(03:05:43) Edgard Piccoli: Oi, tudo bom?
(03:10:41) Edgard Piccoli: Sobre o novo programa "Experimente": a ideia é levar bandas que já tenham um certo público em festivais alternativos e mídias digitais e dar um espaço na televisão para dar a oportunidade de que pessoas que talvez demorassem mais para descobrir estas bandas possam ter contato com elas, conhecê-las, ouvir. Tem muita coisa legal, muita coisa boa. São doze episódios sempre com duas bandas e uma terceira com um trecho de um clipe. Alguns nomes que a gente não conseguiu viabilizar, nós demos esse bônus de exibir um vídeo. Nós já gravamos toda a temporada, tudo em quatro dias aqui em São Paulo nos estúdios da Quanta e foi muito legal. Foi muito natural para mim, de muito tempo que eu já tenho na minha carreira. Foi bom rever amigos, rever bandas que eu já tinha tido contato em festivais e nós nos unimos numa espécie de confraria, eu, o diretor e o roteirista, garimpando no MySpace e ouvindo coisas que a produção trazia também. Foi um trabalho de pesquisa, mesmo. A ideia era também fazer que esse espaço na televisão
(03:10:56) leiloca: oi, edgard! sou sua fã desde a MTV. Como vc consegue se manter tão jovem??? Não envelhece nunca. Beijos
(03:05:35) lulu: Oi Edgard! Eu sei que vc tá com um novo programa e tudo mais, mas li aqui que vc já tme 17 anos de carreira! Como você pode aparentar tão jovem? Você continua super gatinho! rs Qual programa até hoje vc mais gostou de fazer?
(03:17:11) Edgard Piccoli: lulu e leiloca, eu tenho 44 anos e, sei lá, a gente muda, engorda, emagrece! (risos) O cabelo fica branco... Eu acho que são coisas naturais da vida e eu encaro isso com a maior naturalidade. Eu vou correr no parque, mas não tenho muito o hábito de fazer tanta coisa. Eu faço algum exercício sozinho, gosto de me sentir saudável. Não acho legal quando as pessoas ficam brigando contra a idade, tem as senhoras gatinhas hoje em dia, né? (risos) Tem limite essas coisas, as pessoas buscam uma aparência física, uma eterna juventude e isso tem um peso, se não na aparência, na cabeça, pelo menos! (risos)
(03:20:50) Edgard Piccoli: lulu, dá para eleger alguns. Olha, do tempo da MTV eu gostava muito de fazer o "Palco MTV", que foi um projeto que eu desenvolvi. Eu ia nos bastidores das turnês e foi aí que eu me desenvolvi melhor como entrevistador, eu já tinha uma experiência no rádio com isso, mas na televisão foi a primeira vez. Eu fiz o "Fanático" também, que era um game de auditório, era legal também. A MTV me ensinou muito, me formou e concretizou o ciclo que eu já vinha desenvolvendo no rádio. Depois que eu entrei no Multishow, eu adorava o "Circo". Foi um programa que eu ajudei a idealizar e formatar e era uma delícia! Me dava um prazer enorme e me realizava porque todo mundo que ia saía feliz e gostava de participar. Tinha um resultado muito bom, o público tinha uma empatia muito boa com o formato do programa também. Lá eu puxava todo mundo pra música, desde o Selton Mello até a Hebe Camargo. Depois decidiram pelo final no programa, entrou o "Edgard no Ar" e novamente mudaram as direções do canal e agora estou com o "Experimente". A ideia era também fazer que esse espaço na televisão tivesse a intenção que tem o MySpace, mesmo. Existe a possibilidade de que o projeto continue, porque o programa rende desdobramentos na programação. Gravei essa temporada com uma vontade muito grande, mas sem dúvidas que o "Circo" e o "Edgard no Ar" eram mais desafiadores.
(03:06:26) Marcc: De onde surgiu a idéia de levar as bandas novas para um flat? É cenário ou vc mora lá mesmo? rs :D
(03:24:02) Edgard Piccoli: Marcc, eu moro ali, sim. O apartamento fica em Cerqueira César e tem um visual ali para a 9 de Julho... (risos) Mentira, é um cenário! Ele tem a conotação de um apartamento mesmo, para dar um clima intimista. Quando começamos a discutir o programa nós queríamos realmente que o cenário fosse intimista, queríamos deixar as bandas à vontade.
(03:11:08) musique: voce ja tocou com um monte de bandas... pode citar algumas? quais destas participações mais te marcaram?
(03:26:20) Edgard Piccoli: musique, olha, eu sou um diletante da música, né? (risos) Eu sempre me agarrei a ela de alguma forma. Tive banda, viajei para o interior de São Paulo tocando quando eu era adolescente e até hoje eu brinco com isso. No programa eu acho que isso foi um diferencial também, o pessoal gostava de ver um apresentador que se metia no meio das bandas e tocava, era um diferencial televisivo. Nunca era premeditado, forçado, sempre procurei trabalhar dentro do que eu entendia como legítimo, nada imposto. Eu queria atingir a espontaneidade, a celebração junto ao artista que eu recebia ali. Com alguns artistas eu não toquei, nem sempre rolava, era tudo natural. Eu tive o prazer de tocar com um monte de gente, Wagner Moura, Selton Mello, Caetano Veloso, Ivete Sangalo... Teve um episódio em que recebemos o Herbie Hancock, um dos monstros do jazz. Ele já tinha nos dito que ele não iria tocar piano lá, que ele só daria entrevistas. Nós aceitamos mesmo assim e, por acaso, eu sabia tocar uma base de uma música dele no piano e resolvi fazer uma surpresa para ele. (risos) Eu avisei meu diretor e guardamos para o final do programa. O Herbie contou muitas histórias da carreira dele e, no final, eu falei para ele que eu era um jovem compositor, sentei no piano e comecei a tocar a música dele. No final, ele já estava do meu lado sorrindo e batendo palmas e a banda me acompanhando. Foi muito legal, uma celebração. Tive uma sorte tremenda naquele momento. (risos) Vários que foram no programa nós dividimos essa parte musical, a Fernanda Abreu, Wilson Simonal.
(03:12:01) Educadinha: Nossa 1° parabéns!!! gostaria de saber se vai sair na estrada ou vai ser só palco?
(03:31:45) Edgard Piccoli: Educadinha, legal essa pergunta! A idéia segue, mas nesse formato do apartamento, talvez mude. Pode ser que tenhamos mais uma sériezinha assim, nesse formato, ou levarmos a mesma série com mesmo conteúdo para festivais, pubs, estúdios. São muitas possibilidades. Pelo que eu já conversei com meus diretores é que continue.
(03:19:19) lea: voce acha que poderia seguir outros rumos na sua carreira que nao seja programa de tv ligado à musica?
(03:33:17) Edgard Piccoli: lea, eu poderia, sim. Eu acho que até pela minha formação eu tenho uma versatilidade na maneira de conduzir. Desde a MTV, onde eu fiz programas de diversos segmentos musicais, eu fui transitando por diversos gêneros musicais. Eu fui jurado do programa do Kid Vinil, já fui apresentador de programa de televendas, também. Eu vejo tudo como desafio, como possibilidade de agregar coisas a minha carreira.
(03:19:23) José Robson: qual a faculdade que você si formou?
(03:36:40) Edgard Piccoli: José Robson, eu fiz publicidade na Puccamp e foi uma experiência incrível para mim, por conta da vivência no campus. O curso eu escolhi sem o menor preparo, não era exatamente o que eu queria. Eu escolhi isso na época porque era um curso promissor. Eu não tenho a menor habilidade para promover o consumo! (risos) Quanto eu trabalhei com televendas, era tudo muito intuitivo, fui jogado aos leões ali, na base da improvisação. Tanto no rádio quanto na televisão eu acabei vendo que era melhor ter feito jornalismo, sendo que eu acabei aprendendo na prática. Eu atuo muito tempo na área sem ter o diploma de jornalista e vejo que a ética está em você, a faculdade não ia mudar isso em mim.
(03:20:36) Multishow: Edgar vc trabalha muitas horas no ar?
(03:41:21) Edgard Piccoli: Multishow, um programa de meia hora significa 25, 26 minutos de hora-arte. Nós gravamos super rápido. Das 24 bandas que tocaram nessa temporada, só duas voltaram para repassar o som, por exemplo. Eu comecei no rádio e no rádio é naturalmente ao vivo. O fio na barriga existe, mas ele te prepara muito bem. Tanto que meu primeiro trabalho na MTV foi ancorar um show do Midnight Oil, foi a primeira transmissão ao vivo da emissora e eu tive que segurar ali. Esta temporada do "Experimente", por exemplo, nós chegávamos para gravar de manhã e saíamos no início da noite.
(03:23:25) Curinga: Edgar, qual a sua motivação em "lançar" novas bandas no mercado?
(03:43:06) Edgard Piccoli: Curinga, a motivação é o prazer de levar o novo para as pessoas conhecerem, de descobrir também novas coisas. O prazer é mostrar para as pessoas mesmo, fazê-las experimentar. Tem bandas muito legais! O Copacabana Club, o Stop Play Moon, o Volver... É legal fazer as pessoas respirarem novos ares musicais.
(03:24:54) Thaise: como é completar 17 anos de carreira na tv ?
(03:44:21) Edgard Piccoli: Thaise, é legal olhar para trás e ver algo construído, um caminho percorrido, e olhar adiante e ver que há novas coisas pela frente. Eu quero sempre fazer o que eu gosto, mas temos de pensar também no futuro. Eu, por exemplo, tenho uma família grande e tenho que buscar um conforto legal. É uma demanda grande manter quatro filhos na escola! (risos)
(03:28:38) ric rock: quais suas inspiraçãoes na musica?
(04:03:51) Edgard Piccoli: ric rock, muita coisa! Rock Nacional, rock gringo, gosto de jazz e por muito tempo ouvi música instrumental brasileira também. Acho que existem dois tipos de música agora, a boa e a ruim. (risos) Eu adoro as coisas que o Beck faz, ele é inventivo, original. Gosto de Wilco, gosto do Fish. Mas, por exemplo, destas coisas mais recentes, eu gosto da Amy Winehouse, ela tem um potencial artístico muito grande. É cruel isso que eu vou dizer, mas um pouco do charme dela é realmente o fato dela beber demais. Claro que eu desejo que ela se encontre, mas é louco vê-la ter essa derrocada em praça pública.
(03:28:44) Marco 29 SP: Qual a sua opinião sobre a atual fase da MTV. Onde o videoclipe e as músicas foram colocados em segundo plano e substituidos por programas de auditório e piadas amadoras ? Pq caiu tanto o nivel MUSICAL da programação ?
(03:57:12) Edgard Piccoli: Marco 29 SP, lá na MTV nós eramos chamados de "órfãos da música" quando começaram as primeiras mudanças de grade da MTV. Eu entendo que você também deva ser um órfão da música. (risos) Mas isso realmente não é para a gente mais, tudo começou a ter que atrair uma audiência um pouco mais nova e isso até me incomodou um pouco às vezes. Era um ambiente que precisava ser correspondido e causou um pouco de desconforto nos meus últimos momentos por lá, fiquei lá quase 14 anos. (risos)
(03:30:26) Júh: Gostaria de saber como é ser pai e um apresentador tão descolado, eles gostam disso?
(03:50:35) Edgard Piccoli: Júh, todos eles nasceram já comigo na televisão, é uma coisa meio banalizada já. Eles vêem às vezes, mas não é uma coisa que eles se preocupam, como "vamos ver o programa do papai". (risos) O João e a Mariana, os mais velhos, gostam de música, tem bandinha, vão ensaiar lá em casa... Quando eu posso eu dou uma sugestãozinha. Esse fim de semana teve ensaio lá em casa e era um bando de moleque ensaiando "Purple Rain" do Jimi Hendrix e enquanto eu estava lá tomando cerveja com os meus amigos foi passando o dia e no final da tarde a música já estava bem melhor. (risos) Eu não sou nada descolado, aliás. Eu acho minha vida divertida, é trabalhosa, mas divertida! E ainda bem que pude viver da música também. Todos os meus filhos estudam música, mas nunca os obriguei. A música pode se tornar um fardo quando se torna uma obrigação e é melhor que seja um prazer, uma linguagem universal. O meu filho João gosta de rock e coisas antigas, gosta de Beatles, de AC/DC... A Mariana já mistura um pouco, ela ouve essas coisas também, mas já gosta desse TOP 10, de pop, black. Hoje em dia tem uma democratização com relação aos gostos, né? Mas quando eles estão ouvindo uma coisa muito ruim, eu falo... (risos)
(04:04:05)
Moderadora UOL:
Edgard dá dicas de música no Bate-papo do UOL e elogia o potencial de cantoras da nova geração como Amy Winehouse (crédito: Flávio Florido/UOL)(03:23:30) junior: edgar o q vc axa dos novos vjs da mtv..como adnet ...dani calabresa ... etc...
(03:54:45) Edgard Piccoli: junior, esses apresentadores não são VJs, eles são realmente apresentadores de televisão. O perfil da emissora mudou também e eu acho que estes novos apresentadores não querem também ser chamados de VJ. Quando eu entrei na MTV, ela era uma emissora bem musical. Eu, o Massari, o Thunder, o Gastão... Todos nós tínhamos esse perfil ligado à música. Todos éramos condutores da notícia e agora não. Acho que até por uma demanda de mercado a molecada quer dar risada, quer humor. Eles querem estar ligados a essas questões mais de comportamento. A Marina, o Leo e o João tem mais esse perfil musical, o Gordo também. O Mion não era um cara musical, era ator. O Cazé sempre teve um perfil de programa diferente também. Eu acho que a música perdeu espaço mesmo lá, mas ela ficou evidenciada na vitrine de projetos como o "Acústico" e o "Ao Vivo". Tudo era focado na música antes e, por uma necessidade, isso teve de se expandir.
(03:35:08) junior: ~edgar oq vc axou do vmb 2009? o q vc axa q deveria ser diferente?
(03:43:19) caloks: vc acha que o vmb deve mudar?
(03:59:58) Edgard Piccoli: junior e caloks, eu assisti o VMB e gostei. Estas premiações tanto do VMB quanto do Prêmio Multishow tem um formato americano, mesmo. Acho que em alguns momentos nós conseguimos ser felizes e traduzir tudo isso para a nossa cultura. Eu gostei da agilidade do Prêmio Multishow, mas eu acho que esse formato engessado é complicado, é melhor quebrar com isso. É bom prestar atenção e estar sempre procurando jogar ingredientes novos para um formato que já pode estar desgastado.
(03:47:51) nine: o que uma banda precisa ter p/ chamar a sua atenção?
(04:07:29) Edgard Piccoli: nine, acho que tem que ser original, mesmo usando referências do passado ou fazendo releituras. É preciso ter uma originalidade, buscar isso. Eu acho que com essa democratização das novas mídias essa sectarização diminui. Na cena alternativa, por exemplo, circulam bandas de rock, de música brasileira, de eletro e você não precisa escolher um ritmo só para ouvir.
(03:48:04) Regina: Edgard , vc já pensou em trabalhar nas emissoras de tv dos canais abertos ?
(04:07:58) Edgard Piccoli: Regina, claro que eu já pensei, sim. Eu ainda tenho uma trajetória a percorrer e imagino isso sim, desejo isso. Quem sabe num futuro próximo, não é?
(04:09:39) Edgard Piccoli: Obrigado, pessoal! Obrigado a todo mundo que participou e mandou perguntas, eu fico grato porque nós temos uma vida pública, construi uma trajetória. Sou muito grato aos lugares onde trabalhei e estou muito feliz no Multishow, apesar de ambicionar ir para uma emissora aberta. Gosto muito da casa e pretendo ainda seguir por um tempo nesse canal que me recebeu tão bem. Até!