinho, esta é uma das coisas que mais move um profissional. Eu nunca almejei nenhuma bancada, nunca quis bancada ou disputei. Quando recebi o convite para deixar de ser repórter quando era correspondente em Nova York em 2000 eu não quis, mas acabei aceitando o convite feito pelo Evandro Carlos de Andrade, diretor de jornalismo da TV Globo na época. Mas foi muito mais uma decisão de administração de carreira do que de desejo íntimo e pessoal. Foi pelo respeito pelo Evandro e como dizer não naquele momento inviabilizaria uma boa volta minha ao Brasil, então aceitei aquilo. Depois disso aceitei um convite do Silvio Santos para reorganizar o departamento de jornalismo dele e ancorar o SBT Brasil. Mas desde o início eu dizia a ele que queria voltar à reportagem. Tanto que depois de dois anos chegamos a um acordo para eu realizar o SBT Realidade. E agora mais uma vez resolvi administrar a minha carreira fazendo menos o que o meu coração mandava. Então nunca tive nenhuma expectativa ou ambição para voltar a bancada. Tenho 24 anos de jornalismo e sete de bancada. Todo o resto é na rua e me orgulho muito disso. Com relação aos meus colegas na Globo, tenho vários deles, alguns são bons amigos de longa data. Perdemos empregos e não amigos.

    (01:23:05) CADÚ: Olá Ana Paula. Li sobre sua produtora e ouvi ótimos comentários sobre a Touareg. Vocês produziam o programa que você apresentava no SBT, certo? Que outros trabalhos vocês desenvolvem??

    (01:38:51) Ana Paula Padrão: Cadú, sim, o meu primeiro cliente foi o SBT. Montei a produtora para fornecer para o SBT os programas do SBT Realidade. Eles eram produzidos em termos logísticos e editoriais na Touareg e levávamos para o SBT para a finalização. Depois começamos a trabalhar para outros clientes, principalmente do mundo corporativo, na área de produtos audiovisuais. Desenvolvemos produtos ligados a verdade da empresa, ao que ela realmente faz e a relação que ela desenvolve com a comunidade. São histórias muito reais sobre empresas. São produtos muito bons e de boa qualidade. O nosso diferencial é desenvolver sempre histórias ligadas a verdade das empresas, o que elas fazem de melhor. Desenvolvemos também vídeos para internet para quem quiser ver sua história bem contada lá. Trabalhamos com todas as mídias, principalmente audiovisuais, mas não apenas esta. No momento estamos muito voltados para produtos e formatos para TVs no exterior, há uma demanda muito grande.

    (01:24:17) Hugo - Londrina: Olá, antes espero que você, com sua capacidade que é indiscustível, realize um ótimo trabalho na Record. Você não tem medo de ficar um telejornal meio com cara de Globo, ou seja, uma coisa meio marido e mulher?

    (01:40:16) Ana Paula Padrão: Hugo - Londrina, obrigada. (risos) Não, eu tenho o meu marido e o Celso tem a mulher dele, mas somos muito amigos. Se aproximar dele agora foi muito bom, ele sempre foi meu colega. Nós estamos muito empenhados em fazer do Jornal da Record o jornal número um. Nossos objetivos são parecidos. Mas quando tem um homem e a mulher apresentando um jornal nem sempre eles devam desenvolver, digamos, uma relação íntima. Aliás, a maioria dos apresentadores de telejornais neste formato não são casados. Não precisa acontecer e não há nenhum risco de acontecer.

    (01:30:18) ghm producoes: Você não teme, enquanto jornalista, sofrer represálias da igreja universal em determinados assuntos em pauta e que você considera importante jornalisticamente?

    (01:41:19) Ana Paula Padrão: ghm producoes, não vejo isto acontecer, as reuniões de pauta acontecem com a maior liberdade por uma equipe de profissionais, jornalistas bem formados e com longa experiência no mercado. E as decisões são tomadas jornalisticamente, de acordo com a linha editorial do jornal, com o público que o jornal tem e sem nenhuma interferência de outro setor da Record que não seja o do próprio jornalismo. Cada empresa tem o seu acionista majoritário que tem os seus interesses sejam eles econômicos, políticos ou religiosos. Isso no bom jornalismo não deve interferir no produto que está sendo feito. E em geral não interfere, mas quando interfere é tão fragrante que o próprio leitor, telespectador ou ouvinte percebe isso e deixa de ver o produto. E não é isto o que acontece na Record.

    (01:30:32) moises sjc: Ana Paula, o que falta para você atingir na sua carreria. O que ainda gostaria de fazer que ainda não fez?

    (01:43:31) Ana Paula Padrão: moises sjc, apesar de meu entusiasmo quase juvenil pela carreira e de encarar tudo como uma grande novidade, eu já ganhei muito mais do que imaginava na vida. Fui repórter local, cobri buraco de rua a delegacia de política. Fiz cobertura econômica tanto local quanto internacional. Fui colunista de economia durante muito tempo. Cobri noticiário político, cobri as grandes CPIs, cobri os planos econômicos. Fui correspondente internacional. Cobri zonas de guerra. Fiz bancada como âncora, como apresentadora, como editora chefe de telejornal. Passei por vários locais da televisão. Talvez no futuro eu possa fazer entrevistas como faço no Mind the Gap. Quem sabe no futuro isto vire um produto específico. Não quero passar o resto de minha vida apresentando um jornal. Mas não tenho mais grandes ambições. Pelo contrário, as minhas ambições estão muito mais na área pessoal. Já tive até mais do que imaginava que teria um dia.

    (01:26:11) Thiago: Boa tarde, quero lhe dizer que sou seu fã, profissionalmente e pessoalmente. Vc pensa ser mais fácil não estar tanto a frente de uma direção geral do jornalismo na tv? e mais apresentando ao vivo? obrigado bjs

    (01:45:58) Ana Paula Padrão: Thiago, quando você exerce uma função editorial e também apresenta o telejornal você tem uma função dupla, então o peso de todo este trabalho fica em seu ombro e muitas vezes você o carrega para a bancada, é mais difícil. Mas confesso que nunca tive medo do trabalho e isto não predominou pela escolha da Record neste momento, mas sim o fato de que eu precisava de tempo para os meus projetos pessoais, para a produtora, para o Mind the Gap, para os meus clientes e também para a minha vida pessoal. No começo trabalharei seis dias por semana, mas depois terei os fins de semana para ficar com o meu marido. Hoje acredito que tem que ter vida pessoal tanto quanto ter sucesso profissional e precisa cuidar destas duas áreas. Sem o peso do fechamento do jornal consigo ter tempo para várias outras atividades de minha vida e quero dar tempo para elas. Eu sou muito caseira, gostamos de ficar em casa, ouvir música, ler demoradamente os jornais, de ler um livro encostada no sofá. Isto é muito mais programa do que qualquer outra coisa.

    (01:32:31) carola: ana paula, vc não acha que colocar o jornal no ar no mesmo horário do JN pode ser prejudicial pq o povo tem o hábito de assistir a Globo nesse horário?

    (01:32:39) CHRISTIANO_CAM: ANA PÁULA, VC NÃO TEME MUDANÇAS FREQUENTES NO HORARIO DO JORNAL DA RECORD?

    (01:48:22) Ana Paula Padrão: carola e Christiano_Cam, esta é uma decisão da Record. Pessoalmente acho que hábitos se mudam e eles são muito corajosos por fazer isso. Eu não sei se eu optaria por isso, teria que pensar muito. Mas eles são corajosos em suas decisões, o que é muito importante para se estabelecer uma empresa. Ter coragem e traçar estratégias arriscadas é muito importante para você se consolidar. Então em primeiro lugar tendo a admirar a decisão. Com relação a mudança de horário, não é da tradição da Record alterar demais o horário da programação. Uma coisa que eles aprenderam é que grade é muito importante principalmente para os produtos de jornalismo. A televisão basicamente é um veículo de entretenimento. As pessoas assistem um telejornal porque já estão vendo um programa de entretenimento que as agradam e depois virá outro programa de entretenimento que as agradam. Normalmente o telejornal está "ensanduichado" por produtos de entretenimento. Você não vê nas TVs abertas um telejornal atrás do outro. Então a Record sabe que a sua grade é muito importante, que precisa de bons produtos para sustentar um jornal e está seguindo esta receita clássica de televisão que dá muito certo.

    (01:33:43) Julio: Ana Paula, você já foi ameaçada em decorrência de alguma reportagem? Em caso positivo, conte-nos -- se possível -- a experiência.

    (01:51:24) Ana Paula Padrão: Julio, sim, recebemos ameaças veladas ou explícitas com alguma frequência porque nem sempre agradamos todo mundo. Já recebi ameaças principalmente na época em que cobria assuntos muito delicados em Brasília na área política. Mas são histórias que pertencem ao passado. Os personagens já estão devidamente punidos pela história e não vale a pena voltar a isso.

    (02:04:09) Ana Paula Padrão: Sobre o caso do repórter do CQC que foi derrubado pelo segurança do Sarney: Cenas de pugilismo explícito como o que aconteceu não vi muito porque o Congresso era muito mais fechado do que hoje. O Congresso, por incrível que pareça, arejou. Há 18 ou 20 anos quando comecei a cobrir o Congresso o Senado, por exemplo, era uma casa praticamente só de grandes coronéis da política, políticos profissionais. E com o tempo outros personagens mais ligados a área executiva nos seus Estados foram se elegendo e ocupando espaço, inclusive políticos mais jovens. A gente brincava quando comecei a cobrir o Senado dizendo que toda a sessão deveria ter pelo menos três intervalos para os senadores tomarem a sopinha. Era uma maldade, mas dizíamos isso porque a faixa etária era altíssima. E hoje não é mais. Mas este processo é lento, a democracia não é rápida. Se formos olhar a nossa história, temos uma redemocratização muito recente no Brasil. Quantas eleições tivemos desde o início do novo período democrático? Poucas. Este é um processo devagar, as pessoas aprenderão com o tempo a eleger representantes melhores. Isto tudo se as condições de vida no Brasil melhorarem. Mas naquela época talvez a violência não fosse tão explícita com seguranças afastando repórteres, havia outro tipo ameaça mais velada, mais difícil, era comum pessoas poderosas pedirem a cabeça de repórteres nos jornais e nas TVs. Hoje isto acontece com menos frequência e que bom que é assim.

    (01:43:09) Osmar: Ana em que situaçao,,,a rede d televisao seja ela qual for,,,podera te censurar???

    (01:45:58) Roberto Vasconcell: Liberdade de imprensa, liberdade de expressão, liberdade de culto e liberdade de mercado. Essas liberdades convivem harmônica ou conflituosamente com a sua profissão?

    (01:53:34) Ana Paula Padrão: Osmar e Roberto Vasconcell, se um veículo se torna grande é porque foi aceito pela sociedade e pela qualidade do produto que apresenta. Claro que existe a mistura dos interesses econômicos, políticos e religiosos do acionista majoritário com o produto que ele oferece. Mas estes produtos de qualidade ruim tendem a serem punidos pela própria sociedade que não os lê, que não os vê ou que não os ouve. Se uma rede se tornou muito grande, se um jornal se tornou grande ou uma revista cresceu é porque ganharam uma espécie de chancela de credibilidade das pessoas que consomem aquele produto. Então é muito difícil ver um produto 100% contaminado pelo interesse acionista se tornar um imenso sucesso. O jornalismo tem uma espécie de proteção natural contra a picaretagem explícita. Agora, é claro que acontece. Aconteceu com o New York Times. Isto acontece no Brasil, mas acontecerá cada vez menos quanto mais sólido estiver o processo democrático, quanto mais preparada a sociedade estiver sendo crítica com relação ao produto que consome e quanto mais maduro estiver o acionista para saber que terá um retorno muito maior, inclusive financeiro, quanto menos contaminar o seu produto com os seus próprios interesses pessoais.

    (01:41:35) Mike: Ana Paula você acredita que a Record poderá utrapassar a Globo e ser a número 1 do Brasil e entre as primeiras do mundo?

    (01:54:40) Ana Paula Padrão: Mike, tenho que acreditar, eu trabalho lá e trabalhei firme para que isto aconteça. E eles estão no caminho. Claro que tem hábitos difíceis de mudar, mas eles mudam. Há 15 anos havia uma hegemonia muito maior não só da Globo como de alguns veículos de comunicação e hoje esta hegemonia está inteiramente quebrada. Temos uma divisão muito maior de público e de verbas publicitárias que jamais houve no Brasil. Então estamos no caminho. É um processo que com maturidade e investimento correto fará com que tenhamos um equilíbrio de forças muito maior em um futuro próximo.

    (01:45:00) investigativo: o que a faz sair do "Padrão" ?

    (01:55:33) Ana Paula Padrão: investigativo, a inveja, ela é muito chata. Mas a vantagem é que ela intoxica primeiro o fígado do invejoso. Hoje não saio mais do padrão por isso. Quando uma receita minha dá errado fico muito brava.

    (01:50:35) glauco: A televisão como veículo básico para entreter o público, não condinciona o sucesso do telejornal à audiência do programa de entretenimento anterior?

    (01:57:50) Ana Paula Padrão: glauco, sim, é este o modelo do negócio. Você tem vários programas de entretenimento e tem produtos de jornalismo "ensanduichados" pelo entretenimento. Este é o modelo clássico de televisão. Então tem que estruturar muito bem os seus produtos de entretenimento e dar o máximo de informação com o máximo de qualidade para que a pessoa que está se entretendo fique informada ao mesmo tempo. Mas se ela quer apenas informação provavelmente irá procurar um veículo específico que dê informação 24 horas por dia. Um exemplo prático, o Jornal da Record toda semana apresenta uma série de reportagens especiais com um grande repórter e esta reportagem especial em geral é pico de audiência no jornal. Quer dizer, o público quer consumir mais do que aquilo que ele viu durante o dia, os fatos do dia. Se além de tudo isso oferecermos a ele um produto diferenciado, que vá além do dia-a-dia ele consumirá bem. Então tem cosias a serem descobertas ainda para que ofereçamos um produto melhor de jornalismo, um produto de qualidade e que seja bem consumido pelo público. Mas é muito difícil mudar o padrão clássico que é o telejornalismo ensanduichado por bons produtos de entretenimento.

    (02:00:32) Ana Paula Padrão: Sobre as novidades: Foi muito bom ter voltado a tratar de assuntos brasileiros. Há muito tempo faço material internacional. O SBT Realidade 60% estava voltado para matérias no exterior. Então foi muito bom reconectar com o público. Na segunda-feira falamos de segurança pública focando especialmente nas condições dos presídios, na terça falamos de habitação principalmente para quem ganha pouco e não consegue de jeito nenhum viabilizar a compra da casa própria, ontem falamos de educação ainda um problema crônico no Brasil, hoje falaremos de emprego e de sua falta, mas também mostraremos bolsões onde as vagas são muito maiores ao de pessoas procurando principalmente por falta de qualificação das pessoas e amanhã falaremos de saúde. São cinco grandes temas super abertos feito em vários lugares do Brasil, foi um grande tour pelos problemas nacionais e foi muito bom voltar a fazer isso. Agora, tenho um armário cheio de pautas, normalmente executo o que não está na gaveta, não sei o que irei fazer nos próximos meses, mas já estou pensando nisso.

    (01:52:34) Galvão: Boa tarde, Ana Paula e sucesso nesse novo desafio. O motivo de sua saída da Globo em outras foi conciliar o seu horário com aquele projeto de ter filhos. Queria saber como ficou resolvido isso na sua cabeça, se já desistiu do seu desejo ou ainda pensa nisso em um futuro próximo?

    (02:02:02) Ana Paula Padrão: Galvão, digamos assim, filhos biológicos são planos irrealizáveis para mim. Já tentei vários tratamentos como fertilização in vitro, cheguei a engravidar e perdi. Desisti destes tratamentos porque para mim eram muito pesados e depois de alguns anos eles se tornaram um peso para nós, estávamos adiando a nossa felicidade devido a um projeto que não se realizava nunca. Temos um casamento muito bom, então com ou sem filhos serei muito feliz com ele. Isto já é uma dádiva. Se em algum momento realmente nos fizer muita falta sermos pai e mãe, educarmos uma criança, podemos adotar. Então posso esperar um pouco mais.

    (02:03:49) Ana Paula Padrão: Tem vários canais de comunicação que estou tentando manter com mais assiduidade agora, um deles é o meu site pessoal (www.anapaulapadrao.com.br). Está renovado e com mais canais de comunicação, certamente será um canal de comunicação do Mind the Gap. O site da Touareg é www.touaregconteudo.com.br. Todas as informações sobre os produtos que fazemos estão lá, o telefone da produtora é 3085-0740. Nele atende a Patrícia Nakamura que também pode dar notícias a meu respeito. Em breve faremos um site para os seminários que pretendemos fazer acontecer na metade do segundo semestre. Agradeço o carinho de todos, prometo retornar tudo em breve em um bom produto. Pois já estou podendo retornar coisas que aprendi neste mundo profissional.

    (02:04:10) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Ana Paula Padrão e de todos os internautas. Até o próximo!

    Hospedagem: UOL Host