(03:03:48) Tata Amaral: Olá a todos!
(03:03:53) alicia: oi, tata, sobre o que é essa minissérie e há qto tempo vem planejando-a?
(03:05:13) Tata Amaral: Oi Alicia, na verdade, venho trabalhando na série há apenas um ano. Para quem trabalha com cinema, até que é pouco tempo. A minissérie é sobre um cara que descobre que perdeu uma parte da sua memória, do tempo em que ele esteve preso nos porões da ditadura militar.
(03:05:40) joão - RJ: oi, tata! qual veículo você prefere para produzir: tv ou cinema?
(03:06:17) Tata Amaral: João - rj: Adoro cinema mas estou adorando produzir para a TV também. Difícil escolher entre os dois.
(03:06:29) alicia: como vc pesquisou sobre a ditadura para desenvolver a série? foi um processo difícil?
(03:07:11) Tata Amaral: Alicia, não foi difícil pesquisar, não. Há um vasto material mas, principalmente, conversei com os militantes que sobreviveram à repressão.
(03:07:12) Lelê: várias coisas novas têm surgido com o tema da ditadura... você acha que isso ainda pode mudar a cabeça das pessoas com relação a política?
(03:08:23) Tata Amaral: Espero que o fato de estarmos voltando a falar deste tema nos leve a uma cura. Uma delas, a que proponho na série, é que não aceitemos mais a tortura no nosso país. Tortura de espécie alguma.
(03:08:56) Dryca Lys: Boa Tarde, Tata Amaral. Como você vê o cinema brasileiro atualmente ?
(03:12:50) Tata Amaral: Dryca, eu acho que o cinema brasileiro reflete a diversidade da cultura brasileira e deve refletir isto mesmo. Há filmes para todos os gostos: dramas, comédias, documentários, etc. Isto é muito bom num país tão multicultural, multiracial como o nosso.
(03:13:02) fofoleta: para você qual a diferença entre trabalhar em televisão e em cinema e quais os desafios particulares a cada um
(03:16:03) Tata Amaral: Fofoleta, até agora, não me sinto trabalhando em televisão pois tanto Antônia quanto Trago Comigo foram produzidas fora da TV. O que tem sido bacana experimentar é a conversa com um público maior, que a TV permite. Por outro lado, é muito bacana a manufatura do cinema, cuidar de uma idéia desde sua gênese, captação de recursos, filmagem, lançamento... A grande diferença é, como me disse uma vez o Jorge Furtado: o público de televisão é desatento e desinteressado. Se você tiver que "matar alguém", mata logo no primeiro bloco. Em cinema, a gente conduz a história para esta "morte", digamos assim. Ela acontece no final.
(03:16:09) celina: Quando você vai voltar a trabalhar com cinema?
(03:16:49) Tata Amaral: Celina, espero que em breve termine a captação para meu próximo longa metragem, HOJE. Vamos filmar em fevereiro de 2010.
(03:17:29) celina: como foi a experiência de poder se relacionar com pessoas que realmente vivenciaram as torturas do período?
(03:18:48) Tata Amaral: Celina, conhecer os ex-militantes foi muito legal. Conheci pessoas que viveram uma experiência traumática, terrível, e que dedicam muito de seu tempo em lutar por um país melhor, até hoje. Coisa que, aliás, deveríamos todos fazer e praticar.
(03:19:25) tici: você conseguiu com a série fazer uma crítica aos torturadores da época da ditadura?
(03:22:05) Tata Amaral: Tici, acho que consegui levantar a questão e a discussão de que a sociedade que não identifica e pune aqueles que cometeram crime de lesa humaninda, é uma sociedade que aceita a tortura. Nós convivemos até hoje com a tortura, o preconceito: nas ruas, nas delegacias de polícia, etc. É preciso que a gente determine que não aceitamos mais a tortura no nosso país. Não queremos conviver mais com isto.
(03:22:14) Melanie: Olá...qual a maior dificuldade de fazer cinema brasileiro de qualidade para um publico que muitas vezes prefere algo mais hollywoodiano?
(03:23:51) Tata Amaral: Melanie, acho que o público brasileiro é bem diversificado. Tem muita gente que gosta de outros tipos de filmes que não aquele feito em Holltwood. Eu mesma aprecio a ambos. De qualquer maneira, eu não venho de Hollywood, mas de São Paulo, Brasil. Faço filmes aqui.
(03:24:03) Dryca Lys: Há espaço para novos roteiristas na televisão e no cinema ?
(03:25:12) Tata Amaral: Dryca, acho que há muito espaço para novos roteiristas, sim. Cada vez mais. Principalmente por causa da produção para televisão. Há falta de profissionais.
(03:25:34) kaka: vc vivenciou a ditadura? isso refletiu de alguma forma na série?
(03:26:42) Tata Amaral: Kaka, eu nasci em 1960. Eu tinha 4 anos quando aconteceu o golpe militar. Não vivenciei este período como os adultos. Tenho lembranças de notícias, explosões, paradas militares...
(03:27:04) Formiga: Tata, já tinha trabalhado com algum dos atores de Trago Comigo?
(03:29:01) Tata Amaral: Formiga, eu já tinha trabalhado com um ator muito legal, chamado Pedro Lemos, na série Antônia. Trabalhei também com o maravilhoso Julio Machado, que fez o playboy no filme Antônia. A Paula Pretta, também maravilhosa fez participações na série Antônia e ajudou a Patricia Faria na produção de elenco do filme. É muito bom construir parcerias com os atores. Fiquei muito feliz em repetir a dose.
(03:44:31)
Moderadora/UOL:
Ensaio de "Trago Comigo", com direção de Tata Amaral (crédito: Divulgação) (03:29:20) tiago: Hoje na FOLHA, o Cony deixou uma pergunta em aberto, que eu pergunto a voce: haja visto a imagem que ate hoje guardamos dos vencidos da II Guerra Mundial, uma imagem positiva muitas vezes, ainda hoje precisamos nos questionar sobre a possibilidade de um governo ditatorial?
(03:30:05) Tata Amaral: Tiago, acho que a pergunta que a gente deve fazer hoje é: por que ainda aceitamos a tortura na nossa sociedade.
(03:30:07) Leli: Tata, durante a produção do Trago Comigo, como foi a relação com o pessoal da Cultura? Vc teve total liberdade no desenvolvimento do trabalho?
(03:30:55) Tata Amaral: Leli, tive total liberdade criativa durante a realização da série Trago Comigo para a TV Cultura. Isto foi muito legal.
(03:30:57) mauricio: sou estudante de cinema e por coincidencia, vou fazer um curta de suspense com pano de fundo a ditadura militar e por esse motivo estou com dificuldades de captar recursos..qual sua dica para abordar tal assunto?
(03:32:01) Tata Amaral: Maurício, faça teu curta com coração!Descubra o que vc mais quer dizer e qual a conexão que isto pode ter com outras pessoas. Pense nelas antes de se colocar em movimento.
(03:32:11) kaka: qual a maior dificuldade que vc enfrentou na realização dessa série?
(03:33:51) Tata Amaral: Kaka, para a realização desta série, entramos numa espécie de universo paralelo onde tudo foi dando muito certo: a produção, a equipe, o elenco, a montagem... Foi um trabalho extremamente prazeiroso e coletivo. Pra você ver como a gente pode tratar de um tema denso e a sua manufatura pode ser leve, divertida.
(03:33:57) GUIDA: tata, oi minha querida...vc sabe que estou louca pra ver seu filme em que vc fala do seu pai, mas não deu....a mini série eu vi um capitulo só. Quando vai passar novamente o do seu pai e quando sairá em dvd? bj bem grande daqui da serrinha
(03:35:24) Tata Amaral: Guida, não tem data para reprise de O Rei do Carimã, infelizmente. Vamos ver se sai o DVD, adoraria. Mas estou inscrevendo o filme em festivais, será uma nova oportunidade. A série está sendo reprisada pela TV Cultura aos domingos às 22 hs até o final do mês. Um beijo enorme para você.
(03:35:29) fofoleta: Aproveitando a pergunta do Formiga, como foi trabalhar com o Riccelli?
(03:36:59) Tata Amaral: Fofoleta, foi muito bom trabalhar com o Riccelli. Ele é um excelente ator, além de muito dedicado e parceiro. Ele também criou uma ótima relação com o grupo de teatro, dirigia-os, orientava-os. Além do mais, Riccelli é muito generoso, como ator e como parceiro. Foi o máximo!
(03:37:01) mauricio: você acredita no desenvolvimento de um polo cinematografico no interior de são paulo?
(03:37:50) Tata Amaral: Maurício, você deve estar falando de Paulínia, não é? Eu acho uma ótima idéia, a de um polo cinematográfico no interior. Uma iniciativa que deveria ser seguida por outras cidades.
(03:38:07) paula: tata, boa tarde. pra vc qual é o caminho que deve ser percorrido para quem almeja ser roteirista?
(03:39:41) Tata Amaral: Paula, acho que um aspirante a roteirista deve ler muita literatura, ter talento para contar histórias (pode treinar contando histórias para seus amigos e familiares) e estudar as técnicas. Depois disto, tem que escrever, ver o que escreveu filmado, escrever e escrever.
(03:40:08) Melanie: Oi Tata.. em que partes do país houve mais ou menos receptividade do público e se você leva em consideração a opinião do público para suas novas produções?
(03:41:13) Tata Amaral: Melanie, eu levo muito em consideração a opinião do público. Mas não tenho agora os dados sobre meu último filme, Antônia. Tenho a impressão de que não foi bem em algumas capitais do nordeste.
(03:41:16) abel.albuquerque: Qual o maior desafio em transformar a "realidade" em ficção, principalmente sobre um tema como a Ditadura Militar, um tão abordada em documentários e trabalhos mais ligados aos fatos históricos?
(03:42:52) Tata Amaral: Abel, a maior dificuldade em Trago Comigo foi encotrar uma solução que ao prescindisse de flash backs mas que tratasse da recuperação da memória. Encontramos o teatro como palco das lembranças de Telmo ao mesmo tempo que palco do resultado da peça que ele montará no futuro. Acho que o resultado ficou bacana, dialético. O que acha?
(03:42:59) carina: Tata, nos seus trabalhos, seja para tv ou cinema, como funciona a decisão sobre as trilhas sonoras? Existe algum compositor ou produtora de som parceira com quem você gosta de trabalhar? Acha que temos bons compositores para cinema no Brasil?
(03:44:44) Tata Amaral: Carina, eu trabalho com o Livio Tragtenberg, Wilson Sukorski. Em Antônia, trabalhei com o Beto Villares a agora com o Habacuque LIma e Bruno Serroni. São estilos diferentes, todos muito criativos, competentes, cumpridores de prazo. Sei que temos uma infinidade de músicos excelentes no Brasil.
(03:46:12)
Moderadora/UOL:
Carlos Alberto Riccelli em cena de "Trago Comigo" (crédito: Divulgação) (03:45:25) Tenista Fem 28 sp: Ola tata tudo bem? sou estudante de cinema digital ,gostaria de saber se vcs procuram fazer algum processo seletivo para trabalhar na area de produçao dos seus filmes ou sempre procura trabalha com as mesmas pessoas ,qual conselho vc me da para entrar no mercado de trabalho
(03:46:17) Tata Amaral: Tenista, acho que vc deve começar estagiando com algum produtor. Se ele gostar de você, você está feito. Não falta trabalho para produtores.
(03:47:17) Lelê: como você seleciona os atores para os seus filmes?
(03:48:41) Tata Amaral: Lelê, a Patricia Faria faz a pesquisa de acordo com o perfil dos personagens. Me mostra opções, eu escolho e faço os testes. Sempre gosto de mostrar minhas opções para meus parceiros, em especial minha filha, que é minha sócia.
(03:48:53) curioso: o que te levou a fazer cinema?
(03:49:37) Tata Amaral: Curioso, eu assisto filmes desde pequena. Quando eu tive que optar por uma profissão eu pensei: qual a coisa que eu mais gosto no mundo? A resposta foi cinema.
(03:49:57) Márcia: Querida, acompanho seus trabalhos há muito tempo e é muito bom ver e se deliciar com o seu crescimento. Fiquei particularmente emocionada com esse Trago Comigo. Gostaria que falasse um pouco sobre essa linha tênue entre o documentário/ficção. Beijos e sucesso.
(03:52:39) Tata Amaral: Marcia, obrigada pelo interesse em meus trabalhos. Quanto ao Trago Comigo, desde o princípio, quis misturar ficção com documentário. As entrevistas foram realizadas pelo Matias Mariani que fez perguntas que tinham a ver com as situações do roteiro. Eu queria saber coisas cotidianas: o que te fez entrar para a militância? como era o cotidiano na clandestinidade? como era o cotidiano das torturas? Depois, na montagem, as coisas foram se completando.
(03:52:48) Maria de Fatima: Antes de começar a gravar vocês ensaiam por muito tempo ou prefere ir para o set sem ensaio?
(03:54:18) Tata Amaral: Maria de Fatima, normalmente, eu ensaio muito com os atores. Mas nesta série, não tive tanto tempo assim. Ensaiamos com o elenco da peça e depois entrou o Riccelli. Fizemos leituras de todos os episódios, com todos os atores, levantando as cenas mais complexas. Em seguida filmamos. Este processo durou 2 semanas.
(03:54:29) abel.albuquerque: Achei não só a proposta muito interessante como sua execução. Outro ponto que achei muito bacana foi a estética visual que você impôs, usando um elemento que, na minha opinião foi fundamental, a presença constante de sombras. Foi algo intencional?
(03:56:38) Tata Amaral: Abel, obrigada. Chamamos o JC Serroni para a direção de arte, ele vem de teatro e trouxe soluções bem legais, né? O elemento principal foram os metais que lembram correntes, fios elétricos e a idéia é que tudo ficava engavetado no cenário, a espera de Telmo ir trazendo estes elementos à luz, como ele foi trazendo suas lembranças. O claro-escuro veio com a iluminação do Jacob Solitrenick, que encontrou soluções lindíssimas e riquíssimas para uma única locação, o teatro.
(03:57:00)
Moderadora/UOL:
Tata Amaral fala sobre como decidiu ser cineasta: "quando eu tive que optar por uma profissão eu pensei: qual a coisa que eu mais gosto no mundo? A resposta foi cinema." (crédito: Divulgação) (03:57:08) Maria de Fatima: Tata, você pretende participar de festivais com Trago Comigo??
(03:59:30) Tata Amaral: Maria de Fatima, Trago Comigo vai participar da 4ª Mostra de Direitos Humanos do Mercosul. Além disto, pretendemos mandar para alguns festivais de televisão, sim.
(03:58:05) Leli: Gostei muito de Trago Comigo, há possibilidades de novas parcerias com a TV Cultura? Já há algo em vista?
(04:00:01) Tata Amaral: Leli, tenho algumas idéias para apresentar à TV Cultura, sim. Espero que gostem. Eu gostei muito de produzir para Tv.
(03:59:39) Fernando: Tata, você esperava que a minissérie tivesse tanto sucesso quanto está tendo??
(04:00:28) Tata Amaral: Fernando, eu não esperava a repercussão que a série teve. Fiquei muito feliz com ela.
(04:00:11) Marquinho: Oi Tata é Marquinho Boaventura, assisti os 2 primeiros capítulos de Trago comigo. GOSTEI MUITO !!!!! Quero ver os próximos episódios. Será reprisado?
(04:01:31) Tata Amaral: Olá Marquinho, que prazer em ler você por aqui. Que bom que gostou da série. Ela está sendo reprisada aos domingos, na TV Cultura, às 22 hs. Começou dia 6 e vai até o final de setembro, um capítulo por semana. Beijo grande.
(04:00:47) Junior: Oi Tata...como foi o processo de montagem (edição) da série, tinha muito material e houve uma escolha na edição, houve muita improvisação ou o roteiro foi seguido a risca? Bj e parabéns pelo seu trabalho.
(04:03:15) Tata Amaral: Junior, o Pedro Vieira montou a estrutura da série e Idê e eu trabalhamos por quase 3 meses ajustando, econtrando os tempos, os respiros, os momentos. Como tínhamos somente 3 semanas pra filmar, não houve tantas improvisações assim. Obrigada pelos parabéns!
(04:04:06) Tata Amaral: Queridos, muito obrigada pela conversa. Foi um prazer. Espero que recomendem aos amigos que assistam Trago Comigo na reprise. Um beijo enorme a todos.
(04:04:28) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Tata Amaral e de todos os internautas. Até o próximo!